Capítulo 763: Capítulo 763: Comprar Doce para Você

O olhar de Felle, com sua expressão de idiotice, era quase fofo. Ele olhou para Fiennes sem saber o que fazer, pois há pouco ousara imaginar coisas sobre o jovem mestre em sua mente. O que ele jamais deveria ter feito era imaginar o jovem mestre como um homem frágil; com o porte robusto de Fiennes, era impossível que ele se tornasse uma pessoa magra e fraca.

Fiennes o encarou com severidade, e Felle, como um rato diante de um gato, apressou-se em se aproximar, pensando consigo que o jovem mestre não deveria levar a sério o que acontecera. Ele ajudou Fiennes com cuidado, apoiando-o.

Os dois estavam tão próximos que, antes de Felle ter pensamentos tolos, tudo era normal, mas agora ele estava claramente com a consciência pesada. Nem ousava olhar para Fiennes, concentrando-se apenas em ajudá-lo a subir as escadas.

Fiennes não sabia o que ele estava pensando, mas qualquer um perceberia sua distração. Infelizmente, sua dor de cabeça estava tão forte que ele não tinha disposição para se importar com as divagações de Felle. Ao voltar para o quarto, ele se deitou na cama, e o médico da família, ao receber a ligação de Felle, veio imediatamente.

Piada? O jovem mestre, que sempre fora saudável e nunca tinha problemas, estava doente. Se o velho senhor soubesse, eles todos estariam em maus lençóis.

Ele, tremendo de medo, fez um exame detalhado em Fiennes. Felizmente, era apenas um resfriado, com um pouco de febre. Bastava tomar um antitérmico e descansar bem para melhorar.

Ele suspirou aliviado, foi discretamente para o lado preparar os remédios, depois os entregou a Felle, dando instruções sérias. Vendo a expressão feia de Fiennes, ainda assim forçou-se a repetir as orientações, mas o jovem mestre fechou os olhos, indicando que não queria ouvir. Com suor frio na testa, decidiu que era melhor não irritar o patrão.

Assim, a tarefa de convencer o jovem mestre a descansar bem e não se agitar coube a Felle. Embora ele fizesse isso com frequência, quando o patrão estava de mau humor, ele ainda queria viver em paz.

— Jovem mestre, o médico disse que o senhor precisa descansar bem. Vou buscar água quente. — Felle segurava os remédios e se preparava para descer as escadas, quando Fiennes tossiu levemente e disse em tom grave: — Dê-me os remédios.

Ao ouvir isso, Felle ficou atordoado por um segundo. Em sua memória, o jovem mestre odiava tomar remédios. E agora, tão proativo? O excesso leva ao oposto; será que o jovem mestre... a febre tinha afetado o cérebro?

Felle deu passos pequenos, aproximou-se, entregou-lhe os remédios e perguntou: — Jovem mestre, o senhor quer ver?

Fiennes ignorou suas palavras, abriu a embalagem do remédio e o tomou com água gelada que estava ao lado. Vendo isso, Felle arregalou os olhos, mas já era tarde para impedir; além disso, ele não tinha coragem de contrariar o que Fiennes queria.

Após tomar o remédio, Fiennes conteve a vontade de vomitar, colocou o copo de lado com expressão impassível e olhou friamente para Felle: — Saia primeiro. Vou descansar um pouco.

Ouvindo que ele queria descansar por iniciativa própria, Felle ficou mais do que feliz, acenou com a cabeça e saiu do quarto com um sorriso no rosto. Ele pensara que teria que gastar muita conversa para convencer o jovem mestre a ficar em casa descansando, mas não esperava que fosse tão fácil.

Fiennes ficou doente, o que alarmou o médico da família e, inevitavelmente, não escaparia ao velho senhor. Como esperado, menos de dez minutos depois de Felle sair do quarto, o telefone do velho senhor tocou sem parar.

Ele respirou fundo, atendeu a ligação, e a voz ansiosa do velho senhor veio do outro lado. Não ousou esconder nada, contou tudo detalhadamente e acrescentou: — O jovem mestre já tomou o remédio e está descansando agora.

Ao saber que ele estava descansando, o velho senhor desistiu de ligar para ele. Antes de desligar, ainda não resistiu a dar instruções: — Se algo acontecer ao jovem mestre, você será punido conforme as regras da família.

Felle não disse nada, e o velho senhor desligou. Ele ficou parado no corredor, olhou para trás, para a porta fechada do quarto, e só esperava que o jovem mestre melhorasse logo.

Na noite anterior, uma tempestade fez com que o nível dos rios em toda a cidade subisse consideravelmente. Algumas árvores recém-plantadas na cidade não resistiram aos ventos e à chuva forte e foram quebradas. A água da chuva nas ruas já chegava aos tornozelos das pessoas, que não paravam de reclamar enquanto caminhavam.

A chuva parecia não ter intenção de parar.

Durante toda a noite, as gotas batiam no parapeito da janela, fazendo um som de tique-taque. O vidro acumulava água que lentamente se juntava em uma gota e escorria para baixo. Árvores e gramados estavam todos tortos devido à tempestade repentina.

Fiennes, depois de tomar o remédio, caiu em um sono pesado. Quando acordou, já era uma da tarde. Felle mandou os empregados prepararem um mingau de arroz, que foi servido naquele momento. Fiennes franziu a testa, afastou o cobertor, pegou o celular e, ao ver a hora, sentou-se de repente.

Felle se assustou e disse rapidamente: — Jovem mestre, o senhor está se levantando tão apressado por causa de algo urgente?

