“Irmão mais velho, cunhada, o que houve?”
Liu Tiezhu largou a caça e foi até o irmão perguntar.
Yaoyao se jogou nos braços de Liu Tiezhu.
“Foi aquele tio malvado de anteontem.”
“Ele trouxe outros tios malvados e bateu no papai e no tio-avô.”
“Liu Yusheng, vou te foder.”
Ao ouvir isso, Er Gouzi ficou com os olhos vermelhos de raiva, pegou a besta composta e virou-se para sair.
“Gouzi, para aí.”
Liu Tiezhu segurou Er Gouzi, impedindo-o de fazer algo impulsivo.
“Irmão, conta o que aconteceu.”
Liu Tieshan viu que não dava mais para esconder, então contou tudo direitinho.
À tarde, Liu Yusheng veio com alguns caras, exigindo que Liu Tiezhu pagasse uma indenização.
Ele e Liu Yusheng discutiram, e então Liu Yusheng partiu para a briga e bateu neles.
Antes de ir, ameaçou que preparassem oito reais para despesas médicas, que viriam buscar no dia seguinte, senão o assunto não terminaria.
“Irmão, não se meta nisso.”
“De manhã, leva a Yaoyao e a cunhada para a casa dos sogros.”
Liu Tiezhu apertou os punhos, o rosto cheio de raiva.
Liu Yusheng, esse filho da puta, estava batendo na porta dele.
Não podia abrir essa brecha.
Se abrisse, seria um poço sem fundo.
Senão, dessa vez oito reais, na próxima seriam dez.
Depois, Liu Yusheng, esse cara sem vergonha, ia se aproveitar dele.
Liu Tieshan, preocupado, aconselhou: “Zhu, deixa pra lá, não aumenta a confusão.”
Ao ouvir isso, Er Gouzi arregalou os olhos na hora.
“Irmão Tieshan, não dá pra deixar isso passar.”
“Liu Yusheng, esse desgraçado, hoje vem bater na porta e extorquir, amanhã vai trazer gente pra destruir a casa.”
“Se a gente deixar ele fazer o que quer, como é que vamos viver?”
O tio disse: “Gouzi tem razão, temos que dar um jeito nisso.”
“Mas podemos resolver, sem aumentar a confusão.”
Liu Tieshan abriu a boca para falar algo, mas foi interrompido por Liu Tiezhu.
“Irmão, fica tranquilo, não vou aumentar a confusão.”
“Amanhã, quando Liu Yusheng vier, vou conversar com eles primeiro, se não der certo, aí penso em outra coisa.”
Liu Tieshan pensou um pouco e no fim recomendou que Liu Tiezhu não partisse para a briga de jeito nenhum.
Liu Tiezhu balançou a cabeça, mas no fundo pensou: “É claro que vou brigar.”
Depois de combinarem como lidar com Liu Yusheng, todos voltaram a atenção para a caça.
Ao ver a caça no saco de rede de Er Gouzi, o tio ficou meio incrédulo.
Ele, como pai, sabia bem do que Er Gouzi era capaz.
Normalmente, quando ia para a mata, se Er Gouzi caçasse dois ou três bichos, já era sorte demais.
Dessa vez, em poucas horas, tinha matado centenas de quilos de caça, o que o deixou sem reação.
“Pai, conseguir tanta caça foi mérito da besta composta do irmão Zhu.”
“A besta composta tem uma mira, se não for uma distância muito grande, a precisão é quase cem por cento.” Explicou Er Gouzi.
Nisso, veio um grito de surpresa do lado de Liu Tieshan.
Ele olhava para mais de vinte patos selvagens pulando, todo feliz.
Agora, no vilarejo, estavam promovendo a autossuficiência, criar animais e plantar nos próprios campos.
Mas quase ninguém na vila conseguia comprar aves para criar.
Aqueles mais de vinte patos, se conseguissem criar e reproduzir, seria uma boa renda no futuro.
Huang Xiumei, ao ver que a caça era de galinhas e patos selvagens, virou-se e foi para a cozinha ferver água.
O tio apontou para os filhotes de cachorro no canto do quintal, dentro de uma gaiola de bambu, e disse: “Zhu, o que acha desses sete cachorros?”
Foi aí que Liu Tiezhu notou a gaiola no canto.
