Capítulo 1051: Capítulo 1051: Jovem, você não faz ideia do que quase passou

À noite, as duas garotinhas voltaram da escola. Lan Xin não foi para casa, e Xi Xi também não tirou o dever de casa. Elas largaram as mochilas e, cochichando, se enfiaram na cozinha. Pela porta aberta da cozinha, ouvia-se uma barulheira de panelas e objetos.

"O que vocês estão fazendo?" Yang Yi já estranhava no carro, quando Lan Xin ia dizer algo e Xi Xi a puxou, rindo: "Não conta ainda". Agora, as duas amiguinhas estavam misteriosas, sem saber o que tramavam. Ele entrou na cozinha e perguntou, sorrindo.

Xi Xi e Lan Xin estavam na frente da geladeira. A porta da grande gaveta de refrigeração já estava aberta, e a luz iluminava os rostos das duas meninas. Lan Xin estava de pé, Xi Xi curvada, cochichando enquanto remexiam não se sabe o quê.

Ao ouvir a voz do pai, Xi Xi pareceu ser pega em flagrante fazendo algo errado. Apressadamente, endireitou-se, arrastando uma sacola preta que segurava com uma mãozinha, mas agora não tinha onde escondê-la. A menina, envergonhada, com os olhos apertados, sorriu para o pai.

"Risos, risos..."

Sorrir resolve muitos problemas.

Por exemplo, depois de rir sem graça por um tempo, a menina percebeu que não tinha feito nada de errado! Ela só estava procurando "material de experimento" com Lan Xin...

"Rindo do quê?" Yang Yi, vendo a filha com aquela cara boba, também não pôde deixar de sorrir.

"Estamos procurando pepinos pequenos! Mas, mas só encontramos pepinos grandes." Explicou Xi Xi, segurando a sacola preta. Ao lado, Lan Xin cooperou, tirando de dentro um pepino com alguns espinhos. "Papai, a gente tem pepinos pequenos em casa?"

(ps: Não perguntem por que falo sempre 'pepino'... É para não pensarem besteira.)

Depois de perguntar, a menina olhou para o pai com olhos suplicantes.

"Pepinos pequenos não temos. Na verdade, pepinos pequenos são iguais a esse que vocês estão segurando. Vocês querem comer pepino refogado hoje à noite?" Disse Yang Yi, confuso.

"Não! Estamos fazendo um canudo para beber água!" Lan Xin balançou sua mãozinha gordinha, entregando a surpresa direto.

Xi Xi olhou para a amiga com um pouco de pressa: Por que já contou? Devia deixar o pai adivinhar primeiro!

"Fazendo... o quê?" Yang Yi ficou perplexo, achando que tinha ouvido errado.

"Risos, papai, vamos te mostrar!" Disse Xi Xi, animada. Ela levou Lan Xin a colocar o pepino sobre a bancada.

Mas, com a altura delas, embora alcançassem a bancada, era difícil manusear. Então, Xi Xi trouxe dois banquinhos para subir, e ambas subiram neles.

Yang Yi ficou atrás delas, tanto para ver o que as meninas iam fazer quanto para cuidar da segurança, já que os banquinhos não eram estáveis.

"Xi Xi, por que você está usando uma colher? Com uma faca é muito mais fácil cortar!"

"Mas faca é muito perigosa! Papai disse que eu não posso usar faca sozinha!"

Ouvindo a conversa animada delas, Yang Yi sorriu e se ofereceu para ajudar: "Vocês precisam de faca para quê? Vem, papai corta para vocês."

A cozinha estava bem movimentada, mas não demorou muito para que essa agitação explodisse.

Houve um breve silêncio. Xi Xi e Lan Xin olhavam para Yang Yi com expectativa, esperando seu elogio. Mas, para surpresa delas, Yang Yi logo ficou de cara fechada e perguntou, meio irritado: "Esse canudo de pepino, quem ensinou para vocês?"

...

Quinze minutos depois.

Xi Xi estava sentada quietinha na escrivaninha da sala. O jeito que o pai ficou sério de repente foi assustador demais!

Embora Xi Xi soubesse que o pai não estava bravo com ela, a rara expressão severa do pai a deixou tremendo de medo. Agora, ela se esforçava para parecer uma boa aluna, uma boa menina, sem ousar mexer o bumbum, só se concentrando no dever de casa, enquanto de vez em quando, de fininho, ouvia os barulhos da cozinha atrás dela.

Claro, a porta da cozinha estava fechada. Mamãe e papai estavam conversando lá dentro, e Xi Xi não ouvia nada.

