Capítulo 469: Capítulo 469 Contagem Regressiva Perigosa

"Viva o Projeto Amaterasu!" O velho demônio riu com um sorriso maligno enquanto pressionava um interruptor no recipiente.

O cronômetro acendeu em vermelho: 00:15:00.

"Quinze minutos!" Zhang Dashan empalideceu. "Esse louco vai detonar na ponte."

Liu Tiezhu varreu o vagão com o olhar rapidamente.

Matsumoto já havia recuado para a cabine do maquinista, e dois seguranças armados bloqueavam o corredor.

Através da janela, dava para ver o rio turbulento abaixo da ponte, brilhando frio sob o luar.

"Pular no rio é perigoso demais." Zhang Dashan percebeu sua intenção. "Nessa altura, mesmo que não morra na queda, vai congelar."

O trem balançou levemente. Liu Tiezhu olhou para a frente e viu Matsumoto soltando o engate dos vagões.

"Ele vai abandonar os dois últimos vagões." Liu Tiezhu chutou a porta que dava para a cabine, e deu de cara com a arma de um segurança.

"Bang!"

A bala passou raspando em sua orelha. Liu Tiezhu rolou para o lado e revidou.

O segurança foi atingido no peito, cambaleou para trás e bateu na porta da cabine.

Matsumoto passou rapidamente, segurando firme o dispositivo de detonação contra o peito.

Dentro da cabine, o maquinista já estava caído em uma poça de sangue.

"Vamos nos separar!" Liu Tiezhu gritou para Zhang Dashan. "Você vai pelo teto, eu pelos vagões."

Zhang Dashan entendeu e, num movimento ágil, subiu no teto.

Liu Tiezhu se abaixou e avançou rapidamente em direção à frente.

O segurança restante continuava atirando, as balas zunindo no vagão estreito.

Com um estrondo, o engate foi finalmente solto por Matsumoto.

A locomotiva, com o primeiro vagão, começou a se mover lentamente para frente, aumentando a distância dos dois últimos.

"Não vai dar tempo." A voz de Zhang Dashan veio do teto.

Liu Tiezhu rangeu os dentes e acelerou. Quando a separação chegou a mais de um metro, ele saltou.

Seus dedos mal alcançaram a grade do primeiro vagão, seu corpo ficou pendurado, com dezenas de metros de rio abaixo.

Zhang Dashan se inclinou do teto, agarrou seu pulso e o puxou para cima com força.

Assim que se firmaram, ouviram um baque atrás: os dois últimos vagões foram abandonados, parando lentamente no meio da ponte.

"Persegue!"

Os dois correram para a cabine, mas a porta já estava trancada por dentro. Pela pequena janela, viram o velho demônio acelerando loucamente, segurando o dispositivo de detonação.

O cronômetro marcava 00:12:37.

"Não tem como contornar." Zhang Dashan examinou os lados. "A menos que a gente vá por fora."

A locomotiva já havia deixado a ponte elevada e ganhava velocidade.

Árvores e rochas dos dois lados se misturavam na escuridão.

Naquela velocidade, qualquer erro seria fatal.

Liu Tiezhu olhou para a ventilação no teto da cabine: "Me dá uma mão."

Zhang Dashan se agachou e entrelaçou as mãos como um apoio.

Liu Tiezhu pisou, saltou e prendeu os dedos na borda da ventilação.

Ele quebrou o vidro com a coronha da arma, e os estilhaços caíram dentro da cabine.

Matsumoto olhou para cima, assustado, e atirou.

Liu Tiezhu desviou a cabeça, e a bala bateu na chapa de metal com um som agudo.

"Cobre!" Ele gritou para Zhang Dashan.

Zhang Dashan entendeu e atirou várias vezes pela janela lateral, forçando Matsumoto a se esconder debaixo do painel.

Liu Tiezhu aproveitou para entrar pela ventilação e cair atrás de Matsumoto.

O velho demônio reagiu rápido, rolando para evitar o salto de Liu Tiezhu, mas ainda segurando o dispositivo.

O cronômetro marcava 00:10:15.

"Você não vai impedir!" Matsumoto riu histericamente. "A glória de Amaterasu renascerá."

Liu Tiezhu não perdeu tempo e atirou na perna direita dele.

Matsumoto gritou de dor e caiu de joelhos, mas a mão esquerda ainda apertava o dispositivo.

"Acha que acabou?" O velho demônio sorriu de repente. "Olha isso."

Com a mão ensanguentada, ele pressionou um botão lateral no dispositivo.

Um som agudo de "bip" ecoou, e os números do cronômetro começaram a acelerar.

00:05:00...00:04:59...00:04:58...

"Agora ninguém pode parar." Matsumoto riu loucamente. "Em cinco minutos, num raio de cinco quilômetros, não vai sobrar nada."

