Capítulo 475: Capítulo 475: Aprofundando-se no Território Inimigo

— Vocês vieram investigar a Sociedade do Dragão Negro? — perguntou o velho em voz baixa, com um forte sotaque do nordeste da China.

— Quem é você? — indagou Zhang Dashan, alerta.

— Sou o Li, o verdadeiro funcionário da estação. — O velho deu um sorriso amargo. — Eles me pegaram para servir de fachada. Vocês são do exército?

Liu Tiezhu não confirmou nem negou: — O que estão planejando?

— Hoje à noite vai chegar um trem, carregando mercadoria para a fronteira. — Li enxugou o suor. — Ouvi um pouco, parece que estão levando algo para o lado da Mongólia...

Nesse momento, passos soaram do lado de fora. O velho Li empalideceu: — Droga, é a ronda!

Ele rapidamente empurrou uma pilha de caixas velhas, revelando um alçapão embaixo: — Desçam rápido, dá para debaixo da plataforma.

Assim que Liu Tiezhu e Zhang Dashan entraram, o alçapão foi fechado.

No espaço apertado, o cheiro de mofo e óleo se misturava. Pelas frestas, dava para ver o que acontecia na plataforma.

Três homens de terno caminharam até o escritório onde estavam antes, inspecionaram com cuidado e depois seguiram para o outro lado da estação.

— Parece que o velho Li é de confiança. — Zhang Dashan suspirou aliviado.

Mas Liu Tiezhu franziu a testa: — Muito conveniente... A gente chega agora e já encontra um "informante"?

— Acha que ele é um infiltrado?

— Não tenho certeza, mas é melhor ter cuidado.

Os dois rastejaram pelo duto de manutenção até embaixo da plataforma, onde podiam ouvir claramente as conversas lá em cima.

Uma voz grossa dava ordens.

— Reforcem a vigilância, principalmente contra os soldados. Assim que a carga chegar, carreguem-na imediatamente. Tem que sair do país antes do amanhecer.

— Alguma notícia do chefe? — perguntou outro.

— Perdemos contato por enquanto. Sigam o plano de contingência.

Liu Tiezhu e Zhang Dashan trocaram olhares.

Parecia que aquele lugar era só um ponto de transporte. O verdadeiro segundo local ficava em outro lugar.

De repente, um apito estridente se aproximou.

O chão começou a tremer levemente, e os trilhos enferrujados gemeram.

— Chegou! — gritou alguém lá em cima.

Pelas frestas, Liu Tiezhu viu uma locomotiva a vapor antiga entrando lentamente na estação, puxando apenas três vagões de carga lacrados.

A carroceria tinha a inscrição "Uso Exclusivo do Departamento Florestal", mas era claramente uma fachada.

— Vamos agir? — sussurrou Zhang Dashan.

Liu Tiezhu balançou a cabeça: — Primeiro, vamos ver o que estão carregando.

Assim que a locomotiva parou, uma dúzia de homens armados isolou a plataforma.

As portas dos vagões se abriram, revelando caixas de madeira empilhadas ordenadamente, idênticas às que tinham visto no Ninho da Águia Negra.

— Cuidado! — repreendeu um homem que parecia ser o chefe. — Isso é mais valioso que ouro.

Os trabalhadores, em duplas, transferiam as caixas com cuidado para uma plataforma de carga do outro lado da estação.

Liu Tiezhu contou: pelo menos trinta caixas.

— Material radioativo? — arriscou Zhang Dashan.

Liu Tiezhu ia responder quando a tábua de madeira acima deles foi subitamente levantada. Uma luz ofuscante entrou, e vários canos de armas apontaram para eles.

— Pegamos dois ratos. — disse uma voz zombeteira.

Os dois foram arrastados para fora e levados para a plataforma.

O chefe se aproximou e os examinou com cuidado.

— Militares? — Ele arrancou a divisa de Liu Tiezhu. — Falsas. Quem são vocês?

Liu Tiezhu ficou em silêncio. O chefe deu um sorriso frio, sacou uma pistola e apontou para a têmpora de Zhang Dashan: — Três segundos. Um...

— Trabalhamos para Zhou Weiguo. — Liu Tiezhu pensou rápido. — Ele nos mandou inspecionar a segurança da carga.

A expressão do chefe mudou: — Diretor Zhou? — Ele olhou para os dois com desconfiança. — Alguma prova?

Liu Tiezhu tirou a chave da Águia Negra: — Isso basta?

