Capítulo 293: Capítulo 293: Não Voltar para Casa à Noite

Ele conhecia Ke Yaru há mais tempo do que Xu Yan. Sabia que tipo de pessoa ela era, então naturalmente não tinha nenhuma simpatia por ela. Já a vira ser extremamente gentil com os subordinados na frente de Lu Zhengting, mas pelas costas dele, tratava as funcionárias com todo tipo de rejeição.

Naquele momento, vendo Ke Yaru arrumar a maquiagem sem parar, um sorriso frio quase imperceptível surgiu no canto dos lábios dele.

Lu Zhengting estava numa videoconferência com parceiros europeus. Ambos os lados concordaram que o vazamento de informações confidenciais da última vez foi tratado com rapidez, minimizando as perdas ao máximo. Desta vez, naturalmente, tratariam do próximo contrato.

Uma hora se passou, e uma ponta de impaciência apareceu no rosto de Ke Yaru. Ela andou alguns passos de salto alto, provocando um olhar de desagrado da assistente, e então ficou parada, imóvel, até que a voz grave de Lu Zhengting ecoou de dentro da sala.

Ke Yaru foi na frente, bloqueando o caminho da assistente. Ao entrar pela porta do escritório, fechou-a rapidamente com as duas mãos, deixando a assistente do lado de fora.

Ela caminhou com passos felinos, balançando a cintura esguia, com olhos sedutores fixos no homem sentado na cadeira de couro preto, que parecia imperturbável. Ke Yaru soltou uma ou duas respirações ofegantes, alternando entre leves e pesadas, até que Lu Zhengting perguntou, com uma frieza glacial:

— O que foi?

Aquelas três palavras foram como um balde de água fria apagando todo o entusiasmo de Ke Yaru, derramando-se dos pés à cabeça.

Ke Yaru deu um sorriso constrangido e disse, com voz suave:

— Zhengting, você não se esqueceu do dia de hoje, pois não?

— Que dia? — Lu Zhengting nem levantou a cabeça, perguntando com frieza.

— Hoje é meu aniversário. — Ke Yaru foi direta, e depois completou: — Sei que você gosta da comida do Vilia, então pedi especialmente para reservarem um lugar.

Lu Zhengting franziu a testa, ergueu a cabeça lentamente e olhou para Ke Yaru:

— Não posso ir.

— Zhengting, eu realmente espero que você possa passar meu aniversário comigo. Não pode realizar esse pequeno desejo meu?

Ke Yaru percebeu que a atitude de Lu Zhengting era firme. Ficou imóvel por alguns segundos, levou a mão ao canto do olho como se fosse chorar, e disse, com uma voz suave como um mosquito:

— Mesmo que você não se importe com o que eu sinto, não pode, ao menos, considerar meu irmão e minha cunhada e passar meu aniversário comigo?

Ke Yaru conhecia bem o temperamento de Lu Zhengting: ninguém jamais o obrigara a fazer algo que não quisesse. Sabia o quanto ele valorizava Lu Jingchen, então, se dissesse isso, ele cederia, ao menos um pouco.

De fato, ao ouvir aquilo, o rosto de Lu Zhengting ficou extremamente sombrio. Com expressão severa, seu olhar cortante como uma lâmina perfurou Ke Yaru. Ela não pôde evitar um calafrio, e mesmo de cabeça baixa, não conseguia ignorar aquele olhar penetrante.

— Zhengting, só queria que você arrumasse um dia para passar um aniversário feliz comigo. Você sabe que, neste mundo, só tenho você. — Dessa vez, as lágrimas eram verdadeiras. Ke Yaru respirou fundo, enxugou as lágrimas e olhou, com ar comovente, para o homem imóvel, sem saber o que ele estava pensando.

Oito horas da noite.

Ke Yaru vestia um traje formal, como uma beldade saída de um filme. Com passos graciosos, balançando o corpo esbelto, ela entrou pelo portão do Vilia de braço dado com Lu Zhengting.

Estava radiante de alegria, com um sorriso brilhante que mal conseguia esconder.

