Neste momento, Su Banxia está enterrada em uma pilha de documentos, trabalhando duro. Se não fosse pelo enorme favor que Pei Shaoze lhe fez de forma indireta, ela certamente não estaria obedientemente no escritório fazendo hora extra.
Olhando para aquela lista de funcionários completamente desnecessária, Su Banxia se sente impotente. Mas o que ela pode fazer? Foi Pei Shaoze quem lhe deu essa tarefa.
De repente, a porta é arrombada, e uma figura cambaleante aparece diante dela.
— Presidente Pei!
Su Banxia exclama em choque. O que ele está fazendo aqui a esta hora?
Pei Shaoze não lhe dá atenção. Ele vai direto até ela, pega o mouse dela e pergunta friamente:
— O que você está fazendo? Está com tempo de sobra?
Ele olha para a tela do computador, que exibe a lista de funcionários, com uma expressão de raiva.
— Não foi o senhor quem me pediu para fazer isso... — Su Banxia fala ao lado, com um tom de mágoa.
Ele também sabe que fazer a lista de funcionários é perda de tempo!
Parece que a cabeça dele ainda não está tão ruim.
— Venha comigo!
Ele desliga o computador dela e a puxa para fora. Su Banxia não sabe o que ele está tramando desta vez, mas só pode segui-lo obedientemente.
— Presidente Pei, mais devagar! Está me machucando!
A força dele aperta tanto o pulso dela que dói, obrigando-a a pedir que pare.
Pei Shaoze, com a cabeça ainda tonta, de repente se acalma e solta a mão.
— Desculpe, Banxia, te machuquei.
O tom é de uma doçura nunca antes vista, deixando Su Banxia surpresa e lisonjeada. Ela está prestes a pensar se a cabeça dele não está funcionando direito quando um cheiro de álcool invade seu nariz.
Claro, o cérebro dele está anestesiado pelo álcool. Caso contrário, esse valentão irritadiço nunca seria tão gentil com ela!
Olhando para o contorno bonito do rosto dele, Su Banxia não consegue evitar engolir em seco.
— Tudo bem, tudo bem.
Ela sorri tolamente e o segue para descer as escadas.
Na frente da empresa, o carro esportivo de Pei Shaoze, que há pouco estava correndo pela estrada, agora está parado silenciosamente na entrada. Quando Su Banxia vê o carro dele, fica paralisada. Esse cara bebeu, mal consegue andar em linha reta, e ainda assim dirigiu até aqui?
Que figura!
Ao ver Pei Shaoze se dirigir ao banco do motorista, Su Banxia rapidamente o impede. Ele pode não se importar com a vida, mas ela sim!
— Presidente Pei, deixa que eu dirijo! O senhor descansa, eu levo você para casa.
Ela pega as chaves da mão de Pei Shaoze, entra no banco do motorista e liga o carro.
Pei Shaoze não recusa. Ele abre a porta do passageiro e se senta.
A janela é abaixada, e o vento ajuda Pei Shaoze a clarear um pouco a mente. Os dois não falam nada, e o carro fica em completo silêncio.
A distância da empresa até a vila de Pei Shaoze não é muito longa. Su Banxia chega em pouco tempo. Felizmente, o segurança da portaria reconhece o carro de Pei Shaoze e nem precisa de aviso; deixa-a entrar diretamente.
— Presidente Pei, o senhor ainda está sóbrio?
O carro para na entrada da vila, e Su Banxia de repente pergunta.
— O quê?
A voz fria volta a soar. Parece que é melhor Pei Shaoze ficar mais anestesiado pelo álcool.
Su Banxia ri com um sorriso sem graça.
— Presidente Pei... esqueci de novo em qual casa o senhor mora.
As vilas aqui são todas muito parecidas, e agora é noite, então ela não consegue lembrar onde é a casa dele.
Ela realmente admira quem mora aqui. Um dia, vão abrir a porta errada com a chave e nem vão perceber!
Pei Shaoze bufa friamente.
— Já veio tantas vezes e ainda não consegue lembrar? O que você consegue guardar na cabeça?
