Uma tropa de mais de duzentas pessoas entrando numa cidade é difícil de passar despercebida; desde que chegaram à área habitada, o grupo vinha sendo observado por olhares ao redor. Constantemente surgiam notificações de que estavam sendo vigiados, mas, felizmente, sem ameaças, apenas um estado de alerta.
"O senhor Ross conhece este lugar?" — perguntou Sean, observando a cidade ao redor.
"Deve ser alguma cidadezinha na região de Oro."
Ele estava prestes a reclamar, mas o outro continuou.
"Deixe-me pensar. Viemos pela estrada principal de Koga; lembro-me de algumas cidades assim. Deve se chamar Vale Superior. Acho que vi no mapa." — Ross refletiu.
Mesmo um estudioso do Império não teria percorrido todo o país; decorar o mapa já era impressionante.
"Oh, e há algum rumor por aqui?" — Sean insistiu.
"Rumor? A que Vossa Excelência se refere? Não ouvi falar de nenhum rumor ou grande acontecimento nesta região. Pelo contrário, nos últimos dez anos, o povo daqui tem vivido feliz. Veja os sorrisos deles. Raramente vi tantos moradores sorrindo na capital." — Ross olhou ao redor.
De fato.
Sean nunca tinha visto um lugar com uma primeira impressão tão boa.
Todos que o viam exibiam um sorriso satisfeito, com um estado de harmonia pairando sobre eles.
Isso era estranho.
Uma região inteira poderia ser tão feliz assim?
Sean já conhecera muitas pessoas, tanto em cidades pequenas quanto em grandes como Rietis; todos tinham seus momentos de mau humor, mas o povo desta cidade parecia genuinamente alegre, algo quase inacreditável.
"Aslant, você já ouviu falar deste lugar?" — perguntou ao comandante da tropa do outro lado.
"Nunca vim, mas a cidade dá uma boa impressão. Todos sorriem." — Enquanto olhava ao redor, uma garota com uma cesta de verduras na beira da estrada sorria para eles.
Sean notou que as verduras na cesta dela já estavam murchas.
Pareciam ter ficado expostas por muito tempo, completamente sem umidade. Observando o layout da cidade, ela era mais próspera que sua própria Taylor Mian, não só maior, mas com construções e decorações elegantes.
Passando por um açougue.
Dois comerciantes conversavam.
"Amigão, ainda tem carne salgada hoje?"
"Ah, você devia ter vindo mais cedo. Já venderam tudo. Eu ia ver no porão, mas faz tempo que não vou lá e está tudo mofado. Vou ter que dar um jeito."
"Rá rá rá, sem problemas. Volto amanhã."
O cliente homem saiu rindo.
Se não tivesse visto, Sean dificilmente acreditaria que alguém poderia sorrir assim mesmo sem conseguir comprar algo.
"Vossa Excelência está pensando em algo?" — Ross notou a mudança na expressão de Sean.
"Nada não. Só estou admirado com o espírito daqui."
"O espírito é realmente bom. Nunca vi um lugar tão cheio de boa vontade. Preciso anotar isso." — Ross já pensava em registrar.
Isso não era só simplicidade; parecia um paraíso isolado.
Ainda assim, Sean achava estranho. O dia ainda não estava tão tarde; em outras cidades, seria a hora de maior movimento à tarde, cozinhando e passeando depois, mas nada disso acontecia aqui.
Além disso, Sean notou que as pessoas da cidade pareciam sonolentas mesmo durante o dia, e havia algo que parecia estar em todas as casas.
Do lado de fora de cada loja, pendia um enfeite circular feito de galhos trançados. Em sua visão, aparecia como algo comum, sem magia ou outros elementos, mas estar em todas as casas deixava Sean intrigado.
Originalmente, a tropa queria encontrar algumas pousadas na cidade para se acomodar separadamente; se uma não bastasse, usariam várias, descansando um dia e seguindo viagem no dia seguinte.
Mas, quando Sean chegou, o governante de Vale Superior pareceu ter recebido a notícia e mandou alguém organizar acomodações em todas as pousadas, além de convidar Sean e Ross para jantar em sua casa.
Era uma forma de cumprir os deveres de anfitrião. Afinal, Sean seria um grande nobre da região de Oro, e os pequenos nobres locais certamente tentariam bajulá-lo. Então Sean aceitou, levando Ross e Aslant junto.
O governante de Vale Superior era o Barão Mairander, um homem de cerca de quarenta anos, um pouco gordo, mas de fala elegante. Aos olhos de Sean, havia uma impressão de que ele não levava seu próprio título a sério, ou que, diante dele, tanto Sean quanto seu título eram insignificantes.
Era uma pessoa muito tranquila, mas, ao examinar, parecia haver algum sentido em suas palavras.
Por exemplo, à mesa, ele frequentemente falava sobre as políticas de vários países e destacava algumas vantagens do Império Basharan, especialmente quando ouviu que Ross era o cronista histórico do império. Ao falar sobre políticas nacionais, era muito...
Talvez Ross e Aslant não percebessem, mas para Sean era fácil notar.
"Na verdade, sempre achei que a localização geográfica do nosso país limita muitas coisas. Caso contrário, com a imensa riqueza e população do Império Basharan, poderíamos fazer muito mais. Na época, ordenei..."
Nesse ponto, o Barão Mairander parou de repente.
Sobre sua cabeça, apareceu um estado de alerta.
Ordenou?
Não ouviu errado? Um simples barão falando como se fosse um rei.
"Já é difícil manter o país funcionando. Para nós, o mais importante é administrar bem o povo e a vida local. O resto, deixamos para a alta cúpula do império."
"Sim, sim. O Conde Weigel tem razão."
Vendo o clima estranho, Sean deu uma saída para o outro.
Depois disso, durante o jantar, não houve mais assuntos polêmicos. Mas Sean ainda achava estranho que o barão de quarenta e poucos anos não tivesse apresentado sua família.
Um nobre de quarenta anos sem se casar? Isso era ainda mais incomum.
Talvez até Ross e Aslant tivessem notado a estranheza, mas, vendo a empolgação e os sorrisos de todos os servos, não conseguiam apontar exatamente o que era estranho.
No final, Ross concluiu que era apenas um costume local peculiar.
Após o jantar.
O Barão Mairander não conversou muito com Sean, algo que lembrava o próprio Sean no passado, que não se sentia à vontade falando com nobres superiores.
Apenas disse: "Tenha bons sonhos" e foi embora.
Anoiteceu. Ou melhor, ainda não estava completamente escuro.
Na visão de Sean, faltavam mais de quarenta minutos para o fim do dia, e a cidade já estava silenciosa, tão quieta que não se ouvia nenhum som de vida noturna.
O céu estava cinzento e escuro, e nenhuma luz estava acesa em toda a cidade.
Nem mesmo na casa do barão havia luz. Ao sair do quarto, Sean descobriu que os servos já tinham ido dormir.
"Vossa Excelência, quer que eu os acorde?" — perguntou Aslant ao lado.
"Não, deixe-os dormir. E você também vá descansar. Foi um dia cansativo de viagem."
Como não havia nenhuma ameaça nas notificações de afinidade ou alertas, apenas um modo de vida peculiar, Sean não mandou Aslant fazer mais nada. Dormir cedo para seguir viagem na manhã seguinte.
Assim, Sean também voltou ao quarto para descansar.
Não sabia se estava acordado ou dormindo, mas de repente sentiu que sua mente estava mais clara.
Quando abriu os olhos, já era dia claro.