Feng Yuan ficou parada no meio da multidão por não sabia quanto tempo. O vento fresco e frio soprava sem parar, deixando-a com frio. Instintivamente, ela cruzou os braços na frente do peito e, de quebra, apertou a roupa, como se isso pudesse diminuir um pouco o frio.
— Psiu, cuidado para a Feng Yuan não descobrir que ainda estamos aqui. — Zhan Meng soltou a mão e olhou para Xu Yan, falando baixinho. Exatamente por saber que Feng Yuan era muito teimosa, ela tinha agido primeiro e só depois contado.
Xu Yan hesitou por um instante, mas antes que pudesse falar, viu um homem elegante se aproximar. Mesmo vestindo roupas casuais, ele não conseguia esconder seu ar nobre, elegante, refinado e um pouco frio.
Esse homem não era o normalmente um pouco reservado Ning Bei?
Xu Yan pensou baixinho, e ao ver a expressão nervosa de Zhan Meng, soube na hora que ela tinha, de novo, enganado Feng Yuan para sair e estava escondida ali, observando tudo de longe.
Zhan Meng, de longe, viu Ning Bei se aproximando na multidão. Ela ficou paralisada, sem reação por um bom tempo. Não esperava que Ning Bei aparecesse ali hoje. Antes, no telefone, quando ela terminou o namoro, Ning Bei não disse uma palavra para segurá-la, apenas respondeu com um "hum" indiferente. Por que ele estava ali agora?
Quando Feng Yuan se deu conta e tentou fugir, Ning Bei já estava na frente dela e rapidamente segurou sua mão, impedindo-a de escapar. Seus olhos, que antes transbordavam afeto, agora traziam um traço de severidade, e ela sentiu um medo crescer dentro de si.
Queria ir embora, mas não conseguia; queria ficar, mas também não podia.
Feng Yuan ficou imóvel, ergueu a cabeça e olhou para aquele rosto que a fazia perder o sono tantas noites. Seu corpo ansiava por se jogar nos braços dele, mas sua mente a impedia.
Ela respirou fundo em silêncio, como se esperasse Ning Bei falar primeiro. Mas, depois de esperar muito sem ouvir a voz que esperava, soltou um suspiro melancólico.
— Ai, Ning Bei, por que você veio para Jiangcheng? — Feng Yuan tentou se soltar, mas Ning Bei apertou ainda mais, causando até um pouco de dor. Ela o encarou fixamente e disse com indiferença: — Não deixamos tudo claro no telefone? Terminar de forma amigável.
— Hum. — Ning Bei percebeu a leve careta que ela fez e afrouxou um pouco a força, mas, para evitar que ela se soltasse, continuou segurando seu pulso.
Hum, o que significava? Feng Yuan não entendia. O que ela entendia era que não conseguia terminar com Ning Bei cara a cara, porque não tinha coragem de ser cruel.
— O que foi dito no telefone não vale. Então, agora que estou na sua frente, você ainda vai terminar comigo? — Ning Bei olhou fixamente para Feng Yuan e falou devagar.
Feng Yuan hesitou, seu coração em conflito. Ela não conseguia dizer as palavras, com medo de se arrepender, com medo de que, antes mesmo de falar "terminar", as lágrimas já tivessem transbordado e ela acabasse se jogando nos braços dele...
Ela baixou a cabeça, mordendo o lábio com força. Mesmo que o mordesse até sangrar e sentisse o gosto de sangue, parecia não perceber. Mesmo com os olhos profundos de Ning Bei fixos nela, ela só respondia com silêncio.
A multidão ao redor, acompanhada pelo vento frio, acelerava o passo. Aquelas pessoas passavam como sombras diante de seus olhos, e o barulho, como pássaros se afastando, foi gradualmente se acalmando.
As nuvens brancas no céu foram novamente cobertas por nuvens escuras. O sol, que tinha aparecido por poucas horas, foi escondido pelas camadas espessas de nuvens, como se estivesse se recusando a aparecer.
Não muito longe da praça, havia uma árvore centenária, frondosa e cheia de folhas verdes. Debaixo dela, muitos transeuntes descansavam. Era outono, época de folhas caindo, e as folhas antes verdes começavam a amarelar com a chegada da estação...
Feng Yuan olhou para os transeuntes, para a árvore, para os prédios altos e imponentes ao redor, para o céu nublado, mas não olhou para Ning Bei, que estava bem na sua frente.
— Você não tem nada a me dizer? — Ning Bei perguntou, com a voz grave.
Feng Yuan mordeu o lábio e balançou a cabeça: — Não. O que eu tinha a dizer já falei tudo no telefone.
— Feng Yuan, eu disse que o que foi falado no telefone não vale.
— Não importa o que você pense, a única coisa que posso te dizer é que terminamos. — As palavras "terminamos" saíram de sua boca. Por que seu coração doía tanto? Como se uma faca afiada estivesse cortando fundo no seu peito.
— Essa é a sua resposta final? — Ning Bei segurou o braço de Feng Yuan, forçando-a a erguer a cabeça e olhar para ele. Mas o que viu foi o rosto dela lutando para conter as lágrimas. Ele ficou chocado, olhando para os olhos dela cheios de lágrimas, e perguntou baixinho: — Já que é tão doloroso, por que ainda terminamos?
É verdade, tão doloroso, por que terminar? Mas Feng Yuan não conseguia explicar. Ela só pôde empurrar Ning Bei, conter as lágrimas e dizer, sem expressão: — Ning Bei, não seja tão ingênuo, tá? Fiquei com você tantos anos, é normal ficar triste depois de um término, não é?
— O que você disse?
— Ning Bei, até se o cachorro que eu crio em casa sumisse de repente, eu ficaria triste igual agora. Então, não precisa levar tão a sério, é só coisa de ser humano.
