Capítulo 255: Capítulo 255: Não Consigo Te Encontrar

Zhanduo não decepcionou Zhanmeng. Depois que ela foi embora, ficou sozinha na suíte, imersa em pensamentos. Na primeira vez que viu Ningxi, soube que era por quem iria se apaixonar. Pelo que ouviu dos outros, Ningxi nunca teve um histórico amoroso, mas Zhanmeng falou isso com tanta certeza que, no fundo, ela acreditou.

No dia seguinte, acordou bem cedo e se arrumou por um bom tempo. No rosto naturalmente claro, aplicou uma maquiagem leve e delicada, com um sorriso suave nos olhos e na boca. Vestia um vestido branco simples, que não só a fazia parecer mais jovem, mas também realçava sua elegância. Olhando-se no espelho, Zhanduo se deu nota máxima sem hesitar.

Ao sair do hotel, pegou um táxi direto para a empresa Lu. Era horário de pico, por volta das oito da manhã. Na ponte elevada, uma infinidade de carros estava engarrafada, formando uma fila que parecia não ter fim. Dentro do carro, ela pegou o celular em silêncio para ligar para Ningxi.

Assim que a chamada foi feita, Zhanduo de repente pensou em algo e rapidamente desligou.

Meia hora depois, com a ajuda dos guardas de trânsito, o trânsito finalmente começou a fluir um pouco. Zhanduo estava um pouco ansiosa, mas seu rosto não expressava nada. Apenas imaginava em silêncio como seria Ke Yaru, a mulher que conseguia atrair Ningxi.

— Moça, chegamos.

Zhanduo, surpresa com a fala do motorista, rapidamente pegou a carteira na bolsa e pagou, antes de descer devagar. Diante do imponente prédio da empresa Lu, sorriu levemente, ergueu a cabeça e entrou na companhia com confiança.

Para ver Ke Yaru, era necessário agendar. Zhanduo só tinha ouvido falar dela por Zhanmeng e não pensou em marcar hora. Além disso, em Beicheng, nunca tinha encontrado alguém que a barrasse.

Um pouco irritada, Zhanduo olhou para o segurança que a impedia e disse em tom áspero: — Por que vocês estão me barrando? Sabem quem eu sou?

— Moça, estamos apenas seguindo as regras. Por favor, não dificulte nosso trabalho.

— Que absurdo! Não acredito que não consigo entrar.

Zhanduo empurrou o segurança, como se quisesse partir para a briga. Atrás dela, Feng Yuan fechou os olhos, temendo ver Zhanduo passar vergonha, já que ela era uma mulher frágil, sem força para lutar ou resistir.

Feng Yuan não entendia por que Zhanmeng a mandara seguir Zhanduo logo cedo, nem qual era o objetivo de Zhanmeng com tudo aquilo. Mas, desde pequena, sempre foi a melhor amiga de Zhanmeng, então como não se envolveria?

Quando Feng Yuan achou que veria Zhanduo ser arrastada pelos seguranças, Ningxi apareceu na hora certa.

Ningxi tinha recebido um e-mail de manhã cedo com apenas uma frase: "Zhanduo foi para a empresa Lu encontrar Ke Yaru."

Zhanduo não estava ali para causar confusão? Então, sem nem desligar o computador, ele correu para a empresa. Por sorte, chegou a tempo de ver Zhanduo fazendo escândalo na entrada.

— Senhor Ning San. — O segurança, ao ver Ningxi, imediatamente o cumprimentou com respeito.

Ningxi era um cliente frequente de Lu Zhengting, e quase todos na empresa sabiam da relação entre eles, então o tratavam com a mesma deferência.

Ao ouvir, Zhanduo se virou, com um sorriso radiante ao ver Ningxi, mas, lembrando-se do motivo de sua visita, sua expressão desabou instantaneamente, e até sua voz ficou mais baixa: — Ningxi, o que você está fazendo aqui?

