Zhan Meng, como escritora de histórias, parou de escrever no meio do caminho. E, para sua surpresa, ganhou fãs online. Xu Yan, de vez em quando, visitava a nova conta de Zhan Meng e, ao ler seus pequenos contos, não conseguia evitar rir. Quanto ao motivo de ela não ter continuado, claro, foi porque Lu Zhengting não permitiu.
A vida de Xu Yan e Lu Zhengting agora era a inveja de todos. Os assuntos da empresa estavam sendo cuidados por Xiao Han, e mesmo com as duas crianças em casa, não havia problema, pois Xiao Han também tomava conta delas. Assim, eles ficavam tranquilos para viajar e explorar o mundo.
No entanto, dessa vez, quando Xu Yan ligou para Xiao Han, percebeu que ele parecia de mau humor, como se estivesse esperando alguém lhe telefonar. Dias depois, ela ligou novamente, tentando perguntar o que havia acontecido naquele período, mas Xiao Han se recusou a falar. Depois de muito insistir sem obter nada útil, ela acabou desistindo.
As crianças crescem e começam a ter seus segredos, pensou Xu Yan, e com isso, sentiu que não havia mais o que fazer.
Lu Yihan agora vivia uma vida tranquila. Ninguém mais o perturbava ou o incomodava com tarefas. Ele passava o tempo entre a empresa e casa, e quando não estava com os irmãos mais novos, estava com Xu Chengyun.
Xu Chengyun era apenas um ano mais novo que Lu Yihan. Os dois sempre tiveram uma boa relação e passavam muito tempo juntos. Por causa de Ning Nan e Xu Su, ele também ficou em Jiangcheng. Às vezes, quando não tinha nada para fazer, ia procurar Xu Chengyun.
Xu Chengyun continuava igualzinho a quando era criança: falava e agia de forma metódica. Xiao Han sempre achou que seu estilo lembrava o de Xu Su, mas não havia aprendido nada da personalidade despreocupada de Ning Nan. Nos últimos dias, Xu Chengyun andava grudado em Xiao Han, o que deixou até Ning Nan intrigado.
Os dois estavam tramando algo, passando o tempo todo juntos. Ning Nan começou a divagar, imaginando se Xu Chengyun e Lu Yihan não teriam algum tipo de relação que eles mesmos não percebiam. Xu Chengyun, sabendo o que ele estava pensando, explicou-se, mas, vendo que Ning Nan não acreditava, resignou-se e deixou que ele imaginasse o que quisesse.
Entre ele e Lu Yihan, a relação era puramente de amizade. Além disso, Lu Yihan estava de mau humor ultimamente, aparentemente por causa de uma mulher. Ele nunca a tinha visto, mas já ouvira falar dela através de Mu Mu. Sabia apenas que era muito bonita, de personalidade extrovertida e adorava provocar Lu Yihan.
No entanto, por algum motivo, depois que ela foi embora, nunca mais entrou em contato com Lu Yihan. Era como se tivesse desaparecido da face da Terra. Não havia como contatá-la, ninguém sabia para onde fora, nem se um dia voltaria.
Lu Yihan pediu ao assistente Xiao para investigar o nome dela, e descobriu que "Ke Lu" era falso. Embora o nome fosse falso, a pessoa era real. A família Ke em Huicheng tinha uma filha chamada Ke Lu. Mas, segundo as informações, essa Ke Lu nunca havia saído de Huicheng, muito menos aparecido em Jiangcheng.
Xiao Han mandou o assistente Xiao buscar uma foto da filha dos Ke em Huicheng. Ainda guardava uma pequena esperança, mas, ao ver a foto, até esse último resquício se desfez. Lu Yihan ficou extremamente irritado, sem saber ao certo por quê. O nome falso significava que, do começo ao fim, aquela mulher o havia enganado.
Ao pensar em como ela mentia descaradamente e ele, bobo, acreditava, Lu Yihan só conseguia se chamar de idiota.
Huicheng.
Ke Lu, ao voltar para a casa dos Ke, foi trancada no quarto pelos pais, proibida de ter qualquer contato com o mundo exterior. Antes, quando se metia em encrencas, pelo menos sua mãe ficava do seu lado. Agora, não só a mãe não a apoiava, como também aprovava plenamente a atitude do pai, deixando-a trancada por três dias inteiros.
Exceto pelas refeições normais, para não passar fome, ela não podia fazer mais nada. Passava o tempo comendo e dormindo, e ao acordar, comia de novo. Quando dormia, começava a sonhar. Sonhava que ainda estava em Jiangcheng, morando na casa dos Lu, acordava e via Lu Yihan, tomava café da manhã com ele e depois pegava carona para o trabalho.
Antes de partir, ela não achava que aqueles dias fossem tão especiais. Mas, depois que foi embora, percebeu profundamente o quanto amava aquela vida leve. Talvez o que mais gostasse fosse ver Lu Yihan na sua frente, irritado com ela.
Sem Lu Yihan para discutir, ela sentia que a vida era sem graça e sem sentido. A mãe de Ke, quando o pai saía para a empresa, ia ao quarto conversar com Ke Lu, preocupada que a filha ficasse entediada. Mas Ke Lu estava frustrada com a mudança de lado da mãe.
A mãe de Ke disse algo, e Ke Lu, que até então se recusava a falar, ergueu a cabeça de repente e perguntou: "Mamãe, você disse que alguém está me procurando?"