Dentro, sete filhotes estavam amontoados, não se sabia se era por frio ou medo do lugar novo.
Liu Tiezhu foi até lá e observou com cuidado, viu que entre os sete, dois podiam ser cães de frente, um podia ser um “cão de peso” para enfrentar javalis.
Os outros quatro não tinham muita utilidade, mas tinham ossos grandes, servindo para reprodução.
Depois de examinar os cachorros, Liu Tiezhu olhou para o tio.
“Tio, esses filhotes são muito bons, quanto pagou?”
Ao ouvir isso, o tio abriu um sorriso: “Dois reais e dez centavos.”
“Não é caro, esses sete cachorros valem esse preço, vou te pagar.”
Isso fez o tio fechar a cara na hora.
“Zhu, falar assim é dar uma bofetada na cara do teu tio.”
“Se for pagar, o tio leva os cachorros embora.”
“Tá bom, tá bom, não pago.” Liu Tiezhu se apressou em sorrir para apaziguar.
Ele conhecia o temperamento do tio, igual ao de Er Gouzi, um teimoso.
A família toda, com mãos rápidas, tratou da caça, e já eram mais de sete da noite.
Nisso, Huang Xiumei também terminou o jantar.
Duas galinhas selvagens cozidas, carne de rato-da-taipa na panela seca, e uma travessa de verdura.
No vapor quente, a família comeu com gosto.
Depois do jantar, Liu Tiezhu ajudou a levar a carne para a casa de Er Gouzi, e então chamou Er Gouzi para conversar na entrada da vila.
Liu Tiezhu acendeu uma fogueira, pegou algumas batatas-doces cruas e as jogou para assar.
“Gouzi, o irmão te pergunta uma coisa, tu tem coragem de pegar o Liu Yusheng, esse desgraçado?”
Er Gouzi ficou nervoso ao ouvir isso.
“Irmão Zhu, que conversa é essa? Se tu mandar, eu vou até o fim.”
Liu Tiezhu balançou a mão na hora: “Não podemos fazer algo que tire a vida, mas temos que dar uma lição nesse filho da puta do Liu Yusheng.”
“Esse desgraçado amanhã vai trazer vários caras, nós dois sozinhos não damos conta.”
“Para bater nele, precisamos de ajuda.”
Er Gouzi disse: “Aqueles desgraçados da nossa vila nunca acordam cedo sem interesse.”
“Se a gente for pedir ajuda a eles, capaz de ainda sermos zuados.”
Liu Tiezhu pensou e disse: “Então não precisa chamar os da vila. Tu não tens uns amigos feras na vila vizinha de Yangjia? Eles são de confiança?”
“Para coisa grande, eles não servem, mas para briga, eles não têm medo.” Disse Er Gouzi.
“Então tá bom. Vai agora chamá-los, daqui a uma hora se encontram aqui.”
“Diz a eles que, se partirem para a briga, cada um ganha três quilos de carne.”
Er Gouzi balançou a cabeça, pegou a lanterna e virou-se para sair.
Liu Tiezhu voltou para casa, pegou três galinhas selvagens, mais de vinte batatas-doces, e voltou à entrada da vila para reacender o fogo.
Uns quarenta minutos depois, Er Gouzi voltou com oito jovens.
Ao ver as galinhas selvagens assando no fogo, esses jovens quase babaram.
Depois que Er Gouzi apresentou, todos se aproximaram e chamaram Liu Tiezhu de irmão.
Liu Tiezhu mandou eles comerem primeiro, depois falariam de negócios.
Em dez minutos, as três galinhas e as mais de vinte batatas-doces foram devoradas.
“Irmão Zhu, pode falar o que for.”
“Se a gente puder ajudar, não vamos recusar.”
O líder, Yang Zhihui, bateu na barriga, todo cheio de si.
Os outros sete claramente seguiam Yang Zhihui, ficaram quietos, esperando Liu Tiezhu falar.
“Não é nada grave, só quero que vocês deem uma mão para dar uma lição nuns marginais.”
“Claro, não vou deixar vocês trabalharem de graça.”
“Se der certo, cada um ganha três quilos de carne.”
Ao ouvir que ainda ganhariam três quilos de carne, todos os olhos brilharam.