Já amanheceu tão rápido.
A porta do quarto, que estava deitada, foi aberta de repente, e um servo vestido como empregada doméstica entrou.
— Milorde, acordou.
Sean não conhecia a pessoa que entrou, mas a roupa dela chamava a atenção. A maioria dos servos neste mundo usava roupas de linho áspero; as mulheres às vezes usavam saias. Apenas em algumas famílias nobres grandes se encomendavam roupas específicas para as empregadas, mas o princípio era simplicidade e discrição. Não podiam roubar a atenção da senhora, especialmente não usurpar seu lugar.
Mas a empregada diante dele usava um estilo que lembrava os animes que ele via em sua vida anterior: uma saia curta que quase mostrava a raiz das coxas, meias longas brancas e, no peito, um espaço propositalmente deixado à mostra.
— Milorde quer água quente ou algo para comer hoje? — A atitude da garota para com ele era extremamente boa, e seu cabelo ruivo parecia familiar.
Espera.
Estou sonhando.
O lugar onde dormi era a casa do Barão Meirande em Vale da Montanha. Como vim parar aqui?
Assim que se sentou, a empregada se adiantou para apoiá-lo.
A sensação de proximidade, o aroma da garota, a temperatura da palma da mão. Tudo era exatamente igual à realidade.
— Onde estou?
— Este é o seu castelo, milorde. — A empregada sorriu e se aproximou.
O corpo dela tinha curvas exageradas como as de Fréllia, e o rosto parecia ter os traços delicados de Lucille. O mais importante é que era sua própria empregada, parecia um sonho.
Não.
Isso é um sonho.
Sean de repente percebeu que não conseguia ver o status que aparecia sobre a cabeça dela.
Levantou-se apressadamente.
— Milorde, vista a roupa primeiro.
Ignorou os gritos da empregada atrás dele.
Abriu a porta.
A luz do sol brilhou, ardendo seus olhos secos.
Até essa sensação era tão real. Mas quando Sean olhou para o mundo à sua frente, ficou ainda mais certo de que aquilo era um sonho. Diante dele não estava Vale da Montanha, mas um alto castelo, quase no topo de uma colina, e tudo que seus olhos alcançavam era planície.
Campos de cultivo, cidades, pradarias e florestas.
Tudo parecia estar sob seus pés. O sol e a brisa acariciavam seu rosto, até a sensação do cabelo balançando era tão real.
— Milorde, o que houve?
Sean virou-se e olhou para a empregada que saía do quarto.
— Quem é você? — perguntou, olhando para o rosto dela.
— Eu sou...
A voz parou de repente.
— O mestre ainda não me deu um nome?
Ele queria perguntar à empregada se um mago estava lançando magia, mas a resposta dela foi essa.
— O mestre pode me dar qualquer nome. — Ela sorriu, e Sean sentiu uma familiaridade.
Foi então que ele percebeu: aquele sorriso e aqueles traços não eram comuns entre as garotas deste mundo. Já fazia quase um ano que estava aqui, e quase esquecera seu mundo original. O rosto da garota diante dele não era o de uma moça oriental de suas memórias mais profundas?
Eu dou o nome, e ela é como eu imaginava.
Sean olhou para o layout distante. Ele estava no castelo no ponto mais alto, e abaixo tudo estava planejado: cidades, plantações, florestas. Tudo era o projeto que ele imaginara para a Cidade de Oro.
Apareceu aqui.
Pensou em mover o pomar à sua frente. De repente, o continente parecia perder um pedaço, e o pomar se transformou em um lago, como quando jogava jogos de construção. Mais impressionante: as pessoas à beira do lago não pareciam estranhas.
Hã.
É isso.
Este é meu sonho, e tudo no sonho é controlado por mim. Posso ter o que quiser, conseguir o que desejar.
Sean fechou os olhos e tentou acordar. Quando os abriu novamente, sua visão voltou ao quarto.
Ainda era o quarto do Barão Meirande. Nada mudou.
Tentou sentar-se. Os pelos do braço ainda retinham a sensação real do toque da empregada.
Olhou pela janela. A rua de Vale da Montanha estava escura, quase não se via nada. Alguns insetos noturnos emitiam pontos de luz fracos.
Entendo.
As pessoas desta cidade vivem nesses sonhos reais e egocêntricos. Não é à toa que durante o dia parecem tão ansiosas, a ponto de relaxar na vida cotidiana para passar mais tempo dormindo.
Sean saiu da cama. A mente ainda parecia imersa naquele sonho, porque a sensação era muito real, e ele era o criador daquele mundo onírico.
Essa sensação nova e estimulante até parecia interessante para Sean.
Ele saiu do quarto.
A casa do Barão Meirande estava silenciosa.
Todos ainda dormiam.
Usou magia para criar uma chama na mão, iluminando o ambiente.
Mas no quarto não viu nada de estranho. Um sonho assim não podia surgir do nada; a sensação real era hipnotizante.
Magia?
Sean não viu vestígios de magia no quarto. Até usou o relógio mágico que Igniya lhe dera para medir, e não encontrou nenhum traço mágico.
Examinou até o enfeite estranho na porta, mas também não viu nada de especial.
Mas, se não era magia, não podia acontecer.
Apertou o braço. A sensação de antes já estava desaparecendo lentamente.
Talvez o corpo fique mais relaxado à noite, e às vezes a sensação persista por mais tempo. Quando era criança, Sean às vezes tinha pesadelos com fantasmas e monstros, sonhava que uma mão debaixo da cama o agarrava, e ao acordar sentia realmente o toque no braço.
Depois, entendeu que era um sinal errado do cérebro em movimento rápido transmitido ao corpo. A sensação de agora era assim, mas ainda mais real que no sonho, quase igual ao mundo real.
Se não era magia, o que mais podia causar isso?
Lembrou que no sonho nem via o status das pessoas, mas era tudo o que queria.
Espera, cérebro.
Sean cheirou o ar do quarto de propósito.
Um cheiro de seiva de árvore, aquele odor de cortar a casca e sentir o líber ou a madeira, um pouco de suco. Em contraste, o cheiro no enfeite de galhos era muito fraco.
Olhando a disposição do quarto, esses cheiros deviam vir da madeira do próprio cômodo, não do pequeno enfeite.
Talvez eu tenha pensado errado desde o início.
Na manhã seguinte, Ross e Aslante saíram do quarto muito tarde, com sorrisos felizes no rosto.
— Bom dia, Conde.
Ross hoje parecia muito animado. Desde que saíra com ele, Sean nunca o vira tão feliz.