O garçom os conduziu aos seus lugares. Ke Yaru desabotoou a blusa na altura do peito, tirou a camada de véu branco que envolvia seus ombros, revelando clavículas sensuais e um pescoço esguio que chamaram a atenção de todos. O garçom ao lado dela, sem exagero, começou a sangrar pelo nariz. Ke Yaru sorriu levemente, com um toque de doçura, entregou o véu branco ao garçom, pegou a taça de vinho com seus dedos longos e alvos, balançou-a suavemente por um momento, levou-a aos lábios para um pequeno gole, e disse a Lu Zhengting:

— Zhengting, este vinho foi escolhido especialmente para você.

Lu Zhengting, com os braços cruzados sobre o peito, olhava para Ke Yaru sem expressão. Seu olhar pousou lentamente na taça à sua frente, mas ele não se moveu. Diante daquela visão sedutora, seus olhos permaneciam completamente calmos.

Ke Yaru disfarçou a tristeza no coração e continuou a sorrir para Lu Zhengting, mas, por mais que tentasse, não conseguia ver desejo ou paixão nos olhos daquele homem.

Ela sempre confiou em seu próprio charme. Ao baixar a cabeça, a gola de sua roupa se abriu ligeiramente, revelando a pele alva e o colo de forma sutil, como se houvesse uma névoa que fazia qualquer um querer tirar sua roupa para ver mais.

Se Lu Zhengting era um homem normal ou não, só Xu Yan poderia dizer.

Ke Yaru manteve um sorriso rígido no rosto a noite toda. Depois de uma hora sentado, Lu Zhengting se preparou para ir embora. Para ela, ele parecia impaciente para sair, como se ela fosse uma fera perigosa.

Finalmente, quando percebeu que não conseguiria mais segurá-lo, Ke Yaru deu um sorriso amargo e, com olhar melancólico, fitou Lu Zhengting sem piscar:

— Zhengting, você ainda não bebeu comigo esta noite. Já que está decidido a ir, não ouso impedi-lo, mas pode ao menos tomar um copo comigo? Só um copo.

Lu Zhengting lançou um olhar frio para Ke Yaru, ergueu a taça e deu um gole, depois saiu do Vilia sem olhar para trás.

Ke Yaru olhou para a mesa, onde a comida quase não tinha sido tocada. Seus olhos fixos acompanharam a figura de Lu Zhengting se afastando. Será que comer com ela era tão insuportável assim? A ponto de ele não querer nem provar um único prato?

Ela ficou sentada, imóvel, por um bom tempo, até que pegou o celular e disse, em voz baixa:

— Mandem alguém segui-lo.

Lu Zhengting saiu do Vilia e parou na entrada. O manobrista trouxe o carro até ele, desceu e ficou respeitosamente atrás, vendo-o partir.

Era só um copo de vinho.

Mas, naquele momento, Lu Zhengting sentiu a cabeça começar a ficar tonta. Instintivamente, reduziu a velocidade, segurando o volante com as duas mãos. Quanto mais dirigia, mais estranho se sentia, e rapidamente estacionou o carro no acostamento.

Antes que perdesse completamente a consciência, um grupo de pessoas apareceu do nada, abriu a porta do carro de alguma forma e o levou embora. Ele fechou os olhos lentamente, e sua mente ficou em branco.

Hotel Internacional de Jiangcheng, suíte presidencial.

Ke Yaru fitava fixamente o homem deitado na cama, nu da cintura para cima, inconsciente. Deitou-se de lado ao lado de Lu Zhengting, ergueu o dedo indicador e tocou suavemente seu rosto, passando pelas sobrancelhas grossas, deslizando sobre os olhos fechados, vendo seus cílios longos tremerem levemente, até parar o dedo em seus lábios.

Aquele Lu Zhengting quieto era algo que Ke Yaru nunca tinha visto. Um sorriso de triunfo surgiu no canto de seus lábios. Seu olhar desceu para o abdômen de Lu Zhengting, e ela prendeu a respiração por um instante, estendeu a mão para acariciá-lo, movendo-se lentamente até a cintura...

Lu Zhengting soltou um gemido de desconforto. Ke Yaru viu suas sobrancelhas se franzirem instantaneamente e parou imediatamente. Ela inspirou fundo, sem ousar avançar mais.

