— Não entendo, senhor, o que quer dizer com isso? — Wenwan franziu a barra da roupa, olhando para o velho, perguntou confusa. Na primeira vez que viu o idoso, já achou estranho; na época, embora estivesse um pouco atordoada, ao pensar com calma depois, percebeu que algo não estava certo. Já passara por aquele lugar algumas vezes, mas nunca o vira antes.
Os olhos profundos do velho não mostravam nenhum traço de turvação, apenas fitavam Wenwan com indiferença enquanto dizia: — Não importa quantos anos passem, seus destinos ainda serão reconectados. — Suas palavras eram profundas demais; Wenwan pensou por muito tempo sem entender o significado. Naquele momento, ouviu o velho perguntar lentamente: — Sua mãe lhe deu algo antes de falecer?
Algo? Wenwan instintivamente pensou no colar que usava no pescoço. Hesitou por alguns segundos, tirou o colar de dentro da roupa e perguntou: — Isso deve ser a única coisa que minha mãe me deu antes de morrer.
Ao ver o pingente, o velho mudou levemente de expressão, mas logo voltou ao normal. Desviou o olhar calmamente e murmurou: — Sua mãe disse algo quando lhe entregou isso?
— Ela só me disse para proteger bem essa coisa. Mas... — Wenwan não sabia como expressar sua dúvida. Aquele colar, ela vira a mãe usar desde pequena, sem nunca tirá-lo. Por isso, pensava que fosse um presente de amor do pai para a mãe. Mas quando a mãe o entregou a ela, começou a sentir que algo estava errado.
Lembrava-se claramente: quando Wen Cen o entregou, disse: — Wanwan, proteja-o bem.
Por que um simples colar preocupava tanto sua mãe?
— Este não é um colar comum, criança. Talvez você não saiba o significado dele.
— Justamente por não saber, você não deveria me contar?
O velho olhou para Wenwan, suspirou profundamente, como se tivesse pensado muito, e disse relutantemente: — Se for para contar, temos que voltar cem anos. Naquela época, as famílias Rong, Wen, Fei e Ning eram as mais ricas de cada região. A família Rong era a mais misteriosa entre as quatro, mas desapareceu da vista de todos pouco depois. O motivo...
— Quatro famílias?
— Sim, as quatro grandes famílias lideradas pelos Rong. Elas dominavam as regiões leste, sul, oeste e norte. Na época, os Rong eram extremamente prósperos, com um poder imensurável. Mas depois, não se sabe o que aconteceu, as quatro famílias começaram a brigar internamente. Os Rong desapareceram de repente, e as outras três também ficaram muito debilitadas.
— O que aconteceu há cem anos tem a ver com o presente?
O velho suspirou novamente: — Como não teria? Na época, diziam que a desintegração das quatro famílias foi por causa das riquezas que possuíam. Ou melhor, elas encontraram um tesouro, mas, para garantir justiça, combinaram dividi-lo igualmente entre as quatro.
— E alguém teve más intenções, querendo ficar com tudo, não é? — Wenwan completou em voz baixa. Mas ainda não entendia a relação com o colar em seu pescoço.
— Dizem que antes disso, as quatro famílias mandaram fazer uma chave especialmente, que foi dividida em quatro partes, cada uma guardada por uma família. Para obter o tesouro, era preciso juntar essa chave.
— Então você está me dizendo que o colar no meu pescoço é uma dessas chaves? — Wenwan achou inacreditável. Aquilo parecia além de sua capacidade de compreensão, tudo muito irreal. E o que o velho disse em seguida a deixou ainda mais incrédula.
Quando Rong Bai viu Wenwan sair, correu para ajudá-la, preocupado: — Wanwan, com quem você foi se encontrar? Por que demorou tanto? Sabia que estava preocupado?
Wenwan apertou com força o pulso de Rong Bai, as unhas afiadas cravando-se na pele. Ele franziu a testa involuntariamente, olhando confuso para a expressão tensa dela, e perguntou novamente: — Wanwan, o que houve?
Wenwan semicerrrou os olhos, olhando para frente, e disse melancolicamente: — Rong Bai, volte para a França. Não fique mais ao meu lado.
— Você... está me expulsando de novo? — Rong Bai perguntou, parando e bloqueando o caminho dela, fitando seu rosto abaixado. — Por quê? Se quer que eu vá embora, tem que me dar um motivo. Senão, não vou.
Wenwan sorriu amargamente. Como poderia dizer que era uma pessoa de má sorte? Todos ao seu redor não conseguiam ser felizes, e ela só trazia azar para os outros: Zhang Yuan, sua mãe, seu avô, até Fiennes, Youran... Parecia que todos sofriam por sua causa. Não queria ver Rong Bai seguir o mesmo caminho.
Rong Bai olhou para ela com firmeza: — Se não me der um motivo, não vou deixá-la.
— Você não entende. Mesmo que eu explique, não vai entender. Só quero que você vá embora rápido, volte para a França, não fique ao meu lado, não fique em Beicheng. — Wenwan tentou empurrá-lo, mas ele não se mexeu. Seus movimentos foram ficando mais lentos, e uma chuva fina começou a cair, molhando-os.
