Ke Yaru vestia um vestido de mangas compridas em preto e branco. Naquele momento, mantinha uma postura elegante, transmitindo uma sensação de superioridade. Um sorriso parecia brotar em seu rosto, mas na verdade era desdém. O escritório estava silencioso. Ela soltou o mouse e, só então, examinou formalmente Coco, que já havia sido ignorada por um bom tempo.
— Do boato, quanto você sabe?
Ao ouvir isso, Coco percebeu que Ke Yaru estava mirando em Xia Yan e suspirou aliviada. Sem esconder nada, contou não só sobre a visita de Xiao Han, mas também sobre quando Xia Siyue a procurou da última vez.
— Xia Siyue? — Ke Yaru franziu a testa, perguntando de volta.
— Na época, ouvi Xia Yan chamar aquela mulher de Xia Siyue.
Ke Yaru já havia mandado investigar o histórico de Xia Yan e sabia que ela tinha uma irmã sem laços de sangue, Xia Siyue. Naquela época, Xia Yan não representava ameaça, mas agora era diferente. Então, depois de dispensar Coco do escritório, mandou investigar a relação entre Xia Siyue e Xia Yan.
Os boatos sobre Xia Yan na empresa se espalhavam cada vez mais reais, como se todos tivessem visto com os próprios olhos. Ye Yunchen estava ocupado com o projeto e, embora ouvisse os rumores, apenas os escutava sem levar a sério. Sobre a viagem de negócios temporária de Xia Yan, ele só ficou sabendo depois.
Durante a ausência de Xia Yan, Lin Xujia também passou a procurá-lo com uma frequência estranha. Todos os dias, ao sair do trabalho, ele via o carro de Lin Xujia estacionado na beira da estrada em frente à empresa. Ele passou da indiferença inicial para um olhar frio, e a emoção de Lin Xujia estava quase à beira do colapso.
Hoje não foi diferente. Lin Xujia, incansável, esperava na porta da empresa no horário certo para ver Ye Yunchen sair. Todos os dias, ela enlouquecia para vê-lo, mas quando o via ignorá-la, queria enlouquecer de raiva.
Ye Yunchen passou por Lin Xujia como de costume, mas ela, sem dizer nada, agarrou seu braço e disse, irritada:
— Ye Yunchen, preciso falar com você.
— Solte.
— Xia Yan volta amanhã. Se você não vier comigo agora, vou contar tudo a ela sobre nós. — Lin Xujia olhou para Ye Yunchen com uma expressão de quem não tinha nada a perder. Não precisava apostar para ter certeza de que ele a seguiria por causa daquela frase.
Quando Ye Yunchen soltou a mão dela e entrou no carro, a raiva de Lin Xujia foi superada pela tristeza avassaladora. Ela ficou do lado de fora do carro, respirou fundo e conteve as lágrimas.
Ke Yaru, saindo da garagem, viu aquela cena. Não se sabe no que pensou, mas de repente esboçou um sorriso. O mundo está sempre cheio de coincidências, e quem assiste ao espetáculo nunca acha que é demais, como ela.
Depois de desligar o telefone, Ke Yaru foi direto para a residência Lu. Xiao Han acabara de terminar o horário de estudos de humanas. Ele viu algo na TV e se apaixonou por esgrima. Lu Zhengting sempre atendia a todos os seus pedidos, então contratou um treinador de esgrima exclusivo para ensinar Xiao Han em casa.
Ke Yaru sentou-se na residência Lu como se fosse a dona da casa, até que Xiao Han correu até ela todo suado. Só então Ke Yaru sorriu, pegou um lenço de papel para enxugar o suor na testa de Xiao Han e o puxou para um abraço, dizendo com doçura:
— Xiao Han, está cansado?
— Não estou, adoro esgrima.
— E agora, já terminou? A tia te leva para comer alguma coisa?
— Claro! Mas, tia, primeiro vou tomar banho. Suei muito, estou todo grudento, nada confortável.
— Tudo bem, então vou esperar o Xiao Han aqui.
Ao ouvir isso, Xiao Han foi pulando para o quarto. Tomar banho, ele já não precisava de ajuda.
Naquela mansão enorme, os únicos que respiravam eram os empregados. Ke Yaru sabia que Dona Chen trabalhava na casa dos Lu há décadas, então a tratava com muito mais respeito. Deixando de lado a arrogância, chamou Dona Chen e, enquanto alisava as unhas, disse com um sorriso:
— Dona Chen, parece que o Xiao Han gosta muito da Senhorita Xia?
— O pequeno senhor realmente gosta da Senhorita Xia.
— É mesmo? A Xia Yan vem sempre aqui para ficar com o Xiao Han?
Dona Chen hesitou e respondeu, com um tom um tanto evasivo:
— A Senhorita Xia não vem com frequência ver o pequeno senhor.
— É? — Ke Yaru ergueu uma sobrancelha, incrédula. Isso não batia com as informações que ela havia obtido.
— A Senhorita Xia realmente vem raramente ver o pequeno senhor.
Vendo Dona Chen tão firme, Ke Yaru não se sentiu à vontade para insistir. Não importava se Xia Yan vinha ou não com frequência ver Xiao Han, ela não deixaria que ele continuasse gostando dela.
Xiao Han desceu do andar de cima cheiroso, pegou a mão de Ke Yaru e a puxou para fora.
Ke Yaru sabia que Xiao Han adorava doces, então o levou a uma loja de sobremesas. Xiao Han olhou o cardápio e, sempre que via uma sobremesa colorida e de boa aparência, balançava a mão e mandava o garçom anotar. Se Ke Yaru não o impedisse, ele teria pedido tudo da loja.
