Capítulo 597: Capítulo 597: Conflitos Ocultos na Concessão Britânica

— Ainda aguenta? — Liu Tiezhu estendeu o cantil.

Huikong tomou um gole d'água e balançou a cabeça: — Ferimento leve. Quem é esse tal de Presidente Zhou?

— Nunca ouvi falar. — Liu Tiezhu estreitou os olhos. — Mas quem consegue dar ordens a alguém como Ma Debiao não é nada simples.

O trem parou lentamente na Estação Oeste de Tianjin.

Os dois se misturaram aos operários que desciam, escaparam da plataforma e seguiram direto para o esconderijo na Concessão Francesa.

O Doutor Xing estava arrumando os medicamentos. Quando os viu entrar, fechou portas e janelas imediatamente: — Vocês enlouqueceram? A cidade inteira está em busca!

— Não morremos. — Liu Tiezhu serviu um copo d'água. — Preciso de informação sobre alguém, o Presidente Zhou.

O rosto do Doutor Xing mudou: — Zhou Muyun?

— Conhece?

— Presidente da Associação de Comerciantes Chineses da Concessão Britânica. — O Doutor Xing baixou a voz. — Na superfície, importa e exporta. Por baixo dos panos, contrabandeia armas e drogas... e tem laços estreitos com os japoneses.

Huikong esticou um mapa: — Rua Cambridge, número 27.

— Essa é a mansão dele. — O Doutor Xing franziu a testa, sério. — Segurança pesada. Dizem que nem uma mosca consegue entrar.

Liu Tiezhu deu um sorriso frio: — Então entramos pela porta da frente.

O Doutor Xing entregou um documento: — Zhou Muyun vai ao Teatro da Grande Luz ouvir ópera toda quarta-feira, sem falta.

— Hoje é terça. — Huikong calculou. — Agimos amanhã à noite?

— Não. — Liu Tiezhu folheou o documento. — Ele tem o hábito de ir ao banho público na noite anterior à ópera.

— Huaqing Pool. — O Doutor Xing apontou no mapa. — Bem em frente à mansão dele.

Ao cair da noite, as lanternas do Huaqing Pool se acenderam.

Liu Tiezhu e Huikong, disfarçados de comerciantes, entraram no saguão com toda a pose.

— Cavalheiros, por favor, no andar de cima. — O garçom os conduziu com solicitude.

No camarote do segundo andar, a névoa de vapor era densa. Liu Tiezhu examinou o ambiente, mas não viu o alvo.

— O Presidente Zhou ainda não chegou. — Huikong murmurou.

Os dois ficaram imersos na piscina, esperando pacientemente.

Cerca de uma hora depois, ouviu-se um alvoroço no térreo.

Quatro homens corpulentos entraram primeiro para limpar a área, seguidos por um homem de meia-idade em traje de seda, de semblante elegante, mas com um olhar frio como o de uma cobra.

— Chegou. — Liu Tiezhu submergiu na água, deixando apenas os olhos de fora.

Zhou Muyun sentou-se na área reservada. Dois seguranças vigiavam a entrada, e outros dois montavam guarda perto da piscina.

— Invadir à força não vai dar. — Huikong observou. — Precisamos distrair os seguranças.

Liu Tiezhu concordou com a cabeça e saiu silenciosamente da piscina.

Trocou de roupa para a de garçom, pegou uma bandeja de chá e se dirigiu ao compartimento de Zhou Muyun.

— Pare! — O segurança o interceptou. — O que quer?

— O gerente mandou servir o novo chá Longjing ao Presidente Zhou. — Liu Tiezhu curvou-se, humilde.

O segurança o examinou com desconfiança e ia revistá-lo quando, de repente, vieram do térreo sons de pancadas e gritos!

— Fogo! Fujam!

A multidão entrou em pânico. Os seguranças olharam nervosos para Zhou Muyun, que franziu a testa: — Vão ver.

Dois seguranças desceram correndo. Liu Tiezhu aproveitou para se aproximar: — Presidente Zhou, seu chá.

Zhou Muyun ergueu os olhos para ele e, de repente, mudou de expressão: — Você não é funcionário daqui!

A adaga de Liu Tiezhu já estava em sua garganta: — Não se mexa.

— Quem é você? — Zhou Muyun forçou a calma. — Quer dinheiro?

— Quero sua vida. — Liu Tiezhu sorriu friamente. — A vida de Xiaoyu, a vida daqueles mineiros.

As pupilas de Zhou Muyun se contraíram: — Não conheço nenhuma Xiaoyu...

— Ma Debiao conhece. — Liu Tiezhu fez um leve corte com a adaga. — E Yamamura Jiro também.

Suor frio escorreu da testa de Zhou Muyun: — Você... você é Liu Tiezhu?

