—O que você vai fazer comigo? Não vou com você, é melhor me soltar agora, senão nunca vou te perdoar. Feng Yuan estava com a mão firmemente segurada por Ning Bei, e quanto mais ela se debatia, mais força ele fazia, como se quisesse sufocá-la ali mesmo.
Ela não conseguia fazer força e só pôde seguir Ning Bei até o carro. Sentou-se no banco do carona e, assim que se viu livre, começou a bater no vidro com força. Ning Bei, com expressão impassível no banco do motorista, travou as janelas. Os dois ficaram ali, em situações tão opostas, num clima que causava medo.
— Afinal, para onde você vai me levar? É melhor me deixar sair do carro. — Não vou! — Ning Bei, você vai ficar me enchendo o saco? Isso não é seu estilo. Você não se orgulha de ser direto e objetivo? Por que está insistindo tanto agora? Ou é por causa do que aconteceu ontem à noite? Você quer assumir a responsabilidade?
Antes que Ning Bei respondesse, Feng Yuan deu uma risada fria e disse: — Mesmo que você queira assumir, eu não quero!
Essa frase fez Ning Bei engolir o que ia dizer. Naquele instante, o pensamento que passou pela cabeça dele foi casar com Feng Yuan.
Mas as palavras de Feng Yuan eram realmente muito dolorosas. Ning Bei não conseguiu mais dizer aquela frase sobre casamento. Ele ficou sentado, com o rosto pálido, sem dirigir, parado na beira da estrada. Feng Yuan, depois de se agitar um pouco, também se acalmou e ficou olhando para fora, bufando de raiva.
Foi nesse momento que alguém bateu no vidro do carro. Feng Yuan virou a cabeça rapidamente e fez sinal para Ning Bei abrir a janela, mas ele permaneceu imóvel, mantendo a mesma postura. O som de "toc, toc, toc" não parava, acompanhado de vozes. Irritado, Ning Bei abriu a janela sem nem olhar e gritou: — Sai fora.
Feng Yuan ficou paralisada. Talvez o barulho lá fora estivesse atrapalhando seriamente os pensamentos de Ning Bei, pois, antes que ela pudesse reagir, ele arrancou de repente, disparando na maior velocidade, deixando uma nuvem de fumaça para trás.
Feng Yuan perdeu o controle do corpo, foi jogada contra o encosto do banco e segurou o cinto de segurança com força. Arregalou os olhos, incrédula, encarando Ning Bei e gritou: — Você enlouqueceu? Não avisa antes de dirigir? Se você não quer viver, eu quero viver mais alguns anos! — Cala a boca! — Ning Bei rugiu de raiva para Feng Yuan e, instintivamente, acelerou ainda mais. O carro da polícia que vinha atrás também ficou para trás, a uma boa distância. Feng Yuan não ousava mais brincar com Ning Bei; só podia conter a raiva, esperando que ele se acalmasse.
Depois de se livrar daqueles chatos, Ning Bei reduziu a velocidade lentamente e começou a dirigir devagar. Feng Yuan, que sentia o coração na garganta, finalmente pôde colocá-lo de volta no lugar. Com o coração ainda acelerado, o rosto pálido e o cabelo bagunçado, ela olhou para Ning Bei e perguntou, tremendo: — O que você ainda vai fazer comigo?
— ... — Ning Bei virou-se de repente e olhou para Feng Yuan ao lado. Ao vê-la naquele estado, levou um susto e perguntou, surpreso: — Você... como ficou assim? — Ainda pergunta! Isso é obra sua! — Feng Yuan, furiosa, arrumou o cabelo e a roupa, com os olhos em chamas de raiva ao encarar Ning Bei. Era a primeira vez que via um lado tão louco dele; nem mesmo quando ela terminou o relacionamento, seis meses atrás, ele tinha sido tão descontrolado.
Ning Bei franziu a testa e perguntou, preocupado: — Você está bem? — Você acha que eu pareço alguém que está bem? — Feng Yuan estava muito assustada. Quando Ning Bei acelerava, vários carros passaram raspando, tão perto que parecia que iam colidir. E as curvas fechadas a faziam perder o equilíbrio, uma sensação horrível de não ter controle sobre o próprio corpo.
Mesmo assim, no rosto de Ning Bei não se via nenhum vestígio de culpa; pelo contrário, ainda estava cheio de raiva. Feng Yuan ficou em silêncio. Depois da experiência anterior, não tinha ânimo nem coragem para desafiar a loucura de Ning Bei novamente.
O carro parou.
Com um estalo, Feng Yuan reagiu imediatamente, segurou a maçaneta e abriu a porta rapidamente. Lá fora, olhou para Ning Bei, que ainda estava sentado no carro, imóvel. Ficou confusa e examinou o ambiente ao redor. Era um condomínio de vilas de alto padrão. O que ele queria trazendo-a ali?
Ning Bei desceu devagar, foi até Feng Yuan, pegou sua mão naturalmente e a puxou para dentro. Andaram por mais de dez minutos até que uma casa branca apareceu diante deles. Feng Yuan, cada vez mais confusa, parou na entrada, sem dar um passo, e encarou Ning Bei, perguntando: — O que você quer fazer aqui? — Você vai saber quando entrar. — Ning Bei, você não vai me prender aqui, vai? — Feng Yuan se recusava terminantemente a dar mais um passo, como se o que ela imaginava fosse exatamente o que Ning Bei estava tramando. Depois da corrida de carro de hoje, Feng Yuan percebeu que seu conhecimento sobre Ning Bei era, na maioria das vezes, apenas superficial.
