— Irmão Zhu, o que a gente faz agora? — perguntou Er Gouzi. — Primeiro, descobre quantos tem lá dentro, depois a gente decide. — Espera aqui, vou pular no muro pra dar uma olhada. Liu Tiezhu disse e agiu na hora. Agora, Yang Haitian estava em perigo, ele precisava se apressar. Ele se abaixou, foi até o lado esquerdo do pátio, colocou a mão de leve na parede e subiu devagar. Depois de observar por alguns minutos, Liu Tiezhu pulou suavemente e fez um sinal para Er Gouzi vir. — Irmão Zhu, quantos tem lá dentro? A gente ataca de frente ou pensa em outro jeito? — perguntou Er Gouzi assim que chegou. — Só vi quatro, mas não sei se tem mais escondidos dentro da casa. — Então pensei em você servir de isca, pra testar. — disse Liu Tiezhu. Er Gouzi perguntou: — Como é que testa? — Daqui a pouco, você vai bater na porta e, assim que bater, entra na viela. — disse Liu Tiezhu. — Só isso? — Isso, só isso. — Então não perde tempo, já vou me preparar. Er Gouzi falou e foi direto pra frente do portão do pátio. Liu Tiezhu também subiu no muro, deitou o corpo reto, formando uma linha reta com a parede. Se não olhasse com cuidado, era difícil ver o corpo dele no escuro. Depois de tudo pronto, Liu Tiezhu fez um sinal para Er Gouzi. Er Gouzi assentiu e bateu com força na porta de madeira. Pá, pá, pá... Uns sons surdos ecoaram, e Er Gouzi recuou rápido, se escondendo na viela escura atrás do muro. Dentro do pátio, os bandidos se aquietaram. Trocaram olhares, pegaram os fuzis depressa e saíram na ponta dos pés. Chegaram atrás da porta, o líder fez um sinal, e os dois lados abriram a porta. No instante em que abriram, outro bandido se agachou e apontou o fuzil pra frente. Os quatro trabalharam juntos, num movimento só, mais certinho que soldado. Ao verem tudo vazio, os quatro ficaram confusos. O líder fez um sinal, os outros três voltaram e fecharam a porta de madeira. — Porra, que merda é essa? Os quatro resmungaram, irritados. Nisso, Er Gouzi saiu da viela e olhou pra Liu Tiezhu, que estava deitado no muro. Liu Tiezhu fez outro sinal de bater na porta para Er Gouzi. Er Gouzi assentiu e se aproximou de novo. Pá, pá, pá... Mais uma batida violenta. Depois de bater, Er Gouzi se escondeu rápido na viela. Os quatro bandidos se viraram depressa e foram de novo na ponta dos pés até a porta. Dessa vez, o líder não mandou os homens abrirem, mas fez sinal para dois se aproximarem da porta de madeira e espiarem pela fresta. Os dois ficaram um tempão olhando pela porta e, no fim, balançaram a cabeça. O líder franziu a testa e fez sinal para todos ficarem parados atrás da porta. Vendo isso, Liu Tiezhu fez um sinal para Er Gouzi não sair. Por um tempo, os dois lados ficaram nesse impasse. Meia hora depois, os bandidos, que não aguentavam mais o frio, voltaram. Liu Tiezhu, no muro, fez logo um sinal de bater na porta para Er Gouzi. Er Gouzi se aproximou de fininho e bateu na porta de madeira de novo. Os bandidos lá dentro não aguentaram e gritaram: — Porra, que filho da puta tá sem o que fazer? — Bate, bate, bate, bate na porra da sua mãe, é? Mas a resposta foi outra batida. Os quatro bandidos não aguentaram, pegaram os fuzis e correram pra porta. Quando iam abrir, Er Gouzi já tinha vazado. — Vai se foder, se eu pegar você, seu desgraçado, vou arrancar sua pele. Os quatro não foram atrás, ficaram na porta xingando. Depois de um monte de xingamentos, o líder mandou dois homens ficarem de guarda atrás da porta. Ele foi