Capítulo 19: Capítulo 19 Protegendo o Irmão

"Você ousa bater em mim? Shen Qi, seu maldito bastardo, ousa bater em mim!" Shen Yinyin cobriu o rosto, incrédula, apontando para Shen Qi: "Certo, espera só!"

Shen Qi olhou para a própria palma da mão, quase atordoada.

Ela também não esperava que realmente tivesse batido em Shen Yinyin.

Com o temperamento de Shen Yinyin e a natureza protetora da mãe, provavelmente—

Como esperado, antes que Shen Qi pudesse reagir, ouviu-se do lado de fora os xingamentos da Sra. Shen: "Maldita pestinha, ousa bater na Yinyin? Que coisa desprezível! Vou te dar uma lição!"

Assim que terminou de falar, a Sra. Shen irrompeu furiosa pela porta. Sem nem perguntar o que houve, pegou um enfeite de pedra azul em cima da estante e o atirou na cabeça de Shen Qi.

Shen Qi desviou rapidamente, o que irritou ainda mais a Sra. Shen, que apontou para ela e disse: "Muito bem, muito bem, está criando asas para voar, hein? Ousa desviar? Então vou bater em quem não desvia!"

Dito isso, a Sra. Shen se virou e arrancou o espanador de penas das mãos da empregada, mirando na cabeça de Shen Lu.

"Não!" gritou Shen Qi, jogando-se na direção de Shen Lu.

Shen Qi se virou e abraçou Shen Lu com força, enquanto o espanador caía sobre suas costas.

No segundo seguinte, Shen Qi sentiu as costas inteiras queimarem, uma dor que a fez estremecer instantaneamente.

A Sra. Shen bateu com força mais de dez vezes, só parando quando ficou sem fôlego.

Shen Qi segurava Shen Lu firmemente, com o coração gelado como inverno.

A Sra. Shen disse com rancor: "Se não fosse porque você ainda precisa dar um filho para a família He, eu te mataria hoje!"

Shen Yinyin não queria que Shen Qi escapasse tão fácil, e reclamou manhosa: "Mãe, olha o que ela fez no meu rosto... não pode deixar barato assim!"

A Sra. Shen logo consolou Shen Yinyin: "Calma, Yinyin. Depois que ela der um filho para os He e pagarmos as dívidas deles, aí a gente se vinga como quiser."

Shen Yinyin só então se alegrou e saiu com a Sra. Shen.

Depois que a Sra. Shen e Shen Yinyin foram embora, Shen Qi, como se estivesse morta, soltou de repente as mãos que abraçavam Shen Lu e caiu no chão, exausta.

Nos olhos de Shen Lu, escuros como um poço profundo, algo parecia ter mudado. Ele estendeu a mão trêmula e tocou Shen Lu suavemente.

Era a primeira vez que ele iniciava um contato com alguém.

"Xiao Qi", disse Shen Lu baixinho. "Não dói."

As lágrimas de Shen Qi escorreram de repente: "Irmão, não dói."

Olhando para o rosto de Shen Lu, Shen Qi odiou pela primeira vez sua própria incompetência.

Se não fosse por sua incapacidade, seu irmão não teria que passar por tamanha humilhação.

"Irmão, aguente mais um pouco. Quando eu juntar dinheiro suficiente, vou te tirar daqui. Aí ninguém mais vai te maltratar." Shen Qi, com os olhos cheios de lágrimas, estendeu a mão para limpar a sujeira no rosto de Shen Lu.

Shen Lu ficou sentado no chão em silêncio, sem responder.

Ele mergulhou novamente em seu próprio mundo.

Mesmo sabendo que Shen Lu não ouvia outros sons, Shen Qi repetia incansavelmente para ele se alimentar bem, dormir bem e seguir direitinho os treinos com o médico.

Ao sair da casa dos Shen, Shen Qi se despediu de Shen Lu com relutância, sob os insultos de Shen Yinyin, e saiu pela porta da família Shen chorando.

No momento em que cruzou a soleira, Shen Qi cerrou os punhos, ergueu a cabeça para o céu e forçou as lágrimas a voltarem.

Naquele instante, Shen Qi jurou que trabalharia duro para ganhar dinheiro, o suficiente para curar seu irmão.

E nunca mais pisaria naquele lugar devorador.