— Wenwan! — Ela perdeu as forças, sentindo o corpo extremamente fraco, e desabou inesperadamente na frente dele. Por sorte, Rong Bai a segurou rapidamente. Gritou o nome dela, a voz tremendo incontrolavelmente, revelando o medo em seu coração.
— Por que você nunca quer me deixar? Sou uma pessoa de má sorte, trago azar para quem está perto. Não tem medo? — Wenwan mordeu os lábios, segurando a dor no abdômen, e tocou suavemente o rosto de Rong Bai com a mão trêmula. A chuva fina caía em seu rosto, misturando-se às lágrimas.
Rong Bai olhou para ela caída em seus braços e sorriu: — Não tenho medo. Enquanto você estiver ao meu lado, não temo nada. — Wenwan tentou se manter alerta, mas sua consciência parecia estar se afastando lentamente. Piscou os olhos e, no momento em que sua mão escorregou, Rong Bai a segurou.
— Não fale mais. Vou levá-la para casa. — Rong Bai a carregou até o carro.
A chuva de outono trazia um ar melancólico. Wenwan erguia a cabeça de vez em quando para olhar Rong Bai. De repente, quis gravar aquele momento profundamente em sua mente. Seu corpo frágil já não podia fazer nada por ele. Por que ele aparecera tão tarde? Se fosse mais cedo, talvez seu coração não tivesse espaço apenas para Fiennes.
Com esforço, Wenwan ergueu a cabeça para abraçá-lo. A chuva já molhara suas roupas. Ao entrar no carro, Rong Bai ligou o aquecedor e acelerou em direção ao hospital. Wenwan recostou-se no banco, observando a paisagem passar. Queria guardar cada cena na memória, nunca esquecê-las.
De repente, virou-se para Rong Bai: — Rong Bai, estou muito cansada, quero dormir. Pode me acordar depois?
— Wanwan, não durma. — Rong Bai disse, apavorado. Não queria acreditar que aquele era o momento de separação entre eles!
Wenwan sorriu levemente: — Mas estou realmente cansada. Quero dormir um pouco.
— Não deixo você dormir!
Wenwan olhou para ele, impotente, e concordou com a cabeça. Voltou a olhar para fora e disse baixinho: — Nestes anos, minha vida tem sido confusa. Não sei o que estou fazendo, parece que só arrumo problemas, e sempre preciso que outros resolvam...
— Rong Bai, às vezes penso que, se você tivesse aparecido mais cedo, talvez eu já tivesse me apaixonado por você, e não teria meu coração preso ao Fiennes. Devo estar enfeitiçada por ele, numa queda sem volta. Na próxima vida, não precisa me procurar; eu mesma vou te encontrar. Se não me achar, vou ficar parada esperando.
— Wanwan...
— Não fique triste. Ver você triste me deixa mais preocupada e sofrida.
— Wanwan, não fale mais.
Wenwan tossiu algumas vezes, olhando para Rong Bai sem forças, e murmurou: — Quero tanto gravar você profundamente em meu coração, para nunca te esquecer.
— Wanwan! — Rong Bai quase desabou ao vê-la. Ela sorriu, olhando para a estrada cada vez mais familiar, e disse: — Não quero ir ao hospital. Leve-me para casa. O hospital é sempre frio, me faz sentir muito sozinha.
Rong Bai pisou no freio bruscamente. Viu que o rosto de Wenwan estava cada vez mais pálido. Estacionou o carro na beira da estrada. Wenwan franziu a testa e murmurou: — Leve-me para casa. Quero ir para casa.
— Está bem. — Todas as palavras de Rong Bai se resumiram a uma só. Não sabia quanto tempo ainda tinha com Wenwan, mas acelerava constantemente em direção a casa. Quando o carro parou na entrada da antiga residência dos Wen, ele desceu rapidamente, carregou Wenwan e perguntou suavemente: — Wanwan, chegamos em casa.
Wenwan abriu os olhos lentamente e concordou: — Chegamos em casa, que bom. Leve-me ao jardim. — Já não tinha forças para andar; sentia sua consciência cada vez mais turva, deixando-se levar por Rong Bai. Fechou os olhos. A chuva fina que caía antes agora parara.
Um raio de sol rompeu o céu nublado, iluminando a terra com luzes coloridas. Wenwan abriu os olhos, estendeu a mão para tocar a luz e murmurou: — Está tão quente. Sabe no que estou pensando? Lembro da primeira vez que te vi. Você era magro, pequeno, escondido ao lado, enquanto aquelas pessoas te maltratavam...
Rong Bai segurou a mão de Wenwan contra os lábios, segurando as lágrimas, e disse com a voz embargada: — Desde aquele momento, decidi que você seria minha única esposa nesta vida.
— Rong Bai, isso não é mais possível. Não posso mais ser sua esposa.
— Só reconheço você como minha esposa. — Rong Bai disse com firmeza.
— Rong Bai, pode prometer uma coisa? — Wenwan disse suavemente.
— Qualquer pedido seu, eu atenderei.
Wenwan sorriu docemente, olhando para o sol ao longe, e disse baixinho: — Esqueça-me. Ame outra pessoa.