Capítulo 177: Capítulo 177 Criar o Filho com as Próprias Forças

Com o tempo, esses boatos chegaram aos ouvidos do velho senhor.

Embora o patriarca da família Pei não fosse à empresa com frequência, isso não significava que ele não acompanhasse os movimentos da companhia. Ao ouvir esses rumores, ele imediatamente ordenou que Pei Shaoze trouxesse Su Banxia e as crianças de volta para uma visita.

Pei Shaoze, ao receber a notificação, sabia que era inevitável. Então, resolveu levar Su Banxia e os dois filhos, afinal, ela teria que passar por isso mais cedo ou mais tarde; agora era apenas uma questão de tempo.

No caminho para a mansão da família, Su Banxia ficou ansiosa o tempo todo, com uma sensação indescritível no coração.

"Mamãe, para onde estamos indo com o tio Pei?"

Su Guoguo, debruçada na janela do carro, olhando para o ambiente desconhecido, perguntou curiosa.

"Para a casa do tio Pei."

A resposta de Su Banxia foi distraída.

Su Guoguo não entendeu: "A casa do tio Pei não é aquela?"

"Que burra, aquela é só uma das casas do tio Pei. Ele com certeza tem outros lugares."

Su Hao, não aguentando mais, disse com um rostinho frio que lembrava alguém.

"Então o tio Pei é bem rico, tem várias casas."

Su Guoguo ficou um pouco com inveja.

Ouvindo as palavras ingênuas das crianças, Pei Shaoze sorriu: "Guoguo, se você gostar, o tio pode dar todas para você."

Ao ouvir isso, os olhos de Su Guoguo brilharam, mas logo se apagaram, e ela balançou a cabecinha: "Mamãe disse que não se deve ganhar nada sem esforço. Guoguo vai conquistar as coisas com o próprio trabalho no futuro."

"Você ensina muito bem as crianças."

Pei Shaoze virou a cabeça e olhou para Su Banxia.

O rosto de Su Banxia ficou levemente vermelho; a maturidade dos dois filhos era a coisa que mais a fazia feliz.

O carro seguiu suavemente pela estrada e, em pouco tempo, chegou à mansão da família Pei.

Su Banxia segurava uma criança em cada mão e, nervosa, seguia atrás de Pei Shaoze.

Desta vez, diferente das outras visitas, suas pernas tremiam involuntariamente.

Sentindo que o clima não era bom, Su Guoguo também ficou séria e se apertou ao lado de Su Banxia.

O patriarca Pei estava sentado no sofá preparando chá; assim que entraram na sala, sentiram o aroma do chá.

"Pai."

Pei Shaoze cumprimentou friamente.

"Tio, tio."

Su Banxia estava um pouco nervosa e, em seguida, disse rapidamente às crianças: "Chamem de avô."

Guoguo e Hao Hao eram muito obedientes, e até suas falas agradavam.

Antes, quando ouvia os boatos, o patriarca Pei não acreditava, mas agora, vendo as duas crianças de verdade diante dele, sentiu-se um pouco tocado.

Afinal, as crianças, tanto na aparência quanto na maneira de falar, eram uma cópia de Pei Shaoze, especialmente o menino.

"Quantos anos têm?"

Claramente, a pergunta era para as crianças.

"Cinco anos."

Guoguo respondeu com uma vozinha doce.

O patriarca Pei assentiu e, com um olhar intenso, voltou-se para Su Banxia: "As crianças são tão grandes, por que não as trouxe antes para passear?"

"Tive medo de que o senhor não me aceitasse, nem as crianças, e pensasse que eu queria me aproveitar dos filhos para subir na vida."

Su Banxia respondeu com calma.

"Na sua opinião, eu sou tão inflexível assim?"

O rosto do patriarca Pei alternava entre sombra e luz.

Su Banxia mordeu os lábios e ficou em silêncio; ela ainda não tinha entendido o temperamento do velho senhor e, se falasse precipitadamente, poderia pisar em terreno minado.

"Banxia é uma pessoa muito forte, não é do tipo que se curva ao poder."

Pei Shaoze segurou a mão dela, e os dois ficaram ombro a ombro diante do patriarca Pei.

