— Vamos, vamos voltar. Pei Shaoze olhou para ela com suavidade e disse. Su Banxia assentiu, mantendo-se ao lado dele. Eles entraram no carro e voltaram às pressas. Durante todo o caminho, a expressão de Pei Shaoze estava sombria e ameaçadora. Su Banxia não disse nada, apenas acompanhou as crianças em silêncio. Guoguo revirou os olhos vivos, claramente sem entender tudo o que acontecera naquele dia. Não compreendia por que tinham se arrumado tão cedo, só para conversar algumas palavras e ir embora. Já Haohao, sentado calmamente no banco de trás, sabia bem que algo havia mudado, mas não disse nada. Depois disso, Su Banxia percebeu profundamente que o destino dela e das crianças poderia ter sido alterado. Su Sinian logo soube do ocorrido e ficou furiosa. Olhando para Zhang Shanshan à sua frente, repreendeu: "Você não disse que, se espalhássemos os boatos sobre as crianças, ela desistiria? Agora, não só não funcionou, como ainda aproximou os dois!" — Ainda há uma reviravolta. Precisamos pensar pelo lado positivo. Zhang Shanshan disse com calma. Ela já imaginava que Pei Shaoze ajudaria Su Banxia a dissipar os boatos, mas não esperava que ele a protegesse dessa forma. — Reviravolta? A tal reviravolta é Su Banxia se casar com a família Pei e se tornar a senhora Pei, não é? Su Sinian estava furiosa. Sentia que tinha sido uma idiota ao colaborar com aquela mulher! — Senhorita Su, entendo sua vontade de se livrar de Su Banxia. Eu também sinto o mesmo. Mas é preciso entender que a pressa é inimiga da perfeição. Acalme-se e vamos lidar com isso com seriedade. Zhang Shanshan falou devagar, sem se deixar abalar pelas palavras de Su Banxia. Su Sinian rangeu os dentes: "Então me diga o que fazer!" — Isso depende da senhorita Su. Do que Su Banxia mais tem medo? É isso que devemos dar a ela. Zhang Shanshan falou com segundas intenções. Com essa dica, Su Sinian entendeu na hora. Já que o velho Pei sabia das crianças, então algumas pessoas também deveriam saber! Depois de voltar da mansão dos Pei, Su Banxia continuou sua vida normal, mas sentia que algo estava diferente, sem saber explicar. Os olhares dos empregados e do mordomo em casa tinham algo estranho. Ela não sabia se era impressão sua, mas tudo parecia muito esquisito. A ligação de Su Jin só aumentou sua inquietação. Olhando para os dois caracteres grandes na tela do celular, hesitou por um momento antes de deslizar para atender. — Alô? Su Banxia tentou deixar a voz o mais suave possível. — Ouvi dizer que você levou seus dois filhos para a família Pei para reconhecer os parentes? A voz de Su Jin não deixava transparecer nenhuma emoção. Su Banxia hesitou por um instante, depois sorriu levemente: "Foi só um favor entre amigos." — Um favor para você ou para ele? Su Jin perguntou. — Senhor Su, eu... — Banxia. Su Jin a interrompeu: "Você foi criada por mim. Conheço seu temperamento muito bem. Sobre as crianças, você tem certeza de que não vai me dar uma explicação?" Ao ouvir isso, Su Banxia mordeu o lábio inferior: "As crianças são, de fato, de Pei Shaoze." — Absurdo! Su Jin disse friamente: "Nessa altura, você ainda está mentindo para mim? Que tipo de homem é Pei Shaoze? Ele permitiria que seus próprios filhos ficassem vagando por aí todos esses anos? Me diga, essas crianças são de Lin Tongze, não são?" — Isso não tem nada a ver com ele! Su Banxia ficou sem palavras. Não esperava que Su Jin, em nome dos interesses da família Su, a ameaçasse de forma tão indireta. Fazê-la admitir que as crianças eram de Lin Tongze era, no fundo, uma forma de cortar qualquer esperança com Pei Shaoze! Será que sua existência era um pesadelo para todos na família Su? — Você e Lin Tongze se conhecem desde pequenos e passaram seis anos juntos na França. Pelo tempo, as crianças são provavelmente dele. Banxia, já que eu te criei, quero que você seja feliz. Vou falar com Lin Tongze para você. Su Jin não se importava com os sentimentos de Su Banxia. Só pensava nos próprios interesses. Ele sabia muito bem dos sentimentos de Lin Tongze por Su Banxia. Fora por isso que a deixara se aproximar dele anos atrás. Não importava quem fosse o pai das crianças, Su Jin acreditava que Lin Tongze aceitaria Su Banxia. Depois, usaria isso como trunfo para forçar Pei Shaoze a se casar com Su Sinian. Assim, tanto Lin Tongze quanto Pei Shaoze trariam benefícios para ele. Esse era seu plano, sua convicção. Su Banxia não sabia disso. Acreditava que Su Jin só falava assim por causa do carinho por Su Sinian. Naquele momento, sentimentos confusos a invadiram. Ela sempre dera a Su Jin tanta atenção quanto a Su Sinian, mas por que recebia tão pouco em troca? — Se o senhor realmente quer que eu seja feliz, não deveria me criar problemas. Foi a primeira vez que Su Banxia o enfrentou. O rosto de Su Jin escureceu: "Não pense que, só porque tem filhos, o velho Pei vai deixar você entrar. Sua posição na família Pei é obscura!" — Nunca tive essa ideia, muito menos vou deixar Lin Tongze carregar essa culpa. Ele me fez bem, e não vou usá-lo. Senhor Su, vamos conversar outro dia. Ainda tenho coisas a fazer. Ao terminar, Su Banxia desligou o telefone. Não ousava continuar a conversa, com medo de perder o controle. Os dias estavam ficando mais curtos. Eram apenas seis horas, mas lá fora já estava escuro. A empregada trouxe as crianças de volta. Guoguo e Haohao viram uma figura encolhida no sofá e se entreolharam. — Irmão, a mamãe parece um pouco triste. Guoguo puxou a manga de Su Hao e disse baixinho. Su Hao olhou para a figura, franziu a testa e seu semblante frio fez Su Guoguo calar a boca na hora. Desde que voltaram da mansão, o humor da mãe parecia estranho, cada vez mais quieta. — Vamos fazer o jantar para a mamãe. Su Hao suspirou e sugeriu. — Isso vai animá-la? Su Guoguo perguntou, desanimada. Su Hao assentiu: "Talvez." Assim que ele falou, Guoguo correu para a cozinha. As duas crianças se viraram na cozinha e, com muito esforço, conseguiram preparar a comida. Su Banxia viu o trabalho dos filhos e sorriu levemente. Eles sempre a entendiam. Na França, sempre que algo a entristecia, eles eram sua alegria. — Mamãe, fique feliz. Você ainda tem a Guoguo e o irmão. Vamos ficar sempre com você. Su Guoguo ficou contente ao ver o sorriso de Su Banxia e ergueu o rostinho, falando sério. — Vou sim. Com vocês, já me sinto muito satisfeita. Su Banxia sorriu suavemente.