Su Banxia estava prestes a balançar a cabeça, mas antes mesmo de conseguir falar, seu estômago soltou um gemido.
Ela baixou a cabeça, um pouco envergonhada, mas Yan Xin sorriu com compreensão: "Viu? Até seu corpo está protestando. Vamos, não se force."
"É verdade."
Su Banxia não hesitou muito, assentiu e subiu no carro.
Mal tinham começado a seguir em direção a um restaurante nos arredores da cidade, quando Fang Shiqing ligou.
Ao ver o nome no celular, Su Banxia estranhou um pouco e atendeu: "Shiqing, o que foi? Aconteceu algo na empresa?"
"Nada, só queria saber onde você está. Ouvi dizer que veio hoje, mas não te vi. A Shaoyin até veio perguntar há pouco."
Fang Shiqing, ao ouvir a voz de Su Banxia, levou um susto sem saber por quê. Ficou alguns segundos parada, respirou fundo e falou com um tom leve.
"Nem me fale. Hoje fui à empresa para tratar daquele projeto de parceria, mas acabei me metendo numa baita enrascada. Depois te conto melhor à noite. Foi um dia infernal, e ainda sofri um acidente de carro."
Su Banxia suspirou.
"Você está bem?"
Fang Shiqing perguntou rapidamente.
"Estou bem, mas o motorista parece que ficou atordoado. A polícia suspeita que ele estava sob efeito de drogas e está investigando. Acabei de sair da delegacia e vou comer algo."
Enquanto falava, Su Banxia olhou para Yan Xin e teve uma ideia: "Aliás, o Yan Xin está comigo. Que tal sairmos para comer juntos? Você já deve ter saído do trabalho."
"Ah?"
Fang Shiqing soltou um "ah" e quase aceitou na hora, mas antes de falar, balançou a cabeça e recusou o convite: "Melhor não."
"Por quê?"
Su Banxia achou estranho e baixou a voz, desconfiada: "O que houve? Mudou de ideia hoje? É uma oportunidade e tanto!"
Yan Xin, ouvindo Su Banxia baixar a voz, estranhou e se inclinou para perguntar: "Banxia, o que foi?"
Ela sorriu e balançou a cabeça: "Nada."
Vendo a recusa no rosto dela, Yan Xin não insistiu: "Ah."
Fang Shiqing, ouvindo a interação natural do outro lado, sentiu um incômodo no peito. As palavras de Zhang Shanshan vieram à mente, e ela ficou hesitante.
Su Banxia, sem perceber nada, continuou insistindo: "Não precisa fingir recato. É uma boa chance. Vai logo, vou te mandar o endereço."
E, sem esperar resposta, já passou o local: "Vem logo, estou esperando."
"Ela vem? O escritório fica longe daqui."
Yan Xin comentou com um sorriso.
Su Banxia também sorriu: "Desculpa pelo incômodo. Hoje eu pago."
"Não precisa, não sou tão mesquinho assim."
Yan Xin riu, e ao falar de Fang Shiqing, também se emocionou: "Ela realmente tem trabalhado demais ultimamente. Merece sair para relaxar. Ontem ouvi o pessoal do escritório dizer que ela já está há duas semanas seguidas fazendo hora extra."
Su Banxia concordou com a cabeça. Todos estavam sobrecarregados, mas ela, que deveria ser a mais ocupada, estava de folga.
Foi então que percebeu algo: Yan Xin estava preocupado com Fang Shiqing!
Seus olhos brilharam, e ela se virou para ele: "Todo mundo está exausto, e ela tem me ajudado muito. Se não fosse por ela, eu já teria desabado. Ela é realmente especial."
"Ela é uma garota de bom caráter, generosa e calorosa, nada interesseira."
Yan Xin concordou.
"Hmm, acho que quem ficasse com ela seria muito feliz."
Su Banxia sondou: "Olha, você ainda está solteiro. Que tal?"
Yan Xin entendeu a indireta, seu olhar escureceu, mas ele apenas balançou a cabeça: "Deixa pra lá."
"Por quê?"
"Às vezes, duas pessoas precisam de um momento certo. Não é só querer estar junto. Eu... ainda não estou pensando nisso."
Yan Xin encontrou a desculpa mais plausível e falou com leveza.
"Mas é preciso tentar, senão nunca vai saber se dá certo."
"Talvez."
Yan Xin sorriu, mas seu tom não demonstrava entusiasmo.
Su Banxia não insistiu e mudou de assunto, dizendo que já tinham chegado.
Depois de estacionar, foram para o restaurante. Quando estavam prestes a subir, ouviram uma gritaria: "O que foi? Não olha por onde anda? No meio do dia, saindo feito um louco, quer morrer? Se quer morrer, não arraste os outros! Cadê a educação?"
O xingamento era feio e a voz, assustadora.
Su Banxia instintivamente se virou e viu, na frente da senhora, uma figura familiar saindo correndo de um canto.
Yan Xin, que chegou atrasado, não viu ninguém, mas notou Su Banxia olhando fixamente: "O que foi?"
"Nada, vou dar uma olhada. Sobe você primeiro."
Su Banxia balançou a cabeça. Não tinha certeza de quem era e não queria complicações.
"Precisa de ajuda?"
Yan Xin franziu a testa, preocupado.
"Não, eu resolvo."
Su Banxia sorriu.
"Tem certeza?"
Yan Xin insistiu, ainda inquieto.
Ela balançou a cabeça, deu um leve empurrão nele e correu para a esquina.
Na esquina, alguém cambaleava, exalando um forte cheiro de álcool.
Su Banxia franziu o nariz e, ao se aproximar, viu que era Pei Jiaxin.
"Você está bem?"
Vendo-a tão desgrenhada, Su Banxia se surpreendeu e, ao vê-la prestes a cair, estendeu a mão para segurá-la.
Pei Jiaxin, ao reconhecer Su Banxia, franziu a cara e a empurrou com força, gritando: "O que você quer? Veio rir de mim? Não preciso da sua pena nem da sua zombaria!"
Ela tentou empurrar Su Banxia de novo, mas errou e caiu no chão.
Su Banxia franziu a testa e se virou para puxá-la.
"Sai daqui! Não é da sua conta! Não preciso da sua falsa compaixão! Ainda não cheguei nesse ponto!"
Pei Jiaxin saiu resmungando.
Su Banxia a observou por um momento, balançou a cabeça e não a seguiu. Enquanto se virava, baixou a cabeça e mandou uma mensagem para Pei Shaoze.
Mas não viu que, atrás dela, alguém a observava.