Capítulo 998: Capítulo 998: Um Pouco Decepcionado 9

—Agora, quando tenho tempo livre, vou para Shenzhen ver meu namorado. Mas sobre o Ano Novo, o irmão Lingyun está de férias, então podemos chamar o Ziqing para passar o Ano Novo juntos. Afinal, faz muito tempo que não o vejo, estou com muitas saudades.

O velho Sr. Zhao acenou com a cabeça e disse: "Falta menos de um mês para o Ano Novo, desta vez preciso me preparar bem. Ah, é verdade, Xiaoling, você tem tantas joias e acessórios, me dê mais um. Quando o Ziqing chegar, eu, como avô, preciso dar um presente. Se não tiver nada, não vou ficar com vergonha?"

—Nossa, você está ficando viciado! Mas pensando em tantas caixas, tanto faz. Ela pegou uma pulseira de ágata, embrulhou numa caixa bonita e entregou ao velho Sr. Zhao, dizendo: "Vovô Zhao, agora você tem vergonha, não tem?"

—Tenho vergonha, sim, tenho vergonha. Ter um neto rico é tão bom! — suspirou o velho Sr. Zhao. Ela pensou em contar a ele que Zhao Lingyun tinha quase vinte milhões em jadeíta com ela, mas lembrando da origem do jadeíta vermelho de primeira qualidade, Bai Ling decidiu ficar calada.

Em casa, sem nada para fazer, Bai Ling recebeu uma ligação do velho Sr. Zheng e foi com ele ao instituto de pesquisa. O amigo italiano dele, Paulo, também foi ao instituto hoje para ver se a lendária estátua de Vênus era verdadeira.

Bai Ling chegou na porta do instituto e encontrou o velho Sr. Zheng, o velho Sr. Chen e o especialista italiano em escultura, Paulo.

Depois de se apresentarem, entraram no instituto. Após várias verificações de segurança, finalmente chegaram ao local onde estava a estátua de Vênus.

—Paulo, estes são os testes que fizemos, dê uma olhada? — o velho Sr. Zheng entregou a versão em inglês dos testes a Paulo e ficou de lado, esperando a reação dele.

Depois de olhar por um tempo, Paulo desviou os olhos para a estátua de Vênus real, fascinado pelas linhas suaves e elegantes da escultura, e de vez em quando passava as mãos enluvadas sobre as texturas e músculos.

—Zheng, esta estátua é extremamente bela. Quero confirmar: os dados deste relatório estão corretos? — Paulo perguntou incrédulo, pois a escultura à sua frente era tão linda, incomparável.

—Paulo, somos amigos de décadas, por que eu te enganaria com isso? Não há necessidade alguma. — o velho Sr. Zheng fez cara feia, fingindo estar bravo.

—Desculpe, não foi isso que quis dizer. Estou apenas muito emocionado. Mas ainda não posso confirmar se esta é da mesma origem que a Vênus do Louvre. — Paulo percebeu que suas palavras causaram um mal-entendido e se apressou em se explicar.

—Ah, então é isso. Mesmo que não possamos confirmar, esta escultura é uma peça rara e autêntica. Vamos guardá-la para nós mesmos apreciar! — o velho Sr. Zheng, um homem astuto com a idade, sabia muito bem o que Paulo estava pensando. Pelo olhar de surpresa e depois o brilho escondido nos olhos, era fácil ver que ele tinha ideias inadequadas. Mas era compreensível, afinal, aquilo era valioso demais. Na época, a estátua de Vênus italiana foi parar na França, e isso era uma dor no coração dos italianos.

—Zheng, vocês não gostam muito dela, e ela não se encaixa na cultura principal da China. Poderia vendê-la para mim, para eu levar de volta à Itália para pesquisa? Você sabe, minha vida inteira sonhei em completar os braços de Vênus. Agora que finalmente vi a pose dos meus sonhos, mesmo que eu morra amanhã, ficaria feliz. — Paulo, descaradamente, quis comprá-la, dizendo que não era verdade, mas no fundo queria possuí-la.

O velho Sr. Zheng não caiu nessa. Ele o chamou justamente por valorizar sua expertise e sua ambição. Mas não daria a ele; em vez disso, usaria sua boca grande para espalhar a notícia por toda a Itália, e até mesmo por todo o mundo artístico europeu. Assim, muitas pessoas viriam vê-la e estudá-la.

—Paulo, já que não tem certeza se é verdadeira, por que você a quer? Sua atitude me deixa desconfiado. Quanto ao amor pela escultura, não fico atrás de você. — o velho Sr. Zheng disse com seriedade, com um tom de repreensão pela falta de sinceridade de Paulo.

Paulo ficou vermelho de vergonha com as palavras do velho Sr. Zheng, como se tivesse sido desmascarado. Mas a vergonha não superava o desejo pela estátua, e ele disse: —Quero pegar um pouco de material para levar à Itália para teste. Se for confirmado como verdadeiro, mesmo que eu perca tudo, vou comprá-la.