Vendo a expressão de desprezo no rosto dele, Su Banxia tem certeza de que ele já está sóbrio!
Ela não diz nada, mas seu rosto mostra um pouco de impotência. Ela realmente não consegue distinguir. Não é a casa dela, por que ela precisaria lembrar tão bem?
— Siga em frente, vire à direita, terceira casa.
Quando Su Banxia já achava que Pei Shaoze não ia lhe dizer, ele de repente fala.
Su Banxia fica feliz e pisa no acelerador, seguindo em frente.
O carro para suavemente na porta da vila. Por causa de Pei Shaoze, ela tem tido muito contato com carros ultimamente, e sua habilidade está melhorando aos poucos.
— Presidente Pei, chegamos. Por favor, me empreste o carro!
Ela lembra Pei Shaoze, que já chegou ao destino mas ainda não saiu do carro, enquanto também pede permissão. Toda vez que vem a esta vila, com certeza não consegue pegar um táxi, e ela não quer passar outra noite aqui. As duas crianças em casa estão esperando.
Pei Shaoze vira a cabeça e olha para ela.
— Abra a porta para mim.
O tom não admite recusa. Su Banxia arregala os olhos. Pei Shaoze não tem mãos? Está pedindo para ela abrir a porta?
Mas, vendo o rosto frio dele, Su Banxia decide, considerando que ele ajudou a família Su, descer do carro para abrir a porta para ele.
Quem diria que, assim que Su Banxia sai do carro, Pei Shaoze pega as chaves, abre a porta e sai sozinho.
— Presidente Pei?
Su Banxia franze a testa e olha para ele, sem entender o que ele quer.
Pei Shaoze não responde. Em vez disso, ele caminha em direção a ela. Su Banxia instintivamente recua, colocando as mãos atrás das costas, com medo de que ele a puxe à força para dentro de casa.
Mas ela estava enganada. Pei Shaoze não pretende puxá-la. Ele a levanta no colo.
Su Banxia se debate, querendo que ele a coloque no chão, mas Pei Shaoze a aperta ainda mais.
— Se não quer que eu te pegue aqui, fique quieta!
Ele rosna baixinho, com um tom assustador.
Su Banxia não diz mais nada. Olhando para ele, sente uma mistura de familiaridade e estranheza. Parece que a impressão de que ele fica gentil quando bêbado foi toda ilusão!
Parece mais uma fera, isso sim.
Ela é jogada com força na cama. O homem à sua frente já está desabotoando a gola e os botões, impaciente.
Su Banxia já está suando frio. Ele não vai forçar de novo, vai?
— Pres... Presidente Pei...
— Me chame de Shaoze!
Ele semicerra os olhos, claramente irritado.
— Shaoze... eu... vou tomar banho primeiro...
Ela tenta se levantar, e Pei Shaoze não diz nada, como se concordasse.
Vendo isso, Su Banxia corre para o banheiro.
Por pouco, ela seria devorada por ele de novo.
Su Banxia liga o chuveiro. O som da água batendo no chão realmente parece o de um banho.
Ela abre a janela e coloca a cabeça para fora. Ainda bem que é só o segundo andar, não é alto!
Pensando nisso, ela se prepara para pular pela janela e descer pelo cano de esgoto. Mas, sem querer, pisa no vazio e cai direto do segundo andar.
— Ah...
Um grito vem de fora do banheiro. Pei Shaoze imediatamente invade o banheiro.
Não vê ninguém lá dentro, mas a janela está aberta. Ele se debruça na janela e vê Su Banxia caída no gramado lá embaixo, com o rosto contraído de dor. Seu rosto escurece.
— Su Banxia! Que talento, hein!
Ele range os dentes, com as veias da testa saltando.
Su Banxia, vendo a expressão aterrorizante dele, fica apavorada. Agora ferrou.
Mais uma vez, ela é carregada por Pei Shaoze para o quarto e jogada com força na cama.
— Mais devagar!
Ela reclama com Pei Shaoze, que a jogou na cama.
Pei Shaoze ainda não tem boa cara. Ele a olha friamente.
— Achei que, já que você teve coragem de pular, não teria medo da dor.