— Vocês vieram investigar a Sociedade do Dragão Negro? — perguntou o velho em voz baixa, com um forte sotaque do nordeste da China.
— Quem é você? — indagou Zhang Dashan, alerta.
— Sou o Li, o verdadeiro funcionário da estação. — O velho deu um sorriso amargo. — Eles me pegaram para servir de fachada. Vocês são do exército?
Liu Tiezhu não confirmou nem negou: — O que estão planejando?
— Hoje à noite vai chegar um trem, carregando mercadoria para a fronteira. — Li enxugou o suor. — Ouvi um pouco, parece que estão levando algo para o lado da Mongólia...
Nesse momento, passos soaram do lado de fora. O velho Li empalideceu: — Droga, é a ronda!
Ele rapidamente empurrou uma pilha de caixas velhas, revelando um alçapão embaixo: — Desçam rápido, dá para debaixo da plataforma.
Assim que Liu Tiezhu e Zhang Dashan entraram, o alçapão foi fechado.
No espaço apertado, o cheiro de mofo e óleo se misturava. Pelas frestas, dava para ver o que acontecia na plataforma.
Três homens de terno caminharam até o escritório onde estavam antes, inspecionaram com cuidado e depois seguiram para o outro lado da estação.
— Parece que o velho Li é de confiança. — Zhang Dashan suspirou aliviado.
Mas Liu Tiezhu franziu a testa: — Muito conveniente... A gente chega agora e já encontra um "informante"?
— Acha que ele é um infiltrado?
— Não tenho certeza, mas é melhor ter cuidado.
Os dois rastejaram pelo duto de manutenção até embaixo da plataforma, onde podiam ouvir claramente as conversas lá em cima.
Uma voz grossa dava ordens.
— Reforcem a vigilância, principalmente contra os soldados. Assim que a carga chegar, carreguem-na imediatamente. Tem que sair do país antes do amanhecer.
— Alguma notícia do chefe? — perguntou outro.
— Perdemos contato por enquanto. Sigam o plano de contingência.
Liu Tiezhu e Zhang Dashan trocaram olhares.
Parecia que aquele lugar era só um ponto de transporte. O verdadeiro segundo local ficava em outro lugar.
De repente, um apito estridente se aproximou.
O chão começou a tremer levemente, e os trilhos enferrujados gemeram.
— Chegou! — gritou alguém lá em cima.
Pelas frestas, Liu Tiezhu viu uma locomotiva a vapor antiga entrando lentamente na estação, puxando apenas três vagões de carga lacrados.
A carroceria tinha a inscrição "Uso Exclusivo do Departamento Florestal", mas era claramente uma fachada.
— Vamos agir? — sussurrou Zhang Dashan.
Liu Tiezhu balançou a cabeça: — Primeiro, vamos ver o que estão carregando.
Assim que a locomotiva parou, uma dúzia de homens armados isolou a plataforma.
As portas dos vagões se abriram, revelando caixas de madeira empilhadas ordenadamente, idênticas às que tinham visto no Ninho da Águia Negra.
— Cuidado! — repreendeu um homem que parecia ser o chefe. — Isso é mais valioso que ouro.
Os trabalhadores, em duplas, transferiam as caixas com cuidado para uma plataforma de carga do outro lado da estação.
Liu Tiezhu contou: pelo menos trinta caixas.
— Material radioativo? — arriscou Zhang Dashan.
Liu Tiezhu ia responder quando a tábua de madeira acima deles foi subitamente levantada. Uma luz ofuscante entrou, e vários canos de armas apontaram para eles.
— Pegamos dois ratos. — disse uma voz zombeteira.
Os dois foram arrastados para fora e levados para a plataforma.
O chefe se aproximou e os examinou com cuidado.
— Militares? — Ele arrancou a divisa de Liu Tiezhu. — Falsas. Quem são vocês?
Liu Tiezhu ficou em silêncio. O chefe deu um sorriso frio, sacou uma pistola e apontou para a têmpora de Zhang Dashan: — Três segundos. Um...
— Trabalhamos para Zhou Weiguo. — Liu Tiezhu pensou rápido. — Ele nos mandou inspecionar a segurança da carga.
A expressão do chefe mudou: — Diretor Zhou? — Ele olhou para os dois com desconfiança. — Alguma prova?
Liu Tiezhu tirou a chave da Águia Negra: — Isso basta?
