Sentindo as dores por todo o corpo, Chen Mo ergueu a cabeça com esforço e, aproveitando um relâmpago que cortou o céu, percebeu que seu corpo, preso pelo cinto de segurança, estava pendurado de cabeça para baixo dentro do carro. O táxi que ele dirigia, devido ao forte impacto, havia capotado na chuva.
Em seguida, Chen Mo notou, chocado, que uma barra de aço ondulada, saliente, havia perfurado o veículo durante a colisão, cravando também o passageiro no banco traseiro.
Sangue jorrava em borbotões de seu corpo, e o calor da vida se dissipava lentamente na noite fria.
Aquele passageiro que pegara seu táxi, morrera assim?
Foi um acidente, ou alguma força sobrenatural estava agindo?
O que aconteceu esta noite estava além da compreensão de Chen Mo, mas ele ainda se lembrava vagamente de que, antes do acidente, o homem, segurando uma faca com pavor, gritava algo como "Você sabe de tudo". Isso não significava que a "história" contada no rádio há pouco não era apenas uma história, mas um caso real que havia ocorrido?
E a última voz que ecoou em sua mente fez Chen Mo sentir um perigo iminente.
Naquele momento, ele viu, de repente, uma coisa preta emergindo lentamente de fora da janela do carro.
Um emaranhado de cabelos de mulher!
Chen Mo estremeceu de susto e, não se sabe de onde veio a força, com uma mão soltou o cinto de segurança e com a outra empurrou a porta com toda a força, escapando do habitáculo deformado.
Uma mulher, coberta de sangue, como se fosse feita de membros despedaçados, estava rastejando lentamente para fora de debaixo do carro!
A mulher estava de quatro, os ossos estalando, contorcendo-se de forma grotesca e, então, aproximou-se em uma velocidade inacreditável.
Num instante, Chen Mo sentiu arrepios por todo o corpo. Embora não soubesse o que era aquilo, seu instinto de perigo o fez levantar-se de um salto e sair correndo na chuva torrencial!
Splash! Splash!
Seus pés batiam nas poças, espalhando grandes respingos. Só depois de correr muito é que Chen Mo começou a diminuir o ritmo.
Foi então que ele percebeu algo estranho.
O local do acidente era uma estrada de montanha na Rua Nanshan, cercada por bosques e terrenos baldios, mas, enquanto corria, o ambiente ao redor se transformou em becos escuros.
O mais bizarro era que não havia um único ponto de luz em toda a rua.
Enquanto Chen Mo se surpreendia com a mudança de cenário, um som de farfalhar veio novamente de trás, e uma figura branca e ensanguentada apareceu a pouca distância!
Depois de correr tanto, ainda não conseguira se livrar daquela coisa que parecia feita de restos mortais.
Preparando-se para correr novamente, Chen Mo parou de repente.
Claro que ele ainda podia correr, mas até quando continuaria assim? Quanto tempo sua resistência aguentaria?
E aquela coisa, obviamente, não era algo que se pudesse deixar para trás apenas correndo.
Pensando com calma, o que fazer?
Talvez ele estivesse ignorando algo.
Era como num jogo: se você pode derrotar um chefe com truques, enfrentá-lo de frente não é suicídio?
Chen Mo então olhou ao redor.
E, ao olhar, realmente encontrou algo: em algum momento, uma luz havia acendido nos becos ao redor, destacando-se de forma estranha na escuridão total.
"Será que isso é uma dica?"
O fantasma feminino estava prestes a alcançá-lo. Sem tempo para pensar, Chen Mo se virou e correu em direção ao local iluminado!
Atrás dele, a aura fria voltou a atacar. Chen Mo subiu os degraus em dois pulos e empurrou a porta com força. Ela se abriu!
Chen Mo sentiu um alívio e entrou rapidamente. Ao mesmo tempo, o barulho atrás dele parou abruptamente. Parado dentro da porta, ele olhou para trás e viu o terrível fantasma feminino parado do lado de fora, encarando-o ferozmente através do vidro.
Como se houvesse algo ali que o impedia de entrar!
...