Ning Bei rugiu baixinho, furioso: — Você está me comparando a um cachorro!
Idiota! Esse não é o ponto! Zhan Meng, escondida ao lado, estava desesperada. Se pudesse sair correndo, não hesitaria. Um era sem noção, o outro teimoso, preso num beco sem saída, sem conseguir enxergar.
Xu Yan, vendo Zhan Meng mais desesperada que Ning Bei, não resistiu e passou a mão na cabeça dela, dizendo baixinho: — Calma, quem sabe ainda tem uma reviravolta.
O raciocínio de Ning Bei sempre foi meio peculiar, então era bom ter esperança no que viria.
— Não estou te comparando a um cachorro, eu, eu só estava fazendo uma analogia.
— Então, não podemos terminar? Podemos ir ao cartório hoje...
— Não, não quero. Você acha que estou terminando com você só porque não casamos ainda?
Ning Bei inclinou a cabeça, meio sem jeito, e respondeu com um "hum": — Não é?
— Claro que não! Ning Bei, você ainda não consegue entender meus sentimentos. Esse é o motivo do término.
— Como assim não entendo seus sentimentos? Se você quer casar, então casamos! Mas você quer terminar, esse pedido, como eu poderia aceitar! — Ning Bei olhou firme para Feng Yuan e rugiu baixinho.
Ao ouvir isso, Feng Yuan ficou completamente paralisada.
Ning Bei a abraçou de repente: — Não terminamos, não é melhor? O que você quiser, eu aceito. Não importa o que você queira fazer, eu apoio. O que você não gosta em mim, eu mudo.
— Ning Bei, você nunca falou essas coisas antes. — Feng Yuan apoiou o ombro dele, sentindo o cheiro de Ning Bei. Ela fechou os olhos devagar e não conseguiu evitar um soluço: — Deixa assim. O que eu quero, você não pode me dar. Você não precisa mudar por mim.
— Não! — A teimosia de Ning Bei era demais para Feng Yuan, e essa era uma das razões pelas quais ela não conseguia terminar com ele pessoalmente.
— Posso fingir que você está só de birra. Daqui a pouco passa, e não vou levar isso a sério. — Ning Bei apertou Feng Yuan com força. Por que ele sentia que Feng Yuan estava se afastando cada vez mais, como se fosse desaparecer da vida dele a qualquer momento?
— Não estou de birra. — Feng Yuan disse, um pouco sem forças. Parecia que, não importava o que dissesse, Ning Bei mantinha a mesma atitude: contanto que não terminassem, ela podia fazer o que quisesse.
— Eu sei, estou tratando como birra.
— ...
Realmente uma resposta inesperada. Zhan Meng torceu a boca e olhou para Xu Yan: — Esse idiota é mesmo irmão de Ning Xi? Não consigo acreditar.
Xu Yan suspirou resignada. Melhor esperar para ver como as coisas evoluem.
De repente, Feng Yuan deu um tapa no rosto de Ning Bei: — Agora você vê que não estou de birra, né?
Ning Bei ficou atordoado, segurando a bochecha, incrédulo, olhando para Feng Yuan: — O que você está aprontando? Não pode falar o que é para resolvermos juntos? Se quer terminar, não use essas desculpas esfarrapadas. Incompatibilidade de personalidade? Você está mentindo para quem? Acho que combinamos muito bem.
— ... — Feng Yuan estava quase surtando. Tapou os ouvidos: — O que você precisa ouvir para entender? Acabou, não quero mais te ver, não te amo mais. Essa resposta é suficiente?
Não ama mais? As mulheres podem ser cruéis, soltar uma coisa dessas sem pensar duas vezes. Ning Bei demorou um pouco para processar o que Feng Yuan tinha dito. Instintivamente, ele soltou a mão, deu um passo para trás e perguntou, incerto: — O que você disse?
— Não te amo mais, não quero ficar com você. Estou cansada, então para de me procurar.
— Repete.
— Não te amo, não aparece mais na minha frente. — Feng Yuan gritou sem expressão, mas a mão escondida na manga estava fechada em punho, as unhas cravadas fundo na palma, a dor já não a afetava.
— Muito bem, essa é a sua razão? Mesmo que eu te diga que só quero você, você ainda vai repetir isso? — Ning Bei escondeu a tristeza, seus olhos profundos e sem fundo fitaram Feng Yuan com um toque de frieza, e sua aura poderosa a pressionou como uma maré.
Ela sentiu dificuldade para respirar, e também um pouco de medo.
Ning Bei não esperou pela resposta dela. Virou-se e foi embora, com o rosto frio. Feng Yuan ficou parada, imóvel, observando as costas de Ning Bei se afastando. Aquele jeito sem nenhum apego era completamente diferente do homem que tinha acabado de dizer que só queria ela.
Era impressão dela? Por que, nos olhos de Ning Bei, ela viu despedida?
Todas as pessoas estavam se afastando cada vez mais, todos os sons irritantes estavam se distanciando. Feng Yuan se agachou, sem forças, abraçou os joelhos e enterrou o rosto nos braços. Finalmente, tinha chegado a esse ponto.
Zhan Meng, escondida, não aguentou mais. Saiu correndo, parou na frente de Feng Yuan e não resistiu a repreendê-la: — Feng Yuan, você já pensou no que realmente quer?
Xu Yan passou a mão na cabeça de Feng Yuan, acariciando-a suavemente, e olhou para Zhan Meng, preocupada: — Melhor a gente sair daqui primeiro.
De repente, um trovão ecoou, rasgando a calma do céu e assustando as pessoas que andavam. A árvore centenária balançou com o vento forte e repentino, fazendo um barulho seco. A praça, antes movimentada e barulhenta, foi ficando em silêncio.