Xiaochun entrou com uma pilha de documentos que precisavam da assinatura do presidente. Assim que entrou, viu o presidente olhando-se no espelho sem parar.
He Yining observou o rosto familiar no espelho e não pôde deixar de perguntar: "Xiaochun, eu não sou mais bonito?"
Xiaochun quase deixou cair todos os documentos no chão!
Xiaochun olhou para o próprio presidente com pavor, como se visse o fim do mundo.
O que houve com o presidente? Nunca antes o vira tão preocupado com a própria aparência.
Por que hoje ele diria algo tão assustador?
He Yining apoiou o queixo, a mente repetindo a frase que Shen Qi dissera, mas, por mais que se esforçasse, não conseguia pensar em nenhum homem do mesmo nível que ele na China que pudesse competir com ele em aparência.
Os lábios de Xiaochun tremeram um pouco antes de responder: "Claro que não. O presidente sempre foi muito bonito!"
He Yining parecia não estar muito satisfeito com sua aparência naquele dia e disse: "Hum, o cabelo está um pouco bagunçado hoje. Vá chamar Shen Qi."
Xiaochun ficou surpreso.
Desde que o presidente conheceu aquela estilista feminina, parecia que não usava mais outros estilistas.
Xiaochun era um assistente competente e respondeu na hora: "Sim, presidente."
Xiaochun ligou para Shen Qi, mas ela pediu licença pelo telefone, dizendo que estava doente.
Xiaochun transmitiu a resposta de Shen Qi a He Yining.
He Yining, porém, largou de repente o espelho que segurava, um sorriso sedutor surgindo no canto dos lábios: "Xiaochun, como um presidente que se preocupa com os subordinados, não deveria visitar um funcionário doente?"
O corpo de Xiaochun tremeu. Naquele dia, ele pôde ter certeza: o presidente realmente não estava normal.
Será que o presidente estava interessado naquela estilista...
Xiaochun respondeu prontamente: "Sim, o presidente sempre foi um líder exemplar."
Shen Qi foi a uma clínica pequena para se medicar. Quem a tratou foi um médico aposentado da medicina tradicional chinesa que ela conhecia bem.
"Xiao Qi, você não já se casou? Por que foi agredida de novo?" O médico que aplicava o remédio em Shen Qi olhou para as feridas cruzadas em suas costas e não pôde deixar de suspirar: "Passei um pouco da pomada que eu mesmo preparei. Fique tranquila, com algumas aplicações não vai deixar cicatriz."
Shen Qi rangeu os dentes de dor: "Não tem problema, já estou acostumada a apanhar. Meu irmão não consegue reagir rápido, já é naturalmente retraído. Se apanhar de novo, pode machucar o cérebro, e isso não seria bom."
"Então você deixa sua mãe te bater assim?" O médico olhou para as costas inchadas e vermelhas de Shen Qi, sentindo um pouco de pena.
Ela também tinha uma filha e não conseguia entender como alguém podia ser tão cruel com a própria filha.
Desde pequena, aquela pobre criança vinha sozinha se medicar sempre que se machucava.
Dezoito anos, com feridas grandes e pequenas sem parar.
Aquele médico idoso testemunhara aquela menina forte crescer aos poucos até se tornar uma moça.
"Não tem problema. Contanto que não batam no meu irmão." Shen Qi balançou levemente a cabeça: "Tia Qi, obrigada. Mas a taxa do remédio de hoje pode ter que ficar pendente. Antes de sair, deixei todo o dinheiro que tinha comigo para o meu irmão."
O médico Qi disse com um tom brincalhão: "Ah, eu não conheço você? Esse dinheiro do remédio não vale nada. Já que você saiu da família Shen, evite voltar para apanhar."
Shen Qi apenas sorriu, sem responder.
Naquele momento, o telefone tocou. Shen Qi olhou o número e atendeu: "Presidente He, hoje não estou me sentindo bem e já pedi licença..."