Capítulo 360: Capítulo 360: Não Somos Amigos

Wen Wan foi colocada em prisão domiciliar por Fiennes, sem permissão para sair do quarto nem um passo sequer.

Ela andava furiosamente de um lado para o outro no quarto, todos os meios de contato com o mundo exterior haviam sido confiscados por Fiennes. Sentia que, para ele, agora não representava ameaça alguma! Irritada, Wen Wan empurrou a porta, e assim que ela se abriu, as duas estátuas ao lado imediatamente a encararam.

— Senhorita Wen, o jovem mestre disse que a senhorita não pode sair do quarto nem um passo.

— Absurdo! As pernas são minhas, vou aonde eu quiser. Acham que podem me impedir? — Wen Wan avançou sem cerimônia, mas os dois seguranças trocaram olhares e rapidamente estenderam os braços para bloquear seu caminho, encarando-a com expressão preocupada.

— Senhorita Wen, esperamos que não nos cause problemas.

— Vocês estão se rebelando! Sabem quem eu sou? Sou a sobrinha do seu patrão, ousam me barrar?

Os seguranças trocaram um sorriso amargo. Não fazia muito tempo, era ela mesma que chorava e gritava na frente do jovem mestre, dizendo que não tinham relação alguma.

Wen Wan não percebeu nada de errado no que disse. Com olhos afiados, viu Fiennes sair do escritório, e seu rosto se iluminou de alegria exagerada. Ela esticou o pescoço, como se tivesse esquecido os aborrecimentos da tarde, e chamou com voz doce: — Tio, tio, tio, manda eles pararem de me vigiar.

Fiennes ergueu uma sobrancelha e olhou para ela. Com voz grave, ordenou a Félix: — Mande alguém vigiar Yang Jinkuan de perto.

— Jovem mestre, o senhor suspeita que isso tem a ver com Yang Jinkuan? — Félix perguntou, mas logo percebeu que seu patrão, com expressão descontente, passou por ele e foi até Wen Wan. Com uma mão, pegou-a pela gola, como se não fizesse esforço algum, e a levantou. Sem mudar de expressão, levou-a de volta ao quarto.

— Puf!

Wen Wan foi jogada de repente no chão, caindo de bunda, e a dor a fez torcer o rosto. Franzindo a testa, apoiou as mãos no chão e se levantou de repente, encarando fixamente o rosto sempre gelado de Fiennes. Mostrou a língua e, com um tom cheio de orgulho, disse: — Fiennes, agora você viu como sou poderosa?

— Até quando você vai continuar com essa bagunça?

— Fiennes, não estou fazendo bagunça! Não me rotule assim. Só estou te dizendo: a menos que eu queira, hum, não vai me expulsar.

— Você disse que estava curiosa sobre Xu Yan. Já a viu, não está na hora de voltar?

— Sem pressa. Já que você ainda está em Jiangcheng, vou embora quando você for.

Fiennes viu Wen Wan crescer e sabia que ela sempre foi teimosa, nunca gostou de receber ordens, sempre foi ela quem mandava nos outros. A família toda a mimava, e isso a tornou uma pessoa sem limites, capaz de fazer qualquer coisa, como pular de um carro.

Fiennes não ousava imaginar o que aconteceria se os mais velhos da família soubessem que ela pulou do carro. E Wen Wan sabia exatamente disso, usando isso para chantageá-lo sempre com sucesso, sem nunca errar.

Como prova, sob a insistência incansável de Wen Wan, Fiennes cedeu, permitindo que ela ficasse em Jiangcheng até o dia em que quisesse ir embora por vontade própria.

A primeira coisa que Wen Wan fez ao recuperar a liberdade foi, naturalmente, explorar Jiangcheng e provar todas as comidas. Ela tinha apenas dois desejos na vida: um era viajar o mundo e provar todas as comidas; o outro era dormir com Fiennes. O primeiro estava sendo realizado aos poucos, mas o segundo parecia distante.

Wen Wan era, sem dúvida, uma glutona. Fiennes designou alguns seguranças para segui-la e protegê-la, mas ela sempre se metia em lugares lotados, fazendo com que os seguranças tivessem que se esforçar para encontrá-la no meio da multidão.

Na famosa rua de petiscos de Jiangcheng, Wen Wan sentia um vazio no peito por não ter Fiennes ao seu lado, mas ao mesmo tempo andava e comia, sem parar. Parou em frente a uma churrascaria de aparência modesta, espiou para dentro algumas vezes.

Assim que deu um passo para entrar, foi impedida pelo segurança atrás dela.

— Senhorita Wen, aqui é cheio de gente, pode não ser seguro.

— Você fala demais. Sou de Beicheng, vim para Jiangcheng, não conheço ninguém. Quem saberia quem sou? Se não sabem, o que poderiam fazer comigo? Você está se preocupando à toa. Pare de estragar meu humor.

O segurança não conseguiu dissuadi-la. Ignorando o barulho, Wen Wan entrou na loja com um andar despojado, como uma moleca, chamou o garçom e pediu muitos pratos sozinha. Ao notar o olhar surpreso do garçom, fechou o cardápio devagar e disse: — Ainda está aí parado?

Os pedidos de Wen Wan chegaram um após o outro. Ela também pediu uma garrafa de cachaça, comendo espetinhos e bebendo, como se fosse a maior alegria da vida. Entre risadas ao redor e homens de braços nus jogando jokenpô, Wen Wan sentiu que aquilo era o verdadeiro sabor da vida.

Tomou um gole de cachaça de uma vez, e a garganta queimou. Fechou os olhos, franzindo a testa num vinco profundo. Aquela cachaça era realmente forte, queimando não só a garganta, mas também o estômago.

