A história se desenrola em dois lados, cada um com seu fio. Xixi, que ainda não sabia de nada, mal chegou à sala de aula e seus olhos vivos e grandes rapidamente encontraram Luísa, cercada por Chen Shiyun e Nan Zhaoyu! Claro, Xixi estava tão feliz que não percebeu a expressão melancólica de Luísa. — Luísa! Você voltou? — A garotinha correu surpresa, pegando a mão de Luísa. — Xixi. — Luísa, ao ver Xixi, pareceu ficar ainda mais triste, com os olhos se enchendo de lágrimas. — Xixi, a Luísa parece não estar feliz! — Chen Shiyun disse em voz alta, como se estivesse fazendo um relatório. — Ei, pergunta logo por que ela está triste! É de dar agonia! A expressão "dar agonia", não se sabe de onde Chen Shiyun aprendeu, mas ultimamente ela adora usá-la. Nan Zhaoyu coçou a cabeça e resmungou: — Também não sei por que a Luísa está triste... Ninguém a maltratou. Xixi também ficou confusa. Segurando a mão de Luísa, perguntou: — Luísa, por que você não fala? Alguém te machucou? — Posso contar para a professora! — Chen Shiyun, com o peito estufado e cheia de justiça, roubou a fala de Lan Xin. Afinal, Lan Xin ainda não tinha chegado. Os amigos falavam um após o outro, embora a algazarra fosse um pouco barulhenta, a preocupação transbordava. Isso deixou Luísa ainda mais triste, sem saber como contar a má notícia aos amigos. Felizmente, a professora Mu veio salvar Luísa. Depois, quando todas as crianças chegaram, ela pegou a mão de Luísa e anunciou a notícia por ela. — ...Até esta sexta-feira, Luísa continuará tendo aulas com todos. Obrigada, Luísa, por trazer tanta alegria a todos neste ano e por ajudar os outros colegas a aprender inglês. Nunca esqueceremos nossa amizade. Crianças, não é? — A professora Mu perguntou com doçura. Wang Xijun, que adora aparecer, e algumas crianças que sempre respondem às perguntas da professora, responderam: — Sim! Muitas crianças ainda estavam atordoadas, como Xixi, que não sabia se não conseguia aceitar o fato ou se realmente não tinha entendido. Seus olhos fitavam a professora Mu confusos, sem saber o que fazer. Já Nan Zhaoyu, mais sincero, falou: — Professora, professora! — Zhaoyu, o que foi? — A professora Mu olhou para ele. Nan Zhaoyu, com a voz um pouco rouca naquele dia, perguntou: — A Luísa vai para a casa dela no exterior, e depois disso nunca mais vamos vê-la? Por que você é tão esperto? Por que precisa dizer isso? Luísa franziu os lábios, e lágrimas grandes escorreram por seu rosto salpicado de sardas. Yang Luoqi e Lan Xin, duas garotinhas de emoções fáceis de serem tocadas, ao ver Luísa chorando tão triste, também começaram a soluçar. Lan Xin, chorando, gritava: — Não quero que a Luísa vá para casa. Nesse momento, vendo que a situação não era boa, a professora Mu apressou-se: — Não é assim! Embora Luísa vá para a casa dela no exterior, vocês ainda podem se encontrar no futuro, porque são amigas! — Luísa, quando você voltar, vai se lembrar de todos esses amigos com quem brincou, não vai? — A professora Mu se agachou, pegou um lenço para enxugar as lágrimas de Luísa e perguntou com carinho. — Vou sentir saudades de vocês. — Luísa soluçou e balançou a cabeça. Em quase um ano, o chinês de Luísa realmente melhorou muito. Embora a gramática ainda tivesse falhas, pelo menos o sotaque já não era problema. — Então, no futuro, quando tiver oportunidade, volte para a China para nos ver, e também para ver esses amigos, está bem? — A professora Mu sorriu. — Está bem... — Luísa ainda derramava lágrimas. — Ei, por que vocês estão chorando? — Chen Shiyun disse de forma despreocupada. — Um dia vou à casa da Luísa brincar, nunca fui na casa dela! Claramente, Chen Shiyun não tinha entendido o sentido da professora. Mas Lan Xin também foi tomada por uma estranha determinação. Enquanto fungava, gritou: — Eu também vou à casa da Luísa! Vou pedir para minha mãe me levar para o exterior, e posso ir à casa dela! — Eu vou primeiro! — Chen Shiyun não se conformou. — Eu vou primeiro, primeiro! — Eu vou primeiro, primeiro, primeiro! Fui eu que falei primeiro... As duas garotinhas esqueceram a tristeza e começaram a discutir, fazendo a professora Mu rir sem saber se ria ou chorava. Mas ela não interferiu, pois a briga das duas acabou dissipando um pouco a melancolia da despedida. — Não se preocupe, você ainda vai ter aulas com todos esta semana! — A professora Mu acariciou Luísa, que ainda chorava, e disse com suavidade. — Não vamos pensar tão longe. Vamos aproveitar esta semana feliz, está bem? Luísa não reagiu, ou talvez