"Leve-me com você, tire-me desta ilha."
Na escuridão profunda, uma voz ecoou na mente de Ganya.
No meio do breu, havia silêncio, mas ela podia sentir a presença de outra pessoa ali.
"Não, não posso fazer isso, porque você é a esperança de todos na ilha, não posso ser tão egoísta."
"A imortalidade é realmente tão importante?"
"Claro que sim, Gia, você é a reencarnação da sacerdotisa que só aparece uma vez a cada cem anos, por que até você pensa assim?"
"Eu só..."
"Chega, não pense demais. Quando a porta do mundo oculto se abrir, todos nós nos reencontraremos 'lá', e assim, por toda a eternidade, estaremos juntos."
"Mundo oculto... imortalidade... isso realmente existe?"
"Claro que existe, bem no fundo do Lago Fantasma, no lugar mais profundo, e logo você o verá."
"Mas ainda tenho muito medo."
"Gia, não tenha medo. Vou te dar isto, use-o, e será como se eu estivesse ao seu lado. Eu vou te proteger, para sempre."
...
Mais uma vez, uma escuridão profunda, sem saber quanto tempo passou, uma voz, como se fosse um pensamento seu, soou no fundo da consciência.
"Mas eu não consigo ver."
"Sem olhos, é claro que não se vê nada."
E parecia que algo estava parado silenciosamente atrás dela, embora invisível, dava para sentir uma sombra ilusória, exalando uma aura sombria.
Então, uma mão a empurrou para dentro da água gelada do lago!
Splash! A água gelada e infinita veio de todos os lados, Ganya já não sabia distinguir se era real ou ilusão, sentia apenas escuridão e frio sem fim ao redor, e ao mesmo tempo, no fundo profundo da água, algo parecia subir lentamente, uma sombra transparente e ilusória se fundindo com ela.
"Ganya—!"
Ao ver essa cena bizarra, Dai Minghan gritou, mas já era tarde demais. Ganya, no centro do lago, como se estivesse sendo controlada por alguma força, caminhou passo a passo até a borda da plataforma de pedra e, como se tivesse sido empurrada por algo, caiu no poço profundo!
Aquela visão sinistra não era de forma alguma sua própria vontade!
Afundando, afundando, o corpo descia sem parar, mas na mente de Ganya, a voz na consciência ficava cada vez mais clara. A sensação de possessão de antes voltou a ser nitidamente sentida, não apenas a voz na mente, mas também aquela sensação aterrorizante se tornou mais clara do que nunca.
Que dor!
O pulso parecia ter sido perfurado por algo, doía tanto! Não aguentava mais, por que ninguém me disse que eu teria que passar por isso!
Espera... parem, o que mais vocês vão fazer? Onde vão me colocar? Não disseram que era só entrar no lago para abrir a porta do mundo oculto? Por que estão fazendo isso comigo?
Não disseram que iam me proteger?
Me soltem, quero sair, não me prendam aqui dentro. Não quero mais imortalidade nem mundo oculto, venham me salvar! Tirem-me deste lugar!
Se a imortalidade é tão dolorosa, por que buscá-la?!
Vocês pretendem usar minha dor para conseguir a imortalidade de vocês?!
Não...
Neste mundo, não existe imortalidade alguma... só a morte é eterna.
Então, vão todos morrer.
No último momento antes de sua consciência se dissipar, Ganya abriu os olhos e viu uma cena que parecia um inferno.
No fundo do enorme Lago Fantasma, ela não viu o caminho para a imortalidade, mas sim inúmeros ossos brancos submersos nas profundezas.
Então, neste mundo, não existe imortalidade alguma...
As memórias das duas, naquele instante, finalmente se fundiram completamente, e Ganya entendeu toda a história.
Muito, muito tempo atrás, nesta ilha fantasma, já se falava do Domínio Espiritual. O chamado Domínio Espiritual era uma zona misteriosa que conectava o mundo real e o oculto. Dizia-se que, se alguém passasse pelo Domínio Espiritual para o mundo oculto, ganharia a vida eterna. Não se sabe quando, as pessoas começaram a acreditar que, sob o pico mais alto da ilha fantasma, havia um lago, e que esse lago era o verdadeiro Domínio Espiritual, o lugar que ligava a vida e a morte.
Obcecados pelo medo da morte e pela busca doentia pela imortalidade, os habitantes da ilha começaram a usar vários métodos para tentar alcançá-la. Mas, quer jogassem os corpos dos falecidos no lago, quer fossem à margem rezar na hora da morte, ninguém conseguia chegar ao lendário mundo oculto. Até que, mais tarde, uma crença estranha começou a ganhar cada vez mais adeptos.
Embora a localização do Domínio Espiritual estivesse confirmada, a porta da imortalidade não podia ser aberta facilmente. Para obter algo, era preciso trocar por algo de valor equivalente. Para abrir a porta para o mundo oculto, era necessário realizar um ritual de troca.
E esse ritual era: a cada cem anos, uma pessoa era escolhida por adivinhação, tinha os olhos perfurados, era colocada em um caixote de madeira especial e afundada no lago. Através do sofrimento dessa pessoa, as pessoas mostravam sua sinceridade e o preço que estavam dispostas a pagar. Ao mesmo tempo, uma plataforma de pedra era erguida na margem do lago, onde se acendia o fogo da alma. Quando a chama se refletia no fundo do lago, iluminava o caminho para as almas dos mortos, até que finalmente encontrassem o caminho certo para o mundo oculto.
E há centenas de anos, a escolhida para participar do ritual era essa jovem chamada Gia, que falava na consciência de Ganya. Para impedi-la de fugir antes do ritual, todos esconderam dela os horrores do processo, incluindo seu amado, que não disse uma palavra. Apenas lhe disseram que, depois do ritual, a porta da imortalidade se abriria, e os dois ficariam juntos para sempre.
Cercada por mentiras, a jovem inocente acreditava que, se tivesse coragem de afundar no lago, poderia ficar para sempre com seu amado. Mas o que enfrentou foi um ritual cruel.
Quando Ganya afundou pela primeira vez na ilusão, o que viu e viveu foi exatamente o que Gia passou. Para impedi-la de ver os espíritos rancorosos no lago cedo demais, furaram seus olhos. Para colocá-la no caixote especial, quebraram seus membros. É difícil imaginar o terror e o desespero que ela sentiu antes de morrer.
O Lago Espiritual era, de fato, um lugar misterioso, capaz de preservar a alma de uma pessoa.
Provavelmente por isso, os habitantes da ilha acreditavam firmemente que ali se conectava a vida e a morte. Porque as almas existiam, a lenda da imortalidade e do mundo oculto era acreditada por tantos.
No final, depois que o caixote afundou no lago, a alma da morta flutuou para longe. Para aquela alma torturada, o que viu não foi o lendário caminho para o mundo oculto, mas sim os inúmeros ossos brancos acumulados no fundo do lago ao longo de milhares de anos!
Naquele momento, a jovem entendeu que tudo era uma farsa, que nada era possível.
A imortalidade simplesmente não existia.
----
PS, agradeço ao fã de sobrenatural pelo apoio, obrigado!