Nesse momento, José se aproximou de repente e sussurrou no ouvido de Sean.
— Meritíssimo, foi esta garota quem sugeriu que o chamássemos.
Então era ela.
Sean olhou para a garota de cabelos loiros à sua frente, que fingia ser tímida. O topo de sua cabeça estava constantemente em estado de excitação, mas ela se comportava como uma garotinha inocente. Já era uma pessoa de nível 6 na Ordem.
Faltava apenas um passo para o nível 7.
Embora Sean já tivesse visto figuras de alto escalão, ele também havia passado por várias grandes cidades e notou que a maioria das pessoas ficava presa entre os níveis 5 e 6. Parecia que o nível 6 era um divisor de águas, e uma vez que se alcançava o nível 7, entrava-se em uma categoria superior.
Mas mesmo subir para o nível 6 não era fácil para uma pessoa comum. Um guerreiro mercenário que ultrapassasse o nível 6 já teria visto de tudo.
— Meu tempo é curto. Já que vocês insistiram em me ver pessoalmente, podem falar agora. — Sean ignorou a conversa fiada do grupo e perguntou.
— Baniel, rápido, não faça o Conde esperar. Ele é mais ocupado que você. — Disse a garota de cabelos loiros.
— Mas viemos para negociar...
— Negociar o quê? Só queremos um lugar para morar, e pronto.
— Ah, Latine. Você está atrapalhando nosso plano.
Os quatro começaram a falar ao mesmo tempo novamente.
Por um momento, Sean até pensou se aqueles quatro não estavam juntos por acaso, e não eram realmente membros de uma equipe de mercenários.
— Entendi. Vocês vieram com condições, não é? Então digam, o que querem? — Sean perguntou, dando-lhes uma chance.
— Precisamos de comida suficiente!
— Só uma casa já serve!
— Quero ser da guarda pessoal do Conde!
— ...
Até os pedidos eram diferentes.
Sean olhou para José ao lado, que também franzia a testa.
— Meritíssimo, acho melhor desistirmos. Dê a eles algum dinheiro, como uma transação normal de missão da Guilda de Mercenários, e peça para nos dizerem onde estão os rebeldes. Vou levar meus homens até lá.
— Não precisa.
As palavras de José parecem ter sido ouvidas pelos quatro. De repente, o único homem do grupo se adiantou e disse:
— Já decidimos. Desta vez, realmente decidimos! — O homem ergueu a mão e falou alto.
— Então diga.
— Queremos que o senhor nos dê um emprego estável.
— Isso mesmo. Só precisamos de um trabalho estável que nos dê o que comer. — A garota de cabelo azul ao lado do homem continuou.
Foi então que Sean começou a entender. Aquela equipe de mercenários, formada por pessoas de nível 6 na Ordem, parecia estar apenas vegetando, esperando a morte.
Como se visse uma versão de si mesmo no passado.
— E os rebeldes?
— Se o senhor confiar em nós, podemos acompanhar o Sargento-mor para resolver isso. Já vi uma pessoa perto da pousada da Guilda de Mercenários, e tenho certeza de que é um dos rebeldes. — Disse o homem.
Em seguida, explicou por que tinha tanta certeza.
O homem se chamava Baniel. Desde os dez anos, ele seguiu a carreira de mercenário, uma profissão perigosa, mas que podia trazer riqueza repentina.
Ao longo de mais de uma década, ele viajou por muitos lugares, incluindo o Norte. Lá, frequentemente entrava em contato com os rebeldes, que até tentaram recrutá-lo para o exército revolucionário. Mas ele, que sempre preferiu uma vida preguiçosa, recusou. No entanto, durante esse período, conheceu muitos membros do exército revolucionário.
— O homem se chama Ulisses. Parece um cavalheiro educado por fora, mas por dentro é um contato dos revolucionários... não, dos rebeldes. Seu poder é aproximadamente de nível 5 na Ordem. Já o vi várias vezes no Norte, e há alguns dias, o vi na rua perto da pousada da Guilda de Mercenários. — Baniel não escondeu nada e contou tudo o que sabia.
— Um membro rebelde do Norte?
— Sim, Sargento-mor.
— Por que ele veio para cá? — O instinto de José o mantinha alerta.
— Isso eu não sei. Em teoria, o Norte é mais favorável para as atividades dos rebeldes. Não sei por que ele arriscaria vir para cá. — Baniel disse, confuso.
Embora ninguém entendesse bem as atividades dos rebeldes, apenas Sean queria saber o motivo.
Sua cidade havia sido fundada há pouco tempo, e ter essas forças contrárias ao Império reunidas ali não era bom. Sean já havia mandado Aslante interrogar os três prisioneiros na masmorra, mas eles eram teimosos e não revelavam nada sobre o propósito da viagem.
— Já que é assim, José, leve alguns homens e vá com eles.
— Na verdade, não precisa de muita gente, Meritíssimo. — Baniel disse de repente.
Sean olhou para ele. Embora os quatro parecessem amadores quando discutiam entre si, naquele momento estavam muito sérios.
— Nós mesmos prenderemos o rebelde e o traremos diante de Vossa Excelência. Ao mesmo tempo, esperamos que o senhor considere nossos pedidos anteriores.
— Se vocês apresentarem resultados, naturalmente lhes darei posições adequadas.
— Meritíssimo...
José, ao lado, tentou intervir, mas Sean o interrompeu.
Eles eram mercenários, ou seja, pessoas livres.
Esse tipo de pessoa não era adequado para trabalhar no exército, pois poderiam prejudicar a disciplina. No entanto, os quatro tinham bons níveis, especialmente Baniel, que já estava no nível 6 e meio. Com alguns anos de treinamento, talvez pudesse chegar ao nível 7 ou mais.
Em vez de recrutar pessoas de alto nível, era melhor treinar aquelas de nível adequado. Caso contrário, poderia ocorrer algo semelhante ao que aconteceu com o Conde Hamil.
Os quatro não podiam entrar no exército, mas poderiam se tornar agentes de inteligência ao seu lado. E, no momento, era disso que ele precisava.
— Posso aceitar, mas vocês devem mostrar que merecem ficar. Caso contrário, com essa atitude preguiçosa, não vou mantê-los. — Sean disse, pedindo a José que trouxesse um pouco de dinheiro.
Algumas centenas de moedas de ouro.
Como recompensa equivalente a uma missão da Guilda de Mercenários. Já que eles haviam indicado o local, também receberiam o prêmio. Era uma exigência da missão e também a palavra do Conde.
Ao ver o ouro à sua frente, os quatro claramente mostraram empolgação e desejo.
— Com certeza faremos o serviço, Meritíssimo. Não importa quem seja, vamos capturá-lo. Mesmo que eles não vão, eu irei! — Disse a garota de cabelos loiros, a única que demonstrava admiração por Sean.
Realmente uma fã.
Parece que eu realmente tenho fãs.
— Qual é o seu nome?
— Ah, Latine. Meu nome é Latine. Moro em uma cidade perto de Rietis. Comecei a ser mercenária aos quatorze anos, mas sempre trabalhei sozinha. Só depois me juntei a um grupo. Não, na verdade, sempre fui sozinha. Se não fosse porque eles disseram que precisavam de um combatente corpo a corpo, eu não teria entrado.
A garota insistia em dizer que era solitária, o que deixou Sean um pouco constrangido.
Pelo amor de Deus.
— Vocês querem capturar o rebelde, não é? Espero boas notícias de vocês.