não tivesse entendido. A professora Mu olhou ao redor e viu que Xixi não estava chorando. Sabendo que Xixi e Luísa eram as melhores amigas, levou Luísa até Xixi e fez as duas garotinhas darem as mãos. — Xixi, a professora sabe que você é a mais compreensiva. Agora vou te dar uma tarefa, está bem? — A professora Mu se agachou e falou com doçura. Na verdade, quando Xixi entendeu que Luísa ia embora para um país distante, ela também ficou triste. Seus olhos até ficaram vermelhos! Mas, vendo a expressão desamparada de Luísa, não sei por que, ela não deixou as lágrimas caírem. Talvez porque a cena fosse familiar. Quando Luísa chegou, não estava também sozinha e perdida no meio da multidão? — Agora a Luísa está muito triste. Você é a melhor amiga dela. Fique com ela e a ajude a se animar! Vamos fazer com que esta última semana dela na China seja feliz, e que ela se lembre para sempre deste grupo de amigas. Está bem? — A voz da professora Mu fez Xixi voltar a si. O olhar de confiança da professora Mu deu a Xixi uma sensação estranha de responsabilidade. A garotinha balançou a cabeça obedientemente. — Xixi, quero ir para casa, mas não quero me separar de vocês. — Depois que a professora Mu foi embora, Luísa pareceu abrir uma comporta e começou a soluçar em sueco. — Luísa, não fique triste. Shiyun e Xin'er disseram que vamos à sua casa te ver e brincar com você. — Xixi também respondeu em sueco. Comparado a um ano atrás, o sueco de Xixi também estava fluente. — Você também vai vir? — Luísa olhou para Xixi com esperança. — Com certeza vou brincar com você! — Xixi balançou a cabeça seriamente. — Sério? — Luísa, com lágrimas nos olhos, perguntou surpresa. — Ai! Vocês estão falando sueco de novo, a gente não entende! Podem falar mandarim? — Chen Shiyun se aproximou, falando com um tom engraçado, forçando o mandarim. — Estou dizendo para a Luísa que também vou com meu papai brincar na casa dela. — Xixi, ao contrário de Chen Shiyun, ainda estava com o coração pesado e falava com seriedade. — Eu e Xin'er também vamos. Qiqi, você vai? — Chen Shiyun perguntou. Yang Luoqi não era muito decidida. A garotinha esfregou os olhos ainda úmidos e disse baixinho: — Vou perguntar ao meu pai. — Também vou perguntar... — Nan Zhaoyu se intrometeu. — Não precisa perguntar! Eu tenho mesada, posso ir sozinha! — Chen Shiyun, com dois reais de mesada no bolso, tinha uma coragem que tocava o céu. Ela acenou a mão com despreocupação. — Eu também tenho muita mesada, e os envelopes vermelhos do Ano Novo! Minha mãe me deu dois porquinhos grandes para guardar! — Disse Xixi. — Mas acho que meu papai pode me levar! Lan Xin, com seu senso financeiro, teve uma ideia: — Xixi, se seu pai pode te levar, você pode dividir sua mesada com Qiqi e Zhaoyu, assim eles também podem ir! — Isso, Xin'er, ótima ideia! — Chen Shiyun disse animada. Yang Luoqi e Nan Zhaoyu olharam para Xixi com expectativa. Xixi, agora dona de dois cofrinhos, era a esperança de todos. A garotinha relutou um pouco, mas balançou a cabeça generosamente: — Tá bom, vou dividir com Qiqi e Zhaoyu! Yang Luoqi e Nan Zhaoyu sorriram felizes. Talvez contagiados pelo sorriso deles, o coração de Luísa se aqueceu, e a tristeza anterior diminuiu muito. Luísa abraçou o braço de Xixi e disse, um pouco emocionada: — Eu também vou voltar à China para brincar com vocês! Meu pai vai deixar! Somos amigas para sempre! Parecia que o ânimo das crianças tinha se recuperado. Xixi começou a contar a Luísa sobre sua viagem à Austrália. Lan Xin e as outras, que já tinham ouvido a história várias vezes, começaram a falar ao mesmo tempo, ajudando a contar, como se fosse uma conversa animada de sempre. ... Ao meio-dia, no estúdio, Mo Fei, que tinha acabado de saber da notícia e não estava muito tranquila, pediu a Yang Yi para ligar. A resposta da professora Mu surpreendeu Yang Yi. — A professora disse que Xixi não chorou, e que ela se saiu muito bem, ajudando a professora a consolar Luísa. — Yang Yi desligou o telefone e disse a Mo Fei, confuso. — Essa é a minha filha! Viu como ela se saiu bem? Tão compreensiva! — Mo Fei disse com orgulho. — Não, acho que tem algo errado. Pelo jeito de Xixi, é impossível que ela não tenha ficado triste. — Yang Yi passava mais tempo com a filha e conhecia Xixi melhor do que Mo Fei. — O que tem de errado? Você só vai ficar satisfeito se ela chorar horrores? — Mo Fei riu, sem entender. — Relaxa, talvez a Xixi tenha crescido! O que realmente aconteceu, Yang Yi só entendeu quando buscou Xixi no fim da tarde.