Bebeu mais alguns goles, mas ainda não conseguia se acostumar com o sabor, então deixou a garrafa de lado, arregaçou as mangas e pegou os espetinhos, comendo com gosto.

— Moça, esse lugar está ocupado?

Wen Wan estava comendo feliz quando a voz de uma mulher interrompeu seu prazer. Ela ergueu os olhos, descontente, para a mulher que já se preparava para sentar: — Se eu disser que está ocupado, você vai sair?

Ke Yaru sorriu com os lábios franzidos: — Moça, você é bem humorada. Mas, pelo que vejo, está sozinha. Se não se importa, podemos fazer companhia uma à outra?

— Companhia? Não nos conhecemos, e você quer fazer companhia? Não tem medo de, quando ficar bêbada, eu mandar te venderem para um bordel? — Wen Wan terminou mais um espetinho e deu uma risada fria.

— É mesmo? Você faria isso?

— Como sabe que não? Odeio quando alguém puxa conversa enquanto como, seja homem ou mulher!

Ke Yaru tinha visto informações sobre Fiennes no escritório de Yang Jinkuan. Pelas fotos, embora não tivesse visto Fiennes pessoalmente, ficou interessada naquela mulher que, ao chegar em Jiangcheng, já era alvo de Yang Jinkuan. Só não esperava que alguém tão jovem falasse de forma tão direta.

— Tudo bem, fui precipitada. Mas veja, não há lugares vazios por aqui, e o seu está livre...

— Chega, você é muito tagarela. De qualquer forma, já vou terminar de comer. Sente-se se quiser, mas não fale mais comigo. — Wen Wan olhou para os espetinhos na mesa, tapou a boca e deu um arroto baixinho. Percebendo o olhar de Ke Yaru, arregalou os olhos e disse, mal-humorada: — Nunca viu alguém arrotar?

O rosto de Ke Yaru ficou pálido e vermelho, mas ela se conteve e manteve um sorriso. Quando Wen Wan se preparava para pagar e ir embora, o telefone de Ke Yaru tocou. Ela atendeu distraidamente e a primeira coisa que disse foi: — O que houve entre Xu Yan e o jovem mestre Fei?

Ao ouvir o nome Xu Yan, Wen Wan hesitou por um momento, mas ao ouvir "jovem mestre Fei", entendeu na hora. Virou-se para olhar a mulher que atendia o telefone com atenção, puxou a cadeira silenciosamente e sentou-se de novo, apoiando as mãos na mesa, com os olhos fixos nela.

— Você conhece Xu Yan? — perguntou Wen Wan.

Ke Yaru fingiu surpresa, olhando para Wen Wan com incredulidade: — Você também conhece? Que coincidência, Xu Yan e eu fomos colegas de trabalho.

— Colegas? — Wen Wan piscou, pensou em algo e fez menção de se levantar. — Há muitas pessoas chamadas Xu Yan no mundo. A que conhecemos provavelmente não é a mesma.

— A Xu Yan que a moça conhece é a esposa do presidente da Lu Corporation? Se for, então é a mesma.

Parecia ser a mesma Xu Yan. Wen Wan sentou-se novamente, apoiando uma mão na mesa e a outra ao lado do corpo, olhando fixamente para ela: — Como sabe que a pessoa que conheço é essa?

Ke Yaru franziu os lábios, sem responder, dando um ar misterioso. Pelo menos era o que Wen Wan sentia. Ela piscou e continuou: — Qual é o seu nome? Qual é o seu objetivo ao se aproximar de mim?

— Sou sua amiga, porque temos alguém em comum que não gostamos. — O olhar frio de Ke Yaru parecia perdido no nada, e seu tom de voz era um pouco assustador.

— Não tenho ninguém de quem não goste, então não somos amigas. — Com isso, Wen Wan se levantou para ir embora, mas Ke Yaru disse algo que a fez parar por um longo tempo.

— Você sabe qual é a relação entre Xu Yan e o jovem mestre Fei? Talvez não seja tão simples quanto parece. — Ke Yaru tinha vindo com o objetivo de enganar Wen Wan.

Ela bebeu devagar o copo de vinho, como se tivesse certeza de que Wen Wan não só não iria embora, como também continuaria sentada para ouvir sobre Xu Yan. Como esperado, Wen Wan sentou-se decididamente, como se estivesse pronta para ouvir.

Ke Yaru sorriu, encheu o copo de Wen Wan e depois o seu próprio. O tempo passava, e Ke Yaru ficou em silêncio por um bom tempo, como se estivesse mergulhada em lembranças. Com um tom melancólico, contou a Wen Wan tudo o que aconteceu entre ela e Xu Yan.

— Você falou tanto, mas ainda não me disse seu nome. Isso prova que não tem sinceridade comigo. Você veio com essa história só para encontrar um ponto em comum e me usar para ajudar a enfrentar Xu Yan, não é? — Wen Wan deu uma risada fria. Se não percebesse essas artimanhas, seria realmente burra.

No entanto, Wen Wan mudou de atitude, sorrindo alegremente para Ke Yaru: — Na verdade, não tenho curiosidade sobre você. Mas já que disse que Xu Yan roubou a pessoa que você gosta, acredito.

— Hã? — Ke Yaru ficou atônita.

— Assim: vou mandar investigar. Se for verdade, mesmo que não seja por você, vou ajudar Fiennes a ver quem Xu Yan realmente é.

Wen Wan aceitou a aproximação de Ke Yaru com um sorriso. Quando saiu da churrascaria, já era quase dez horas da noite. Tinha bebido bastante cachaça, e com o efeito do álcool, sentiu a cabeça começar a rodar.