Ao ver a chave, as pupilas do chefe se contraíram.
Ele deu um passo para trás e fez um sinal para seus subordinados: — Levem-nos para ver o professor.
Os dois foram escoltados até a locomotiva, atravessaram a cabine lotada e chegaram ao vagão de carvão atrás.
Um velho magro estava agachado ali, inspecionando instrumentos. Ao ouvir o barulho, levantou a cabeça. Era o especialista japonês do laboratório de Matsumoto. Ele não tinha morrido.
— Professor, esses dois dizem que são do Diretor Zhou. — disse o chefe, respeitoso.
O velho especialista apertou os olhos, fixando o olhar na chave na mão de Liu Tiezhu: — Deixe-me ver.
Liu Tiezhu entregou-a, com o coração acelerado. Aquele velho certamente o reconheceria.
O especialista examinou a chave com cuidado e de repente sorriu: — Interessante. Esta chave é feita especialmente pela sede. Só os quadros superiores têm.
Ele ergueu o olhar para Liu Tiezhu: — Mas você não é dos nossos.
O chefe sacou a arma imediatamente: — Droga, um espião!
— Calma. — O especialista fez um gesto. — Já que ele veio até nós, vamos usá-lo para o experimento.
Ele sorriu de forma sinistra: — A "Sakura" melhorada precisa de testes em cobaias vivas...
Liu Tiezhu agiu de repente. Com o cotovelo, derrubou o guarda mais próximo e, ao mesmo tempo, arrancou a granada de seu cinto.
— Para trás! — Ele puxou o pino, com o dedo na trava de segurança. — Senão, vamos todos para o inferno.
Todos congelaram.
O velho especialista empalideceu: — Louco! Isso vai detonar todos os materiais.
— É exatamente o que quero. — Liu Tiezhu deu um sorriso frio. — Zhang Dashan, veja o que tem dentro das caixas.
Zhang Dashan rapidamente arrombou a caixa mais próxima. Dentro, não havia latas de metal, mas dezenas de esferas metálicas, cada uma do tamanho de um punho, cobertas de pequenos furos.
— Que diabo é isso?
O velho especialista de repente soltou uma gargalhada: — Sakura, versão melhorada. Quando ativada, libera...
Liu Tiezhu não o deixou terminar. Deu um chute que o jogou para fora do trem.
O especialista caiu gritando nos trilhos e foi esmagado pelas rodas do vagão seguinte.
Vendo isso, o chefe e seus homens pularam do trem para fugir.
Liu Tiezhu soltou a trava da granada, contou três segundos e a jogou em direção a um espaço vazio longe da plataforma.
— Boom!
A explosão alarmou todos.
Aproveitando o caos, os dois pularam do trem e correram em direção à floresta atrás da estação.
Balas os perseguiam, levantando poeira no chão.
— Vamos nos separar! — gritou Liu Tiezhu. — Encontro no lugar de sempre.
Zhang Dashan entendeu. Deu um rolamento para trás de uma árvore e desapareceu na mata densa.
Liu Tiezhu continuou correndo para a frente, atraindo os perseguidores.
Depois de atravessar um arbusto, ele parou de repente. À sua frente, um penhasco. Abaixo, um rio caudaloso.
Os perseguidores estavam se aproximando, pelo menos sete ou oito homens.
Liu Tiezhu olhou para a altura do penhasco, rangeu os dentes e saltou.
A água gelada e cortante o engoliu instantaneamente.
A correnteza o arrastou rio abaixo. Sua cabeça bateu numa rocha, e tudo escureceu...
Em meio à névoa, ele sentiu alguém o puxar para a margem.
Uma voz familiar soou em seus ouvidos:
— Acorda! O exército está chegando!
Era Zhang Dashan!
Liu Tiezhu abriu os olhos com dificuldade e viu fumaça subindo na direção da estação ao longe.
O som abafado de hélices de helicóptero chegava de longe.
— As caixas... — ele perguntou, fraco.
— Tudo fotografado. — Zhang Dashan deu um tapinha na câmera que carregava no peito. — Foi o velho Li quem deu. Ele é um infiltrado de verdade, um investigador do alto escalão.
Liu Tiezhu quis dizer algo, mas a escuridão o envolveu novamente.
Em seu último lampejo de consciência, ouviu Zhang Dashan gritar: — Aguenta firme! O velho Jin e os outros estão chegando com reforços!