Capítulo 418: Capítulo 418: Por um Fio

A Sra. Su não se importava nem um pouco com a criança; ela simplesmente não gostava daquele menino. Ela mesma parecia uma criança, mas quando falava ou agia com os outros, sempre tinha um ar de arrogância e prepotência. Não passava de um bastardo de origem desconhecida, e ainda assim achava que era o pequeno mestre da família Pei, bancando o superior. "Será que é mesmo filho daquela mulher com algum caso secreto?" A Sra. Su pensava consigo mesma, e quanto mais pensava, mais acreditava nessa possibilidade, e seu olhar para Su Hao se tornava ainda mais hostil. "Vou te dizer, garotinho. Não se ache tanto assim. Estou te ajudando a encontrar seu pai biológico. Você sabe muito bem que sua mãe não é lá essas coisas, e até agora você não tem um pai de verdade. Deve estar se sentindo muito mal, não é?" "Minha mãe é muito boa comigo. Não preciso de pai." Su Hao respondeu com muita calma, sem nenhum traço de inveja na voz. Nesse momento, Su Guoguo virou a cabeça e, piscando os olhos, olhou para a Sra. Su: "Você sabe quem é nosso pai?" "Não sei." A Sra. Su deu uma risada fria e olhou para Su Guoguo com desprezo. Su Guoguo e Su Banxia eram praticamente idênticas, só de olhar já era irritante! "Então não quero fazer exame. Me deixa ir!" Su Guoguo chorava e esperneava sem parar. A Sra. Su franziu a testa e puxou-a bruscamente: "Já que veio, para onde vai?" Dizendo isso, ela arrastou Su Guoguo à força para o quarto ao lado, pegou sua mão e a pressionou contra a mesa. Uma enfermeira dentro do quarto se aproximou com uma bandeja, viu a cena, franziu levemente a testa e hesitou. "O que está olhando? Tira sangue logo!" A Sra. Su, vendo-a parada, gritou com as sobrancelhas erguidas. A enfermeira hesitou, mordeu os lábios, mas ainda assim se aproximou, pegou a agulha de coleta e murmurou uma palavra de consolo para Su Guoguo. Assim que Su Guoguo viu a agulha, começou a se debater ainda mais. Mal ela se mexeu, a Sra. Su levantou a mão e deu um tapa forte em suas costas, deixando Su Guoguo atordoada. "Tira sangue!" A Sra. Su aproveitou a deixa e virou-se para dar um olhar feroz à enfermeira. A enfermeira se assustou, suspirou baixinho e, mesmo assim, enfiou a agulha no braço de Su Guoguo. Poucos segundos depois, um tubo de sangue já estava coletado. Su Guoguo chorava e esperneava, e a Sra. Su a olhou com desprezo, rindo friamente: "Acha que chorar e espernear vai fazer alguém se importar com você? Onde aprendeu esses truques baixos? Realmente, tal mãe, tal filha. Com uma mãe tão sem-vergonha, só podia sair uma pestinha assim!" Su Guoguo soltou um choro alto; ninguém nunca a tratara daquele jeito. Su Hao estava furioso, mas vendo Su Guoguo sem forças até para soluçar, já apavorada, ele não se importou com mais nada e correu para acalmá-la. Mal ele se aproximou, a Sra. Su agarrou sua mão e a pressionou contra a mesa: "E este também!" A enfermeira suspirou e se preparou para agir. Mas naquele instante, ouviram-se passos apressados vindo de trás. A enfermeira trocou de agulha e, antes de enfiá-la, Su Banxia irrompeu pela porta e empurrou a mão da enfermeira para longe. Ela rapidamente envolveu Su Guoguo e Su Hao em seus braços, olhando com raiva para a Sra. Su: "Isso é crime. Já chamei a polícia. Você não vai escapar!" A Sra. Su se assustou ao ver Su Banxia, mas logo se acalmou, ergueu o queixo e se levantou, rindo com desprezo: "Não sequestrei ninguém. Só trouxe as crianças para um exame médico. Sou avó delas, por que não poderia trazê-las?" "Elas não têm nenhum laço de sangue com você, e você nunca me reconheceu como parte da família Su. Agora vem com essa história? Para conseguir o que quer, você perdeu toda a vergonha!" Su Banxia disse com sarcasmo. Ela estava furiosa; se não fosse pela polícia vindo atrás, provavelmente já teria partido para a briga. "Mamãe!" Su Guoguo, apavorada, só se recuperou ao ouvir a voz de Su Banxia. Virou-se e se jogou nos braços dela, soluçando baixinho, ainda em choque: "Você, você veio!" Su Banxia também estava assustada. Limpou suavemente o rosto de Su Guoguo, levantou a criança e a carregou para fora. Depois, virou-se para olhar a Sra. Su, que vinha atrás. Dessa vez, não ia poupá-la. Apontou para a Sra. Su e disse ao policial: "É ela, a sequestradora." "Eu não sequestrei ninguém!" A Sra. Su sentiu o coração apertar ao ver a polícia, mas ainda assim endureceu o pescoço: "Ela é minha filha adotiva, e esses são os filhos dela. Só trouxe as crianças para um exame médico!" "Não importa a relação, levar crianças sem avisar ninguém já é sequestro!" O policial, sem dar espaço para discussão, mostrou-lhe a carteira de policial e, sem mais delongas, a colocou no carro da polícia. "O que vocês estão fazendo? Já disse várias vezes que não sequestrei ninguém! Chamem o chefe de vocês, quero falar com ele!" A Sra. Su, vendo que eles não estavam nem aí para a lógica e a levariam embora, começou a bater desesperadamente na porta do carro. O policial nem olhou para ela, apenas dirigiu: "Nosso chefe está na delegacia. Se quiser vê-lo, vá até lá e converse com ele." Dito isso, ligou o carro e partiu rapidamente. Su Banxia segurava Su Guoguo, acalmando-a com suavidade. Su Hao, no entanto, virou-se e olhou para o tubo de sangue já coletado sobre a mesa. Hesitou por um momento e, enquanto Su Banxia confortava Su Guoguo, foi na ponta dos pés, pegou o tubo e o guardou na mochila. "Vamos embora..." Su Banxia, vendo que Su Guoguo já se acalmara, virou-se para olhar Su Hao. Percebendo que ele também estava bem, suspirou aliviada e apenas acenou com a cabeça. "Está bem." As duas crianças a seguiram obedientemente. Pei Shaozhe, que estava de lado, vira tudo o que Su Hao fizera. Quando Su Banxia colocou Su Guoguo no carro, ele se aproximou e deu um tapinha leve no ombro de Su Hao. Su Hao ergueu a cabeça para olhá-lo, pensou um pouco e perguntou em voz baixa: "Você é meu pai?" Pei Shaozhe não respondeu. Apenas se abaixou, tirou o tubo de sangue do bolso de Su Hao, colocou-o de lado e olhou para ele: "Não importa de quem você é filho, nem o que está pensando, esse tipo de exame precisa de um adulto por perto. Você deve saber a importância disso. Precisa contar à sua mãe." "..." Su Hao não disse nada, apenas olhou para Pei Shaozhe com calma. "O pai é importante para vocês?" Pei Shaozhe perguntou baixinho. Su Hao balançou a cabeça: "Achei que você gostaria de fazer o exame." "Espero ter uma resposta, mas..." Pei Shaozhe falou enquanto olhava na direção de Su Banxia: "Espero que essa resposta venha dela."