Ao ver a chave, as pupilas do chefe se contraíram.

Ele deu um passo para trás e fez um sinal para seus subordinados: — Levem-nos para ver o professor.

Os dois foram escoltados até a locomotiva, atravessaram a cabine lotada e chegaram ao vagão de carvão atrás.

Um velho magro estava agachado ali, inspecionando instrumentos. Ao ouvir o barulho, levantou a cabeça. Era o especialista japonês do laboratório de Matsumoto. Ele não tinha morrido.

— Professor, esses dois dizem que são do Diretor Zhou. — disse o chefe, respeitoso.

O velho especialista apertou os olhos, fixando o olhar na chave na mão de Liu Tiezhu: — Deixe-me ver.

Liu Tiezhu entregou-a, com o coração acelerado. Aquele velho certamente o reconheceria.

O especialista examinou a chave com cuidado e de repente sorriu: — Interessante. Esta chave é feita especialmente pela sede. Só os quadros superiores têm.

Ele ergueu o olhar para Liu Tiezhu: — Mas você não é dos nossos.

O chefe sacou a arma imediatamente: — Droga, um espião!

— Calma. — O especialista fez um gesto. — Já que ele veio até nós, vamos usá-lo para o experimento.

Ele sorriu de forma sinistra: — A "Sakura" melhorada precisa de testes em cobaias vivas...

Liu Tiezhu agiu de repente. Com o cotovelo, derrubou o guarda mais próximo e, ao mesmo tempo, arrancou a granada de seu cinto.

— Para trás! — Ele puxou o pino, com o dedo na trava de segurança. — Senão, vamos todos para o inferno.

Todos congelaram.

O velho especialista empalideceu: — Louco! Isso vai detonar todos os materiais.

— É exatamente o que quero. — Liu Tiezhu deu um sorriso frio. — Zhang Dashan, veja o que tem dentro das caixas.

Zhang Dashan rapidamente arrombou a caixa mais próxima. Dentro, não havia latas de metal, mas dezenas de esferas metálicas, cada uma do tamanho de um punho, cobertas de pequenos furos.

— Que diabo é isso?

O velho especialista de repente soltou uma gargalhada: — Sakura, versão melhorada. Quando ativada, libera...

Liu Tiezhu não o deixou terminar. Deu um chute que o jogou para fora do trem.

O especialista caiu gritando nos trilhos e foi esmagado pelas rodas do vagão seguinte.

Vendo isso, o chefe e seus homens pularam do trem para fugir.

Liu Tiezhu soltou a trava da granada, contou três segundos e a jogou em direção a um espaço vazio longe da plataforma.

— Boom!

A explosão alarmou todos.

Aproveitando o caos, os dois pularam do trem e correram em direção à floresta atrás da estação.

Balas os perseguiam, levantando poeira no chão.

— Vamos nos separar! — gritou Liu Tiezhu. — Encontro no lugar de sempre.

Zhang Dashan entendeu. Deu um rolamento para trás de uma árvore e desapareceu na mata densa.

Liu Tiezhu continuou correndo para a frente, atraindo os perseguidores.

Depois de atravessar um arbusto, ele parou de repente. À sua frente, um penhasco. Abaixo, um rio caudaloso.

Os perseguidores estavam se aproximando, pelo menos sete ou oito homens.

Liu Tiezhu olhou para a altura do penhasco, rangeu os dentes e saltou.

A água gelada e cortante o engoliu instantaneamente.

A correnteza o arrastou rio abaixo. Sua cabeça bateu numa rocha, e tudo escureceu...

Em meio à névoa, ele sentiu alguém o puxar para a margem.

Uma voz familiar soou em seus ouvidos:

— Acorda! O exército está chegando!

Era Zhang Dashan!

Liu Tiezhu abriu os olhos com dificuldade e viu fumaça subindo na direção da estação ao longe.

O som abafado de hélices de helicóptero chegava de longe.

— As caixas... — ele perguntou, fraco.

— Tudo fotografado. — Zhang Dashan deu um tapinha na câmera que carregava no peito. — Foi o velho Li quem deu. Ele é um infiltrado de verdade, um investigador do alto escalão.

Liu Tiezhu quis dizer algo, mas a escuridão o envolveu novamente.

Em seu último lampejo de consciência, ouviu Zhang Dashan gritar: — Aguenta firme! O velho Jin e os outros estão chegando com reforços!