Ning Nan só ficou sabendo que Xu Su também estava hospedado no mesmo hotel quando voltou para o quarto depois de filmar. Para azar dele, Xu Su ficava exatamente no quarto ao lado. Vendo que Xu Su ia entrar sem nem olhar para trás, ele rapidamente examinou os arredores, não encontrou ninguém suspeito e, com um movimento ágil, esticou o braço e apoiou a mão na parede.
Xu Su tinha quase a mesma altura que ele. Virou-se distraidamente, ficando cara a cara com Ning Nan, que o prendeu entre o braço e a parede. Esse "encosto na parede" foi de alto nível. A distância entre os dois era perfeita, como se qualquer movimento a mais fosse quebrar a atmosfera ambígua.
Ning Nan piscou os olhos, baixou a cabeça e tossiu baixinho, depois abaixou a mão fingindo que nada tinha acontecido, fitando os olhos de Xu Su, pensando: será que ele vai achar que tenho outras intenções?
No entanto, enquanto ele se perdia nesses pensamentos, Xu Su quebrou o silêncio e perguntou, com voz fria: "Algum problema?"
Ao ouvir isso, Ning Nan ficou atordoado. Olhou para Xu Su com um ar bobo, mexendo os lábios. A expressão fria de Xu Su ao se virar para ele ficou gravada em sua mente. Ele piscou, endireitou-se rapidamente e disse, um pouco sem jeito: "Ah, só achei coincidência, não esperava que você também estivesse aqui, e ainda no quarto ao lado."
Xu Su assentiu. "Mais alguma coisa?" O tom era tão frio que Ning Nan percebeu que ele parecia um pouco irritado. Começou a suspeitar: será que foi o gesto dele que deixou Xu Su confuso? Ou será que Xu Su realmente não gosta que as pessoas fiquem tão perto?
Ning Nan balançou a cabeça rapidamente, indicando que não. Então, ficou parado na porta, olhando bestamente para Xu Su entrar no quarto e fechar a porta. Quase bateu o nariz na porta!
Ele voltou para o quarto, pegou o iPad para assistir a um filme em que atuou e deixou o ocorrido de lado. Já Xu Su, no quarto ao lado, não estava tão tranquilo. Ficou perto da janela, com expressão impassível, organizando o trabalho que o trouxera à Itália.
A secretária, com cuidado, lançava olhares furtivos para o chefe, que nunca deixava transparecer suas emoções. Os negócios na Itália sempre foram responsabilidade do Gerente Park, e não havia nada tão urgente que exigisse a presença do presidente. Mesmo assim, ele veio.
O motivo? Inspeção. O telefone dela quase explodiu de tantas ligações hoje.
Xu Su se virou de repente, viu a secretária distraída e franziu a testa, irritado. "Ainda está aí parada?"
"Presidente Xu, sobre o boato envolvendo o porta-voz da empresa, o Diretor Xiao perguntou se precisamos trocar de pessoa."
Nesse momento, o boato envolvendo Ning Nan e Qiao Yan era realmente problemático. Mas Ning Nan quase sempre era alvo de boatos falsos a cada seis meses, então ele nem ligava. Xu Su, porém, pensava diferente.
"Não precisa trocar." A decisão firme de Xu Su de manter Ning Nan como porta-voz fez a secretária ter ainda mais certeza de que os dois tinham uma relação próxima.
Depois que a secretária saiu, Xu Su sentou-se no sofá, pensou um pouco e, em silêncio, pegou o celular para enviar uma mensagem. Pouco depois, trocou de roupa para algo mais casual, pegou as chaves do carro, saiu e foi bater na porta ao lado.
Ning Nan estava deitado no sofá, dormindo tranquilamente, quando foi acordado pelas batidas insistentes na porta. Passou a mão no cabelo bagunçado, semicerrou os olhos e foi, tateando no escuro, abrir a porta.
"Quem é?"
Ninguém respondeu? Ning Nan esfregou os olhos, abriu a porta devagar e, de repente, deu de cara com os olhos profundos de Xu Su. Piscou, incrédulo, esfregou os olhos de novo e disse, com voz rouca: "Você... o que quer comigo?"
"O que você fez depois que voltou?"
Ning Nan não percebeu nada de estranho e, com seriedade, pensou no que tinha feito desde que voltou: "Tomei banho, deitei na cama para ver um filme e, sem perceber, acabei dormindo." Fez uma pausa e continuou: "Aconteceu alguma coisa enquanto eu dormia?"
"Não", respondeu Xu Su, com frieza. "Arruma-se rapidinho, vamos sair para jantar."
"Não vou!" Ning Nan se jogou no sofá, viu que Xu Su ocupava a maior parte e, sem cerimônia, empurrou-o, fazendo biquinho. "Anda pra lá."
Xu Su se moveu um pouco para o lado e perguntou: "Por que não?"
"Sem fome."
"Mesmo sem fome, tem que comer." Xu Su, acostumado a dar ordens no trabalho, não gostou da resistência de Ning Nan e falou num tom autoritário.
Ning Nan deu uma olhada de lado, fingindo não ouvir. "Não vou!"
"Dou dez minutos para você se arrumar. Se não fizer, não me importo de te levar para sair do jeito que está." O tom sério de Xu Su fez Ning Nan hesitar por um momento, sem reagir. Parecia que Xu Su não estava brincando, mas sim dando um aviso real.
