Capítulo 144: Capítulo 144 Deixe-o cortar à vontade

A ironia a fez corar de vergonha. Como se ela tivesse pulado do prédio! Era culpa de alguém que tinha más intenções com ela. Se não tivesse um pouco de espírito de resistência, não seria como carne na tábua, à mercê de quem a cortasse? Pei Shaoze não olhou mais para ela, mas estendeu a mão para puxar seu pé. Su Banxia recuou cautelosamente: "Mesmo assim, você ainda quer?" Ela olhou para aquele homem à sua frente, sentindo apenas um medo profundo. Como ele podia ser tão viciado nessas coisas de amor e desejo? Pei Shaoze a encarou: "Aos seus olhos, sou tão desprezível assim?" Sem dar chance de resposta, ele puxou a perna dela para perto de si. "Pois é, se não fosse desprezível, não teria me forçado tantas vezes." Su Banxia não ousou falar alto, apenas murmurou baixinho. Mesmo assim, Pei Shaoze ouviu seu murmúrio: "O que você disse?" "Nada, estou te elogiando, elogiando sua mente cheia de talento, que fez a Dingsheng ser tão poderosa." Ela se apressou em disfarçar, com medo de que ele desconfiasse. Pei Shaoze apenas a olhou de relance, levantou-se e foi embora. "Você vai assim? Nem chama um médico para mim? Eu me machuquei aqui!" Ela olhou para suas costas, furiosa. Su Banxia estava sentada na cama, xingando todos os ancestrais de Pei Shaoze, quando a porta foi aberta de repente. Pei Shaoze voltou, só que agora com uma caixa de primeiros socorros na mão. "O médico ainda vai demorar um pouco. Seu pé está torcido, vou passar um remédio primeiro. Amanhã te levo ao hospital para examinar." Ele falava sozinho, pegou o pé dela, preparou o líquido para limpar: "Aguenta, aqui está ralado, pode doer um pouco." Su Banxia raramente o via tão suave, o tom já não era mais frio. Enquanto se entregava a essa rara doçura, a dor no pé já a atingiu. "Ah..." Ela inspirou fundo, quase desmaiando de dor. "Aguenta, daqui a pouco passa." Pei Shaoze continuava focado em passar o remédio, sem esquecer de consolá-la. Su Banxia realmente se arrependeu de ter pulado dali. Se voltasse para casa mancando, Guoguo e Haohao ficariam preocupados. "Amanhã não precisa ir à empresa. Assim, se voltar para casa, as crianças vão se preocupar com você. Vou dizer a Fang Shiqing que você está em viagem de negócios comigo. Vou cuidar de você nos próximos dias, até seu pé sarar." Pei Shaoze fechou o frasco de remédio, com um semblante sério. Su Banxia franziu a testa na hora. Isso significava que ela ficaria mais alguns dias sem ver seus tesouros, e ainda teria que ficar na toca do lobo! "Que tal... eu ficar fora? O hotel também é muito confortável, não incomodo o presidente Pei!" Ela riu sem graça, tentando negociar. Não queria que um dia Pei Shaoze a desejasse e ela fosse apenas uma ferramenta viva para aliviar seus desejos! Ao ver a expressão de Pei Shaoze, mais escura que o breu, Su Banxia percebeu que tinha falado algo errado. "Tente sair daqui um passo que seja!" Pei Shaoze ameaçou diretamente. Para essa mulher que não sabia o que pensava, além de tratá-la assim, nenhum outro método funcionava. Vendo Pei Shaoze ir embora sem lhe dar chance de negociação, Su Banxia, frustrada, bateu com o punho na cama. Não sabia como conseguiu dormir naquela noite. No dia seguinte, acordou já eram dez da manhã. A mansão inteira estava vazia, nem sombra de Pei Shaoze. "Ele não disse que ia ficar comigo? Cadê ele?" Ela murmurou sem querer. Será que a deixou ali e foi trabalhar? Então, com quem a secretária Su Banxia foi viajar? Ela balançou a cabeça, sem entender. O celular tocou de repente. Um número desconhecido a fez franzir a testa. Quem teria o número dela? Ela atendeu, sem dizer nada. "Alô? Banxia, você está aí?" A voz familiar do outro lado era de Su Sinian. Su Banxia não esperava que, depois daquela vez, nunca mais se falariam. Mas ela tinha conseguido o contato dela. "Hum." Ela hesitou um pouco, mas respondeu. Agora que a crise da família Su já tinha passado, o que ela queria? "Vamos nos encontrar." Do outro lado, Su Sinian olhava para o contrato entre a Lin e a Pei, com o rosto sério. Ela não sabia que habilidade Su Banxia tinha para fazer Lin Tongze e Pei Shaoze ajudarem a família Su juntos. Afinal, ela era a filha mais velha dos Su, mas não recebia metade da consideração deles. "Já fiz o que a senhorita me pediu. Se não houver mais nada, é melhor não nos encontrarmos." Ela não queria mais se envolver com Su Sinian, nem com toda a família Su. Se se encontrassem de novo, só traria mais problemas. "Banxia, você é tão cruel assim? A saúde do pai está piorando a cada dia. Você nunca pensou em voltar para casa? Você realmente leva tão a sério aquele incidente?" Su Sinian estava furiosa. Não esperava que a garota rebelde que o pai criou com tanto carinho fosse tão fria e insensível. Su Banxia não recusou na hora. Houve alguns segundos de silêncio no telefone. "Me manda o endereço." Depois de dizer essas cinco palavras friamente, ela desligou, tremendo sem parar. Su Sinian foi rápida. Em pouco tempo, o endereço chegou. Su Banxia teve que se arrastar, mancando, para fora. Nesse lugar maldito, nem dava para pegar um táxi. Ela teria que andar uma boa distância! O local escolhido por Su Sinian era embaixo do prédio da empresa dela. Agora que Lin Tongze e Pei Shaoze estavam prestes a cooperar com ela, ela naturalmente queria dedicar tempo e esforço a isso. A razão de querer ver Su Banxia era apenas saber que habilidade ela tinha para fazer dois empresários de elite cooperarem com ela! Quanto a Lin Tongze, ela entendia. Afinal, se conheciam desde pequenas, ajudar era algo simples. Mas quanto a Pei Shaoze, ela não entendia. Su Banxia dizia que era apenas sua secretária, mas se fosse só uma secretária, como teria tanto poder? Su Banxia também não teve vida fácil. Mancando, andou uma boa distância, finalmente conseguiu um táxi, e depois de muito esforço, chegou. "Cheguei." Ela logo mandou uma mensagem para Su Sinian, sem querer perder mais tempo. Su Sinian olhou a mensagem no celular, um sorriso surgiu em seus lábios, e desceu. "Banxia, esperou muito." "Pai... Como está o presidente Su?" Ela quase disse a palavra "pai", mas se conteve e trocou por "presidente Su". Embora soasse mais distante, ainda era adequado. Su Sinian balançou a cabeça: "A saúde do pai está piorando. Você não vai voltar para vê-lo?" Ela suspirou, parecendo muito triste ao falar da doença do pai Su. Já fazia seis anos. Su Banxia não voltava para casa há tanto tempo. A família Su, ela não queria mais voltar. Mas o pai Su, essa dívida de gratidão era difícil de pagar.