No interior da loja de Scoville, Sean folheava os livros que Igniya trouxera.
Um livro clássico e volumoso, tão surrado que só poderia ser encontrado em Erinta. As palavras estavam quase ilegíveis, e parte da tinta havia até manchado as páginas dobradas.
— Foi isso que você encontrou em Erinta? — Sim, lembro que quando o mentor estava aqui, ele sempre dizia que deveríamos conhecer mais sobre as organizações de magos ao redor do mundo, e nos pedia para estudar bastante… Só que eu e meu irmão mais velho não gostávamos muito de pesquisar essas coisas, então ficaram guardadas. Ainda há muitos livros assim na torre — disse Igniya.
Sean já tinha visto o conhecimento de Aixiu uma vez. Naquela época, nem Frellia conseguia entender o Olho do Caos, mas ele explicou direitinho… Embora no fim fosse o Olho de Gehros, para alguém que não entendia, já era impressionante conseguir explicar sua origem.
Coisas como o lado oculto e desconhecido da magia… Advertências para que as pessoas não espreitassem os domínios desconhecidos… Agora, Sean via tudo isso como ideias notáveis. Pessoas como ele eram as que conseguiam viver mais tempo.
— Tudo isso foi organizado por Aixiu? — Nem tudo. Uma parte foi anotada pelo mentor durante os estudos, e a maior parte veio dos registros deixados pelos administradores anteriores de Erinta.
A organização Erinta era um grupo de magos que existia desde o início do Império Bashalan, e foi uma das primeiras a se aliar ao país. Provavelmente recebeu muitos recursos com isso. Hoje, está espalhada por todo o território nacional, e mesmo na região sul, possui uma quantidade tão vasta de registros sobre magos.
Sean virou uma página que estava dobrada…
O mais chamativo era o desenho de seis pássaros sustentando um sol radiante, idêntico à imagem encontrada no quarto do antigo Barão Weigel, em sua casa.
E os registros abaixo eram muito mais detalhados do que os que vira antes.
Coroa do Sol. Pérola nas Areias Amarelas, Chama do Fogo Celestial, Chama da Vida… uma série de títulos.
Era uma das organizações de magos mais antigas e famosas da região de Edak. Eles adoravam o fogo celestial e o sol, acreditando que o sol era o ser mais elevado do mundo. Por isso, na língua edak, havia muitas interpretações, mas a mais difundida acabou sendo Coroa do Sol, e esse nome se tornou a designação amplamente conhecida da organização.
Sean virou mais uma página…
Havia muitos registros sobre a Coroa do Sol aqui, mas todos eram fragmentados, e parte deles vinha de informações obtidas por comerciantes e estudiosos, sem precisão… Por isso, nas anotações, sempre vinha a palavra "supostamente".
Por exemplo, em tal ano, a Coroa do Sol teria usado uma magia antiga para possuir humanos, transformando-os em seres que coexistiam com o fogo celestial. Ou em tal ano, a Coroa do Sol teria tentado disputar privilégios na região de Jagong e até entrado em conflito com a realeza…
Eram registros de anos e eventos, mas todos difíceis de verificar. Sean achava que as coisas vindas da região de Edak deviam ter embaralhado as histórias originais.
Ainda assim, era possível encontrar pontos em comum entre tantos eventos.
A Coroa do Sol tinha uma longa história e, em certos períodos, possuía uma autoridade e influência inigualáveis na região de Edak, mantendo-se por centenas de anos, até que, nos últimos cem anos, foi gradualmente desaparecendo. E a razão principal era o surgimento posterior da Sociedade dos Magos, que também trouxe mudanças para Edak.
— Não imaginava que a Sociedade dos Magos tivesse espalhado sua influência até a região de Edak — disse Sean enquanto folheava.
Se outras organizações de magos podiam ser ignoradas, a Sociedade dos Magos era sensível demais para ele… Nas montanhas da vila de Taylor, estava enterrado um de seus membros.
— A Sociedade dos Magos é a organização de magos que mais cresceu nas últimas décadas. A sede original ficava no continente ao sul do mar, e não sei como conseguiu se expandir até aqui! — Crescimento rápido mostra que a organização tem capacidade — comentou Sean distraidamente.
No início, quando se opôs a Wiseman no palácio do Conde de Koga, pensou que ele fosse da Sociedade dos Magos, mas depois descobriu que pertencia a outra organização. A Sociedade dos Magos, além do mago que caiu na vila, não parecia ter aparecido mais.
Folheou mais algumas páginas, e os registros eram todos semelhantes.
Afinal, era uma organização de magos de outro país. Numa época em que o transporte e a comunicação eram tão precários, conseguir registrar tudo isso já era impressionante.
— E então? Encontrou algo útil? — Igniya, que esperara até Sean terminar de ler, perguntou.
— O livro tem bastante coisa. Nos eventos posteriores, diz que a Coroa do Sol acabou se dividindo e enfraquecendo por causas internas. No fim, viraram vários pontos de conflito, e há especulações de que alguns desses pontos podem ter entrado na região de Zantubar.
Região de Zantubar…
Era a região onde ficava o Império Bashalan, onde Sean estava.
Se o mundo não tivesse o conceito de continentes, Sean preferiria chamá-lo de Continente Zantubar.
Dentro de toda a região, Bashalan era o país mais central, ou seja, uma nação cercada por conflitos. Por isso, era difícil iniciar guerras externas, e nos últimos anos, focaram no desenvolvimento econômico, permitindo que nobres como ele, que viviam de subsídios estatais, tivessem uma vida confortável!
— Então… se for assim, pode ter relação com sua mãe? — Talvez, mas quero mais é saber para onde ela foi! — Nas investigações recentes, Sean descobriu que a morte do antigo Barão Weigel foi causada por alguém.
E as evidências obtidas depois apontavam cada vez mais para os edakianos.
Esse resultado inevitavelmente levava a pensar na Coroa do Sol…
Também da região de Edak, também edakianos!
— Que tal encontrarmos um edakiano na cidade para perguntar? — sugeriu Igniya.
— O que você conseguiria perguntar? Os comerciantes que vêm a Koga já devem ter perdido contato com lá. O Império Bashalan não tem dirigíveis diretos para a região de Edak, tudo depende de viagens a pé. É difícil que cartas circulem entre vários países…
Sem dirigíveis, o método mais rápido de comunicação estava cortado. Restava enviar cartas, e o mais rápido era usar falcões-correio. Esses animais eram protegidos dentro de um país, mas ao passar por outros, não havia garantia.
O último método era enviar pessoas… Havia uma profissão de mensageiros dentro do país, mas essas pessoas não podiam circular livremente por outras nações. Então, fora eles, só restavam comerciantes e viajantes para levar as cartas.
Enviar cartas por tantos países era caro demais, algo que a maioria não podia pagar.
Era por isso que, depois de sair do continente, raramente chegavam notícias. Isso também mostrava o quão raro era o livro grosso que ele tinha nas mãos!
— Então não podemos simplesmente ir até lá. A região de Edak é tão longe…
Vendo a expressão de Igniya.
No fundo, Sean realmente queria ir ver, afinal, aquilo envolvia sua família.