Ning Nan franziu a testa, insatisfeito. "Se quer alguém para jantar, é só puxar qualquer um na rua, cheio de gente bonita. Por que logo eu, um homem?" Mesmo assim, levantou-se devagar e foi para o quarto, obedientemente trocando de roupa.
Exatamente dez minutos depois, Xu Su bateu na porta do quarto. Ning Nan abriu com cara feia, vestindo um conjunto branco casual. De repente, parou na porta, coçou o queixo e olhou para as roupas dos dois, sentindo que algo estava estranho.
Xu Su, sem pensar, puxou-o e disse, friamente: "Vamos."
"Para, para, deixa eu trocar de roupa." Ning Nan finalmente percebeu o que estava errado. Xu Su estava de preto, ele de branco; juntos, pareciam um yin-yang ou dois porquinhos, e, de qualquer forma, ele achava que tinha um ar de casal.
Ning Nan se sentiu desconfortável, mas não teve escolha. Xu Su não lhe deu chance de trocar, puxou-o com força, arrastou-o pelo elevador e para fora do hotel.
Xu Su o empurrou para dentro do carro e entrou rapidamente. Ning Nan, pelo retrovisor, viu o hotel sumindo aos poucos e soltou um suspiro sem motivo. Apoiou a cabeça na mão, inclinou-se e, desanimado, olhou para Xu Su, que dirigia concentrado, e perguntou, sem entusiasmo: "Onde você vai me levar?"
"Você vai saber quando chegar."
Para ser sincero, Ning Nan não estava animado. Só queria dormir; comer já não era importante. Mas não tinha jeito, diante de Xu Su, ele parecia não ter escolha.
Afinal, Xu Su era do tipo que não volta atrás. Quando decidia algo, na maioria das vezes, Ning Nan não tinha como recusar. E ainda cortava todas as saídas, deixando-o sem opção.
O lugar para onde Xu Su o levou era uma vinícola. Assim que o carro entrou pelo portão, Ning Nan abaixou o vidro instintivamente. O ar estava cheio do perfume das flores. Ele respirou fundo, virou-se para Xu Su e disse: "Nunca imaginei que você me traria aqui."
Esta era uma vinícola famosa na Itália. Não só por ser uma vinícola, mas principalmente porque o dono era muito misterioso, ninguém sabia sua identidade, nem se era homem ou mulher. Ning Nan sempre quis visitá-la, mas a vinícola nunca aceitava visitantes de fora.
Ele já tinha tentado uma vez, foi barrado e nunca mais voltou.
"Nunca pensei que o dono deixaria você entrar. Que tratamento diferenciado." Ning Nan contou a história da sua tentativa frustrada para Xu Su, como se fosse uma piada.
"Se quiser vir de novo, pode me procurar."
"Sério?" Ning Nan perguntou, surpreso. "Você é muito próximo do dono?"
Xu Su não confirmou, mas também não negou. Reduziu a velocidade devagar, parou o carro, e viram um homem de meia-idade de terno, seguido por um grupo de empregados uniformizados, esperando do lado de fora.
Ning Nan desceu do carro rindo e disse: "Que recepção! Parece que você é o dono da vinícola."
Ao ouvir isso, Xu Su respondeu calmamente: "Como você sabe que não sou?"
Assim que ele falou, Ning Nan ficou paralisado, como um pato bobo, ouvindo todos gritarem em uníssono: "Senhor!"
Senhor! Ele era mesmo o dono da vinícola! Ning Nan sentiu que precisava organizar os pensamentos. Não entendia por que Xu Su o trouxera ali. Se ele tinha uma vinícola na Itália, por que ficar num hotel, e ainda no quarto ao lado?
Com essas dúvidas, Ning Nan seguiu Xu Su. Queria falar muitas coisas, mas parecia que não teria chance. Desde que entraram na vinícola, Xu Su foi cercado por um grupo de pessoas. Ning Nan, observando a calma de Xu Su no meio da multidão, sentiu um sorriso brotar nos lábios.
De repente, percebeu que Xu Su tinha uma aura especial, algo que ele não sabia descrever, mas que atraía seu olhar.
Xu Su não visitava a vinícola há dois meses. Alguém cuidava dela, mas, como ele estava ali, precisava resolver algumas coisas pessoalmente. De vez em quando, olhava para Ning Nan, espalhado no sofá, e sentia uma vontade de rir. Rapidamente, passou as instruções ao mordomo e foi até ele, chutando levemente a ponta do sofá.
"Levanta."
Ning Nan ergueu a cabeça e perguntou, sorrindo: "Já terminou?"
"Sim, vou te levar para jantar."
"Errado, não é me levar para jantar, é eu te acompanhar." No final, Ning Nan comeu o dobro de Xu Su. Durante a refeição, lembrou-se das palavras do empresário e, curioso, perguntou a Xu Su: "Ouvi dizer que o pai do Lü Zhi foi preso."
Xu Su, sem mudar a expressão, ergueu os olhos e piscou de forma significativa. Ning Nan continuou: "Foi você?"
Xu Su não confirmou nem negou. Depois de um tempo, Ning Nan disse: "E a do diretor? Também foi você?" Ele já conhecia o estilo de Xu Su: não importava o que perguntasse, ele só ficava em silêncio. Se quisesse a resposta, teria que descobrir sozinho.
Ning Nan balançou o cabelo com um gesto despreocupado e riu: "Tudo bem, mesmo que não admita, eu sei."