Depois de deixar a creche, Yang Yi voltou ao café, estacionou o carro e foi sozinho até o prédio do Conservatório de Música Clássica. O conservatório não ficava longe da porta dos fundos; a pé do café, eram apenas alguns minutos de caminhada.
O prédio do Conservatório de Música Clássica ocupava uma grande área, como um caractere "回", com quatro alas ao redor de um grande pátio-jardim central. Como o pátio era espaçoso, a iluminação não era tão ruim quanto em outros prédios do tipo; pelo contrário, as plantas cuidadosamente cuidadas traziam uma sensação de frescor e bem-estar para quem estava lá dentro.
As aulas ainda não tinham começado, mas do conservatório já saíam sons de música, de todos os tipos de instrumentos. Piano, violino, violoncelo e outros mais comuns nem precisavam ser mencionados; Yang Yi conseguia ouvir alguém praticando flauta transversal, saxofone, e até instrumentos menos populares, como harpa e pratos.
Sem tempo para investigar aqueles sons, Yang Yi subiu até o terceiro andar e bateu na porta do escritório do vice-diretor Pang Bodong, com quem havia marcado.
Pang Bodong era um homem de meia-idade, baixinho, com mais de cinquenta anos e uma careca no topo da cabeça. Ele reconheceu Yang Yi de imediato; afinal, ao longo do último ano, Yang Yi havia ocupado as manchetes dos principais meios de comunicação várias vezes, além de ter laços estreitos com a Jiangchuan, então era difícil não reconhecer seu rosto.
Não se sabia se era por causa da identidade de Yang Yi ou por causa do velho professor Hu Songnan, mas Pang Bodong foi muito caloroso com ele.
"O professor Hu disse que você queria assistir às aulas aqui no conservatório, e eu quase não acreditei. Você, uma grande estrela, que já compôs várias músicas, por que pensou em voltar para a universidade para estudar de novo?" Pang Bodong trocou algumas amenidades com Yang Yi e perguntou, rindo.
"Compor música popular não é exatamente um conhecimento muito profundo, e depois de um tempo criando, percebi que minha base de conhecimento é insuficiente. Preciso aprender mais, um conhecimento mais sistemático de composição..." Yang Yi explicou humildemente a Pang Bodong.
Claro, ele não contou o verdadeiro motivo. Mas o que disse não era mentira; realmente havia essa razão.
Pouco depois, Pang Bodong se levantou, com um sorriso no rosto, e disse: "Teoria musical básica, solfejo e treinamento auditivo, acredito que não precisamos te ensinar, você já domina. Harmonia, contraponto, instrumentação, forma musical e outras disciplinas, você mesmo converse com os professores para ver quais aulas quer assistir e em qual ano. Já entrei em contato com alguns professores para você. Vamos, vou te apresentar a eles."
Pang Bodong levou Yang Yi para fora, em direção ao departamento de composição. No caminho, alguns alunos passaram e cumprimentaram Pang Bodong, e também viram Yang Yi.
No início, os alunos não notaram nada, mas quando perceberam, viraram-se e só viram Pang Bodong entrando com Yang Yi em um escritório.
"Não é o Yang Yi? O que ele está fazendo aqui?" Os alunos se entreolharam, mas a curiosidade já estava no auge.
...
Ao meio-dia, na Creche de Primavera.
A situação de Luísa não havia mudado muito; ela ainda tinha dificuldade para se comunicar com os outros alunos, e até mesmo com os professores.
Não era que os professores falassem mal inglês; a Creche de Primavera exigia um nível muito alto de proficiência em inglês para os educadores, e essa exigência não se limitava a certificados, mas principalmente à fluência oral. A professora Mu, a professora Shen e a professora Cai conseguiam se comunicar fluentemente em inglês com estrangeiros.
Mas de que adiantava? Quando as professoras falavam rápido demais, Luísa não entendia; quando usavam palavras mais complexas, ela também não compreendia.
Em vez disso, Luísa, com dificuldades, gaguejando e gesticulando, conseguia "conversar" com Xixi e as outras crianças.
Especialmente com Xixi. Estimulada pela nova amiga, a menina resgatou o pouco de inglês que havia aprendido há mais de um ano. Embora não falasse fluentemente, a pronúncia não fosse correta e muitas palavras ela não soubesse, ela e Luísa estavam no mesmo nível. Quando conseguiam entender uma frase uma da outra, ficavam pulando de alegria.
Por isso, na hora do almoço, Luísa também via Xixi e as outras amigas como uma tábua de salvação, seguindo-as de perto.
