Capítulo 509: Capítulo 509 Pessoa Familiar

Su Banxia virou a cabeça e viu um rosto extremamente cansado. Os dois se olharam, e Pei Shaoze suspirou: "Já acertamos a distribuição de responsabilidades. A parceria vai continuar, mas vamos impor condições mais duras e reduzir os preços."

"Você..."

"Mas eu propus que a condição prévia para a cooperação é o reembolso integral das pessoas que tiveram suas indenizações injustamente tomadas."

Pei Shaoze a interrompeu.

Ele estava realmente exausto; aquele grupo não era fácil de lidar, e negociar com eles foi desgastante.

Su Banxia mordeu o lábio, sua voz suavizou, mas ainda havia insatisfação: "Mas você não tem medo de ser usado como uma ferramenta?"

"Não tem jeito. O mercado aqui precisa ser aberto, e já percebemos quando chegamos que, além de nós, eles parecem ter outras opções. Se não pressionarmos agora, este mercado pode não se desenvolver tão cedo..."

Pei Shaoze falou com a voz rouca, olhando para Su Banxia, e continuou com dificuldade: "Chega disso. Tenho algumas coisas para te contar."

Su Banxia o olhou surpresa, e após um momento, só pôde concordar com a cabeça.

Três horas depois, Su Banxia voltou lentamente para a enfermaria, porque Pei Shaoze já tinha adormecido antes.

Ela nem sabia como saiu da enfermaria, só lembrava que, ao sair, o céu já escurecia. Durante esse tempo, o advogado You ligou duas vezes, e ela gravou as ligações, dizendo que resolveria no dia seguinte.

Passou a noite apressada em outra enfermaria, mas no dia seguinte foi acordada por Pei Shaoze.

"Xiao Yaqin já foi mandada de volta. Não é seguro ela ficar aqui agora."

"Hum."

Su Banxia ainda estava meio atordoada.

"Ontem, aquele homem foi para a delegacia e contou o que aconteceu, mas o exame mostrou que ele usou drogas e não está mentalmente estável. Ficava dizendo que alguém do céu o salvaria, então suspeito que há mais gente preparada por aqui."

"...Ah, e o que ele pretendia fazer?"

Su Banxia ouviu com atraso, demorou para processar e arregalou os olhos.

Pei Shaoze não se importou e continuou: "Ele disse que no começo só queria colocar algumas coisas, mas não esperava dar de cara com Xiao Yaqin, e, com medo, acabou agindo."

Pei Shaoze repetiu os resultados da investigação da polícia, mas seu tom não era bom, como se não acreditasse nisso.

"E você, o que acha?"

Su Banxia perguntou diretamente, sem pensar muito.

Sua mente não estava clara, uma bagunça total.

Depois de ouvir aquelas coisas ontem, ela não conseguia se acalmar de jeito nenhum. Mas agora, com o perigo, ela se forçava a continuar, sentindo-se como se estivesse se partindo.

"Acho que ele está mentalmente confuso, mas no fundo ainda lúcido. Pode ser que alguém de fora tenha passado informações para ele. Consigo imaginar quem seja. Hoje, ao negociar o contrato com eles, devo ter algum resultado."

Pei Shaoze falou, vendo que Su Banxia estava realmente muito distraída.

Sem alternativa, ele a puxou para cima: "Não pense demais. Isso é só um palpite. Vamos ver quando encontrarmos a pessoa. Ah, tem gente lá embaixo esperando por você. São os proprietários que foram enganados, vieram te visitar."

Pei Shaoze até se arrependeu internamente; não devia ter falado tão apressado. Mas se não dissesse, temia que algo desse errado...

"...Como eles ficaram sabendo?"

Su Banxia perguntou, ainda meio lenta.

Pei Shaoze, vendo seu estado emocional, nem explicou. Só a levou para baixo. Assim que saíram, viram na entrada do hospital um grupo de idosos esperando.

Seus rostos mostravam confusão, alguns preocupados, outros assustados, mas todos enxugavam as lágrimas. Por um momento, era difícil saber se estavam ali para visitar um doente ou para um velório.

"Ontem à tarde, quando o advogado You ligou, alguém estava na casa dele. Eles acharam estranho, investigaram e descobriram que você estava hospitalizada. Não se sinta pressionada, conversem bem."

Pei Shaoze apertou o ombro de Su Banxia e a empurrou para frente.

"E você?"

Su Banxia virou-se.

"Vou conversar em detalhes com o pessoal da incorporadora. Eles também vieram."

Pei Shaoze disse e foi rapidamente para o lado, onde algumas pessoas esperavam, da incorporadora.

Desta vez, vieram vários. Um a um, desceram de um carro preto para receber Pei Shaoze.

Su Banxia olhou por alguns segundos, e então um idoso se aproximou, com uma expressão de grande preocupação.

Su Banxia sabia que não era hora de se deixar levar pelas emoções. Levou os idosos para um canto do jardim do hospital e sentou-se: "Sei que vocês querem perguntar, mas primeiro não falem nada. Vou explicar a situação."

"Hum..."

Os idosos pareciam confiar nela e se acalmaram.

"Eles já concordaram em devolver a indenização. Vamos continuar acompanhando. Podem ficar tranquilos e esperar."

Su Banxia disse, sorrindo para eles.

Apesar de tudo, essas pessoas eram calorosas com ela. Mesmo ao saber que a tão esperada indenização estava garantida, não se esqueceram de se preocupar com ela.

"Menina, muito obrigada. Não imaginei que te traria tantos problemas. Se soubesse, não deveria ter..."

A senhora Yang disse, enxugando os olhos.

Su Banxia sorriu, abraçou-a pelo ombro e suspirou: "Não diga isso. Ao me contar isso, você me ajudou a entender que tipo de pessoa é o organizador, e a nos preparar para o que vem."

"Mas por que vocês ainda vão cooperar com gente tão ruim?"

Alguém perguntou, cauteloso, observando a expressão de Su Banxia, com medo de irritá-la.

Su Banxia apenas sorriu com suavidade e suspirou profundamente: "Algumas coisas não estão sob nosso controle. Desta vez, nosso líder veio o mais rápido possível para resolver o problema. Se não tivéssemos feito isso, a indenização de vocês não teria saído tão rápido."

"Ah..."

Parece que eles entenderam algo.

"Mas isso não é problema de vocês. Cada um tem suas considerações. E não aconteceu nada comigo. Quem se feriu foi minha colega, e ela já voltou para tratamento. Fiquem tranquilos."

Su Banxia sorriu e os tranquilizou.

"...Desculpe mesmo, não imaginávamos..."

Mas o efeito não foi grande.

Os idosos se desculparam várias vezes, e Su Banxia teve que usar muita conversa para acalmá-los.

Com a boca seca, ela os acompanhou até a saída do hospital. Quando voltou, Pei Shaoze também estava chegando, e ela foi ao encontro dele.

"Já acertamos tudo. O novo contrato será entregue amanhã. Ah, e não saia por aí por enquanto. Reservei um quarto no hotel aqui. Vá descansar."

Pei Shaoze chamou o motorista.

Su Banxia sabia que não tinha escolha e só pôde concordar com a cabeça.