—Então vamos primeiro confirmar se é verdadeira! — o velho Sr. Zheng não disse sim nem não, deu uma resposta ambígua. —Não fique só olhando para esta estátua. Tenho algumas pinturas aqui, dê uma olhada para ver se são originais.

Paulo viu a Mona Lisa e riu: —Conseguir imitar esta pintura de Da Vinci com tanta fineza, expressão e quase perfeição, é uma boa cópia.

—Embora não sejamos especialistas em pintura ocidental, fizemos testes no papel. A idade do papel desta pintura é a mesma da Mona Lisa que Da Vinci pintou. — o velho Sr. Zheng disse casualmente, pensando: "Peguei o peixe, peguei o peixe."

—Ah? — Paulo exclamou surpreso. —Como isso é possível?

—Se você não acredita, vamos gravar esta conversa. Vou cortar pessoalmente um pedaço de papel da pintura e pegar um pouco de tinta. Você leva de volta para testar. — o velho Sr. Zheng explicou. Os testes já foram feitos duas vezes, e os resultados foram os mesmos, então ele acreditava que aquelas peças eram originais. Esta Mona Lisa, nos detalhes, era até melhor do que a do Louvre. Se fosse confirmada como um original de Da Vinci, então só poderia ser que uma das duas fosse um esboço.

Mesmo sendo um esboço, era de um famoso como Da Vinci. Esboços de pessoas comuns não valem nada, mas de um autor famoso, se fosse realmente de Da Vinci, seria um tesouro inestimável.

—Ah, esta pintura é do estilo de Picasso, esta é de Van Gogh. Meu Deus, duvido dos meus olhos. Na antiga China, testemunhei a essência da cultura ocidental. Zheng, pode me dizer de onde veio tudo isso? — Paulo perguntou seriamente. Embora fossem velhos amigos, o olhar de Paulo acusava o velho Sr. Zheng de ser um ladrão.

—Hum, comprei estas coisas de um estrangeiro ancestralmente. A origem é legítima. Você sabe, há mais de dez anos, durante a turbulência cultural, não se podia mostrar estas coisas. Só recentemente as tirei para ver. Diferente do seu país, que durante a Aliança das Oito Nações saqueou quase tudo de bom da China. — o velho Sr. Zheng disse irritado, sem poupar Paulo. Amigo é amigo, mas quando se trata da honra nacional, não se pode ceder.

—Hehe. — Paulo ficou sem palavras novamente, só conseguindo rir sem graça.

Enquanto Paulo examinava as estátuas e pinturas, o velho Sr. Zheng e Bai Ling saíram. Bai Ling perguntou baixinho: —Mestre, sinto que esse homem está determinado a conseguir aquela Vênus.

O velho Sr. Zheng olhou para Paulo lá dentro e disse sorrindo: —É justamente por isso que o valorizo. Espero que ele espalhe a notícia para todo mundo. Assim, ficaremos famosos. Já posso afirmar que isto é uma antiguidade, e há 80% de chance de serem obras originais dos artistas.

—Isso seria um grande achado. Cada peça vale uma fortuna. Estou pensando, se eles quiserem comprar estas coisas, o que faremos? — Bai Ling queria deixar a maioria dessas peças em museus, para dar um certo destaque.

—Quando for confirmado que são originais, eles vão tentar comprar. Xiaoling, você pretende vender? — perguntou o velho Sr. Zheng.

—Vou ver a situação. Se for vender, não quero dinheiro, mas sim trocar por peças dos museus deles. Afinal, trazer de volta o que foi perdido para a pátria é mais gratificante do que ficar olhando para estátuas de pedra. — Bai Ling pensava por esse ângulo.

—Hum, você tem razão. Além disso, a China não se interessa muito por arte e estátuas ocidentais, assim como eles não apreciam muito a pintura chinesa. — o velho Sr. Zheng riu. —Se conseguirmos trocar essas coisas por meios legais, seria uma boa ação.

—Sim, pesquisei antes e parece que há uma regra: bibliotecas, tanto nacionais quanto estrangeiras, podem trocar coleções! — Era por isso que Bai Ling queria construir o museu o mais rápido possível.

—Sim, também ouvi falar. De qualquer forma, ainda estamos na fase de confirmação. Ouvi dizer que você tem mais coisas, por que não traz tudo para fazer um teste? — sugeriu o velho Sr. Zheng. —Mesmo que não seja público, pelo menos saiba o que é seu.

—Mestre, as esculturas de Michelangelo são muito valiosas? — Bai Ling lembrou que parecia haver duas caixas grandes cheias de esculturas de Michelangelo, e numa delas ainda havia um conjunto de ferramentas de escultura. Até ela mesma se perguntava como os japoneses conseguiram colecionar obras desses artistas famosos.