— O que você veio fazer aqui? — Ningxi perguntou friamente.

— Eu vim aqui para... para... — Zhanduo repetiu a palavra "para" sem conseguir continuar, apenas olhando de soslaio para Ningxi, envergonhada. Desde que o conhecia, por mais que o perseguisse, nunca o vira perder a paciência, mas hoje... sentia claramente que ele estava muito irritado.

Zhanduo queria continuar gritando com o segurança, mas ficou paralisada, sem conseguir dizer uma palavra.

— Não me importa por que você está aqui, nem quero ouvir suas explicações. Já mandei comprar uma passagem de volta para Beicheng para você.

— Ningxi, você não está sendo exagerado? Eu venho e vou quando quero. Por que você decide por mim? — Zhanduo também se irritou, não por causa da passagem, mas porque isso a fez acreditar ainda mais no que Zhanmeng dissera: Ke Yaru ocupava um lugar importante no coração de Ningxi.

Em sua mente, uma cena dramática de amor se desenrolava. Ningxi, como se olhasse para uma estranha, lançou um olhar indiferente para Zhanduo, que batia o pé de raiva, e disse ao segurança: — Não a deixe entrar na empresa.

Com a ordem do Senhor Ning San, o segurança se empenhou ainda mais em expulsá-la.

Dessa vez, Zhanduo deixou de lado sua atitude hesitante. Não ousava descarregar sua raiva em Ningxi, mas não podia fazer o mesmo com o segurança? Pensando nisso, começou a xingar quem aparecesse pela frente, até chamar a atenção de muitos funcionários que chegavam para trabalhar, incluindo Ke Yaru.

Da multidão, uma voz clara soou: — Bom dia, Gerente Ke.

Era como na escola, quando se via o professor aparecer de repente e se falava com respeito e cautela.

Zhanduo, ao ouvir, ergueu a cabeça e examinou as pessoas ao redor. Seu instinto lhe disse que Ke Yaru era a mulher de camisa branca, segurando uma bolsa Hermès, parada bem à sua frente. Ela a observou com cuidado, refletindo em silêncio, e, ao perceber o olhar de Ningxi naquela direção, ficou ainda mais certa.

Ningxi tentou segurar Zhanduo, mas já era tarde. Ela já estava na frente de Ke Yaru, apontando arrogantemente e perguntando: — Você é Ke Yaru? Quero falar com você.

— Quem é você? Por que eu falaria com você?

Duas pessoas arrogantes se chocaram, como faísca contra faísca, criando uma cena intensa.

No final, Zhanduo não conseguiu conversar com Ke Yaru.

Quando Lu Zhengting ouviu sobre o ocorrido de um funcionário, deu uma risadinha. Depois, ao ver Ningxi entrar no escritório, tirou o paletó e o pendurou no cabide, desabotoou lentamente os punhos da camisa com os dedos finos e sentou-se na cadeira, erguendo levemente a cabeça para olhar para Ningxi.

— Sua amada veio te procurar na empresa?

— Que amada o quê? Isso é um emplastro. Quer? Dou para você. — Ningxi respondeu de mau humor. Para ser sincero, o temperamento de Zhanduo às vezes lembrava o de Zhanmeng: ambas teimosas. Enquanto ele não prestava atenção, Zhanduo já tinha escapado.

— Toc, toc, toc.

Lu Zhengting olhou para o assistente que bateu na porta e entrou, pegou o documento que ele lhe entregou e perguntou distraidamente: — Ouvi dizer que ela veio procurar Ke Yaru?

— Não sei.

— Ah é? — Lu Zhengting claramente não acreditava na desculpa de Ningxi, com um tom levemente irônico, e continuou: — Arrume alguns homens para proteger o velho e os outros.

— O que foi? Yang Jinkuan fez algum movimento? — Ningxi perguntou, com um sorriso malandro, cruzando as pernas.

