Capítulo 658: Capítulo 658 Novidades no Trem (1/4)

Existem, de fato, algumas confusões sombrias e cinzentas neste mundo, como batedores de carteira nas estações de trem e várias brigas por causa de assentos nos trens. Yang Yi, ao ver duas pessoas sentadas em seus lugares e no de Xixi, não pôde deixar de pensar naqueles malandros.

Por isso, enquanto tirava o bilhete para confirmar com eles, já estava mentalmente preparado para resolver a questão na base da força.

No entanto, embora existam passageiros teimosos por aí, Yang Yi não encontrou nenhum hoje. Assim como aquele cambista que ele confundiu com um batedor, Yang Yi estava destinado a não ter chance de mostrar sua força.

“Ah? Sim, seu lugar!” Os dois jovens se levantaram constrangidos. “Sente-se, sente-se!”

Ao passarem por Yang Yi, murmuraram baixinho, culpando um ao outro: “Foi culpa sua, escolheu este, os outros já compraram bilhete.”

“Como eu ia saber? Quer escolher você? Que saco!”

Na verdade, esses dois jovens não eram malandros, mas passageiros de pé que queriam levar vantagem.

O bilhete de pé tem o mesmo preço que o de assento duro. Se pudessem comprar assento duro, a maioria não escolheria ficar de pé. Mas o bilhete que Yang Yi comprou era diferente: quando ele chegou à estação, os assentos duros comuns já estavam esgotados, restando apenas alguns de assento macio.

Os bilhetes de assento macio, claro, eram muito mais caros que os duros. Muitos não queriam gastar esse dinheiro e compraram de pé. Esses dois jovens, entre os que compraram de pé, eram dos mais espertos. Acharam que os assentos macios não seriam todos vendidos e vieram ao vagão de assentos macios tentar a sorte. Se tivessem sorte e sentassem em lugares não comprados, evitariam o sofrimento de ficar espremidos no corredor estreito por horas.

Mas a sorte não estava com eles: sentaram no lugar de Yang Yi. Quando se levantaram, os outros assentos macios já estavam todos ocupados — provavelmente por outros que também vieram tentar a sorte. Eles só puderam pegar suas bagagens e ir para o corredor.

Yang Yi olhou para suas costas, balançou a cabeça levemente e não ligou mais.

Ele fez Xixi sentar primeiro, depois colocou a mala no bagageiro acima e sentou ao lado da filha.

A menina, sentada no lugar da janela, balançava o bumbum animadamente, espiando para fora. Do outro lado, havia outro trem, mas ainda esperava os passageiros descerem. Pessoas saíam da longa fileira de vagões, formando uma linha escura e densa — uma cena impressionante que Xixi não conseguia parar de olhar.

“Xixi, vem, bebe um pouco de água!” Yang Yi tirou a garrafinha de Xixi da mochila, serviu um pouco de água quente na tampa, chamou a menina e entregou a ela.

Xixi virou a cabeça e pegou a tampa.

“Bebe devagar, primeiro sente a temperatura, pode estar muito quente!” Yang Yi a alertou.

“Papai, aquele trem tem tanta gente!” A menina olhou para a água fumegante, sem ousar beber, e primeiro contou ao pai o que viu.

“É, sim, ele chegou na estação, essas pessoas estão voltando para Jiangcheng. Mas o nosso trem também está cheio, você não viu quando subiu?” Yang Yi disse, rindo.

“Vi, muita gente, quase esmagaram o papai. Ainda bem que papai é forte.” Xixi riu, com os olhos se curvando.

“Papai vai te ensinar uma frase para descrever muita gente: ‘Tanta gente que parece bolinho na panela, todos amontoados.’” Yang Yi riu enquanto falava com Xixi. “Lembra quando comemos bolinhos no feriado? Muitos bolinhos juntos, não parece com isso?”

“Hehe, bolinho na panela.” A menina achou a expressão divertida.