Ao ouvir isso, Fiennes nem olhou para Felle, calçou os sapatos, foi até o guarda-roupa, trocou de roupa, lavou o rosto e, em seguida, abriu outra gaveta, onde estavam alinhados relógios. À primeira vista, todos pareciam semelhantes, mas na verdade cada um era extremamente valioso. Um deles era uma edição limitada mundial, com um preço de sete dígitos.

Antigamente, quando You Ran viu aquela gaveta de relógios, ficou boquiaberto.

Fiennes escolheu um relógio e o colocou no pulso, depois se virou para Felle e disse friamente: — Tenho algo a fazer. Você não precisa vir.

— Jovem mestre, o velho senhor está muito preocupado com sua saúde...

— Você não está ouvindo minhas ordens?

— Não é isso, mas o velho senhor...

— Você só precisa obedecer às minhas ordens. — Fiennes interrompeu Felle repetidamente, sem lhe dar chance de falar. Quanto ao velho senhor, ele mesmo se responsabilizaria. Deixou Felle em casa e foi sozinho de carro até o destino.

Parque Central.

O horário mais movimentado ali era de manhã e à noite. De manhã, entre seis e sete horas, muitas pessoas que gostam de se exercitar se encontravam para treinar juntas, fazendo companhia umas às outras. O ar da manhã era fresco, com pássaros cantando e flores perfumadas, o som da água corrente, tudo muito revigorante. À noite, a partir das cinco ou seis, a maioria vinha para passear, e alguns amantes da dança se reuniam ali.

Fiennes saiu cedo; chegou ao Parque Central às três da tarde. O encontro estava marcado para as quatro, então ele chegou uma hora antes. Estacionou o carro e foi a uma cafeteria nas proximidades para esperar calmamente.

Durante a espera, o tempo parecia passar muito devagar. Fiennes escolheu um lugar tranquilo perto da janela. As pessoas que passavam, especialmente as mulheres jovens, ao vê-lo, não resistiam a olhar várias vezes.

Ele franzia levemente os lábios, com os braços cruzados sobre o peito, sem expressão, como uma escultura perfeita. Seu rosto bonito, com linhas duras, transmitia indiferença e frieza, mas sem perder um toque de maturidade. Sua poderosa masculinidade atraía os olhares das mulheres que paravam do lado de fora.

Como protagonista, ele nem percebia.

Eram três e trinta da tarde. Faltava menos tempo para o horário marcado.

Fiennes, ao contrário, começou a ficar inquieto. Seu coração estava um pouco apreensivo. Ele franziu a testa, e naquele instante, provocou gritos das mulheres. O barulho quase estourou seus tímpanos. Ele endureceu o rosto, achando que isso as assustaria, mas não sabia que, diante da beleza, o medo se tornava secundário.

— Que lindo...

— Parece até uma celebridade de TV, tão bonito, especialmente quando franziu os lábios. Meu Deus, sinto que meu coração já está com ele.

— Na minha opinião, ele é cem vezes mais bonito que as celebridades da TV. Isso é o melhor dos melhores. Embora esteja sentado, tenho certeza de que é um homem de pernas longas.

— Pelo que vejo, ele não é só bonito, mas também um playboy rico. Viram o relógio no pulso dele? Já vi um igual; é algo que nunca teremos na vida.

— Você fala tão bem, então diga logo o preço.

— Tenho medo de assustar vocês. Para ser sincera, aquele relógio custa milhões.

— ...

— Esqueci de dizer, não em reais, mas em dólares.

Essa conversa não chegou aos ouvidos de Fiennes. Ele fez uma expressão de desgosto, levantou-se de repente, sem sequer olhar para elas, e saiu da cafeteria. Lá fora, encontrou novamente as mulheres que haviam gritado. Franzindo a testa, passou por elas com expressão impassível.

Faltavam apenas dez minutos para ele encontrar a pessoa que o havia chamado.

Ao lado do chafariz, a chuva fina criava uma névoa. A cidade ainda estava envolta em uma bruma cinzenta, com o céu escuro como um peso, causando uma sensação de opressão nas pessoas. No centro do chafariz, uma estátua de uma deusa, esguia e graciosa, olhava para o céu como uma fada, com um toque de melancolia nos olhos.

Fiennes ficou ao lado do chafariz por alguns minutos, quando de repente uma criança suja apareceu na sua frente. Enquanto hesitava, a criança parou diante dele, estendeu um dedo sujo apontando para Fiennes e disse com voz infantil: — Irmão mais velho, uma moça me pediu para lhe entregar isto.

Assim que terminou de falar, tirou do bolso um pequeno saco preto. Era realmente pequeno; Fiennes o pegou e viu que tinha o tamanho de dois dedos. Seu rosto ficou sério, e ele tentou abrir o saco, mas a criança pulou ansiosa e disse: — Irmão mais velho, a moça disse que não pode abrir aqui.

Ao ouvir isso, Fiennes parou o movimento, abaixou-se para ficar na altura da criança e perguntou: — Quem te deu isso? Você sabe onde está a moça agora?

— Não sei. — A criança não ousava olhar nos olhos de Fiennes enquanto falava, com o olhar fugidio. Fiennes franziu os lábios, sorriu levemente e, sem pensar, tirou algumas notas vermelhas do bolso e as colocou na frente da criança, dizendo: — Se você me disser, esse dinheiro é seu.

— Não sei.

Fiennes hesitou, abaixou-se e pegou mais algumas notas. Vendo que a criança ainda balançava a cabeça, tirou diretamente um talão de cheques e disse: — Se você disser onde está a pessoa que te deu isso, aceito qualquer condição sua.