A respiração ofegante de Lu Zhengting, entre leve e pesada, enchia o quarto, sem se dissipar. O coração de Ke Yaru batia forte. Quando confirmou que Lu Zhengting estava realmente em sono profundo, ela ousou continuar o que estava fazendo.

Em sua mente, cenas sensuais já tinham se repetido várias vezes. Sentia o corpo inteiro queimar. Inclinou-se, abaixou a cabeça e beijou os lábios de Lu Zhengting.

Lu Zhengting raramente passava a noite fora. Naquela tarde, quando Xu Yan atendeu o telefone dele, não perguntou por que ele não voltaria para jantar. No entanto, enquanto esperava no sofá, lutando contra o sono, até a madrugada, Xiao Lanqing acordou no meio da noite, desceu e a viu.

Xu Yan esfregou a cintura dolorida e as pálpebras pesadas, olhando para o relógio com olhos sonolentos:

— Já é uma da manhã.

— Zhengting ainda não voltou? — perguntou Xiao Lanqing.

— Deve ter sido atrasado por algo. Tia Qing, vou esperar mais um pouco.

— Acho melhor não esperar. Quando ele terminar tudo, voltará naturalmente. Mesmo que você aguente, o bebê na sua barriga não aguenta.

— Entendi, tia Qing, mas ainda quero esperar.

— Essa criança, por que não ouve? — Xiao Lanqing não conseguiu convencer Xu Yan. Bocejou, foi até ela, pegou um cobertor pequeno e o colocou sobre a barriga de Xu Yan, sentando-se devagar.

— Tia Qing, não precisa ficar comigo. Não tem problema.

Xiao Lanqing também era teimosa. Xu Yan falou por um bom tempo, mas ela continuou sentada, imóvel.

Sem opção, Xu Yan se levantou, rindo sem graça, e disse:

— Tia Qing, vou fazer o que a senhora disse e subir para dormir. A senhora não precisa ficar comigo, certo?

Desde que Xiao Lanqing voltou de Yuzhou da última vez, Xu Yan frequentemente a via trancada no quarto, sem sair. Sempre que perguntava o motivo, Xiao Lanqing inventava desculpas para se esquivar.

Xiao Lanqing acompanhou Xu Yan até o quarto, esperou que ela se deitasse na cama e então apagou a luz antes de sair.

No dia seguinte.

Xu Yan acordou sobressaltada. Abriu os olhos de repente, com a testa suada, fitando o teto acima, com olhar vazio e sem foco. Seu coração batia mais rápido que o normal.

Ela se lembrava claramente do que tinha sonhado. Fechou os olhos e os abriu novamente, como se tentasse confirmar se aquilo era sonho ou realidade. Depois, colocou a mão no peito e suspirou aliviada.

Ainda bem que foi um sonho!

Ela virou a cabeça para olhar o lado vazio da cama, estendeu a mão e tocou o lençol, que estava frio. Franzindo a testa, pensou: Lu Zhengting não voltou a noite toda?

Ela empurrou o cobertor, apoiou-se na cabeceira para se levantar, calçou os chinelos e saiu do quarto. Parou no corredor e viu os empregados trabalhando ordenadamente em suas tarefas. Olhou para baixo e viu Xiao Lanqing saindo da cozinha com uma tigela que parecia conter sopa de galinha.

Ao ver aquilo, Xu Yan sentiu vontade de gritar! O cheiro gorduroso da sopa de galinha a deixava enjoada, às vezes até a fazia vomitar, o que era muito desconfortável. Xiao Lanqing percebeu o olhar de desprezo vindo de cima e sorriu:

— Yan Yan, acordou? Desça para comer alguma coisa.

— Tia Qing, não posso evitar essas coisas? — Xu Yan segurou o corrimão, descendo os degraus com cuidado.

Xiao Lanqing estava especialmente compreensiva naquele dia. Ao ver a careta de nojo de Xu Yan, não pôde deixar de rir:

— Então hoje não precisa comer.

Ao ouvir isso, Xu Yan soltou um suspiro de alívio. Chegou à mesa, pegou um copo de suco de soja fresco e deu um gole, perguntando, como se fosse algo natural:

— Lu Zhengting já foi trabalhar, né?

— Sua bobinha, se ele não for trabalhar, o que mais faria?