Embora fosse suspeito, era apenas a desconfiança de Chen Mo, mas não havia provas que pudessem confirmar que a pessoa era o "cliente estranho" mencionado na dica. Além disso, mesmo que ficasse claro que o outro era um disfarce de fantasma, não se podia acusá-lo diretamente, porque a tarefa exigia apenas que, ao chegar ao terminal, o número de passageiros fantasmas no ônibus não fosse maior que o de humanos. Ou seja, embora fosse preciso encontrar os fantasmas no veículo, só se podia tentar fazê-los descer. Se houvesse uma acusação precipitada, isso poderia, ao revelar a verdadeira face do espírito, desencadear uma ameaça mortal.
O ônibus continuou seguindo em frente, e o que mais irritava Qu Jiaojiao era que o jovem que havia subido há pouco sempre arranjava desculpas para puxar conversa com ela. Cada vez que abria a boca, exibia seus dentes amarelados, e o mau hálito vinha junto, fazendo-a sentir náuseas. Embora sua expressão já estivesse fria como gelo, o outro parecia não perceber, com uma cara de pau nunca antes vista.
Pior ainda, enquanto falava, o jovem de dentes amarelos se aproximou ainda mais, abusando da situação: "Gata..."
Qu Jiaojiao franziu as sobrancelhas, prestes a explodir, quando viu o rapaz com um ar misterioso: "Gata, vou te contar uma coisa..."
Qu Jiaojiao hesitou, e de repente um sorriso sedutor surgiu em seus lábios, enquanto ela o observava em silêncio.
Com aquele sorriso da bela moça, o rapaz de dentes amarelos sentiu os ossos derreterem pela metade e se aproximou ainda mais: "Essa boa notícia, só estou contando para você... Há pouco vi, debaixo do banco da penúltima fileira, alguém deixou cair um pacote preto de pano. Acho que pode ter algo bom..."
"É mesmo?" Qu Jiaojiao riu baixinho. "Então pega e mostra."
"Psiu, fala baixo, fala baixo." O rapaz ficou todo tenso. "Não espalha, minha querida."
"Quem é sua querida?" Qu Jiaojiao franziu as sobrancelhas de novo. "Rápido!"
O rapaz de dentes amarelos deu um sorrisinho, moveu-se discretamente, e em pouco tempo voltou, com um pacote preto escondido na roupa. O pacote não era grande, mas estava cheio e parecia ter um certo peso.
Qu Jiaojiao, sentada no assento do cobrador, de pernas cruzadas, observava enquanto ele cuidadosamente abria o pano preto.
"Ah..."
O rapaz soltou um grito baixinho. Dentro do pano preto, algo amarelo e brilhante: um monte de joias de ouro!
Correntes de ouro, brincos de ouro, pulseiras de ouro, e até dois dentes grandes de ouro, tudo tão reluzente que ofuscou os olhos do rapaz. Seu rosto comum e vulgar se encheu de uma mistura de surpresa e ganância.
"Fi-ficamos ricos... ficamos ricos..."
O rapaz tremia de excitação, mas tentava parecer calmo, olhando em volta. O homem de meia-idade parecia estar de olhos fechados descansando, a jovem continuava ouvindo música, ninguém parecia notar a situação, e a senhora idosa também estava com um ar sonolento.
Ao mesmo tempo, o coração de Chen Mo deu um pulo.
Havia um fantasma no ônibus.
Não sabia por quê, mas uma sensação muito forte surgiu em seu peito! A origem dessa sensação talvez estivesse no momento em que o rapaz abriu o pacote de ouro, quando ele pareceu, intencionalmente ou não, virar o corpo, permitindo que Chen Mo, no banco do motorista, visse um brilho amarelo pelo retrovisor.
Será que ele fez de propósito?
Claro, apenas com aquele movimento sutil, Chen Mo não conseguia julgar, e como estavam em movimento, ele não podia parar o ônibus para intervir. Tudo dependia da bela moça, Qu Jiaojiao, e de seu julgamento.
E naquele mesmo instante, pelo retrovisor, ele viu que o homem de meia-idade, que parecia descansar, abriu ligeiramente os olhos, e a jovem que ouvia música também tirou um fone de ouvido, como se sem querer.
"Olha só, que falta de mundo." Qu Jiaojiao cuspiu de lado e trocou a perna cruzada. "Pensei que fosse algo incrível, mas é só um punhado de ouro, e ainda com um estilo tão antiquado."
"Gata, não fala assim." As mãos do rapaz ainda tremiam, e ele pegou um dente de ouro para morder. "É de verdade!"
Depois, com o mau hálito, ele se aproximou de novo: "Parece que hoje é meu dia de sorte. Mas não sou egoísta, ouro e tesouro, quem vê tem direito. Não espalha, a gente divide escondido. Você é uma gata, vou te dar um par de pulseiras de ouro, que tal a gente ser amigo?"
"Ha."
Qu Jiaojiao soltou uma risada curta. "Sonha, sua mãe. Quem é seu amigo?"
"Isso aí, minha querida não liga, fica de presente para você."
"O que você quer dizer?" O rapaz ficou confuso, o rosto alternando entre vermelho e branco, entre a raiva da provocação e a alegria de ficar com o ouro sozinho, duas emoções opostas que deixaram sua expressão bem interessante.
"Nada não. Essas coisas são cafonas, não gosto. Já que você achou, fica com elas."
"Ah..." O rosto do rapaz finalmente mostrou um sorriso de satisfação. "Então, então não vou recusar..."
"Pega e vai embora, não enche mais o saco da sua querida." Qu Jiaojiao revirou os olhos e não olhou mais para ele. O rapaz guardou o pacote no peito e, de fato, parou de importuná-la, correndo para trás, murmurando como se falasse sozinho.
"Hoje em dia, tem gente que não aproveita uma oportunidade?"
Sentou-se no último banco, talvez incapaz de conter a euforia, embora tentasse manter uma expressão normal, o canto da boca ainda tremia involuntariamente.
Observando tudo pelo retrovisor, a expressão de Chen Mo também ficou séria. Qu Jiaojiao não aceitou a proposta de "quem vê tem direito", o que o aliviou.
Aquela mulher parecia frívola e mundana, mas Li Yan o havia alertado para tomar cuidado com ela. Assim, talvez essa frivolidade e mundanismo fossem apenas uma forma de autoproteção.
Pelo fato de ela ter recusado discretamente a oferta, pelo menos essa mulher não era nada burra.
Depois desse pequeno incidente, o ônibus voltou à calma, ninguém falava nada. A luz dos postes dançava sobre cada rosto, projetando sombras estranhas. Quando o próximo ponto estava quase chegando, de repente, a senhora idosa, que até então estava com uma expressão vazia e sonolenta, pareceu finalmente acordar. Abriu os olhos turvos, olhou ao redor, olhou para si mesma, levantou-se e de repente disse uma frase.
"Onde está meu ouro?"
"Onde está meu ouro?"
"Quem mexeu no meu ouro?!"
Cada vez mais alto, a voz era aguda e cortante, como algo afiado raspando uma parede!