As sobremesas chegavam uma após a outra. Xiao Han, com um olhar satisfeito, olhava para um lado e para o outro, pegava a colher e provava uma de cada, mastigando feliz. Então, empurrou a que achou melhor para Ke Yaru e disse, com voz doce:
— Tia, essa é gostosa, experimenta.
— Não precisa, tia não gosta de doces.
— Então só o Xiao Han vai comer. — Xiao Han olhou para Ke Yaru com pesar. Sempre achou que doces eram a melhor coisa do mundo, sem exceção.
Bei Cheng.
Xia Yan terminou o banho e ficou parada na frente do espelho do banheiro, sem querer sair. Lu Zhengting estava ficando impaciente e não se conteve:
— Ainda não vai sair?
— Ainda não terminei.
— Está lavando a seco?
De início, Xia Yan não entendeu o que Lu Zhengting queria dizer. Levou um segundo para processar e sentiu um frio na testa. Lavar a seco? Só ele para dizer uma coisa dessas.
Xia Yan estava enrolada na toalha. Não sabia como, mas parecia que tinha deixado a calcinha do lado de fora. Se saísse agora, estaria praticamente nua? Seu coração já estava um nó de confusão. A voz de Lu Zhengting não parava de ecoar, e para ela, naquele momento, não era um som agradável, mas sim uma sentença de morte.
— Xia Yan?
A voz parecia estar bem perto. Xia Yan deu um sobressalto, recuou instintivamente, apertando a toalha no peito com uma mão e apoiando a outra na parede. As costas coladas na parede fria, ela viu a silhueta projetada na porta do banheiro e disse, com a voz trêmula:
— Lu Zhengting, o que você está fazendo aí na porta?
Ao ouvir isso, Lu Zhengting pareceu inclinar a cabeça, virou-se de costas para a porta do banheiro e ficou em silêncio. Quando Xia Yan pensou que ele fosse embora, de repente ele levantou uma mão. Os dedos longos projetavam sombras sob a luz forte, e o que chamava a atenção era o que estava pendurado neles.
Parecia algo triangular...
E mais, aquilo balançava no ar...
Lu Zhengting então disse, com um tom calmo:
— Não quer mais?
Assim que ele falou, o rosto de Xia Yan ficou vermelho como o de um macaco. Ela ficou pasma, olhando para a sombra balançando na porta, mexendo os lábios sem conseguir dizer nada. Cada vez que desviava o olhar, via a própria calcinha balançando. Que vergonha...
Não houve movimento dentro do banheiro. Lu Zhengting perdeu a paciência e, com a mão, girou a maçaneta algumas vezes. Vendo isso, Xia Yan ficou tão nervosa que sentiu a respiração acelerar. As costas descobertas coladas na parede fria, entre o calor e o frio, sua mente ficou em branco.
Por sorte, ela tinha trancado a porta.
Mas trancar a porta não significava que Lu Zhengting não pudesse entrar. O rosto de Xia Yan já estava coberto de gotículas finas. Ela não sabia se era suor ou vapor do banheiro, porque cinco minutos depois, a porta do banheiro foi aberta.
Lu Zhengting a encarava descaradamente, com um meio sorriso que a deixava arrepiada. Ela viu a própria calcinha de renda ainda pendurada nos dedos dele e fez uma careta, gaguejando:
— Lu, Lu Zhengting, você, sai primeiro!
Ao ouvir isso, Lu Zhengting pensou por alguns segundos, guardou a calcinha de repente e foi andando em direção a Xia Yan. Os lábios que ela achava sensuais agora não pareciam mais tão atraentes. Ele ergueu o canto da boca, e seus olhos pareciam cheios de um charme maligno...
— ...Não chega perto. — Xia Yan ergueu a mão de repente para se proteger. Vendo Lu Zhengting cada vez mais perto, seu coração foi subindo até a garganta.
Quanto mais Xia Yan resistia, mais fundo ficava o sorriso de Lu Zhengting. E ela achava que ele estava sendo terrivelmente malvado. Sua mão já estava apoiada no peito dele, mas não adiantava nada. Seus olhos, cheios de névoa, brilhavam como água enquanto o encarava, tremendo de nervosismo, sem ousar se mexer.
Lu Zhengting de repente ergueu o braço, prendendo-a entre a parede e seu abraço. Sua altura sempre foi uma vantagem. Se a distância entre eles fosse maior, Xia Yan não precisaria levantar a cabeça. Mas agora era diferente; ela tinha que erguer o rosto para ver a expressão dele.
— Você, pode não ficar tão perto? Estou com o coração acelerado...
— Então você gosta disso, hein? — Lu Zhengting balançou novamente a sexy calcinha preta de renda de Xia Yan na frente dela, com a voz grave e magnética sussurrando em seu ouvido. Não se sabia se era de propósito ou sem querer, mas sua respiração roçava levemente a orelha de Xia Yan, fazendo-a tremer toda.
Cada movimento de Lu Zhengting parecia um afrodisíaco. Xia Yan, com os olhos baixos, sem querer viu o pomo de Adão dele se mover e engoliu em seco instintivamente. Ao ouvir a risada baixa vindo de cima, sentiu que não tinha mais cara para aparecer.
Como ela podia se deixar seduzir pela beleza!?
O que Lu Zhengting tinha dito mesmo? Que ela gostava daquilo? Ela entendeu na hora o que ele queria dizer. O rosto escureceu, entre raiva, vergonha e irritação:
— O que eu gosto tem alguma coisa a ver com você? Me dá isso!
— Por que eu daria?
— Sem-vergonha! Se não vai me dar, vai guardar para você usar? — Xia Yan soltou sem pensar. Quando viu a expressão de Lu Zhengting mudar, percebeu o quanto tinha dito algo ridículo. Imaginou ele usando a calcinha preta de renda e não conseguiu segurar o riso, soltando uma gargalhada.