Capítulo 1271: Capítulo 1271: A Cidade Envolta por Música (1/4)

Durante a viagem, deixando de lado outras cidades, foi quando passaram por Leipzig, na Alemanha, que Murphy de repente se lembrou de algo e, por impulso, pediu a Yang Yi que descessem do trem para fazer uma breve parada naquela cidade antiga, carregada de história musical.

Yang Yi já conhecia um pouco: Leipzig, neste mundo, para a maioria dos músicos, tinha um significado quase sagrado de peregrinação! Afinal, daquela cidade saíram muitos grandes mestres da música do período clássico europeu.

Entre eles, não faltavam músicos tão grandiosos quanto Beethoven, da vida anterior de Yang Yi, que trouxeram ao mundo inúmeras sinfonias e óperas maravilhosas!

Mesmo hoje, o Conservatório de Leipzig forma todos os anos muitos profissionais talentosos, e sua antiga sala de concertos, onde inúmeros mestres da música já se apresentaram, após a reforma na década de 1980, tornou-se, como a Sala Dourada de Viena, um destino cobiçado por todas as orquestras e intérpretes.

Embora Murphy trabalhasse com música pop, ela crescera ouvindo música clássica de Leipzig. Ao saber que parariam em Leipzig, não conseguiu conter o desejo de fazer uma "peregrinação".

No entanto, essa ideia significava que perderiam o trem, que só parava por pouco tempo.

"E agora?" Xixi perguntou, um pouco ansiosa, olhando para o pai.

"Sem problemas!" Yang Yi sorriu e balançou o punho, animando o grupo. "Perder este trem não é problema. Podemos pegar o próximo e comprar novas passagens! Já que estamos viajando, vamos aproveitar ao máximo!"

"Eba! Viva o papai!" Murphy ficou radiante, erguendo os braços em comemoração. Além disso, estendeu a mão para bater um high-five com Xixi e o pequeno Tongtong.

Xixi riu, virou-se de propósito e saiu correndo, fazendo "toc-toc-toc" com os pés.

Felizmente, Murphy ainda tinha o pequeno Tongtong. O menino, influenciado pela alegria da mãe, também pulava e ria, erguendo a mãozinha com esforço. Entre risadinhas, ele bateu na mão da mãe, mas não acertou direito, apenas roçando-a de leve.

Murphy, ainda animada, gritou para o pequeno Tongtong, que corria alegremente atrás da irmã: "Ei, você ainda não bateu direito!"

...

Infelizmente, naquele dia não havia apresentação de orquestra na Sala de Concertos de Leipzig. Yang Yi e Murphy só puderam passear e apreciar a paisagem daquele santuário musical.

No entanto, na praça aberta do lado de fora, eles ainda puderam apreciar uma "apresentação" peculiar: um artista de rua, de barba por fazer e roupas esfarrapadas, segurava cuidadosamente seu violino e tocava melodias graciosas e suaves.

A técnica não era nada ruim!

Embora não desse para comparar com Yang Yi, Murphy estava muito longe de alcançá-lo. Yang Yi até achava que a habilidade do homem era digna de concertos provinciais em alguns países!

Mas por que um artista como esse escolheria viver nas ruas de Leipzig, em vez de usar seu talento para conseguir um emprego digno e sustentar a família?

Murphy fez essa pergunta a Yang Yi.

Yang Yi pensou por um longo tempo antes de dar um sorriso amargo: "Quem sabe? Talvez ele seja outro Strickland..."

"Quem é Strickland?" Murphy perguntou, confusa.

Yang Yi voltou a si e sorriu: "É um personagem de uma história que pretendo escrever. Mas ele abandona a esposa e os filhos pela arte. A história é um pouco pesada, não vamos imitá-lo."

Ao ouvir isso, Murphy balançou a cabeça, surpresa: "Não gosto desse tipo de pessoa. Você não pode ser assim!"

Yang Yi deu uma risadinha, passou a mão na cabeça de Murphy e disse: "Você acha que eu sou esse tipo de pessoa?"