— Prevenir é melhor que remediar. Eles estão sozinhos em Jiangcheng, é difícil garantir que ele não os coloque na mira.

— Tudo bem, cuido disso. Aliás, você já esqueceu que tem um filho? Xiao Han já me ligou várias vezes dizendo que sente muito pela sua cunhada, mas você não deixa ele vê-la. Você é homem, ciúmes até faz bem, mas ter ciúmes do próprio filho? Você é humano?

— Quer levar uma surra? — Lu Zhengting olhou para o interlocutor sem expressão. A questão de Xiao Han ligar todos os dias para dizer que queria ver Xu Yan realmente o incomodava.

Jiang Mingxiu não permitia que Xiao Han encontrasse Xu Yan, mas ele insistia. Na noite anterior, quando voltou para a Vila Dongshan, viu os dois, um velho e um jovem, em clima de guerra fria. Além de Ningxi ter acertado em cheio no que ele sentia, havia também o fato de Xu Yan estar grávida, não podendo cuidar de Xiao Han.

Enquanto isso, Xiao Han, que era o centro da conversa, finalmente conseguiu escapar dos olhares dos seguranças com a ajuda dos colegas de escola. Só tinha um celular no bolso, nada mais. Antes, quando ligava para Xu Yan, era sempre o pai quem atendia, então agora hesitava: ligar ou ir direto ao apartamento procurá-la?

Xu Yan tinha dormido tarde na noite anterior, e, com o medo e a preocupação, passou a noite inteira num sono agitado, sem descansar direito. O celular, que Lu Zhengting tinha colocado no modo vibratório, começou a zumbir. Ela, cansada, apertou os olhos, esticou a mão para o criado-mudo, pegou o aparelho e atendeu sem olhar.

— Irmã Yan, onde você está? Não consigo te encontrar?

A voz infantil do outro lado fez Xu Yan dar um sobressalto. Abriu os olhos instantaneamente, e seu cérebro, antes vazio, começou a funcionar. Apoiando-se na cama, sentou-se devagar e disse com a voz um pouco rouca: — Xiao Han.

— Irmã Yan, você finalmente atendeu meu telefone. Pensei que não queria mais saber de mim. Há tantos dias que não vem me ver. Eu penso em te encontrar todos os dias e noites, mas você não sente minha falta. Estou tão triste, tão magoado, tão desesperado...

A voz soluçante de Xiao Han chegou aos ouvidos de Xu Yan, deixando-a atordoada. Quando Xiao Lanqin entrou, viu Xu Yan consolando alguém com uma voz suave. Pensou que fosse Lu Zhengting, então sorriu e comentou: — Quem diria que Lu Zhengting, tão sério, é tão pegajoso.

— ...

Xu Yan abriu a boca, querendo explicar, mas Xiao Han ainda não tinha terminado de acusá-la de vários pecados.

— Irmã Yan, quero ir te ver, mas não tenho dinheiro.

— E os seguranças que te protegem? Onde você está agora? Não deveria estar na escola a esta hora?

— Irmã Yan, você me fez tantas perguntas de uma vez que não sei qual responder primeiro. Estou no prédio Xingrong. Escapei escondido da escola.

— Que absurdo! Fique aí, não se mexa. Vou mandar alguém te buscar agora. — Ordenou Xu Yan, séria.

Xiao Han mostrou a língua: — Irmã Yan, me dá o endereço. Pego um táxi e vou sozinho, depois mando alguém pagar. Se esperar sua pessoa chegar, já vou ter virado saudade.

Ao ouvir isso, Xu Yan não sabia se ria ou chorava. Deu o endereço, Xiao Han disse que entendeu e desligou rapidamente. Xiao Lanqin, vendo a ternura no rosto de Xu Yan, perguntou involuntariamente: — Quem ligou não foi o Lu Zhengting, foi?

— Não. — Xu Yan hesitou, pensou um pouco e disse: — Foi o Xiao Han.