Yang Yi desparafusou o parafuso, abriu a tampa da saída de ar e, ao ver Murphy escondida lá dentro, ficou com o coração partido. Enquanto tirava um lenço de papel do bolso para enxugar as lágrimas que brotavam dos olhos dela, disse num tom leve: "Não tem problema, não se preocupe, estou bem!"
Na verdade, Yang Yi agora estava bem mais aliviado, porque percebeu que os adversários não eram fortes — apenas pessoas comuns que só sabiam usar armas e bombas para intimidar outros comuns. Depois de eliminar os dois homens de cinza que se aproximaram, ele pegou os equipamentos de comunicação deles e pôde monitorar seus movimentos a qualquer momento. Por enquanto, o banheiro estava seguro!
Por isso, Yang Yi teve tempo de abrir a saída de ar para acalmar Murphy e as crianças.
Embora as lágrimas não parassem de cair, Murphy não queria preocupar Yang Yi. Ela se esforçou para se acalmar e disse baixinho: "Pouco atrás, ouvi os tiros, não sabia o que tinha acontecido com você. Graças a Deus, você está bem..."
"Claro que estou bem, são só peixes pequenos. Seu marido é fera!" Yang Yi riu. "E a Xixi e o pequeno?"
Murphy então se deu conta e rapidamente abriu um pouco de espaço para que Xixi pudesse se espremer, com as duas cabecinhas aparecendo uma em cima da outra.
"Eba, papai!" O pequeno, ao ver o pai, achou que o jogo tinha acabado e soltou um grito claro, sorrindo radiante para ele.
"Psiu, ainda não pode falar alto!" Yang Yi apressou-se.
Xixi, mais esperta, examinou o rosto do pai com preocupação antes de sussurrar: "Papai, senti tanto sua falta."
"Papai também sente saudades de vocês. Calma, esperem mais um pouco. Quando esse jogo terminar bem, a gente sai para passear, ok?" Yang Yi sorriu para consolá-la.
Xixi assentiu obedientemente e continuou baixinho: "Papai, deixa eu te contar. Agora, agora você fez 'pum pum pum' três vezes, e a mamãe nem sabia! Fui eu que disse para ela..."
Yang Yi, com paciência, ouviu a filha contar tudo o que tinha acontecido. Ele sabia que, naquele momento, Xixi precisava desabafar para expressar sua ansiedade — guardar tudo só piorava.
O pequeno, apertado entre a irmã, com a cabecinha pressionada sob o queixo dela, piscou confuso. Finalmente, sentindo-se desconfortável, ele se debateu.
"Irmã..." O pequeno se remexeu, olhando para Xixi com um ar pidão.
Xixi pareceu então se dar conta. Ela recuou um pouco para dar espaço ao irmão, mas ainda não queria se afastar do pai. Como se lembrasse de algo, sussurrou: "Papai... estou com fome."
Yang Yi, vendo a filha tão carente, deu um tapinha na cabeça e riu: "Ah, que idiota sou eu, esqueci disso! Esperem!"
Ele saiu do banheiro feminino, foi ao boxe ao lado, abriu a bolsa de viagem e pegou alguns chocolates, biscoitos e outros lanches.
Afinal, viajar com crianças significava que comida não podia faltar.
E Yang Yi era ousado: mesmo naquela crise, calmamente pegou a mamadeira do pequeno, usou água quente do termo e preparou uma garrafa cheia de leite.
Claro, não demorou muito — Yang Yi era rápido. Quando ele subiu de novo, já estava como um garçom de hotel, entregando um saquinho de comida, uma mamadeira de leite e uma garrafa de água.
"Xixi, olha este leite. Se esfriar, dá para o irmão. E você, pequeno, tem que dividir um pouco com a irmã. Na dificuldade, a gente precisa se ajudar para superar, entendeu?" Yang Yi falou, mesmo sem saber se o pequeno entenderia.
Mas, com a comida, Xixi e o pequeno se acalmaram, e Murphy, vendo a calma e a desenvoltura de Yang Yi, relaxou um pouco.
...
Reapertando a tampa, Yang Yi saiu do banheiro feminino. Seu olhar, antes suave, tornou-se afiado novamente.
Ele voltou furtivamente para perto do vaso de plantas, primeiro observou a situação no saguão da estação — sem grandes mudanças, os reféns ainda deitados no chão, vigiados pelos homens de cinza armados.
Em seguida, Yang Yi pegou o celular e conferiu as notícias online.