A mãe sorriu e respondeu: "Sim, ontem ouvi seu pai dizer que parece que alguém está procurando uma pessoa chamada Ke Lu. Acabaram vindo parar aqui em casa. Seu pai, preocupado que seu desaparecimento anterior fosse descoberto, mandou apagar suas informações."
"Apagar as informações? O que significa isso?" Ke Lu sabia bem o que significava, mas quis perguntar mesmo assim. A mãe olhou para o rosto bonito de Ke Lu, que atraía problemas, e disse, resignada: "Lu Lu, fique quieta em casa por um tempo, descanse, e pare de irritar seu pai."
"Mamãe, eu não estou irritando o pai. Ele é que é antiquado e não aceita meus pedidos." Desde pequena, Ke Lu tinha um grande sonho: ser uma estrela quando crescesse. Quando era criança, os adultos não levavam a sério, achando que era só curiosidade. Mas, ao crescer, Ke Lu realmente insistiu em estudar artes cênicas.
O pai de Ke, claro, não concordava. Sempre quis que ela estudasse administração para, depois de formada, trabalhar na empresa. A grande empresa dos Ke um dia seria dela. Mas a garota, desobediente, mudou a inscrição escondida e se candidatou diretamente à escola de cinema.
Ke Lu, ao receber a carta de aceitação, ficou tão eufórica que perdeu a cautela, e foi pega em flagrante pelo pai. Ele ficou tão furioso que quase a castigou fisicamente. Por causa disso, Ke Lu fugiu de casa. No dia em que foi se matricular na escola, foi descoberta por um caça-talentos e aceitou ir dar uma olhada.
Ela escondeu suas informações de propósito. Com sua aparência, poderia ter conseguido o papel de segunda protagonista feminina. Mas, por algum motivo, no dia seguinte, quando foi ao set para se apresentar, recebeu a notícia de que o papel já tinha sido dado a outra pessoa. Isso significava que sua chance tinha ido por água abaixo.
Ke Lu não era de levar desaforo para casa. Por acaso, ouviu de alguém que havia alguém por trás disso, fazendo o diretor mudar o papel. Inconformada, agarrou a pessoa que estava fofocando, descobriu quem era o responsável e foi diretamente tirar satisfações.
Quem estava por trás era a atriz principal da novela. Sabendo que ela estava no camarim se maquiando, Ke Lu empurrou a porta e entrou. A mulher tinha uma beleza delicada, um ar de menina meiga. Entre os outros, era considerada bonita, mas, ao lado de Ke Lu, passava despercebida, pois a atenção de todos se voltava para Ke Lu.
Em uma novela, como a segunda protagonista poderia ofuscar a primeira? Ela não aceitaria isso e, naturalmente, faria de tudo para prejudicar Ke Lu. Mas não esperava que Ke Lu tivesse coragem de enfrentá-la.
"Poder deixar você aparecer na novela já é uma gentileza minha. Caso contrário, você nem seria uma criada."
O que mais irritava Ke Lu era isso. Não se importava tanto com o papel em si, mas o fato de aquela mulher ter tramado pelas costas, feito ela perder o papel de segunda protagonista e ainda a colocado para interpretar uma criada. E, para piorar, disse ao diretor que a criada deveria ser cheia de más intenções.
Más intenções para quê? Naturalmente, para tentar tomar o lugar da protagonista no coração do herói, usando-a para subir. Mas, por sua própria estupidez, acabaria revelando seus planos e, descoberta pela protagonista, seria espancada até a morte.
Ke Lu, ao ler o roteiro, quis reclamar: que história era aquela? Uma novela tão absurda? A protagonista era uma flor de estufa, ingênua, pura e bondosa. Sempre que estava em perigo, um homem bonito aparecia do nada para salvá-la. E, para completar, todos esses homens se apaixonavam por ela.
Ke Lu sempre achou aquela novela um lixo. Todos os personagens eram maus, só a protagonista era boa. Por causa disso, ela conseguiu irritar três grupos: os atores principais, especialmente a atriz principal; o diretor, que começou a duvidar da própria vida; e o roteirista.
Ke Lu não sabia que o roteirista estava no camarim naquele momento. Sem pensar, disse que o roteirista também era um idiota. O roteirista ficou tão furioso que jogou o roteiro no chão e foi embora. Assim, Ke Lu destruiu sua primeira chance de aparecer em uma produção. Achou que, ao desistir, o assunto estaria encerrado.
Mas não contava que a atriz principal guardaria rancor. Nos bastidores, começou a criar problemas para ela. Ke Lu, sem defesa, acabou sendo enganada, sequestrada e, de alguma forma, parou em Jiangcheng, onde fugiu e encontrou Lu Yihan.
Ao lembrar disso, Ke Lu percebeu que ainda tinha algo importante a fazer. Sabia que os sequestradores foram contratados pela atriz principal. Então, não precisava procurar mais ninguém; bastava acertar as contas com ela.
Ela não era uma pessoa boazinha. Quanto ao fato de seu pai ter dado informações erradas a Lu Yihan, fazendo-o acreditar que ela não era Ke Lu, não podia explicar agora. Lu Yihan já devia estar convencido de que até o nome dela era mentira. Agora sim, o título de "golpista" estava mais do que confirmado.