Passaram-se alguns dias. Sob a vigilância rigorosa de Yang Yi, os quatro pequenos peixes-dourados não sofreram nenhum dano. Na verdade, Xiao Guai e os outros nem sequer demonstraram interesse pelos peixinhos. Quando os peixes chegaram em casa, eles até se aproximaram curiosos para dar uma olhada, mas depois raramente se aproximaram. Seria por causa da comida abundante? Os quatro peixinhos ganharam nomes dados por Xixi, mas o vocabulário da menina era limitado: Douradinho, Vermelhinho, Branquinho e Grandão, assim, de forma simples, ela os distinguiu. No entanto, afinal, peixes-dourados não são animais de estimação afetuosos. Embora Xixi gostasse de sua aparência pequena e bonita, através do vidro do aquário, sem interação, era difícil criar um vínculo forte. Assim, em poucos dias, o entusiasmo de Xixi pelos peixinhos diminuiu bastante. Em vez disso, Baozi, cheio de energia, pulando o dia todo e querendo que a pequena dona o levasse para passear, voltou a ser o favorito. Yang Yi, ao ver as fotos na câmera que deu a Xixi, percebeu que as de Baozi ocupavam a maior parte, e o restante era quase todo dos peixinhos e de Xiao Guai, em proporções equilibradas. Havia também algumas fotos esparsas de Xiao Hui e Duoduo, mas esses dois pareciam não se interessar pela câmera. Nas fotos, um aparecia com cara de desdém, o outro de lado para a lente. Duoduo ainda tinha uma foto com Baozi, que abanava o rabo enquanto corria atrás dele, brincando. É interessante notar que, entre os três gatinhos, Duoduo era o que tinha a melhor relação com Baozi. Às vezes, Baozi cobiçava a comida de frango com arroz de Duoduo (sem sal, mas com um pouco de comida enlatada para gatos), e Duoduo, ao vê-lo se aproximar, levantava a cabeça e ficava sentado ao lado, observando Baozi comer. Xiao Guai e Xiao Hui já conseguiam conviver pacificamente com Baozi, mas apenas não brigavam com ele; não queriam brincar. Sempre que Baozi vinha correndo, todo animado, eles pulavam rapidamente para cima da mesa ou do sofá e olhavam de cima para Baozi, que, com suas perninhas curtas, só conseguia ficar embaixo, frustrado. Mesmo assim, Baozi, de coração grande, continuava indo atrás deles para brincar todos os dias, afinal, a pequena dona não estava em casa o tempo todo. Xixi agora adorava tirar fotos. Yang Yi lhe dera uma câmera compacta e ensinara como apertar o botão do obturador e como enquadrar pela tela. A menina tratava aquilo como um novo brinquedo e se divertia sem parar, fotografando tudo por aí. ... Hoje, sábado, era o grande dia do exame de arte de Yang Huan. Yang Yi a levou até a cafeteria e esperaria até o fim da prova. Como Xixi andava apaixonada por fotografia, Mo Fei a vestiu como uma pequena fotógrafa: um colete camuflado e um chapéu de feltro cinza. Algumas estudantes que não conheciam Xixi, tomando café e conversando na cafeteria, a viram passar e elogiaram: "Uau, menininha, por que você está tão estilosa?" "Risos!" Xixi parou, olhou para as moças e, sem saber o que dizer, apenas sorriu, um pouco envergonhada. "É verdade, muito bonita!" disseram as moças, admiradas. "Seus pais têm muito bom gosto, a combinação de roupas está ótima!" "Moças, vocês querem que eu tire uma foto de vocês?" Xixi hesitou um pouco, pegou a câmera pendurada no pescoço e disse, meio tímida. Retribuindo o elogio, já que as moças bonitas a chamaram de bonita, Xixi ofereceu seu serviço mais sincero. "Vai nos fotografar?" As moças riram. "Você sabe mesmo tirar foto? Achei que a câmera era só um acessório!" Xixi franziu os lábios, um pouco contrariada: "Eu sei tirar foto! Já tirei muitas fotos: do Baozi, do Xiao Guai..." Vendo Xixi chateada, as moças logo a consolaram: "Não, não estamos dizendo que você não sabe. Só estamos perguntando. Você, tão novinha, já saber tirar foto, é impressionante!" Xixi então sorriu de novo e disse: "Meu papai me ensinou. Ele disse para eu mesma tirar fotos dos peixinhos, e depois, e depois olhar aqui, colocar