Capítulo 600: Capítulo 600: A Golpista 7

Neste dia comum, Ke Lu e Lu Yihan saíram juntos para a empresa e depois se separaram, cada um indo para seu próprio escritório para começar o dia de trabalho. Nesse momento, ambos pareciam um pouco distraídos.

A pessoa que veio ao escritório de Lu Yihan para relatar o trabalho estava falando com seriedade, mas Lu Yihan não prestava muita atenção. Às vezes, ele precisava repetir as perguntas várias vezes para conseguir a atenção de Lu Yihan. O subordinado, confuso, saiu do escritório e viu o assistente Xiao do lado de fora, aproximando-se rapidamente e dando um tapinha em seu ombro.

— Assistente Xiao, o que houve com o gerente Lu hoje? — O assistente Xiao também olhou para a pessoa que saiu do escritório com uma expressão vazia. Ele ficou ali a manhã inteira, e todos que saíam de lá perguntavam a mesma coisa, mas a verdade é que ele também não sabia o que estava acontecendo com o gerente Lu.

Do outro lado, Ke Lu estava fazendo as coisas de forma muito distraída, já tendo cometido vários erros, deixando todo o departamento de pernas para o ar. Todos na empresa sabiam que Ke Lu era protegida pessoalmente pelo gerente Lu, e mesmo que os dois envolvidos tentassem desmentir os boatos, ninguém ousava acreditar facilmente.

Preferiam acreditar nos boatos do que nas palavras dos envolvidos. Então, não importava o transtorno que Ke Lu causasse ao departamento, o gerente do departamento sempre tentava minimizar os problemas, resolvendo as coisas de forma simples, sem envolver Lu Yihan, a menos que fosse necessário.

Sempre que Ke Lu cometia um erro, eles não podiam repreendê-la nem castigá-la, com medo de que ela fosse contar a Lu Yihan e acabasse trazendo problemas para eles. Mas hoje Ke Lu realmente passou dos limites: colocou os documentos que eles haviam preparado e estavam prestes a entregar na trituradora, destruindo o resultado do trabalho duro de vários dias.

Dessa vez, Ke Lu despertou a insatisfação de todos. Ela tinha a proteção do gerente Lu, então não sofreria nenhuma punição, mas eles não. Talvez Lu Yihan ainda dissesse que eles não tinham lidado com as coisas adequadamente, causando esse descuido. Para evitar serem punidos, a maioria do departamento se uniu e colocou toda a culpa em Ke Lu.

Assim, naquela manhã, Lu Yihan mandou chamar Ke Lu ao escritório. Ela foi acompanhada pelo gerente do departamento e alguns dos que estavam incitando a confusão até o escritório do presidente para encontrar Lu Yihan.

Diante de todos, mesmo que Lu Yihan quisesse favorecê-la, ele precisava considerar os sentimentos dos outros. Quando Ke Lu entrou, ela ficou olhando fixamente para Lu Yihan, mexeu os lábios, mas ficou em silêncio ao lado, sem dizer uma palavra. Quando percebeu que Lu Yihan olhava para ela, ela rapidamente baixou a cabeça.

Naquele momento, ela não conseguia ouvir o que as pessoas ao redor estavam dizendo; só ouvia um zumbido nos ouvidos, como se fossem mosquitos batendo as asas e falando sem parar, criando um ruído irritante. Lu Yihan, por sua vez, tinha a mesma expressão que ela, ambos parecendo igualmente impotentes.

Diante das acusações de seu superior, Ke Lu apenas sorriu levemente e respondeu: — Vocês já pensaram em todas as minhas acusações, onde eu poderia encontrar motivos para me defender? Então não vou me defender, aceito. Entre as coisas que vocês disseram, só admito os erros que realmente cometi, mas nunca aceitarei o que vocês colocaram em mim sem motivo.

Não importava o que fizessem, o resultado final para Ke Lu já estava preparado por ela mesma: pedir demissão. Esse resultado, tanto para ela quanto para Lu Yihan, era a melhor escolha. Primeiro, mostrava que Lu Yihan não estava usando o cargo em benefício próprio; segundo, ela mesma encontrava um motivo adequado para se demitir e sair dali.

— Não precisam mais falar, já decidi. Não preciso que a empresa me demita, eu mesma peço demissão. — Assim que Ke Lu terminou de falar, aqueles que estavam animadamente listando seus crimes calaram-se na hora, sem acreditar no que tinham acabado de ouvir. Olharam para Ke Lu e depois desviaram o olhar para Lu Yihan, como se esperassem sua reação.

Lu Yihan ergueu os olhos, fitando Ke Lu diretamente, e disse apenas: — Você... pensou bem?

Ke Lu assentiu sem hesitar, sem sequer preparar a carta de demissão ou outros procedimentos necessários, anunciando ali mesmo sua decisão de se demitir. E Lu Yihan, que eles achavam que recusaria, não disse nada. Depois de um longo silêncio, ele assentiu com uma expressão impassível, concordando com o pedido dela.

Ke Lu estava saindo da empresa.

A notícia chegou ao departamento, e aqueles que esperavam ansiosamente por sua saída exibiam sorrisos felizes, como se estivessem esperando por aquele dia há muito tempo. Na verdade, Ke Lu também não gostava do clima de intrigas na empresa. Sua ideia repentina de trabalhar ali tinha sido apenas um capricho.