com o outro bandido pra dentro, fazendo barulho de propósito pra parecer que tinham entrado, tentando atrair quem batia na porta. Mas ele não sabia que Liu Tiezhu via tudo claramente. Liu Tiezhu desceu do muro de fininho e entrou na viela escura. — Irmão Zhu, e aí, já viu quantos tem lá dentro? — perguntou Er Gouzi, se aproximando. — Só quatro, dois estão de guarda atrás da porta, os outros dois dentro da casa. — A gente sobe no muro, um de cada lado, cada um pega um. Cuidado pra não serem vistos. — disse Liu Tiezhu. — Sem problema. — Er Gouzi assentiu, se abaixou e foi de fininho pela parte de trás da casa até o lado direito. A seis metros dos dois guardas, Er Gouzi colocou as mãos na parede e subiu de mansinho. Os dois bandidos atrás da porta não sabiam que já eram presas. Ficavam colados na porta de madeira, espiando pela fresta. Liu Tiezhu, no muro, fez um sinal para Er Gouzi, moveu devagar a besta composta, mirou no alvo e levantou uma mão. Er Gouzi também se preparou, de olho na mão de Liu Tiezhu, esperando ela cair. Liu Tiezhu baixou a mão, e os dois apertaram o gatilho ao mesmo tempo. Com um som surdo, os dois bandidos, sem entender nada, amoleceram e caíram no chão. Os dois estavam de casaco grosso, o barulho da queda foi pequeno e não chamou a atenção dos outros dois. Depois de liquidar os dois bandidos, Liu Tiezhu e Er Gouzi deslizaram devagar pelo muro. Liu Tiezhu apontou pra porta da casa e fez um sinal para Er Gouzi. Er Gouzi assentiu, se abaixou rápido e, colado na parede da casa, foi de fininho até o lado direito da porta. Liu Tiezhu, colado na parede, foi até o lado esquerdo da porta. Quando chegaram nos lugares certos, Liu Tiezhu pegou um pedaço de telha no chão e jogou no meio do pátio. O barulho fez alguém gritar lá de dentro. — Porra, não tem fim, é? — Seu filho da puta, é melhor não cair na minha mão. — Senão, vou arrancar sua pele. Os xingamentos saíram de dentro, e a porta se abriu, com dois bandidos saindo. Fiu, fiu... Dois sons cortantes, e as flechas de bambu acertaram bem na testa dos dois bandidos, espirrando sangue vermelho na parede. Depois de matar os dois, eles não relaxaram a guarda e continuaram procurando com as bestas. Deram uma volta na casa, mas não acharam Yang Haitian. Liu Tiezhu não parou, foi até o porão do lado direito da casa. Er Gouzi viu e foi atrás. Os dois levantaram a tábua do porão, entraram e viram uma cena de dar medo. Yang Haitian estava amarrado num pilar de madeira no porão. O casaco dele tinha sido arrancado, ele estava todo ensanguentado, o rosto torto, parado, sem saber se tava vivo ou morto. — Irmão Tian. Liu Tiezhu gritou, foi rápido desamarrar a corda de Yang Haitian e tirou o próprio casaco pra enrolar nele. Mas assim que a corda saiu, Yang Haitian gritou de dor. Ele tinha umas cinquenta marcas de chicote no corpo, parecia horrível. Mas o que doía mais não eram as marcas, e sim os ferimentos nas mãos. — Mão, minha mão... Liu Tiezhu olhou pra baixo e quase engasgou. Os ossos de dois dedos da mão direita de Yang Haitian estavam estourados, saindo da carne, ainda sangrando. Na outra mão, as unhas de três dedos tinham sido arrancadas, mostrando a carne. Liu Tiezhu pegou o remédio na hora, derramou e apertou com um pano. — Irmão Tian, como os bandidos te acharam? — perguntou Er Gouzi. — Foi... foi o chefe da vila, Ma Jingming... — disse Yang Haitian. Liu Tiezhu ficou furioso. — Irmão Tian, você guia, vou te levar pra matar.