Capítulo 771: Capítulo 771: Insuportável

A notícia de que Ningnan foi capturado por Cheng Yu como refém chegou ao país. Ningbei não ousou contar ao avô, e Ningdong estava em uma missão, impossibilitado de ser avisado. Só restou a Ningbei consultar Ningxi. O objetivo de Cheng Yu era apenas o colar; eles não podiam, por causa do colar ou do tesouro, abandonar Ningnan à própria sorte.

"Cheng Yu já tem dois colares em mãos. Se conseguir o nosso, significa que ele só precisa do colar da família Fei para completar as quatro chaves." Ningbei, com o rosto sério, olhou para Ningxi. Ambos conheciam e entendiam os prós e contras, mas não conseguiam tomar uma decisão satisfatória.

"Xu Su chegará em três horas. Este colar..." Ningxi ergueu o pulso para ver as horas, enquanto o colar que ele guardava estava bem diante dele. Ele o ergueu, examinando-o atentamente por alguns instantes, e não pôde deixar de dizer: "Um colar tão comum assim está ligado a um tesouro? Quem diria?"

"Irmão Três, não é hora para reflexões. Mesmo que Cheng Yu consiga este colar, se nunca pegar o da família Fei, jamais abrirá o tesouro."

"Dito isso, mas... deixa pra lá. Apoio sua decisão. A vida do Segundo Irmão é mais importante." Por mais que Ningxi vivesse discutindo e brigando com Ningnan, na hora do aperto, ele era confiável. Não havia jeito, afinal, ele tinha um segundo irmão que não se dava ao respeito.

Como Ningnan caiu nas mãos de Cheng Yu? Xu Su resumiu brevemente. Embora tenha minimizado os fatos, Ningxi percebeu agudamente algo estranho.

Três horas passaram rápido. Ningxi e Ningbei esperavam Xu Su no escritório. Quando viram Xu Su voltar exausto, sem tempo para descansar e já de partida para a França num avião, ambos estenderam a mão ao mesmo tempo, segurando-o, e perguntaram em uníssono: "Como está a situação na França agora?"

Ao ouvir isso, Xu Su olhou para as duas mãos que o seguravam. De repente, Ningxi e Ningbei trocaram olhares, soltaram-no rapidamente e deram risadinhas sem graça: "É que estamos preocupados com o Ningnan."

Naquela emergência, era compreensível.

Mas, naquele momento, quem mais estava aflito era Xu Su. Sua paciência só existia com Ningnan; portanto, conseguir explicar as coisas calmamente já era uma honra.

Normalmente, só Ningnan experimentava isso.

Xu Su já pensara em outras formas de trocar Ningnan, mas todas exigiam tempo e esforço mental. Ele não podia aceitar nem um segundo a mais de Ningnan como refém ao lado de outro. Preocupava-se com sua segurança, com seu bem-estar, com tantas coisas... Temia que Ningnan sofresse injustiças ou até tratamento desumano de Cheng Yu.

Ningxi sabia que Xu Su estava desesperado, então não ousou detê-lo. Quando Xu Su saiu apressado, os dois se entreolharam e balançaram a cabeça, resignados. Um amor que desafiava as convenções era realmente de se invejar.

Ao mesmo tempo, Ningbei e Ningxi perceberam o que estavam pensando e desviaram o olhar bruscamente, começando a vomitar. Já não estavam acostumados ao amor de Xu Su por Ningnan?

Ningxi, sem mais o colar, sentiu-se leve e livre. Já Ningbei estava com o rosto carregado de preocupação. Sua testa franzida denunciava ansiedade: o exterior era tenso, mas o interior estava calmo demais, talvez a calmaria antes da tempestade.

"Não pense tanto. Se Li Xiumin ainda não se mexeu, é porque You Ran desmaiou de repente. Ele não tem cabeça para nós agora", disse Ningxi calmamente. Não havia como negar: aqueles dias eram os mais tranquilos que ele já tivera.

Ningbei não estava tão relaxado. Ele precisava se preparar para a tempestade e, além disso, tentava adivinhar o que Li Xiumin faria de surpreendente após tanto silêncio.

Para Ningxi, suas preocupações eram inúteis. Depois de um tempo no escritório, entediado, ele deixou Ningbei para trás e saiu da empresa animado. Se não se enganava, Mengmeng saía do trabalho às três hoje e, por volta das quatro, ia buscar o filho na escola.

Então ainda era cedo. Ele podia buscar Mengmeng no trabalho e depois irem juntos buscar o filho. Pensar nisso era maravilhoso.

Ningxi dirigia pelo trânsito intenso, o coração cheio de alegria, e sem perceber chegou ao local de trabalho de Zhan Meng. Estacionou o carro na beira da estrada, do lado de fora da empresa, abaixou um pouco o vidro e esperou alguns minutos. De relance, viu os cigarros que escondera no carro da última vez. Ao vê-los, sentiu vontade de fumar.

Pegou um cigarro, colocou-o entre os dedos, mas não encontrou isqueiro em lugar nenhum. Largou o cigarro e suspirou baixinho. Era como diz o ditado: "Cigarro sem fogo, nada se realiza!" De que adiantava pegar o cigarro? Até como enfeite ocupava espaço.

Ningxi ficou quase meia hora no carro até ver Zhan Meng sair da empresa. E não só isso: ao lado dela, havia um homem que ele não conhecia. Ele ia descer para reafirmar sua posse, quando viu, sem querer, a mão do homem subir por trás e pousar no ombro de Zhan Meng.