Pelas reportagens, como ele esperava, as negociações estavam num impasse. Os sequestradores ainda gritavam que, se não recebessem uma resposta satisfatória em meia hora, começariam a matar um refém a cada dez minutos.
"Tempo... uns quinze a vinte minutos restantes." Yang Yi olhou o relógio e calculou mentalmente.
Pela tendência da polícia, eles só agiriam no momento mais crítico. Ou seja, Yang Yi tinha cerca de quinze minutos para fazer o que queria.
"Heh, quinze minutos, é mais que suficiente!" Yang Yi levantou-se silenciosamente, como um fantasma, esquivando-se das câmeras de vigilância. Passou pelo corredor dos funcionários, desviou de um homem de cinza que patrulhava a escada interna e, como uma lagartixa, escalou diretamente até o terceiro andar.
...
Yang Yi queria fazer duas coisas: primeiro, ir à sala de monitoramento e destruir todas as gravações. Afinal, embora ele tivesse evitado as câmeras, os dois homens de cinza que ele eliminou passaram descaradamente sob elas!
Ele não sabia se eles tinham cortado o sinal das câmeras, mas não podia arriscar — precisava limpar seu rastro.
Claro, o segundo objetivo era o mesmo: depois de cortar o sinal, ele moveria os dois homens de cinza do banheiro masculino para outro lugar, garantindo que ninguém o identificasse como herói.
...
No entanto, enquanto Yang Yi se aproximava da sala de monitoramento, os gritos furiosos que captou pelo fone de ouvido fizeram seu coração pesar.
Era a ordem do líder, mas diferente do comando calmo do início — parecia que o fracasso nas negociações o irritava. O que realmente preocupou Yang Yi foi o conteúdo da ordem.
Ele, que entendia perfeitamente o idioma, ouviu claramente o líder mandar alguém do andar de baixo subir, pegar o "grande brinquedo" e colocá-lo nos pilares do saguão. Se os políticos arrogantes não aceitassem suas exigências, ou se a polícia invadisse, ele explodiria toda a estação, levando todos como túmulo!
"Puta merda... tem explosivo mesmo!" Yang Yi sentiu uma manada de alpacas passando por dentro, rangendo os dentes e apertando os punhos.
Se eles realmente colocassem o "grande brinquedo" lá embaixo e houvesse um confronto, a estação explodiria... Yang Yi não achava que ele, Murphy e as crianças, escondidos no banheiro, escapariam.
Debaixo do ninho virado, como os ovos ficariam intactos?
Mas, enquanto xingava mentalmente, Yang Yi ergueu levemente as sobrancelhas e desviou o olhar para uma sala grande com a placa "Sala de Monitoramento".
Ele estava procurando essa sala, mas não a encontrou pela placa — foi porque seus ouvidos aguçados captaram barulhos lá dentro!
Os gritos do líder, embora saíssem do fone, também ecoavam pela fresta da porta, idênticos!
Esses caras não estavam no centro de controle negociando com as autoridades? Por que vieram para cá?
Claro, Yang Yi logo entendeu: o centro de controle da estação geralmente fica no último andar, fácil de invadir. Já a sala de monitoramento, com câmeras que cobrem toda a estação, é mais segura e discreta. Por isso, eles montaram o comando ali!
"Procurando por agulha no palheiro, e ela aparece de graça..." pensou Yang Yi.
Mas ele não agiu com pressa. Aproximou-se silenciosamente e, sem chamar atenção, desviou levemente a câmera apontada para a porta da sala.
Para não alertar quem estava dentro, Yang Yi só moveu o suficiente para que a câmera não o visse. Então, colou-se à parede, como uma sombra, deslizando pelo ponto cego. Sem fazer barulho, torceu o pescoço do guarda na porta.
Eram fracos demais... Yang Yi achou que, além da coragem de enfrentar a morte, esses caras nem se comparavam a alguns policiais táticos do país — não tinham nenhuma percepção de perigo!
Yang Yi apoiou o corpo do guarda, que desabou, e o deitou ao lado da parede.
Não dava tempo de escondê-lo, porque, após o líder gritar, alguém lá embaixo já chamava reforços para subir.
"Subindo: um, dois, três pessoas." Yang Yi contou os nomes. Depois, encostou-se na porta da sala de monitoramento, fechou os olhos e ouviu atentamente, contando mentalmente: "Um, dois, três, quatro respirações."
Menos do que ele imaginava.