As duas crianças não prestavam atenção à conversa dos pais; estavam totalmente concentradas na apresentação do artista de rua. Talvez Xixi e o pequeno Tongtong ainda não entendessem ou soubessem apreciar, mas a sensação de beleza era unânime. Ouvindo a melodia encantadora e vendo a entrega do homem ao tocar, Xixi ficou com uma expressão séria, como se não ousasse interromper, enquanto o pequeno Tongtong também observava fascinado, segurando a mão da irmã com uma mão e a da mãe com a outra, imóvel.

...

Em Leipzig, Yang Yi e Murphy também visitaram algumas lojas de instrumentos musicais de estilo antigo. O que mais valia a pena comprar eram violinos, tanto pelo excelente acabamento – a qualidade alemã era admirável – quanto pela leveza e facilidade de transporte, já que, em viagem, Yang Yi não poderia comprar um piano para carregar para casa.

No entanto, depois de dar uma volta com Murphy e as crianças, Yang Yi ainda não demonstrou intenção de comprar.

"Por que não?" Murphy perguntou, surpresa.

Yang Yi sorriu levemente: "Já tenho o violino que você me deu, isso é suficiente. Por que comprar outro?"

Murphy ficou atônita, sentindo uma doçura no coração, mas fingiu indiferença, dizendo: "Mas este é melhor, olha só o material. O preço alto não é à toa, é de uma categoria superior ao meu!"

Apesar das palavras, Murphy piscou nervosamente, olhando para Yang Yi com um olhar preocupado.

Yang Yi riu alto: "Mesmo assim, não quero. Acho que só tocando com o violino que você me deu de aniversário é que consigo extrair a música mais linda do mundo!"

Murphy ficou completamente satisfeita. Balançou a cabeça com um ar de orgulho e disse, docemente: "Então, fica como você quiser!"

...

De volta à estação de trem, embora a Alemanha tivesse dias mais longos que a Suécia, depois do jantar, já era noite, com as luzes das casas acesas!

Yang Yi comprou passagens para Paris, mas o trem era tarde, e eles precisariam esperar duas horas na estação.

"Tão tarde assim?" Murphy espreguiçou-se preguiçosamente no saguão de espera, depois apoiou os dois braços no ombro de Yang Yi e riu: "Se soubesse, teríamos passeado um pouco mais antes de voltar do restaurante."

Embora estivessem no saguão comum da estação, rodeados de pessoas, ninguém os reconhecia. Afinal, a fama de Yang Yi e Murphy ainda não havia chegado à Alemanha, e, para os ocidentais, os asiáticos pareciam todos iguais. Mesmo quem já ouvira algumas músicas em inglês de Yang Yi não os identificava de imediato; um olhar rápido os confundiria com turistas asiáticos comuns.

Mas essa sensação era ótima: misturados à multidão comum, sem medo de serem cercados ou precisar usar óculos escuros grandes, máscaras apertadas e chapéus.

Yang Yi e Murphy adoravam essa sensação de liberdade e normalidade!

Com duas horas de espera, Xixi e o pequeno Tongtong não conseguiam ficar parados. Logo, Xixi pulou do banco com o irmão e começaram a correr alegremente ao redor do banco comprido onde estavam.

"Irmãozinho, vem me pegar! Rá-rá, você não consegue me pegar!" Xixi corria na frente, com risadas cristalinas ecoando pela estação.

O pequeno Tongtong também ria, mas, ocupado em perseguir a irmã, suas risadas eram mais abafadas. Ele balançava o bumbum, correndo atrás dela com passos trôpegos, feliz mesmo sem alcançá-la.

Mas logo os dois foram chamados pelo pai.

Yang Yi se preocupava em ensinar boas maneiras às crianças. Temendo que perturbassem o ambiente calmo e organizado da estação, ele acenou e disse: "Xixi, Tongtong, venham aqui!"

Não podiam mais brincar, e ainda teriam que ouvir a explicação do pai. Xixi e Tongtong foram presos nos braços fortes de Yang Yi, sem conseguir se mexer.

Foi então que, de perto, um som de piano tão puro quanto o tilintar de uma fonte cristalina chamou a atenção das duas crianças, que já estavam ficando impacientes.