Talvez ela mesma não soubesse, mas no fundo, só queria se envolver mais com coisas relacionadas a Lu Yihan. Quando Ke Lu estava arrumando suas coisas para sair da empresa, Lu Yihan mandou o assistente Xiao ajudá-la. Aqueles que trabalharam com Ke Lu por um tempo, ao verem o assistente pessoal descendo para ajudá-la a arrumar as coisas, acharam que o gerente Lu era um homem que sabia cuidar das mulheres.

Ke Lu foi embora. Ela sentia saudade dos dias na empresa, especialmente dos momentos em que discutia com Lu Yihan. Ela escreveu uma mensagem de texto para Lu Yihan, talvez a mais séria que já tinha enviado a ele.

Quando Lu Yihan recebeu a mensagem, sentiu uma pontada de melancolia, como se algo estivesse faltando em algum lugar. Assim que colocou o telefone de lado, ouviu o toque tocar. Atendeu sem olhar e disse: — Você ainda se lembra de me ligar?

A pessoa do outro lado hesitou por um momento e perguntou, confusa: — Xiao Han, não te liguei anteontem? Por que está dizendo isso?

Ao ouvir isso, Lu Yihan ficou atônito. Afastou o telefone, olhou para o identificador e esfregou a testa, frustrado. Como ele pôde acreditar que Ke Lu, aquela sem coração, ligaria para ele por iniciativa própria? Após alguns segundos de silêncio, ele respondeu a Xu Yan: — Mãe, não é nada aqui. Como está o papai agora?

Xu Yan não percebeu nada de errado com Xiao Han. Ao ouvi-lo perguntar sobre Lu Zhengting, ela não pôde deixar de sorrir e começou a contar a Xiao Han o que Lu Zhengting tinha feito nos últimos dias, coisas que eram difíceis de entender e aceitar. Por exemplo, coisas que ele antes desprezava, agora ele levava muito a sério.

Como cantar. Lu Zhengting cantava muito bem, quase como um cantor profissional, pelo menos na opinião de Xu Yan. Ela lembrava que antes sempre queria ouvi-lo cantar, e cada vez que tentava convencê-lo, ele aproveitava para fazer exigências absurdas.

Xu Yan sempre aceitava.

Mas dessa vez foi diferente. Sem que Xu Yan precisasse pedir ou Lu Zhengting fazer exigências, ele começou a cantar para ela, canções de amor profundas. Uma vez, foram a um bar, um bar simples e tranquilo, com um cantor no palco. Xu Yan comentou de passagem que queria ouvir Lu Zhengting cantar.

Quem diria que, depois de um tempo, Lu Zhengting encontraria uma desculpa para se levantar. As luzes do bar escureceram de repente, e as do palco se apagaram completamente. Xu Yan estava se perguntando o que estava acontecendo, pois tinha um leve medo do escuro e desejava que Lu Zhengting aparecesse na frente dela naquele momento.

Foi então que uma voz grave começou a cantar baixinho, chegando aos seus ouvidos, acalmando sua tensão. Ela se forçou a ficar calma, sentada, ouvindo aquela voz familiar atravessar a escuridão. Um sorriso involuntário surgiu em seu rosto. A voz de Lu Zhengting impressionou profundamente todos ali, que ouviam com atenção e cuidado.

Xu Yan se entregou ao romantismo que ele criou para ela. Naquele momento, um holofote iluminou Lu Zhengting, que estava sentado ao lado do piano, seus dedos longos deslizando suave e habilmente pelas teclas pretas e brancas como peixes livres. Ele semicerrava os olhos, com uma expressão de êxtase, olhando profundamente para Xu Yan.

Um segundo holofote acendeu, iluminando Xu Yan. Ela cobriu o rosto, surpresa. Naquele momento, parecia que os outros não existiam; só eles dois estavam ali, olhando um para o outro com saudade...

Lu Yihan sabia disso, porque naquele bar simples havia também um jornalista que estava relaxando após o trabalho. Ele tirou uma foto da cena, achando que era apenas uma declaração de amor de um homem para uma mulher, embora na hora tenha achado o rosto de Lu Zhengting familiar.

No dia seguinte, quando o jornalista postou a foto online sem querer, sua conta pessoal foi marcada por muitos internautas, e nos comentários todos perguntavam sobre a situação. Ele não esperava que causasse tanta reação, então, atendendo aos pedidos, contou brevemente o que tinha visto naquele dia.

Por causa disso, os internautas engenhosos reconheceram quem era o homem de rosto borrado na foto. Apareceu um grupo de pessoas que diziam saber a história de Xu Yan e Lu Zhengting, e começaram a contar os fatos como se fossem uma história.

O microblog de Xu Yan quase explodiu. Era a segunda vez que isso acontecia, e Xu Yan admirava esses internautas. Quando contou a Lu Zhengting, pediu que ele investigasse quem estava contando a história deles como se fosse um conto. O que chamou a atenção de Xu Yan era que a pessoa que contava a história mencionava muitos fatos reais e precisos.

Curiosa, ela pediu que Lu Zhengting investigasse o ID. O resultado surpreendeu Xu Yan: era Zhan Meng. Ela ligou imediatamente para Zhan Meng, e quando a ligação foi atendida, ouviu uma gargalhada. Esperou em silêncio até que ela parasse de rir e disse, entre risos e lágrimas: — Como é que é você?

— Haha, não achou surpreendente e inesperado? Essa é minha nova conta. Assim que entrei, descobri que alguém estava invadindo meu sistema.