No dia seguinte, Ke Lu abriu os olhos lentamente. Na noite anterior, tinha esquecido de fechar as cortinas, e o sol escaldante da manhã entrava pela janela de vidro, incidindo diretamente na cama, quase cegando seus olhos. Ela ergueu as mãos acima da cabeça, espreguiçou-se, e então, devagar, esticou a mão para pegar o celular debaixo do travesseiro. Ao olhar para ele, uma ponta de decepção passou por seu rosto.
Lu Yihan, como esperado, ainda não tinha ligado para ela. Ela ficou furiosa; já que ele não ligava, ela ligaria para ele. Bem, ela admitia que isso parecia falta de dignidade, mas e daí? Quem mandava ela gostar de um canalha como Lu Yihan?
O quê? O número que você discou está desligado?
Ke Lu ficou boquiaberta, olhando para o celular, enquanto a voz feminina padronizada ainda soava no fone. O celular de Lu Yihan estava desligado! Era a primeira vez que ela ligava para ele, e estava desligado. Ela empurrou o cobertor, um medo inexplicável tomando conta dela, e não pôde deixar de ter pensamentos confusos: será que Lu Yihan estava saindo com outra garota pelas suas costas?
Pensando bem, essa possibilidade parecia pequena. Mas por que ele desligaria o celular? Só se tivesse algo a esconder.
Uma vez que esse pensamento se formou, Ke Lu foi cada vez mais convencida de que era isso. Ela se levantou imediatamente, jogou o celular de qualquer jeito, foi até o guarda-roupa pegar roupas, decidida a voltar para Jiangcheng; não estava tranquila. Vestiu-se rapidamente, passou uma maquiagem leve, pegou a bolsa e saiu de casa.
A empregada da casa, não vendo que ela levava bagagem, não deu importância, achando que ela estava apenas saindo para se divertir. Assim que Ke Lu saiu de casa, notou, com olhos atentos, um Porsche preto estacionado debaixo de uma árvore grande não muito longe. Franzindo a testa, lembrou que Lu Yihan também tinha um, mas aquele não poderia ser dele.
Ela pensou em ignorar, mas, ao passar pelo carro, o motorista abriu a porta de repente e desceu, bloqueando seu caminho. Ke Lu olhou fixamente e ficou completamente desnorteada. Que história era essa? Quem poderia lhe dizer como aquele homem apareceu ali?
"Você... como sabe que estou aqui?" "Seus colegas me contaram." "Estou com pressa agora, não venha me atrapalhar. Já fui bem clara com você ontem à noite, entendeu?" "Entendo, mas isso não me impede de te cortejar." "Me cortejar? Desculpe, foi você que disse errado, ou eu que ouvi errado? Não preciso do seu cortejo, nem quero ser cortejada por você. Então, pode me deixar em paz? Olha, não digo no mundo todo, mas só nos Estados Unidos, está cheio de mulheres bonitas, e estrangeiras ainda por cima. Por que não vai atrás delas? Por que insiste em mim? Está tão entediado assim?" "Não gosto de gringas." "Então volte para a China, sério. Não desperdice seu tempo comigo, não posso corresponder." Ke Lu queria muito sair dali, mas o homem segurava sua mão, e ela não conseguia se soltar. Teve que enfrentar a situação e falar com ele por um bom tempo. Achou que ele a soltaria, mas ele ainda tentou abraçá-la?
Como ela poderia tolerar isso? Levantou a perna e deu uma joelhada forte na virilha dele. O homem franziu o rosto de dor instantaneamente, e ela tentou se soltar, mas não adiantou.
"Lulu, você precisa acreditar que sou sincero com você. Desde a primeira vez que te vi, fui profundamente atraído pela sua aura, e meus olhos não conseguem mais se desviar de você. A primeira coisa que faço ao acordar é pensar em você, e a última antes de dormir também." "Então você acha que está recitando um poema para mim?" Ke Lu disse, sarcástica, destruindo completamente o clima que o homem tinha criado. "Não tenho tempo para continuar essa besteira com você agora. Ou me solta, ou leva uma surra minha!" "Então prefiro levar uma surra." "Yin Ze, você tem algum problema na cabeça? Nunca vi um pedido tão absurdo!"
Ke Lu e Yin Ze se enroscaram por um bom tempo sem conseguir se livrar, então desistiu. Pegou o celular e ligou de novo para Lu Yihan, mas continuava desligado, e ela não pôde evitar mais pensamentos confusos. Depois de um tempo, Yin Ze pareceu perceber que ela estava distraída e perguntou: "É aquele homem que não atende? Está desconfiando que ele tem outra mulher pelas suas costas?" "Cala a boca!" "Lulu, já te disse, homens são animais que pensam com a parte de baixo. Como você pode acreditar nessa besteira de que um homem vai ser fiel a você?" "Yin Ze, você está pedindo por uma surra!" Ke Lu disse, rangendo os dentes.
Enquanto isso, Lu Yihan, que acabara de descer do avião, não fazia ideia do que Ke Lu estava pensando ou pelo que estava passando naquela hora e meia de voo.
Ele saiu do aeroporto e pegou um táxi direto para a casa de Ke Lu. No carro, pegou o celular distraidamente e o ligou, sem saber que a situação já estava pegando fogo. Assim que ligou, várias notificações de chamadas perdidas apareceram.