o peixe no meio, e apertar aqui..." Se deixassem Xixi continuar, ela contaria a história inteira e depois passaria para a próxima, falando por um bom tempo. Felizmente, uma das moças, vaidosa, disse sorrindo: "Menininha, você pode esperar um pouco? Deixa a gente retocar a maquiagem." Xixi piscou os olhos, sem entender, mas concordou com a cabeça. Toda mulher gosta de se embelezar. A que pediu para retocar a maquiagem começou, e as outras também pegaram seus estojos de maquiagem: umas passavam batom, outras pó compacto, e até uma desenhava as sobrancelhas. O que era para ser uma brincadeira de tirar foto virou algo sério. Xixi observava curiosa as moças se maquiando, e, sem saber por quê, achava aquilo fascinante. "Pronto!" A moça que primeiro pediu para retocar a maquiagem estalou os lábios pintados de um batom rosado claro e sorriu para Xixi. Não demorou muito. As moças se inclinaram, encostadas umas nas outras, sorrindo para Xixi. Cada uma em uma pose diferente: uma com dois dedos levantados, outra fazendo biquinho, outra encostando o rosto no da amiga de bochechas mais cheias. Xixi ligou a câmera com desenvoltura. Mas, com pressa, apertou o botão do obturador. A tela entrou no modo de visualização de fotos. Era preciso sair dali, mas Xixi apertou errado e, sem saber como, foi parar no menu de configurações. A menina franziu a testa, confusa, piscou os olhos grandes e ficou apertando botões, sem saber como voltar. Felizmente, Yang Yi lhe ensinara um truque simples. Xixi abaixou a cabecinha, segurou a câmera com a mão esquerda, apertou-a contra o peito, e com a direita, manteve pressionado o botão liga/desliga. Depois de um tempo, confirmando que estava desligada, religou-a. As moças olharam confusas para a operação de Xixi e perguntaram, solícitas: "O que houve? Deu problema? Quer que a gente ajude?" "Já resolvi! Obrigada, moças." A menina, educada, sorriu docemente, ergueu a câmera com as duas mãozinhas e começou a enquadrar pela tela. Xixi era rápida. Apertou o obturador, abaixou a câmera e disse: "Pronto, tirei!" "Já tirou?" Os sorrisos das moças congelaram. Elas falaram todas ao mesmo tempo: "Tão rápido? Nem fiz a pose direito! Você nem disse 'três, dois, um'..." Xixi as olhou confusa. O papai não lhe ensinara a dizer "três, dois, um"! Ainda bem que as moças tiveram paciência para ensiná-la. Xixi então disse "três, dois, um" e tirou outra foto para elas. "Menininha, deixa a gente ver como ficou!" As moças disseram animadas. Xixi entregou a câmera, tirando a alça do pescoço, e olhou para elas com expectativa, esperando receber mais elogios. Mas que qualidade poderia ter uma foto tirada por uma menina de menos de cinco anos? As moças olharam e se decepcionaram: "A primeira foto, a expressão ficou ruim. A segunda, borrada." Até adultos tremem ao tirar foto, quanto mais Xixi. Quando apertava o obturador, ela costumava tremer. Embora a câmera compacta tivesse uma boa configuração, com a mais recente tecnologia de estabilização óptica, se o tremor fosse forte, a foto ainda saía borrada. Assim, das fotos da menina, era normal que duas ou três em cada dez saíssem assim. Elas murmuraram: "Ah, deixa pra lá, é criança, não podemos exigir muito." "Na idade dela, a gente nem sabia o que era uma câmera." "Pelo menos o enquadramento está bom, conseguiu colocar as quatro na foto." Então, levantaram a cabeça, devolveram a câmera a Xixi e disseram, sorrindo: "Menininha, você tirou fotos boas! Continue praticando, para ficar cada vez melhor, e da próxima vez tire fotos ainda mais bonitas da gente!" Xixi não captou o subtexto. Agarrou-se à frase "tirou fotos boas" e, radiante, saiu pulando e correndo. Num canto mais afastado e tranquilo da cafeteria, Yang Yi já percebera o movimento de Xixi. Mas não interferiu; continuou conversando com Guo Ziyi sobre o exame de arte, embora estivesse divagando. No fundo, estava muito nervoso, sem saber como Yang Huan tinha se saído. Conseguiria passar?