—O quê? Ainda tem obras de Michelangelo? Xiaoling, você realmente foi cavar um tesouro na Europa? — o velho Sr. Zheng perdeu a calma. O que estava acontecendo? Coisas boas aparecendo uma atrás da outra.

—Hehe, também comprei de um grupo de estrangeiros! — Bai Ling riu como uma raposa, claramente não querendo contar a verdade ao velho Sr. Zheng.

O velho Sr. Zheng viu a expressão de Bai Ling e sabia que era uma desculpa, mas já que ela não dizia, tinha seus motivos. No entanto, ele, como velho, não exporia sua aluna, pois seria muito perigoso.

—Xiaoling, de agora em diante, diga que todas essas coisas são minhas. Assim, você fica segura. — o velho Sr. Zheng instruiu. —Sabe, de você é mais fácil descobrir falhas. Quanto a mim, passei a vida inteira lidando com arte e morei muito tempo no exterior. Assim, nossa justificativa fica mais plausível.

—Mestre, obrigada! — Bai Ling olhou comovida para o velho que a protegia, abraçando o braço dele. —Mestre, embora não possa te dizer de onde vieram essas coisas, é porque assinei um acordo de confidencialidade, é segredo de estado, não posso falar.

—Bobinha, o mestre sabe. Você acha que sou bobo? Mesmo que não diga, consigo adivinhar um pouco. Você andou ao meu lado desde pequena, conheço seus pensamentos. Não me contar, de certa forma, também é para o meu bem. — o velho Sr. Zheng disse rindo.

—Mestre, não vou dizer mais nada. De qualquer forma, o que é meu, é do mestre. — Bai Ling bateu no peito. —Mestre, comprei um grande jadeíta amarelo em Hong Kong, vou te dar de presente.

—Que bom, então não vou recusar. Sabe, ser um escudo também é cansativo. — o velho Sr. Zheng riu. —Desta vez, nós dois temos que agir juntos, para contribuir com nosso país, que já sofreu tanto.

—Claro, com certeza. — Bai Ling disse sorrindo. —E ainda pretendo usar todo o dinheiro que ganhar para caridade. Tirar do povo, usar para o povo.

—Com sua idade, ter um coração tão grande já é muito bom. Embora sua habilidade em escultura seja apenas mediana, foi sua bondade que me fez aceitá-la como aluna. Você é inteligente demais, mas falta perseverança. Sabe um pouco de tudo, mas não é especialista em nada. — o velho Sr. Zheng suspirou, sentindo pena de Bai Ling como aluna.

—Mas, mestre, a escultura ainda é uma das minhas coisas favoritas! — Bai Ling protestou, embora soubesse que era verdade.

—Não se defenda, menina preguiçosa! — o velho Sr. Zheng acariciou a cabeça de Bai Ling e olhou para Paulo, que ainda estava debruçado sobre as pinturas.

—Mestre, olhe a cara de seu amigo, babando de desejo. Acho que já está decidido! — Bai Ling entrou junto com o velho Sr. Zheng, rindo.

—Hum, também acho. — o velho Sr. Zheng concordou com a cabeça.

Paulo viu o velho Sr. Zheng entrar, com os olhos cheios de um brilho fanático, e disse: —Zheng, quero pegar estas pinturas emprestadas para estudar na Itália. Dou minha palavra de honra que as devolverei.

O velho Sr. Zheng franziu o nariz, pensou por um momento e disse: —Desculpe, Paulo, não é que não confie em você, mas estas coisas são importantes demais, não posso concordar. — Mesmo os melhores amigos, diante de interesses, às vezes vacilam. Se ele não devolvesse, o velho Sr. Zheng poderia ir até a Itália matá-lo?

Além disso, com coisas tão valiosas, mesmo que Paulo não as tomasse para si, outros poderiam. O velho Sr. Zheng jamais concordaria.

—Ah! — Paulo suspirou desanimado. —Então vou trazer pessoas aqui com frequência. Não pode ficar irritado.

O velho Sr. Zheng riu: —Sempre bem-vindo. Ter o reconhecimento de mais pessoas com os mesmos ideais, e fazer estas peças preciosas verem a luz do dia novamente, para que mais pessoas possam apreciá-las, não é uma grande alegria na vida? Acredito que em breve, a Europa, e até o mundo inteiro, conhecerá seu nome, pois você será o certificador destas peças.

Isso era um evento muito importante no mundo das artes, muito benéfico para aumentar o conhecimento profissional e a reputação na área, então Paulo concordou plenamente com as palavras do velho Sr. Zheng.

—Hum, obrigado, Zheng, por ter pensado em mim primeiro com coisas tão boas! — Paulo veio apertar a mão do velho Sr. Zheng, grato.