A fúria da serpente de oito cabeças, Orochi, explodiu. Mesmo em sono profundo, o golpe severo a despertou por completo. Oito bocas de serpente se escancararam, jorrando torrentes de água negra e corrosiva, tão ácida que corroía o chão, abrindo crateras e exalando um fedor insuportável. Qualquer coisa que caísse ali se dissolvia em cinzas, quanto mais o frágil corpo humano.
Os japoneses desejavam ter mais duas pernas para fugir o mais longe possível. Apenas a Donzela Divina japonesa e Fūma Tarō não se afastaram, mas manipularam seus shikigami para atacar novamente. Shuten Dōji se transformou em um demônio de três metros, com rosto verde e presas, sua aura demoníaca como um mar de sangue, onde inúmeras cabeças de demônios flutuavam e uivavam, avançando sobre a serpente e mordendo-a ferozmente. A Kyūbi no Kitsune também revelou sua forma original, uma raposa branca de dez metros, com nove caudas abertas como a cauda de um pavão no ar, balançando sem parar, cada cauda emanando energias diversas: fogo de raposa, trovão sombrio, vento demoníaco...
Subjugados como shikigami, esses dois grandes demônios não podiam resistir e, como se fossem para a morte, investiram contra Orochi, o monstro mais aterrorizante da mitologia japonesa, travando uma batalha caótica e brutal. As ondas de choque dos ataques se espalharam, devastando a terra. Orochi, enfrentando dois inimigos sozinho, dominava completamente a luta.
Fūrin, escondido à distância, continuava fingindo ser um peixe morto, sem chamar atenção. No fim, esses japoneses não tinham armas como a Kusanagi no Tsurugi para causar danos fatais a Orochi, apenas despertando sua ferocidade, o que resultou em pesadas baixas. Mas, já que ousaram vir, tinham seus trunfos. Fūrin não se precipitou; esperou pacientemente o momento certo para roubar a espada da boca do tigre e tomar a Ame no Murakumo no Tsurugi.
No campo, Orochi emanava um poder aterrorizante. Cada cabeça era grossa como um pilar gigante, colidindo violentamente, arremessando Shuten Dōji para longe. Milhares de cabeças de demônios do mar de sangue cobriam a serpente, estalando ossos, mas mordendo suas escamas sem conseguir perfurá-las. Os ataques energéticos da Kyūbi, como chuva fina, eram todos dissipados pela serpente. Cada cabeça de Orochi tinha habilidades únicas, usando seus próprios meios, onde quer que passasse, como dragão e vento, erguendo ondas de água negra que corroíam a terra. Os japoneses recuavam, incapazes de enfrentá-la.
Assim não dava. Fūma Tarō e a Donzela Divina, como principais combatentes, trocaram olhares, acenaram com determinação e formaram o selo do vaso precioso, criando uma abertura com as mãos, apontando para seus shikigami. "Recolham!" Shuten Dōji e a Kyūbi, sem escapatória, uivaram e se transformaram em sombras que se fundiram a eles, unindo-se. União homem-divindade!
Os dois mudaram de forma drasticamente: Fūma Tarō se tornou um demônio feroz com dois chifres na cabeça, aura demoníaca ao redor, com lamentos de fantasmas ecoando sem fim. A Donzela se transformou em uma raposa sedutora, metade humana, metade raposa, com nove caudas fofas balançando atrás de si.
Corte Avançado! Fūma Tarō, envolto em vento demoníaco, deu um passo no ar, girou o corpo e, com a lâmina acompanhando o movimento, traçou um arco gracioso no ar, liberando uma imensa força de corte que se solidificou, como uma espada de cinquenta metros pronta para partir a serpente ao meio. Orochi, grande demais para desviar, sofreu o golpe: uma cabeça foi cortada no pescoço, pendendo por um fio de pele, expondo ossos brancos e jorrando sangue.
"Amaterasu!" A Donzela Divina japonesa também gritou, balançando as caudas que se uniram, com a ponta emitindo um fogo negro estranho, sem luz ou calor, queimando silenciosamente, de forma sinistra. Como o fogo apocalíptico das lendas, o fogo negro de Amaterasu caiu sobre Orochi, queimando instantaneamente tudo, incapaz de ser apagado até por torrentes de água, que só avivavam as chamas. Logo, outra cabeça foi carbonizada pelo fogo.
Unidos aos demônios, os dois aumentaram seu poder drasticamente, e com um golpe, cortaram duas cabeças de Orochi, causando danos severos. Orochi, agora melhor chamada de serpente de seis cabeças, uivava de dor, cada vez mais furiosa. Seu corpo enorme rolava sem parar, erguendo ondas de água negra corrosiva, enquanto seis cabeças cuspiam raios, fogo, gelo... uma torrente de energia que inundava os japoneses.
Fūma Tarō, envolto em aura demoníaca, brandia a lâmina com cortes precisos, liberando lâminas de energia de dezenas de metros, cortando tudo em seu caminho. A Donzela, com as caudas abertas como pavão, controlava o fogo negro, como se a grande divindade Amaterasu tivesse descido à Terra para destruir o mundo com fogo divino. Os dois, sem medo do poder da serpente, avançaram e travaram combate corpo a corpo com Orochi.
Diante de um monstro apocalíptico com corpos frágeis, essa cena, se vista pelos japoneses, pareceria heróis mitológicos retornando ao mundo. Fūrin, escondido nas sombras, lançava olhares misteriosos. Após um tempo de luta, o cenário se esclareceu. Embora os dois, unidos aos demônios, tivessem meios poderosos, comparáveis a elites de cultivadores, e ferissem Orochi repetidamente, o corpo enorme da serpente, com qualquer movimento, abalava céu e terra, e as ondas de choque os deixavam cobertos de feridas. Orochi já havia perdido cinco cabeças, restando apenas três, numa situação de empate desastroso.
É hora de agir! Fūrin, que esperava há muito, sabia que era o momento. Ele pegou a cabaça roxa, fez os selos e liberou o Daitengu. "Corte o ventre de Orochi!" ordenou friamente. O Daitengu, subjugado, não podia desobedecer; atacou de surpresa, fundindo corpo e lâmina, desferindo um corte aniquilador que brilhou no ar como um relâmpago, uma chama... extinguindo toda a vida. Três Cortes Aniquiladores!
Um intruso surgiu no meio do caminho. Fūma Tarō e a Donzela se surpreenderam, diminuindo o ritmo. Nesse instante, a lâmina do Daitengu, com poder imparável, rasgou o ventre de Orochi, duro como o de uma tartaruga gigante, derramando sangue quente por todo lado, revelando uma espada prateada gigante. Uma figura, como um fantasma, avançou, agarrou a espada Ame no Murakumo e a arrancou com força. Orochi gemeu, seu corpo enorme encolhendo rapidamente, fundindo-se na espada, onde apareceu um padrão de serpente de oito cabeças.
"Quem é você?" Fūma Tarō, furioso e chocado, viu que estavam prestes a matar a serpente, mas alguém roubara o prêmio. Quem teria tanta audácia? "Você não é Yamamoto Ichirō!" A Donzela, com olhos afiados, parecia perfurar o disfarce de Fūrin, vendo sua verdadeira face. Fūrin não lhes deu atenção. Segurando a Ame no Murakumo, sentiu uma força sinistra invadir seu corpo, como se quebrasse as amarras físicas, elevando sua vitalidade rapidamente. 97, 98, 99, 100... A vitalidade subiu como um foguete, ultrapassando a barreira dos 100, rompendo o limite humano.