— O que Vossa Senhoria quer dizer com isso? — Harry olhou para Sean com uma expressão confusa.
De repente, correu até a mesa de areia, examinou-a de perto, e depois abriu o mapa da região de Oro para estudá-lo cuidadosamente.
— O que Vossa Senhoria quis dizer com "entendo"? — perguntou, ainda sem compreender.
Quanto a Sean, ele observava os inúmeros pontos na mesa de areia, imerso em seus próprios pensamentos.
— Os Borgs vão declarar guerra.
— O quê? — Harry se virou, surpreso.
— Vossa Senhoria recebeu alguma notícia?
Afinal, ele era um conde, e até mesmo aqueles ao seu redor achavam que ele devia ter muitos canais de informação. Na verdade, no momento, a maioria das informações vinha de Harry ou do mestre de armas Joseph; ele não tinha seus próprios informantes.
— Ouvi dizer que os Borgs e os Cates formaram uma aliança e estão muito ativos no norte — disse Sean.
Os alquimistas foram forçados a estocar poções, o que claramente era uma preparação para o combate.
Justamente nesse período, membros rebeldes apareceram em sua cidade. Se ligássemos os dois fatos, seria plausível que os rebeldes estivessem fazendo isso como um "presente de boas-vindas" para obter o apoio dos Borgs, já que atacar um nobre imperial significaria declarar guerra formal ao Império.
Se o norte também entrasse em guerra, talvez os rebeldes conseguissem tomar uma região no meio do caos.
— Os Borgs sempre foram hostis ao nosso Império Bashalan. Há muitos casos de comerciantes sendo insultados e roubados em Borg. Até no dia da coroação do rei, os Borgs realizaram uma grande caçada a veados, e o totem da família real é justamente uma cabeça de veado. Isso é claramente um desrespeito a nós — Harry começou a falar habitualmente sobre os Borgs.
Mas Sean não prestou muita atenção; apenas perguntou se Ross estava por perto.
O grande estudioso da capital estava sumido ultimamente. Seu trabalho de registro estava chegando ao fim, e ele já devia ter uma compreensão clara do desenvolvimento da cidade de Oro. Por isso, passava o tempo em uma vila nos arredores de Oro, continuando suas pesquisas.
Em várias conversas, Sean soube que Ross ainda se lembrava profundamente do incidente no Vale Superior, o que o deixava muito interessado nas vilas próximas a Oro. Já fazia muito tempo que ele não voltava ao palácio do conde.
— O mestre Ross deve estar em outra vila. Da última vez que o vi, ele disse que voltaria em quinze dias, e ainda não passou o prazo. Vossa Senhoria precisa dele para algo? — Harry, embora fosse de Rietis, já ouvira falar do famoso erudito da capital.
— Se ele não está na cidade, deixe pra lá — disse Sean.
Ele achava que Ross, sendo uma figura conhecida na capital, poderia fornecer informações mais precisas, mas agora só restava contar com Freya.
— Harry.
— Estou aqui, Vossa Senhoria.
— Envie outra carta para Rietis, pelo meio mais rápido possível. E hoje à tarde, mande Joseph, Aslant e Danti virem até aqui. Precisamos nos preparar. — Sean viu a expressão confusa de Harry.
— Vossa Senhoria acha que o norte realmente vai entrar em guerra?
— Não acho, já está em guerra. A partir de hoje, todos os produtos que entrarem na cidade devem ser rigorosamente inspecionados. Se houver entrada de grandes grupos de mercenários ou um grande número de pessoas, devem ser controlados. O melhor é restringir as missões da guilda de mercenários e impedir a entrada de grandes grupos. — Sean deu as ordens.
Harry não era burro; depois de algumas ordens, já entendia a situação, ligando-a ao caso dos rebeldes.
— Vossa Senhoria acha que os rebeldes vão atacar nossa cidade de Oro?
As forças revolucionárias eram fracas demais para um cerco à cidade. Se atacassem, seria por dentro, e nos pontos mais críticos.
No caso de Oro, o mais simples seria atacar diretamente o palácio do conde e matar o senhor local.
— Vou agora mesmo.
— É melhor você mesmo cuidar disso — enfatizou Sean.
— Entendo, meu conde. — Dito isso, ele saiu do escritório.
Harry Wallop.
Sua reputação era respeitável e não apresentava nenhum estado suspeito, então Sean achou que podia confiar nele.
Observando os pontos verdes que se moviam na mesa de areia, em algum lugar da pousada da guilda de mercenários no distrito norte, uma batalha de cerco estava acontecendo.
Rumble!
A porta inteira foi derrubada, e uma figura voou para fora, enquanto Banniel caminhava calmamente até a entrada.
— Sinceramente, sua habilidade é impressionante. Se eu pudesse lutar contra você, seria uma boa batalha.
— É melhor resolvermos isso rápido. Não podemos fazer Vossa Senhoria Sean esperar muito — disse Latine, que vinha atrás.
Toda a pousada estava vazia, com os hóspedes fugindo com medo da luta. Lá fora, as tropas de guarda cercavam o local. Dentro, apenas o grupo de quatro de Banniel enfrentava o inimigo.
Depois de uma série de manobras, todos os que podiam ser mortos já estavam no chão, restando apenas um jovem bem-vestido.
Banniel olhou para seus companheiros com uma expressão resignada.
Desde que viram o conde Wergel uma vez, sua companheira já estava perdida.
— Você foi muito pesado. Vossa Senhoria Sean disse para deixá-lo vivo — Latine o encarou com os olhos arregalados, insatisfeita.
— Hã...
Banniel ficou sem palavras.
Parecia que Latine já não era mais parte de seu grupo.
— Quem são vocês? Não são homens do conde? — Ulysses, gravemente ferido no chão, olhou para os quatro.
— Antes não éramos, mas depois de te pegar, passamos a ser.
— Quem disse isso? Eu sempre serei alguém de Vossa Senhoria Sean — respondeu Latine, insatisfeita.
— Não seria melhor lidarmos com esse cara primeiro?
Ulysses riu com desprezo ao ver os quatro discutindo sem motivo.
— Hmph, cães de nobres.
Ao ouvir isso, Banniel não pôde mais ficar calmo.
— Não, parece que você não entendeu, Sr. Ulysses. Você também não é um cão dos revolucionários? Mãos à obra, Nico.
Nesse momento, um enorme feixe de luz perfurou o telhado da pousada, vindo do alto, e destruiu quase todo o prédio.
Na rua, Joseph já havia afastado todos os comerciantes e cidadãos próximos, e ordenou que as tropas de guarda cercassem toda a pousada.
— Não foi exagero demais? Você destruiu uma boa casa — disse Joseph, insatisfeito, ao ver os quatro saírem.
— Pelo menos pegamos o homem, e não houve baixas civis. — Ele estendeu a mão e jogou algo como um livro para Joseph.
— O que é isso?
— Não sei, era a única coisa que ele tinha no bolso. Ah, sim. Ele está vivo, não morreu.
Joseph olhou para os destroços da pousada e depois abriu o livro.
Era apenas um caderno de capa grossa, praticamente vazio. Na página esquerda, havia um pequeno desenho de uma caixa prateada polida, com decorações elegantes.
Na página direita, estava escrito:
"Sua vida anterior foi uma felicidade ingênua e ignorante,
Até que a escuridão chegou à porta deste mundo frágil, e você despertou do sonho.
Algo indescritivelmente horrível despertou de um sono de bilhões de anos,
E tudo o que conhecemos como realidade desmoronará."