Ao ouvir as palavras de Feng Yuan, o canto da boca de Ning Bei se contraiu: — Eu não sou um psicopata. Por que eu te prenderia aqui? — Porque você tem medo de eu fugir. Além disso, quem sabe se você é um psicopata? Do jeito que você estava há pouco, parecia bem louco. Será que está longe de ser um? — Já que você sabe que não vou deixar você se afastar de mim facilmente, fique quieta aqui. Assim, não vou te prender, nem vou me tornar o psicopata que você imagina. — Ning Bei pegou a mão dela e andou mais alguns passos. — Ning Bei, isso não é prisão? Então o que é? Estou avisando: se você realmente fizer isso, nunca vai conseguir meu perdão. — Feng Yuan fez ameaças, mas não adiantou.
Porque Ning Bei achou que ela estava falando demais. Então, virou-se e a carregou nos ombros para dentro. Era muito mais fácil do que puxá-la pela mão. Cada vez que ela chutava as pernas, ele batia com força na bunda dela. Depois de algumas trocas assim, Feng Yuan, com o rosto vermelho de vergonha e raiva, acabou se rendendo de má vontade.
Ela nunca tinha estado naquela casa, mas a disposição dos cômodos lhe parecia familiar, embora não conseguisse lembrar onde tinha visto.
— Você já pode me soltar, Ning Bei! — Feng Yuan rosnou entre dentes para ele. A barriga dela doía com o ombro dele, e com a cabeça para baixo, parecia que todo o sangue estava fluindo ao contrário, e o cérebro prestes a explodir. — Yuan Yuan, comporte-se, pare de fazer drama. — Quem está fazendo drama? Sempre fui séria. Você é que acha que estou fazendo drama. — Feng Yuan bateu nas costas de Ning Bei, furiosa. Não importava o que dissesse, ele se recusava a soltá-la. Ele a carregou escada acima.
No andar de cima, todos os quartos estavam vazios, e não havia ninguém ali. Se Ning Bei fizesse alguma coisa com ela, ninguém saberia. Por qualquer ângulo que se olhasse, ela sairia perdendo. Pensando nisso, Feng Yuan se debateu ainda mais, mesmo que ele batesse na bunda dela, não cederia.
Só que não esperava que a situação mudasse tão rápido.
Ao chegar ao quarto, Ning Bei a jogou suavemente na cama. O lençol tinha um cheiro estranho, como se tivesse sido trocado há pouco. Feng Yuan rapidamente se sentou, ergueu a cabeça e encarou Ning Bei, alerta: — Não faça nada. — Fique tranquila. Sei que seu corpo ainda não se recuperou. Não vou fazer nada. — A expressão sugestiva de Ning Bei fez Feng Yuan corar involuntariamente. Vendo algo ao lado, pegou e jogou nele.
Ning Bei pegou tudo com precisão, colocou num canto vazio e, como se nada tivesse acontecido, virou-se e foi até o armário. Feng Yuan, ao ver o que havia lá dentro, ficou paralisada. Estava cheio de roupas femininas. Antes que pudesse reagir, Ning Bei abriu uma gaveta, pegou um kit de primeiros socorros e voltou para a cama.
Segurou o tornozelo de Feng Yuan com uma mão e colocou a outra na cintura dela. Antes que pudesse tirar a calça dela, Feng Yuan deu um chute de volta, que por pouco não acertou o rosto bonito dele. — O que você está fazendo? — Essa pergunta sou eu quem deveria fazer. Ning Bei, eu disse para não fazer nada! Por que você estava tirando minha calça? — Feng Yuan, fica quieta, porra. — No momento em que Feng Yuan se distraiu, Ning Bei segurou o tornozelo dela novamente. Dessa vez, foi rápido. Ao puxar a calça, viu um par de pernas brancas, longas e retas. A mente dele lembrou-se involuntariamente da noite anterior, quando aquelas pernas estavam enroladas nele...
A cor da íris de Ning Bei escureceu. Feng Yuan percebeu e o alarme disparou. Rapidamente puxou o cobertor para cobrir as pernas e gritou, furiosa: — Seu canalha! Se fizer alguma coisa comigo, nunca mais vai me ver. Ning Bei respirou fundo, uma corrente elétrica percorrendo seu corpo. Desviou o olhar e disse, frio: — Você acha que isso é possível? — O poder da sua família Ning é grande. O da minha família Feng é fraco? Ao ouvir isso, Ning Bei franziu os olhos, achando as palavras de Feng Yuan ridículas. Não conseguiu evitar e riu, com a voz rouca: — Fique tranquila. Não vou fazer nada. Só quero ver onde você se machucou.
Na noite anterior, ele estava bêbado. Mesmo que tivesse apagado, não esquecia a sensação. Lembrava vagamente que a mulher debaixo dele estava sofrendo, e ele parecia não ter se importado, continuando a exigir dela. Desde que a viu, notou que ela andava de um jeito estranho.
Tinha certeza de que foi por causa da noite passada, que ele foi descuidado e a machucou. Por isso, precisava examiná-la agora.
— Pervertido! — Pode confiar em mim. Só vou verificar o ferimento. — Cai fora! — Yuan Yuan, não brigue. Pelo seu jeito de andar, eu sei... Feng Yuan deu algumas risadas frias: — Na cama, um cavalheiro; na cama, um animal de terno. Ning Bei agiu como se não ligasse, determinado a examinar o corpo dela. Assim, entre empurrões e a raiva de Feng Yuan, ele conseguiu tirar o cobertor e examinar o ferimento com cuidado. Realmente, ele tinha sido muito bruto na noite anterior. Ao passar o remédio, não teve cuidado, e Feng Yuan, furiosa, queria se enterrar no cobertor!