Depois de encarar Chen Mo friamente por um tempo, a figura do fantasma feminino desapareceu lentamente na escuridão.
Chen Mo tinha alguns arranhões no corpo, que ardiam, mas ele não ligou. Em vez disso, pegou o celular e discou vários números.
Como havia suspeitado antes, nenhum número funcionava.
"Embora seja difícil de acreditar... a única explicação é que fui arrastado para um mundo sobrenatural. Se não terminar esta história, provavelmente não conseguirei sair."
"Embora pareça seguro por enquanto, o perigo que enfrento ainda não deve ter acabado."
Murmurando algumas palavras, Chen Mo se levantou. Já que a dica o levara ao prédio, as pistas para resolver o mistério deveriam estar lá dentro.
No primeiro andar do prédio, havia 12 portas e um elevador. Chen Mo apertou o botão aleatoriamente, e a porta do elevador abriu com um "ding", ainda funcionando.
Mesmo que o elevador estivesse funcionando, Chen Mo não pretendia usá-lo. Afinal, muitos comportamentos suicidas em filmes de terror acontecem dentro de elevadores.
Embora não fosse usá-lo, Chen Mo notou algo estranho.
Visto de fora, o prédio tinha pelo menos dez andares, mas no elevador não havia botões para subir, apenas para B1, B2, B3... até B100!
Ou seja, aquele elevador só ia para o subsolo!
Saindo do elevador, Chen Mo tentou abrir algumas portas próximas, mas todas estavam trancadas.
Isso lhe deu uma sensação estranha: aquele lugar era como um mundo de jogo, onde, exceto pelos cenários necessários para desencadear a trama, os outros prédios e salas eram apenas "pano de fundo", visíveis, mas sem interação.
E eles existiam apenas para fazer você acreditar que aquele era um mundo "real".
Já que não ia usar o elevador, Chen Mo ligou a lanterna do celular e continuou andando.
Logo, encontrou a escada do prédio, mas, assim como o elevador, ela só descia, como se os mais de dez andares vistos de fora fossem apenas uma fachada enganosa.
Aquele prédio parecia seguro, mas na verdade era infinitamente estranho!
"Poxa... só me resta encarar isso de frente..."
Sem escolha, Chen Mo começou a descer as escadas, passo a passo, como se estivesse indo não para o porão do prédio, mas para os dezoito níveis do inferno.
Enquanto descia, pensava na história que a apresentadora havia contado pela metade.
A história ainda tinha muitas perguntas.
Aquele fantasma feminino era a coisa que saiu da mala do passageiro? Qual era a relação entre o assassino e a vítima?
Desvendar esses segredos talvez fosse a chave para resolver o caso.
Parado no B2 do prédio, Chen Mo respirou fundo e torceu o canto da boca.
Mesmo sendo o segundo subsolo, uma luz fraca saía pela fresta de uma das portas.
Sim, era a luz que ele viu do lado de fora do prédio.
"Essa história sobrenatural não tem lógica nenhuma..."
Chen Mo se aproximou devagar e tentou girar a maçaneta, mas a porta ainda estava trancada. No entanto, quando encostou o ouvido na porta, ouviu alguns sons abafados vindo de dentro.
Passos arrastados, vozes, risadas.
Coisas normais, mas naquele ambiente, pareciam extremamente anormais.
Quando Chen Mo decidiu tentar arrombar a porta, a luz dentro do quarto se apagou de repente.
Ao mesmo tempo, ouviu-se um "clique", como se algo tivesse sido destrancado.
Chen Mo ficou paralisado.
Será que essa história ia fazer uma "surpresa" na porta?...
Ele girou a maçaneta e a porta, de fato, se abriu. Um cheiro de mofo o atingiu, e o que viu foi uma sala cheia de móveis empoeirados, objetos espalhados e um lustre balançando.
Pluft, um caderno de capa vermelha caiu no chão bem na frente de Chen Mo, como se tivesse sido deixado ali de propósito pela história.
Chen Mo se aproximou, pegou o diário vermelho e, à luz fraca da tela do celular, começou a lê-lo com atenção.