Puxa! Até cobiçava a mulher dele! Estava pedindo para morrer!

Ningxi abriu a porta do carro furioso, mas foi mais lento. Zhan Meng já tinha dado um golpe de judô no homem, jogando-o no chão sem piedade. Então, olhando para ele de cima, com um sorriso falso, disse: "Nunca encontrei ninguém que ousasse abusar de mim! Você tem coragem, hein!"

"Zhan Meng..."

"Cala a boca! Quem te deu o direito de me chamar de Zhan Meng? Dou-te um pouco de simpatia e já pensas que podes tudo? Ousas pôr as mãos em mim? Se fosse só provocação verbal, um tapa já teria sido lição, não? Mas você não aprendeu nada, então agora aguente as consequências!"

Zhan Meng bateu as mãos, sem olhar para os curiosos ao redor. Deu um resmungo, virou-se e abriu caminho entre a multidão. Quem diria que daria de cara com Ningxi, que aparecera de repente? Ela franziu os lábios, deixou de lado a brutalidade de quem acabara de brigar, pegou a mão de Ningxi com doçura e sorriu: "Por que não me avisou que vinha?"

"Se eu avisasse, não teria visto esse espetáculo? Aquele homem estava te importunando?" Ningxi perguntou com um sorriso irônico.

Zhan Meng ia negar, mas Ningxi, com ar despreocupado, soltou a mão dela e disse, sorrindo: "Não precisa responder, já entendi." E, ao terminar a frase, virou-se de repente. A aura poderosa que emanava fez com que todos se afastassem instintivamente, abrindo caminho para ele.

Ningxi olhou de cima para o homem, que acabara de se levantar do chão e ainda recuperava o fôlego. Vendo-o confuso, Ningxi sorriu e, com a velocidade de um raio, desferiu golpes. Soco após soco, como chuva de meteoros, acertou o homem sem piedade. E, ao ouvi-lo xingar, Ningxi usou mãos e pés.

"Porra! Ousas cobiçar a minha mulher?"

"S-sua mulher?"

"Você, por acaso, não perguntou antes de cobiçar a Zhan Meng? Ela é minha esposa, Ningxi!"

"N-Ningxi..."

"Fala direito, sem gaguejar." Ningxi deu mais um soco forte na barriga do homem, mas ainda não se sentiu satisfeito. Se Zhan Meng não tivesse vindo segurá-lo, ele o teria espancado até a morte. Estava furioso.

"Chega. Ele é da família You. De qualquer forma, temos que dar uma certa consideração aos You."

Ningxi bufou: "Família You, e daí? Acham que, por estarem com Li Xiumin, podem mandar em Beicheng? Em Beicheng, não existe só a família Li." Ningxi ia deixar pra lá, mas a menção aos You reacendeu sua raiva. A vida inteira sendo oprimido por Cheng Yu, sem ter onde desabafar. Agora, um de graça aparecia. Ia desperdiçar?

"Ningxi! Você vai me pagar por isso hoje, pode ter certeza!"

"Ha, estou esperando!" Ningxi o encarou friamente e acrescentou: "Aguentou bem os golpes, surpreendente."

"Você..."

Zhan Meng pegou a mão de Ningxi e sorriu levemente: "Vamos embora. Alguém vai avisar a família You. Provavelmente não vai morrer."

Quanto a isso, Ningxi tinha limites. Não mataria ninguém.

Aquilo era só um incidente pequeno. Ningxi nem ligou. Mas nunca imaginou que aquilo se tornaria uma arma contra ele.

Dois dias depois, Ningxi recebeu uma ligação da mansão da família. Pela voz, não deu para perceber o humor do avô. Pensou que fosse por ele estar ocupado e ter esquecido de visitá-lo.

Quando chegou à mansão, antes mesmo de estacionar, viu o ajudante de ordens parado na entrada, com o rosto sério. Abriu o vidro e perguntou, brincando: "Tio Chen, o vovô mandou você me esperar aqui?"

"Terceiro Jovem Mestre, é melhor ir ver o patriarca logo."

Ningxi desceu do carro, jogou as chaves para alguém atrás e caminhou com o ajudante. Confuso, perguntou: "Você está com uma cara péssima. Aconteceu algo com o vovô?"

O ajudante hesitou um pouco e suspirou: "Terceiro Jovem Mestre, desta vez não é o patriarca que está em apuros, mas você."

Ao ouvir isso, Ningxi riu ainda mais: "Eu? Que apuros eu poderia ter?"

Andou um pouco e entrou na sala de estar. Viu o avô sentado no lugar de honra, com o rosto carregado e o olhar penetrante fixo em Ningxi. De repente, bateu com a bengala no chão com força. Ningxi levou um susto e perguntou, confuso: "Vovô, está bravo porque esqueci de vir visitá-lo?"

"Seu idiota! Acha que sou tão mesquinho? Vem logo cumprimentar seu Tio You!"

Ningxi ainda não entendia o que estava acontecendo. Seguindo a ordem do avô, viu um homem de meia-idade sentado do outro lado. Olhando sério para ele, Ningxi o cumprimentou: "Tio You."

You Zhihong encarou Ningxi com raiva e bufou: "Acho que não mereço ser chamado de tio pelo Terceiro Jovem Mestre Ning!"

Que clima pesado! Ningxi franziu a testa, sem entender.

Mas logo You Zhihong continuou: "O Terceiro Jovem Mestre Ning tem um gênio e tanto! Matou meu sobrinho a pancadas em plena rua!"