Liu Tiezhu chutou Matsumoto para longe e examinou o dispositivo.

A contagem regressiva corria rapidamente; qualquer tentativa de desmontá-lo causaria uma explosão imediata.

"Dá pra desarmar?" Zhang Dashan entrou pela janela.

"Não, precisa de senha." Liu Tiezhu encarou Matsumoto. "Fala, qual é a senha para parar?"

Matsumoto apenas riu com desprezo, sangue escorrendo pelos cantos da boca.

Seu olhar começou a se apagar. O velho demônio havia mordido a cápsula de veneno escondida no dente!

"Maldito!" Zhang Dashan agarrou Matsumoto pelo colarinho. "A senha, rápido!"

Matsumoto deu um último sorriso sinistro, virou a cabeça e morreu.

00:03:47...00:03:46...

A locomotiva ainda corria em alta velocidade, e uma curva fechada aparecia à frente.

Liu Tiezhu olhou o mapa: era um desvio para a região de Changbai, e mais à frente havia uma zona militar restrita.

"Temos que sair dos trilhos." Ele tentou acionar o freio, mas Matsumoto havia travado o sistema antes de morrer.

Zhang Dashan examinou o dispositivo: "Isso tem localizador. Se sair dos trilhos, explode na hora."

00:02:30...00:02:29...

Liu Tiezhu olhou para a torre d'água à frente.

Era uma instalação para abastecer trens a vapor, com um pequeno lago ao lado.

"Pula!" Ele arrancou o extintor da cabine. "Usa isso como amortecedor!"

Os dois subiram no teto.

O trem desacelerava na curva, mas ainda estava a mais de sessenta quilômetros por hora.

A torre d'água se aproximava. Liu Tiezhu esperou o momento certo, jogou o extintor no lago e saltou.

A água gelada o engoliu instantaneamente.

O impacto foi tão forte que sua visão escureceu, e o ar nos pulmões foi comprimido.

Ele nadou desesperadamente, até emergir e respirar com avidez.

Zhang Dashan apareceu não muito longe, e os dois nadaram com dificuldade até a margem.

Atrás deles, a locomotiva sem condutor saiu dos trilhos e colidiu contra a floresta perto da torre.

Com uma explosão ensurdecedora, uma bola de luz azul-branca subiu ao céu, expandindo-se rapidamente em uma névoa de quase cem metros de diâmetro.

Por onde passava, as árvores murchavam e morriam a olhos vistos.

"Abaixa, não respira!" Liu Tiezhu enterrou o rosto na lama molhada.

A névoa branca e estranha passou por cima deles, trazendo um cheiro metálico forte.

Levou cinco minutos para o vento da montanha dissipar a névoa.

Os dois levantaram a cabeça e viram que o centro da explosão se tornara uma terra morta: plantas amareladas, rochas cobertas de pó branco, e até o lago brilhava com uma fluorescência artificial.

"Isso foi só uma pequena carga..." A voz de Zhang Dashan estava rouca. "Se eles detonarem a grande no Lago do Céu..."

Liu Tiezhu lembrou das palavras de Matsumoto antes de morrer: "Ele disse que a glória de Amaterasu renasceria, e o Lago do Céu é a chave."

Os dois, com as roupas encharcadas, subiram na estrada e pararam um caminhão de madeira. O motorista era um velho de rosto enrugado que, ao ouvir que tinham enfrentado uma enchente, deu-lhes roupas secas e água quente.

"Pra onde vocês vão?" Liu Tiezhu perguntou.

"Para a Fazenda Florestal de Changbai." O velho apontou para o norte. "Mas só até o posto de controle. Mais à frente é zona militar restrita, não pode entrar."

Liu Tiezhu e Zhang Dashan trocaram olhares.

Zona militar restrita? Desde quando?

"Desde quando?" Zhang Dashan perguntou, fingindo indiferença.

"Umas seis meses." O velho soltou uma baforada de fumaça. "Dizem que estão construindo uma instalação importante lá, com soldados vigiando pesado."

O caminhão balançou por duas horas na estrada montanhosa, chegando ao posto de controle antes do amanhecer.

De longe, dava para ver arames farpados e guaritas bloqueando a estrada, com soldados armados examinando cada veículo.

"Vamos descer aqui." Liu Tiezhu deu um tapinha no ombro do velho. "Valeu."

Os dois contornaram o posto e observaram da floresta atrás.

Zhang Dashan estreitou os olhos: "Tem algo errado. Esses não são soldados regulares."

Liu Tiezhu olhou com atenção e percebeu que os uniformes dos "soldados" não se ajustavam bem, e seus movimentos não eram profissionais.

Mais suspeito ainda: ao lado do mapa pendurado na guarita, havia uma marca de águia negra.