Capítulo 396: Capítulo 396: O Verdadeiro Homem que Salva Vidas

Su Banxia ouvia o som mecânico de "tut-tut-tut" do outro lado da linha, sentindo-se como se tivesse explodido, paralisada no lugar por um bom tempo, incapaz de se acalmar.

A mansão antiga da família Pei, para Su Banxia, era sinônimo de uma provação. Ela não entendia por que, do nada, Pei Shaoze queria levá-la para lá.

Isso era simplesmente... doloroso demais!

No entanto, apesar de sua resistência interna, Su Banxia sabia priorizar. Depois de desligar o telefone, seguiu as instruções de Pei Shaoze e foi buscar as duas crianças.

"Mamãe vai mesmo nos levar hoje para ver aquele velho senhor?"

Su Guoguo estava ao lado de Su Banxia, com o rostinho pequeno cheio de surpresa.

Su Banxia assentiu, sem negar: "Sim, por isso, quando estivermos lá jantando, vocês precisam tomar cuidado."

"Mas a mamãe não tem medo de ver aquele avô? Por que resolveu aceitar ir agora?"

Su Guoguo fez bico, realmente não conseguia entender esses pensamentos complicados dos adultos.

"Mamãe não tem medo, só não sabe como lidar com isso."

Su Banxia sorriu com sinceridade. O velho mestre Pei era uma raposa astuta; diante dele, parecia que qualquer falsidade não tinha como se esconder. Ela realmente temia que sua atuação medíocre fosse desmascarada, mas, por mais que evitasse, esse passo teria que ser dado mais cedo ou mais tarde — não havia como escapar.

Su Guoguo, meio confusa, olhou para trás, para Su Hao, com os olhos brilhantes cheios de um pedido de ajuda.

Su Hao franziu levemente a testa, com a postura de um pequeno adulto, tornando-se o pilar do trio: "Mamãe não precisa se preocupar. Em lugares com muita gente, aquele velho senhor não vai criar dificuldades."

"É, mamãe não precisa se preocupar. Com o tio Pei por perto, aquele avô não vai te incomodar. E, mesmo que o tio Pei não consiga resolver a crise, não se esqueça de que eu e o irmão estamos aqui."

A menina bateu no peito, com uma determinação de quem protegeria a mãe até o fim.

Su Banxia riu com as palavras das crianças: "Vocês não têm medo de ver aquele velho senhor?"

"Não. Da outra vez que eu e o irmão o vimos, ele foi muito gentil, pelo menos conosco. Ele não parece ser uma pessoa má."

Su Guogoo ergueu o rostinho, expressando sua opinião sem rodeios.

Um lampejo de estranheza passou pelo coração de Su Banxia. As palavras das crianças não a tranquilizaram; pelo contrário, a deixaram ainda mais tensa.

Pei Shaoze abriu a porta e entrou, trazendo consigo uma aura opressiva e fria que transformou o escritório já gelado em uma verdadeira caverna de gelo. Su Banxia se assustou e pulou da cadeira: "Você voltou?"

"Vamos."

Pei Shaoze disse com indiferença.

"Agora... agora?"

Su Banxia ficou surpresa e apreensiva; ela ainda não estava preparada.

"Já preparei os presentes. A esta hora, está na hora."

A voz magnética de Pei Shaoze era especialmente agradável, fazendo o coração derreter.

Su Banxia assentiu, confusa: "Está... está bem."

"Mamãe, eu e o irmão estamos aqui."

Su Guoguo falou em voz baixa, sem deixar de olhar para Su Hao ao lado.

Su Hao, por sua vez, também não estava confiante. Franzindo levemente a testa, ele não conhecia bem a situação da mansão antiga dos Pei, mas, pelas palavras soltas do dia a dia, percebia que o velho mestre Pei não parecia ter muito afeto por eles, mãe e filhos.

"Irmão?"

Su Guoguo, vendo Su Hao distraído, puxou discretamente a manga dele.

Su Hao ergueu os olhos, e um sorriso súbito surgiu no rosto do pequeno cavalheiro: "Mamãe não precisa se preocupar, estou aqui."

A expressão confiante do filho pareceu dar a Su Banxia uma dose de tranquilidade. Nele, ela via a sombra de Pei Shaoze. Sorrindo, ela assentiu: "Com vocês dois como meus guardiões, vou me animar."

Dentro do carro, reinava o silêncio.

Su Banxia estava sentada rigidamente no banco de trás, sua postura ereta como a de um monge em meditação.

"Não precisa ficar tão tensa. É só um jantar em família."

A voz fria de Pei Shaoze chegou até ela.

Su Banxia deu algumas risadas secas e alongou os músculos enrijecidos: "Por que essa ida à mansão antiga para jantar foi tão repentina?"

"Vá ver e descobrirá."

Pei Shaoze não demonstrou nenhuma emoção.

"Você também não sabe o que está acontecendo?"

Su Banxia sentiu uma escuridão diante dos olhos. Ainda dava tempo de dar o fora?

Su Hao segurou a testa e prendeu a mão de Su Banxia, que estava prestes a tocar na maçaneta da porta: "É só um jantar. Relaxe."

"Isso não é um jantar qualquer! É claramente um banquete de armadilhas!"

As pálpebras de Su Banxia tremeram. Toda vez que ia à mansão antiga com Pei Shaoze, seu humor ficava tão baixo quanto se fosse a um funeral.

"Estou aqui com você."

A voz grave e magnética de Pei Shaoze soou mais uma vez.

O coração de Su Banxia pareceu pular uma batida. Pelo retrovisor, ela via o perfil bonito e esculpido de Pei Shaoze, e engoliu em seco.

Mas era hora de ficar boba por ele?

Su Banxia se recompôs e perguntou novamente: "Até agora não sei quais são os gostos do velho mestre. Que tal você me dar uma aula rápida?"

"Não precisa. Não vale a pena bajular essas pessoas só por isso. Você é minha mulher; faça o que te der na telha."

Pei Shaoze sorriu levemente, sua voz magnética cheia de carinho.

Ao ouvir isso, Su Guoguo riu escondido e trocou um olhar com Su Hao.

"Fofoqueira."

Su Hao a olhou, sem forças para criticar, mas por dentro também estava feliz. Pei Shaoze era o maior protetor de Su Banxia; enquanto eles estivessem unidos, esse jantar em família, por mais difícil que fosse, seria superável.

Mas será que as coisas eram realmente tão simples? Su Banxia continuava inquieta.

Na mansão antiga —

A mansão, normalmente sóbria e tranquila, estava especialmente movimentada hoje. Quando Su Banxia desceu do carro, já sentia claramente a atmosfera do lugar.

"Senhor Pei, Senhorita Su, chegaram. O velho mestre e os outros estão esperando no salão."

O mordomo, um homem muito perspicaz, ao ver o carro de Pei Shaoze, foi recebê-los quase imediatamente. No entanto, ao olhar de relance para Su Banxia, seus olhos carregavam um certo exame, e, ao final, ao ver os rostos das duas crianças, um lampejo de surpresa passou por seu olhar.

"Entendi."

Pei Shaoze segurou Su Banxia pelo ombro com uma mão e, com a outra, pegou a mão de Su Guoguo. Com um leve aceno de cabeça, não parou de andar.

"Você tem muitos parentes, hein."

Su Banxia, segurando Su Hao, seguia firmemente os passos de Pei Shaoze. Olhando para os vários carros de luxo estacionados ao redor, deu algumas risadas secas. Qualquer um daqueles carros, se fosse vendido, daria para um trabalhador comum trabalhar a vida inteira. Realmente, era uma família de muito dinheiro.