Não se pode negar que os dois realmente combinavam, como um par perfeito.

O patriarca Pei suspirou e disse: "Da última vez, quando a matriarca da família Su veio cuidar do casamento, você a recusou. Pensei que você não estava satisfeito com a senhorita Su. Mal passou um tempo, e você já trouxe crianças tão grandes."

"Porque esta família Su não é a mesma que aquela."

Pei Shaoze respondeu com franqueza.

"Qual família Su é essa?"

O patriarca Pei franziu a testa. A família Su anterior, embora ele não aprovasse, tinha um certo renome. Mas, em toda a cidade de Yan, qual outra família Su era famosa?

"Sou órfã, meus pais morreram há muito tempo."

Su Banxia falou lentamente.

Ao ouvir isso, o patriarca Pei mudou de expressão e sua atitude também se alterou visivelmente: "A família Pei não é um depósito de coisas."

"Pai..."

"Tio, eu entendo o que o senhor quer dizer, e nunca pensei em me aproveitar. Caso contrário, não teria mantido as crianças escondidas por cinco anos sem deixá-las reconhecer a família. Nem o senhor, nem o presidente Pei sabiam da existência desses dois filhos até agora."

Su Banxia interrompeu Pei Shaoze. Ela era de origem humilde, mas isso não significava que não tivesse dignidade.

Vendo sua expressão sombria, o patriarca Pei franziu a testa, mas no final não disse nada.

"Na verdade, até agora, não tenho a intenção de depender da família Pei. Trouxe as crianças aqui para que reconheçam o pai, unicamente para protegê-los. Não quero que, desde pequenos, sejam apontados por aí como filhos bastardos sem pai."

"Você está me ameaçando?"

A voz do patriarca Pei era incerta. Ele não gostava de Su Banxia, mas isso não significava que não gostasse das crianças.

Afinal, aquelas duas crianças eram sangue da família Pei.

"Não ouso."

Su Banxia sorriu: "Só queria dizer ao senhor que cuidei das crianças por cinco anos e posso continuar criando-as sozinha."

"Banxia é realmente uma mãe forte e resiliente. Há seis anos, tive um mal-entendido com ela e terminamos, sem saber que ela já estava grávida na época."

Pei Shaoze mentiu sem piscar.

Seis anos atrás, os dois não tinham terminado coisa nenhuma; foi apenas um mal-entendido que os levou a dormir juntos!

Claro, essas palavras Su Banxia só pensou consigo mesma, sem ousar dizê-las em voz alta.

O patriarca Pei olhou para os dois de mãos dadas, levantou-se apoiado na bengala e disse: "As crianças eu reconheço, ela, jamais!"

Dito isso, sem mais delongas, entrou no escritório.

"Não tenha medo, estou aqui."

Pei Shaoze sussurrou no ouvido dela e, em seguida, seguiu para o escritório.

Na enorme sala de estar, restaram apenas ela e as três crianças.

Su Banxia soltou um suspiro de alívio. Conversar com alguém como o patriarca Pei realmente exigia coragem.

"Mamãe, o tio Pei é mesmo nosso pai?"

Su Guoguo levantou a cabeça, perguntando com um ar confuso.

"Guoguo, lembre-se do que a mamãe diz: mesmo que o tio Pei não seja, agora você tem que pensar que ele é."

Su Banxia se agachou e disse seriamente.

Ela não podia prejudicar a vida das crianças por egoísmo. Ela não tinha medo de fofocas, mas as crianças tinham!

Elas eram tão pequenas, como ela poderia suportar vê-las sofrer?

Guoguo, embora não entendesse o significado das palavras de Su Banxia, ainda assim assentiu obedientemente.

Su Hao olhou para as duas, depois para o escritório, e um traço de maturidade passou por seu rostinho.

Dentro do escritório, Pei Shaoze e o patriarca Pei tiveram uma longa negociação. Quanto ao que foi dito, Su Banxia não tinha como saber.

Só que, quando viu Pei Shaoze sair do escritório, ele estava com o rosto fechado, claramente sem ter chegado a um acordo.