Crac—!
Um relâmpago rasgou o céu noturno, um clarão cortante como uma lâmina rompendo as nuvens escuras, enquanto uma chuva torrencial devastava a cidade adormecida. Já era quase madrugada, e a vasta área antiga estava quase envolta em neblina de chuva, o único som sendo o crepitar incessante.
Chen Mo agachou-se diante de um prédio antigo, observando o táxi sendo lavado pela chuva forte. Faltava meia hora para a meia-noite, e numa noite chuvosa como aquela, não deveria haver muito movimento. Ele torceu os lábios, puxou um cigarro Hongtashan e estava prestes a acendê-lo calmamente quando "tum!"—um som abafado veio do prédio atrás dele, como se algo pesado tivesse caído no chão.
Chen Mo naturalmente levou um susto; a ponta do cigarro caiu na poça d'água a seus pés e se apagou. Ele se virou para olhar em direção ao corredor, achando ter visto uma sombra passar.
O prédio estava assustadoramente escuro, o chão de cimento coberto de sujeira. O prédio de quatro andares parecia desabitado, ouvindo-se o farfalhar de ratos rastejando. Chen Mo apertou os olhos, tentando enxergar melhor o interior, mas só conseguia ver, através do corredor estreito, um contorno quadrado na porta de algum cômodo, como se estivesse aberto, voltado para dentro do quarto.
Talvez isso não fosse nada demais, mas perto daquele objeto, no chão, parecia haver dois brilhos estranhos, transmitindo uma sensação opressiva e vaga.
"Tem alguém aí?" Chen Mo gritou para dentro, e só o eco respondeu. Ele entrou no corredor, e de vez em quando um vento frio carregado de chuva soprava por trás, gelado até os ossos. Chen Mo estremeceu, ligou a lanterna do celular, sentindo medo, mas também uma curiosidade incontrolável.
O andar abandonado era meio vazio, com várias paredes vazando água da chuva, que batia no objeto quadrado, produzindo um tilintar. O coração de Chen Mo acelerou; ele se aproximou na ponta dos pés e viu claramente: era uma mala grande, preta, com quase meio metro de altura.
Será que o som que ouvira antes era o daquela mala sendo jogada?
A mala estava aberta, com um cheiro de ferrugem. Chen Mo se agachou, estendeu a mão e tocou o interior; a sensação pegajosa o surpreendeu. Ele virou a mão para olhar—isso era... sangue! Esse era o cheiro!
Ele deu alguns passos para trás rapidamente, mas percebeu que havia gotas de sangue no chão, levando direto para o fundo do cômodo. Chen Mo ergueu o celular, iluminando a direção para onde o sangue se estendia. A luz piscou algumas vezes, e o celular apagou.
"Mas ainda tinha bastante bateria há pouco", pensou Chen Mo, olhando ao redor e apertando o botão de ligar várias vezes. O celular, como se estivesse quebrado, não emitia mais nem um pingo de luz.
Lá estava de novo, aquela sensação opressiva e estranha, como se estivesse bem atrás dele, mas sem se mexer. Na névoa da chuva, os dois brilhos fracos no quarto pareciam ter diminuído. Parado na porta, dava para ver um contorno vago, como algo que rolara no chão. Embora o celular estivesse sem bateria, ele ainda tinha um isqueiro no bolso. Chen Mo enfiou a mão no bolso e entrou devagar.
Crac—outro relâmpago brilhante passou pela janela, revelando vários objetos espalhados no fundo do quarto. Em seguida, o mundo mergulhou novamente na escuridão.
E não só isso: o quarto inteiro estava repleto de membros despedaçados, estendendo-se até perto da mala, com um forte cheiro de sangue invadindo as narinas.
Rolando, rolando—um som veio de repente de trás.
A cabeça da mulher no chão, sem que se soubesse quando, tinha rolado um pouco, voltando ao campo de visão de Chen Mo. Os cantos da boca da mulher se ergueram levemente; ela parecia estar sorrindo...
"Ah—!"
Chen Mo largou o isqueiro na mão e fugiu do corredor sem olhar para trás. O que ele acabara de ver? A cena de um assassinato e descarte de corpo?
