Capítulo 1282: Capítulo 1282: Feito o trabalho, esconde-se a fama e o mérito (2)

Na sala de monitoramento, o líder dos homens de cinza gritava ao telefone, sua voz ecoando num zumbido irritado. Quando se exaltava, balançava o braço de uma mão. Ao seu lado, um homem acompanhava de perto as movimentações na mídia por meio de um pequeno computador portátil, enquanto outro fixava os olhos nas câmeras de vigilância na parede, algumas das quais, que poderiam mostrar alguém tentando invadir, já estavam sob sua atenção total.

Além desses três, havia um encarregado das operações de combate entre os homens de cinza. Quando a batida na porta soou, ele estava sentado perto da entrada, segurando um rifle com ambas as mãos. Ao ouvir o som, apertou a arma e levantou-se em alerta.

— Quem é? — perguntou em tom grave.

— O cara do equipamento grande, o xxx não disse? — uma voz familiar do grupo semita entrou, embora soasse um pouco impaciente, aquelas palavras o fizeram suspirar aliviado.

Enquanto isso, o líder que ainda falava ao telefone cobriu o bocal com a mão e acenou para que ele abrisse a porta, com uma expressão impaciente, como se temesse que a conversa deles interferisse em sua negociação.

O homem de cinza em alerta não ousou hesitar, rapidamente liberou uma mão para puxar a porta. O casaco cinza que surgiu diante de seus olhos o fez relaxar ainda mais a vigilância.

No entanto, quando o homem de cinza à sua frente ergueu a cabeça, revelando um rosto completamente diferente do deles, o encarregado da vigilância percebeu que algo estava errado. Mas só teve tempo de arregalar os olhos; o brilho em suas pupilas castanhas congelou num instante, e ele não conseguiu mais dizer uma palavra.

O olhar afiado de Yang Yi atravessou por cima do ombro que subitamente cedeu, brilhando enquanto mirava o líder ainda ocupado negociando e os dois técnicos absortos nas telas.

Sim, Yang Yi se disfarçara de homem de cinza. Vestira o casaco do homem que estava do lado de fora, colocara até a touca dele e, mais ainda, a faca que usara num movimento relâmpago para perfurar a mandíbula do homem à sua frente, atingindo com precisão o tronco cerebral e a medula oblonga, fora justamente a que ele encontrara no corpo do homem de fora!

Depois de eliminar o primeiro homem de cinza com frieza, a mão esquerda de Yang Yi, firme como um torno de ferro, segurou o braço do outro, mantendo seu corpo firme e bloqueando a visão de quem estava lá dentro. Enquanto isso, sua mão direita soltou lentamente o cabo da faca, movendo-se com leveza em direção à cintura, puxando a lâmina curva e afiada.

Duas gotas de sangue caíram: uma manchou o casaco que Yang Yi vestia, a outra silenciosamente tocou o chão.

Dentro da sala de monitoramento, os outros três não perceberam nada. O líder, ainda ao telefone, até acenou para Yang Yi, indicando que esperasse ali até ele terminar a ligação.

Mas Yang Yi já o reconhecera: aquele líder ao telefone era o homem de olhos sinistros que ele não conseguia esquecer!

Talvez a negociação tivesse encontrado uma forte objeção novamente, seus olhos transbordavam ódio, lampejos de loucura e maldade brilhavam.

— Não precisa esperar meia hora. Vou mostrar a vocês o que acontece quando me irritam! — o líder bateu o fone com raiva.

Ele gritou furiosamente na sala de monitoramento: — Escolham dez reféns para mim, levem-nos para fora...

Talvez estivesse exaltado demais, esqueceu-se de dar ordens pelo rádio, mas não se importou. Estendeu a mão para pressionar um microfone no painel de controle, que os homens haviam conectado à sala de controle, permitindo transmitir diretamente para toda a estação.

O líder, quase em delírio, atraiu a atenção de seus dois assistentes, que viraram a cabeça para olhar para o chefe. Naquele momento, Yang Yi soube que sua chance havia chegado!

— Xxx! Ouçam minhas ordens, agora... — a voz do sistema de som da estação ecoava claramente até a sala de monitoramento.

E o líder, de olhos vermelhos, cuspindo saliva no microfone, não percebeu que seus dois assistentes atrás dele já tinham as cabeças torcidas num ângulo estranho, caídos silenciosamente em suas cadeiras.

— Pegue dez pessoas, não, vinte... — o som do sistema de som foi interrompido abruptamente, sem mais ruídos, deixando apenas um silêncio desconcertante.

Claro, os reféns passageiros dentro da estação estavam apavorados, deitados no chão tremendo, mas a ordem incompleta deixou os homens de cinza encarregados da vigilância sem saber o que fazer.

Pegar pessoas?

Pegar pessoas para quê?

Como saberiam? O líder que adoravam e respeitavam já tivera a garganta cortada, jazendo na poça de sangue da sala de monitoramento!

Yang Yi não fez movimentos desnecessários. Com extrema precisão, aproximou-se do líder, tapou-lhe a boca e passou a lâmina curva. O mundo ficou em silêncio!

— Fala demais... — Yang Yi lançou um olhar frio para os olhos do líder terrorista, que outrora o intimidara, agora vidrados e sem vida, pensou consigo.

Pensava que era forte, mas no fim era só um lixo.