Ao ver o número, soube que era da Ke Lu. Com um sorriso leve no rosto, retornou a ligação, mas ninguém atendeu. Franzindo a testa, pensou: será que a garota está brava com ele? Ele tinha passado a noite resolvendo os afazeres e, de manhã cedo, pegado um voo de Nova York para Boston.
Não contar a Ke Lu era para dar uma surpresa, mas e agora?
Os pensamentos de Lu Yihan não eram tão complicados quanto os de Ke Lu; ele achava que ela ainda devia estar dormindo. Quando acordasse e visse a ligação perdida, retornaria. Ele só tinha dormido quatro horas desde ontem, estava exausto e com o rosto cansado, quase cochilando encostado no banco.
Quarenta minutos depois, o carro parou. Lu Yihan acordou e, ao descer, viu inesperadamente, a menos de vinte metros, um homem e uma mulher se enroscando debaixo de uma árvore, com a mulher nos braços do homem. Reconhecendo que a mulher era Ke Lu, seu rosto ficou frio na hora, e um brilho perigoso surgiu em seus olhos.
Lu Yihan se aproximou, sem expressão. Ke Lu ainda pensava em como se livrar do aperto dele, quando viu Lu Yihan aparecer de repente. Seu rosto se iluminou de alegria, e ela estendeu a mão para ele, dizendo: "Tira ele de cima de mim rápido!"
Lu Yihan, com o rosto sério, olhou para Ke Lu, depois agarrou o colarinho do homem com uma mão e puxou-o para trás, sem expressão. Ser levantado de forma tão humilhante fez Yin Ze sentir que perdera toda a dignidade, especialmente na frente de Ke Lu. Ele se debateu, furioso, soltando-se das mãos de Lu Yihan, e o encarou, perguntando: "Quem é você?"
Lu Yihan olhou para Yin Ze de cima, depois desviou o olhar para Ke Lu, esticou o braço e a puxou para seu abraço, dizendo a Yin Ze: "Sou o namorado de Ke Lu."
Ao ouvir isso, Yin Ze ficou chocado, olhando para Lu Yihan e depois, incrédulo, para Ke Lu, como se não quisesse acreditar que o que ela dissera antes era verdade. Ela realmente tinha um namorado!
Ke Lu, ao ouvir Lu Yihan anunciar tão poderosamente que era seu namorado, seus olhos brilharam de admiração e afeto, e ela se aninhou no ombro dele, dizendo, tímida: "Lu Yihan, você é tão lindo."
Lu Yihan baixou a cabeça, com os olhos sorrindo para Ke Lu, e murmurou baixinho no ouvido dela: "Quanto tempo você está em Boston e já arrumou um pretendente?" "Você sabe que atraio facilmente pretendentes, por que não me vigia melhor?" Ke Lu respondeu, rindo. Agora que via Lu Yihan na sua frente, toda a raiva que escondia tinha desaparecido. Ela nunca tinha entendido a sensação de "um dia sem ver é como três estações", mas agora sentia isso profundamente.
Onde quer que Lu Yihan estivesse, ela não conseguia desviar o olhar. Yin Ze viu a adoração nos olhos de Ke Lu e sentiu um frio no coração. Não tinha nem chance de competir de igual para igual com Lu Yihan; ele já estava derrotado antes mesmo de começar. Na frente de Ke Lu, ele já tinha sido condenado à morte.
Se fosse prisão perpétua, ele ainda poderia lutar enquanto tivesse fôlego, mas a sentença de morte significava que Ke Lu já o tinha excluído. Yin Ze também tinha orgulho e não queria ficar vendo os dois se exibirem na sua frente. Olhou feio para Lu Yihan e disse, com voz grave: "Gosto muito da Lulu, então não baixe a guarda."
A implicação era que ele, Yin Ze, um dia aproveitaria uma brecha. Se houvesse oportunidade, ele a agarraria.
Lu Yihan, sem medo e sem preocupação, respondeu calmamente: "Você não terá essa oportunidade." "Vamos ver."
Ke Lu, com Lu Yihan ao lado, sentia que tudo estava bem e naturalmente o acompanhava. Olhou séria para Yin Ze e disse, com tom sincero: "Yin Ze, entre nós não tem chance. Não desperdice seu tempo comigo, não vale a pena." "Se vale ou não, eu decido, não é da sua conta." Essa resposta calou todas as palavras que Ke Lu ia dizer. Ela olhou para Yin Ze, frustrada, e no final balançou a cabeça. Já tinha recusado inúmeras vezes, mas ele continuava teimoso; ela não podia fazer nada.
Yin Ze foi embora, cheio de raiva. Ke Lu não ligou, desviou o olhar, ergueu a cabeça para Lu Yihan e perguntou, sorrindo: "Por que você veio de repente para Boston? Foi o que eu disse ontem que te fez ter um estalo de consciência?" "Ou não foi você que, no telefone, gritou que queria me ver?" Lu Yihan ergueu uma sobrancelha, olhando para Ke Lu de cima. "Tudo bem, não vou discutir. Sei que foi saudade de mim que te trouxe a Boston. Não precisa admitir, eu já sei no fundo. Lu Yihan, quanto tempo vai ficar desta vez?" Ke Lu apertou o braço de Lu Yihan, com um sorriso doce.