O trem começou a se mover lentamente. Diferente dos trens verdes de décadas atrás, que faziam barulho, este não tinha tanto ruído, apenas uma leve vibração. Xixi olhava para os prédios que recuavam pela janela, uma cena nova que a hipnotizava.

“Pronto, bebe a água primeiro, senão vai esfriar de vez.” Yang Yi teve que apressá-la.

Xixi era obediente. Segurou a tampa com as duas mãozinhas, aproximou os lábios vermelhos e bebeu em pequenos goles. A água morna logo acabou.

“Quer mais?” Yang Yi perguntou, vendo que ela ainda queria.

“Quero!” A menina assentiu.

Realmente uma menina feita de água! Xixi bebia bastante água, mas isso tinha vantagens: a pele dela, como a do irmão, era muito macia e lisa! Mesmo no inverno, parecia que dava para apertar e sair água.

Depois que Xixi terminou de beber, Yang Yi rosqueou a tampa e, ao virar a cabeça, viu duas senhoras sentadas no banco da frente olhando para sua filha com sorrisos.

Yang Yi tentou desviar o olhar, mas já era tarde. Uma das senhoras puxou conversa: “É sua filha? Quantos anos? Que linda!”

Xixi, ao ouvir o elogio, tirou os olhos da janela e se apertou contra o pai, envergonhada, olhando para as senhoras.

“A tia perguntou quantos anos você tem.” Yang Yi acariciou a cabecinha da filha com carinho, rindo.

“Tia... eu tenho cinco anos!” Xixi disse, tímida.

“Nossa, essa menina é bonita e ainda tem uma boca doce!” A senhora gostou. “Ainda não está na escola, né?”

“Cinco anos e meio, só vai começar a escola no segundo semestre deste ano.” Assim, Yang Yi, sem jeito, começou a conversar com as senhoras tagarelas.

...

A experiência de andar de trem era cheia de novidades para Xixi.

Até quando o comissário passou com um carrinho de bebidas e salgadinhos, embora não fossem nada especiais, a menina se apoiou no pai, curiosa, olhando por um bom tempo. No fim, Yang Yi comprou dois pacotes de ameixa seca para ela dividir com as senhoras.

Mas, como tinha bebido bastante água, depois de meia hora de viagem, Xixi quis ir ao banheiro.

Uma viagem de menos de duas horas, e ainda precisava ir ao banheiro... Mas crianças não conseguem segurar, então Yang Yi teve que levá-la ao banheiro na junção dos vagões.

Lá também havia muita gente. Yang Yi até viu os dois jovens do início. Quando ele levou Xixi, alguns se levantaram relutantemente para dar passagem.

Xixi olhava curiosa para as pessoas. Embora o pai tivesse explicado por que estavam em pé ou agachados, ela ainda achava tudo muito estranho.

“Papai, que sujo!” Quando entrou no banheiro, Xixi viu o buraco sujo e fez biquinho, com nojo.

Realmente sujo... Yang Yi também achou difícil de suportar.

Parecia que essa experiência de trem, depois de uma vez, provavelmente não teria uma segunda... Mesmo que tivesse, no futuro, ele tentaria pegar trens de alta velocidade ou horários com menos gente, para evitar a correria do Ano Novo Chinês...

Mas o problema precisava ser resolvido. Quando a necessidade aperta, até os ambientes mais difíceis têm que ser enfrentados, não é?

No fim, Xixi foi ao banheiro sob a proteção do pai, e depois fugiram daquele lugar sujo e fedorento.

Felizmente, Jiangcheng e Módu são realmente perto. O trem levou pouco mais de uma hora para chegar a Módu.

Quando chegaram, Xixi, que estava um pouco chateada antes, já tinha recuperado a energia. Sentada na mala, deixou o pai empurrá-la, rindo: “Papai, vamos rápido! Muita gente vai nos alcançar!”

Yang Yi não sabia como Xixi tinha feito essa associação, transformando a saída da estação em uma corrida, mas, contagiado pela alegria da filha, ele também segurou a menina com uma mão e empurrou a mala com a outra, acelerando o passo com um sorriso.