Abriu a porta do carro, ligou o motor—tudo num movimento só. O táxi se afastou lentamente do prédio antigo, e Chen Mo finalmente soltou um longo suspiro, acalmando o coração disparado. Nesse momento, o rádio do carro, que antes só chiara, pegou sinal, e a apresentadora começou a falar com uma voz suave.
"Você já ouviu falar da gratidão da raposa?"
"Uma raposa faminta, ao tentar roubar comida, caiu acidentalmente num tanque d'água. Foi encontrada por um guarda-florestal, que, em vez de puni-la, deu-lhe um pedaço de carne e a soltou de volta na floresta. Desde então, a raposa ia de vez em quando à cabana do guarda, levando sapos e pardais. Essa é a história popular sobre a gratidão da raposa."
"Assim como há a gratidão da raposa, há a vingança do espírito maligno. Para almas rancorosas, a morte não é o fim."
"Aqui é a Rádio de Contos Assombrados, eu sou o apresentador Conversa Noturna. Hoje à noite, a rádio trará a vocês uma história real de vingança de um espírito maligno. Por favor, apaguem as luzes, agucem os ouvidos e sintam juntos o terror que se aproxima."
Tendo acabado de passar por algo assim, Chen Mo não ousava ouvir um programa daqueles. Ele estendeu a mão para mudar de estação, mas de repente seu corpo ficou rígido. Ele, que nunca ouvia rádio no carro à noite, quando é que tinha ligado o rádio?
Um relâmpago cortou o céu, iluminando tudo. Chen Mo viu pelo retrovisor que, no banco de trás do carro, havia, sem que soubesse quando, um passageiro homem de rosto pálido, de olhos fechados, descansando, sem fazer nenhum barulho.
No rádio, a voz da apresentadora fluía na noite: "No início do programa de hoje, vamos ler a mensagem de uma ouvinte mulher. Ela quer dizer ao amado que ele—mesmo que você tenha me matado e me abandonado, eu ainda não vou embora..."
Enquanto dirigia, Chen Mo prestava atenção no passageiro do banco de trás. O homem já tinha aberto os olhos, parecendo confuso com o que ouvia.
"Vou te encontrar de novo, consigo sentir seu cheiro... Vamos, não se esconda mais, vamos para casa juntos..."
No rádio, a voz da apresentadora ficava cada vez mais fria, palavra por palavra, como se ela estivesse se colocando no lugar daquela mulher.
"Que porcaria de rádio para ouvir tarde da noite", disse o homem no banco de trás, com a voz trêmula e contida, revelando uma agressividade oculta. "Me leve para os arredores da cidade. Não vou te pagar menos, e não faça perguntas."
Então era gente... Chen Mo se acalmou um pouco. Provavelmente o homem tinha entrado no carro enquanto ele estava no prédio. Mas por que ele estaria naquele lugar estranho?
"Aaaaaaah—!"
E a mensagem no rádio, por mais que ele ouvisse, lhe dava uma sensação estranha. Chen Mo estendeu a mão para mudar a frequência, mas o som do rádio de repente ficou estranho e agudo.
"Querido motorista, obrigado por me deixar encontrar meu amor novamente!"
Chen Mo, em pânico, pensava, mas seus pés esbarraram em algo redondo. Ele baixou os olhos e, num instante, sentiu o couro cabeludo formigar—não era a cabeça da mulher de antes? Agora rolara até seus pés, com o mesmo sorriso estranho de sempre.
Ao mesmo tempo, o passageiro no banco de trás pareceu ver, num instante, as coisas horríveis ao redor e soltou um grito de terror.
No meio do grito desesperado do homem, Chen Mo pisou fundo no freio. Mas ele esqueceu que, naquela chuva intensa da madrugada, o carro mantinha alta velocidade. Com um rangido estridente, Chen Mo sentiu o carro tremer violentamente, e o mundo girou.
Antes de perder a consciência, uma voz pareceu ecoar em sua mente.
"O motorista de táxi envolvido num evento sobrenatural—conseguirá ele escapar desta história de terror real? Esta noite, vamos esperar para ver."