No entanto, após eliminar os quatro na sala de monitoramento, Yang Yi não teve tempo de se alegrar. Trouxe também o corpo do guarda do lado de fora e fechou a porta.

Três homens de cinza estavam subindo as escadas. Embora Yang Yi tivesse tempo suficiente para escapar, não tinha tempo para destruir todas as gravações de vigilância.

Então, sem hesitar, Yang Yi decidiu emboscar os próximos três!

Claro, Yang Yi não era tolo. Conseguira matar os quatro na sala de monitoramento sem usar armas de fogo porque jogara com o psicológico, pegando-os desprevenidos. Além disso, dois dos quatro eram técnicos, sem capacidade de combate.

Mas Yang Yi não achava que conseguiria, apenas com uma faca, enfrentar três homens armados cara a cara.

Então, desta vez, Yang Yi também pegou uma arma.

Por sorte, encontrou uma pistola silenciada no painel de controle. Experiente, Yang Yi não só calçou luvas para pegar a arma, como também usou o turbante de um dos mortos para envolver o pulso e apertou o casaco roubado.

Como Yang Yi esperava, embora tivesse imitado a voz do líder para relaxar a vigilância, no momento em que a porta da sala de monitoramento se abriu, o cheiro de sangue que escapou fez o primeiro homem de cinza arregalar os olhos.

Mas, perceber o erro naquele instante já era tarde demais!

Escondido atrás da porta, fingindo ser o guarda, Yang Yi ergueu a mão num movimento relâmpago. "Puf, puf", os dois primeiros tiros foram diretos para os dois homens de cinza atrás, ainda confusos, as balas perfurando suas testas!

O primeiro homem de cinza fez exatamente o que Yang Yi imaginara: esquivou-se apavorado. Se Yang Yi atirasse nele, talvez não acertasse um ponto vital.

Mas Yang Yi já calculara tudo. Enquanto o outro se abaixava para se esquivar, ele recolheu a arma com o braço direito, com a mão esquerda empunhando a faca curva Gurkha, inclinou-se e desferiu um golpe.

Em termos de pontaria, Yang Yi não ousava se gabar.

Mas em termos de habilidade com a faca, ele não acreditava que houvesse muitos no mundo melhores que ele.

Assim, no brilho prateado da lâmina, como a luz da lua, o primeiro homem de cinza também não escapou. Largou a arma, segurou o pescoço jorrando sangue, emitiu dois "uh uh" e caiu pesadamente no chão.

— Lixo... — Yang Yi suspirou baixinho.

Havia até um toque de melancolia insatisfeita em seu tom.

...

Quinze minutos depois, um repórter de mídia, em êxtase, balançava seu celular enquanto corria em direção ao posto de comando da polícia e dos militares, que montava uma rede apertada.

Cinco minutos depois, os policiais e militares especiais, prontos, invadiram a estação de trem de Paris, que estava sob controle dos terroristas há mais de uma hora, vindos de todas as direções.

Granadas de fumaça e de luz explodiam sem parar, e o som intenso dos tiros podia ser ouvido claramente até na área distante dos repórteres.

Uma hora depois, na televisão, o apresentador noticiava com pesar: "...finalmente chegou ao fim. Segundo estatísticas preliminares, mais de sessenta funcionários da estação e turistas perderam a vida no local, e mais de cem ficaram feridos. Durante o ataque policial, seis policiais foram atingidos por balas perdidas e não resistiram, falecendo no cumprimento do dever. Além disso, mais de dez militares e policiais ficaram feridos, atualmente em resgate emergencial..."

No entanto, enquanto o apresentador e um "especialista" debatiam acaloradamente se a decisão da polícia de abandonar a negociação e invadir diretamente a estação era adequada, sua emissora recebeu uma informação não confirmada.

O apresentador, um pouco emocionado, começou a noticiar novamente: "Recebemos de fontes no local que a polícia encontrou na estação uma quantidade equivalente a xxx de explosivos. Felizmente, esses explosivos não estavam detonados nem com espoletas instaladas; caso contrário, as consequências seriam inimagináveis..."

Mas, de qualquer forma, uma operação de resgate considerada "bem-sucedida" fez com que as pessoas que acompanhavam o evento suspirassem aliviadas, começando a acender velas virtuais nas redes sociais, rezando pelos turistas e policiais feridos.

E naquele momento, na estação de trem ainda com vestígios de fumaça, Yang Yi e Mo Fei, que acabavam de sair do banheiro, subiram na ambulância que os socorristas haviam trazido. As roupas de ambos estavam empoeiradas, os cabelos bagunçados, com expressões de quem ainda estava abalado.

Xixi e Xiao estavam nos braços do pai, com as cabeças cobertas pela mão grande dele. Além do som das sirenes nos ouvidos, os dois pequenos não viam nada.

Xixi, ainda muito comportada, percebia vagamente que algo estava errado. A menina assustada só queria se agarrar ao pai, enterrar o rosto no peito largo dele; só assim sentia um pouco de segurança.

Já Xiao era mais levado. O pequeno não fazia ideia do que acabara de passar. Ao ouvir a sirene da ambulância, não conseguiu se conter e começou a se remexer nos braços do pai. Mas não conseguia se livrar da mão grande dele.

— Hum hum... carro de bombeiro, hum, quero ver o carro de bombeiro... — o pequeno reclamou, abafado contra a barriga do pai.