No primeiro dia de aula, o refeitório da creche ainda estava uma bagunça. Os novatos do jardim de infância não sabiam as regras, e os veteranos também não estavam muito melhores; talvez, depois de um verão selvagem, tivessem esquecido como se comportar na creche. Um monte de crianças segurando suas marmitas, tagarelando e correndo de um lado para o outro, pareciam milhares de patos, quase virando o mundo de cabeça para baixo.
"Sta i kö..." Luísa já tinha ido à creche na Suécia. Lá, até as crianças que mal andavam obedeciam, andavam em fila ordenadamente com seus pratos, pegavam a comida na fila e, depois de comer, colocavam os pratos no lugar de devolução. Então, ela não resistiu e murmurou algo.
Essa também era uma frase que os suecos mais diziam às crianças desde pequenas: "Fique na fila!" [Nota 1]
Mas ninguém entendia?
"Luísa, o que você disse?" Xixi perguntou, muito solícita.
"Ela falou uma coisa estranha de novo." Chen Shiyun fez uma careta e riu junto com Lan Xin.
Luísa quase entendeu o significado de "o que você disse", e se esforçou para explicar em inglês para Xixi: "Get... get... the line..."
Enquanto gesticulava.
No entanto, Xixi não conseguiu entender o significado da frase em inglês. "Line" era linha, mas o que significava junto? Além disso, Luísa não tinha dito certo...
As duas ficaram se olhando confusas por um tempo, até que Xixi decidiu seguir seu próprio raciocínio — ela achou que Luísa estava com medo.
"Não tenha medo, Luísa. Nós podemos ajudar você, e, e você pode comer conosco!" A menina, muito bondosa, deu tapinhas em suas duas marmitas de desenho animado.
"Eu também vou ajudar você, Luísa. Eu também trouxe comidas gostosas!" Yang Luoqi agora não estava mais tão rejeitando Luísa, e também disse junto com Xixi.
"Eu posso trocar com você. Você me dá um pouco da sua comida gostosa, e eu te dou um pouco da minha." Lan Xin também falou, mas a menina gordinha era obcecada por comida, e olhava para a marmita de Luísa com água na boca.
"Isso se chama compartilhar!" Nan Zhaoyu sentiu que se não falasse, não teria presença.
"Rsrs, compartilhar!" Várias crianças riram, sem saber bem por quê, mas o sorriso contagiou Luísa, que também sorriu.
No entanto, quando as professoras arrumaram os lugares para elas e todos se sentaram, ao ver as outras crianças tirarem habilmente de suas marmitas comidas fartas e variadas, Luísa ficou paralisada. Ela hesitou e, da marmita que abriu, tirou um sanduíche.
Algumas folhas de alface, com presunto e ovo. Esse sanduíche até que era gostoso, mas, comparado com a comida dos outros ao meio-dia, mostrava uma enorme "diferença de riqueza".
De repente, uma sensação de tristeza, como folhas ao vento, passou pelo coração de Luísa.
Não pensem que os suecos comem isso todos os dias. Os suecos têm certo requinte com a comida. Eles gostam de pratos frios, como salmão defumado a frio ou a quente, salmão em conserva, presunto de porco defumado a frio, e vários tipos de salsichas, que são comuns em suas mesas. Sem falar nos queijos, pães torrados e tortas de frutas vermelhas.
Mas quem mandou o pai de Luísa, David, preparar o almoço dela?
Apenas um sanduíche, mole e frio, difícil de engolir.
Felizmente, Xixi já estava acostumada a trazer uma marmita extra com a comida feita pelo pai para compartilhar com os amigos. Ela virou a cabeça e viu Luísa segurando o sanduíche.
"Você quer?" Xixi empurrou sua própria marmita, cheia de comidas bonitas e apetitosas, na direção de Luísa, e repetiu em inglês: "You want to eat?"
Nem precisava falar dos outros pratos; Luísa olhou para a carne de lichia e a couve-flor com tomate, só de ver o molho encorpado e a cor vermelha do tomate, já sabia que era azedinho e doce, muito tentador.
Luísa não resistiu e engoliu saliva, perguntando baixinho: "Can I?"
"Claro que pode, a gente tem que compartilhar!" Xixi disse, sorrindo. Os olhos da menina, curvos como a lua no céu noturno, eram límpidos e puros como água, como se refletissem a alma das pessoas.
Luísa não entendeu o que Xixi disse, mas entendeu sua intenção. Seu coração se encheu de calor, e ela disse sinceramente a Xixi: "Tack! [Obrigada]"