Mas, de repente, ouviu um barulho ao lado. Xi Xi virou a cabeça e viu o pequeno Tong Tong, com um sorrisinho, se aproximando. Ele segurava um brinquedo de ambulância do tamanho da palma da mão.

O pequeno Tong Tong não se abalou. Ele tinha notado que a mamãe não estava por perto, e Xiao Guai e Bao Zi tinham sumido para brincar, então se aproximou da irmã para brincar.

"Psiu!" Xi Xi, tensa, levantou um dedinho, encolheu a cabeça, sinalizando para Tong Tong não fazer barulho, e sussurrou bem baixinho: "Não fala! Papai está bravo!"

Tong Tong segurava o brinquedo na mão direita e apoiou a esquerda na perna da irmã, olhando confuso para ela por um momento.

Embora não entendesse bem o que a irmã queria dizer, o pequeno sentiu que ela não estava disposta a brincar com ele. Então, sentou-se no chão ao lado e começou a brincar sozinho com o brinquedo.

De qualquer forma, encostado na irmã, ele se sentia seguro!

...

Na cozinha, Mo Fei tentava, entre risos e lágrimas, acalmar Yang Yi, que, furioso, já pensava em pegar uma faca de cozinha para ir "conversar" com aquele pestinha.

"Pronto, pronto, se acalma. Crianças não pensam nessas coisas! É só um pepino. Para elas, não tem diferença de uma abóbora ou melancia!" Disse Mo Fei, com voz suave.

"Crianças também precisam de limites. Você ouviu o que Xi Xi e Xin'er me contaram? Ele trouxe dois pepinos pequenos e ainda queria que Xi Xi experimentasse. Como não vou ficar bravo?" Yang Yi bufava de raiva, com as mangas arregaçadas.

"E esse Chen Yu Xuan, te digo, já reparei nele no passeio da escola!" Continuou Yang Yi, desabafando com Mo Fei. "Viu que minha filha é bonitinha e ficou se aproximando sem parar. Pode não ser a melhor comparação, mas ele parecia um pavãozinho abrindo a cauda na minha frente. Na hora, já queria pegá-lo e dar uma surra!"

Mo Fei, vendo Yang Yi rangendo os dentes, não pôde deixar de achar graça. Ela pegou a mão dele, acariciou suavemente seu peito e disse, com doçura: "Pronto, pare de falar em bater e matar. Não complique as coisas. São crianças de seis ou sete anos, não tem nada tão complicado. E você mesmo disse que esse menino é mais levado, então isso é normal!"

"Os outros eu não posso controlar, mas ele não pode fazer isso com Xi Xi." Yang Yi, já mais calmo com o carinho de Mo Fei, ainda resmungou, contrariado.

"Mas você não pode bater ou xingar o filho dos outros. Pode ser que ele realmente não tenha más intenções, só aprendeu algo novo, como a Xi Xi fez hoje à noite, e quis se exibir para os colegas." Mo Fei foi explicando devagar. "A gente também não precisa fazer um escândalo. Olha, você assustou a Xi Xi e a Xin'er agora há pouco. Quando a Xin'er foi embora, ainda me perguntou se, com o pai Yang bravo, ela não podia mais jantar aqui hoje."

Ao ouvir isso, Yang Yi imaginou a carinha preocupada da menina gordinha e não pôde evitar um sorriso.

Só Mo Fei conseguia acalmar Yang Yi quando ele estava furioso. Ela o conhecia bem. Vendo que ele se acalmara, disse, sorrindo: "Claro, também não podemos deixar isso passar. Se ignorarmos, no futuro, se algo realmente acontecer, Xi Xi talvez não saiba como lidar."

"Se acontecer, então eu..." Yang Yi olhou de soslaio para as facas na bancada. Essas pareciam muito curtas!

"Ai, você é bobo? Não fala besteira. Nós não queremos que Xi Xi passe por coisas ruins." Mo Fei fingiu uma bronca. "O que quero dizer é que precisamos prevenir. Agora você tem que pensar em como explicar isso para Xi Xi de um jeito delicado. Se no futuro algum mal-intencionado tiver más ideias, como ela deve reagir? Você tem tantas ideias boas, tenho certeza que vai resolver isso direitinho!"

Não poder realmente afiar a faca deixou Yang Yi um pouco frustrado. Mas agora ele era uma pessoa racional. Entendia o que Mo Fei dizia. Há pouco, realmente tinha se exaltado.

"Está bem... vou pensar." Yang Yi sorriu, abraçou Mo Fei e disse, com ternura: "Obrigado!"

Mo Fei também o abraçou, satisfeita. Muitas palavras ficaram no ar, sem necessidade de serem ditas.