— Esperto. — Liu Tiezhu o puxou para cima. — Vamos, mudar de lugar para conversar.

Nesse instante, a porta foi chutada com violência. Huikong entrou coberto de sangue: — Vamos! É uma emboscada!

Passos densos ecoavam no térreo.

Liu Tiezhu, com Zhou Muyun como refém, recuou até a janela: — Pulem!

Os três saltaram do segundo andar e caíram sobre uma pilha de lixo no beco dos fundos.

Zhou Muyun aproveitou para se soltar e gritou: — Socorro!

Das sombras, surgiram uns oito homens armados com facas.

Liu Tiezhu protegeu Huikong enquanto recuava, sua adaga traçando um clarão frio que afastou os dois primeiros atacantes.

— Quero-os vivos! — Zhou Muyun recuou, cercado pelos seguranças. — O Sr. Zhou recompensa generosamente.

Liu Tiezhu lutava enquanto recuava, entrando em um beco estreito.

Os perseguidores não largavam o osso. Quando parecia que seriam cercados, um carro preto surgiu de repente, bloqueando a entrada do beco.

— Entrem! — O rosto do Doutor Xing apareceu na janela.

Os três abriram a porta e pularam para dentro.

Balas ricocheteavam na lataria. O Doutor Xing pisou fundo, e o carro rugiu para frente.

— Como você veio parar aqui? — Liu Tiezhu ofegava.

— Sabia que vocês iam falhar. — O Doutor Xing virou o volante bruscamente. — Zhou Muyun é mais astuto do que imaginávamos.

Huikong segurava o ferimento nas costelas: — Ele já sabia que a gente vinha...

O carro despistou os perseguidores e entrou na Concessão Francesa.

No esconderijo, o Doutor Xing costurava o ferimento de Huikong, enquanto Liu Tiezhu examinava a carteira que havia tirado de Zhou Muyun.

— Olhem isto. — Ele puxou uma passagem de navio. — Amanhã, às 22h, no Cais Taigu, para Hong Kong.

— Quer fugir? — Huikong rangeu os dentes de dor.

— Não vai ser tão fácil. — Liu Tiezhu tirou uma foto, mostrando Zhou Muyun com alguns estrangeiros. — Quem é este?

O Doutor Xing deu uma olhada: — O adido militar do Consulado Britânico, Smith.

No verso da foto, havia uma anotação: "Mercadoria pronta, seguir conforme o plano."

— Que mercadoria? — perguntou Huikong.

Liu Tiezhu refletiu por um momento: — Amanhã à noite ele não escapa, mas hoje temos que descobrir o que é essa 'mercadoria'.

O Doutor Xing pegou um frasco pequeno: — Isto é soro da verdade, faz a pessoa falar a verdade.

— Não preciso. — Liu Tiezhu sorriu friamente. — Tenho um método melhor.

Na calada da noite, diante de um sobrado na Concessão Britânica. Liu Tiezhu e o Doutor Xing se esconderam nas sombras, observando os guardas na entrada.

— A luz acesa no segundo andar é o escritório dele. — O Doutor Xing apontou. — Mas como entrar?

Liu Tiezhu indicou o telhado: — Pulamos do prédio ao lado.

Os dois contornaram uma casa vazia vizinha e subiram no telhado.

Os sobrados da Concessão Britânica eram próximos, fáceis de atravessar.

Debaixo da janela do escritório, Liu Tiezhu ouviu Zhou Muyun ao telefone: — Tem que ser adiantado, essa mercadoria não pode dar problema.

Ele forçou silenciosamente a trava da janela e entrou.

Zhou Muyun estava de costas para a janela, ainda falando: — ... o navio sai amanhã no horário...

O cano da arma de Liu Tiezhu encostou na nuca dele: — Desligue.

Zhou Muyun congelou e, lentamente, baixou o telefone: — Como você entrou?

— Isso não importa. — Liu Tiezhu o empurrou para a cadeira. — O que é essa mercadoria?

— Mercadoria comum... chá, seda...

— Pum! — Liu Tiezhu deu um tiro que perfurou a mão dele.

Zhou Muyun gritou de dor, suando frio: — Você... sabe quem eu sou?

— Um homem prestes a morrer. — Liu Tiezhu moveu a arma para o joelho dele. — O próximo tiro é aqui.

— Espera! — Zhou Muyun finalmente entrou em pânico. — É... é minério... igual ao de Sato...

— Para onde está sendo levado?

— Hong Kong... e depois transferido para o Japão...

Liu Tiezhu o encarou: — Quem mais está na lista?

— Não... não tem mais ninguém...

— Mentira. — Liu Tiezhu puxou o gatilho, e a bala passou raspando na orelha de Zhou Muyun.