—Joel, leva a Xiaoling para passear um pouco. Preciso falar umas coisas em particular com a tia Baihan! — disse Michelle, com um leve rubor no rosto, sorrindo.
Joel assentiu e saiu com Bai Ling, sem expressão no rosto. Bai Ling não suportava ver alguém assim, meio morto-vivo, e perguntou curiosa: — O que foi com você?
Joel olhou para Bai Ling, mas em vez de responder à pergunta dela, perguntou: — Se seus pais se divorciarem, o que você faria?
Bai Ling ficou surpresa, mas logo entendeu: provavelmente a tia Michelle e o Craig iam se divorciar. Por causa do filho, Joel devia estar se sentindo desconfortável! Mas a situação da família de Bai Ling era um pouco complicada. Ela coçou a cabeça e disse: — A situação lá em casa é meio complicada. Você sabe que o pai Xi é só meu padrasto; eu tive um pai biológico antes. Não pensei muito em outras coisas. Só sei que minha mãe é a pessoa mais importante para mim. Contanto que ela seja feliz, o resto não importa—se continuam juntos ou se divorciam, não é relevante.
Joel ouviu as palavras de Bai Ling e teve um estalo. De fato, a mãe Michelle era a pessoa mais importante. Desde que aquele homem chamado Owen apareceu, o sorriso no rosto da mãe aumentou muito, e seu humor melhorou, trazendo mais timidez e felicidade feminina. Embora o pai às vezes viesse visitar a mãe Michelle, Joel já não via mais interação entre eles, apenas cumprimentos educados.
— Xiaoling, se meus pais se divorciarem, os outros vão me desprezar? — perguntou Joel, um pouco inseguro, agora cheio de dúvidas.
Bai Ling quase se engasgou. Nunca imaginou ouvir Joel dizer algo assim. Cadê aquele garoto frio e cheio de energia que ela conhecia antes? Ela perguntou, meio incrédula: — Essas coisas superficiais realmente trazem felicidade? Por fora, tudo bonito, mas quando você chega em casa, só encontra paredes frias e luzes. Uma vida assim é boa?
Joel pensou um pouco e sorriu: — Já sei o que fazer!
Bai Ling entendeu e disse: — Na verdade, você sempre soube o que fazer, só não conseguia decidir. Pense: já somos adultos, vamos ter nossa própria vida. Quem pode acompanhar a mãe até a velhice é o companheiro dela. É por isso que, depois que minha mãe se separou do meu pai biológico, sempre apoiei que ela encontrasse um bom homem. Por melhor que sejam os filhos, não substituem um bom companheiro!
Joel ia responder quando viu, na entrada, mais de uma dúzia de homens de terno preto. O líder, um homem grande como um urso, era Owen. Bai Ling olhou para o grupo ameaçador e encolheu a cabeça: — Isso é segurança da sua casa?
Joel, sem jeito, olhou para Owen ao longe e murmurou: — Não!
Vendo Joel estranho, Bai Ling entendeu: o desconforto dele devia vir daquele homem. Perguntou: — É o pretendente da tia Michelle?
— Hum! — Joel baixou a cabeça, sem falar, e nem olhou para Owen, que já se aproximava.
Com a aproximação de Owen, Bai Ling sentiu como se o céu estivesse coberto, só conseguindo ficar na sombra dele.
— Joel, não vai me apresentar? — perguntou Owen, fingindo não notar o desconforto de Joel, com um ar despreocupado.
Bai Ling olhou para o jeito desinibido de Owen e pensou: “Esse cara é muito atrevido! Perseguir a mãe do cara na frente do filho, e a tia Michelle ainda não se divorciou do Craig. Ele já entra de cara. Se fosse comigo, minha cara estaria pior que a do Joel!”
— Owen, esta é Bai Ling, filha da senhora Xi. Bai Ling, este é Owen, amigo da minha mãe. — disse Joel calmamente. Antes de conversar com Bai Ling, Joel tinha dificuldade em encarar a perseguição de Owen à mãe Michelle. E na noite anterior, Michelle tinha dito a Joel que planejava se divorciar do pai.
Owen, claro, sabia quem era aquela—a filha da doutora Michelle. Ele tentou ser o mais gentil possível, ajustando a expressão para parecer mais amigável. Mas não funcionou muito bem; talvez por rir pouco, seu sorriso era forçado, e com a cicatriz no rosto, Bai Ling não sabia por que, mas conseguia ver um toque de comédia nele.
— Prazer em conhecê-la, pequena Bai Ling! — disse Owen, sorrindo, estendendo a mão para cumprimentá-la.
Bai Ling, lisonjeada, estendeu a mão rapidamente e sorriu: — Olá! Muito prazer em conhecê-lo!
— Obrigado por cuidar bem da Michelle. Você e sua mãe são boas pessoas! — elogiou Owen, com sinceridade no rosto.
Bai Ling suou frio. Não sabia como reagir. Ser elogiada como “boa pessoa” logo de cara a deixou sem saber o que responder. Se negasse, pareceria que não era boa; se aceitasse, sentia que não merecia. Só podia dizer que Owen tinha uma técnica de elogiar afiada. Bai Ling só sorriu e levou na esportiva.
Michelle ficou com Baihan. Depois que Joel levou Bai Ling para fora, ela ficou em silêncio, com um sorriso preocupado.
— Michelle, o que foi? Agora há pouco estava tudo bem, e de repente você está com essa cara? — perguntou Baihan, curiosa. Sabia que a doença de Michelle piorava com preocupação excessiva, então queria ajudá-la a não pensar demais.
Michelle respirou fundo, se acalmou um pouco, e disse devagar: — Ontem eu contei ao Joel que vou me divorciar do Craig.
— Ah? — Baihan ficou surpresa, mas logo entendeu. O divórcio de Michelle e Craig era questão de tempo. Depois que Michelle descobriu o que Craig tinha feito, os dois se distanciaram. Agora, quando se viam, era só constrangimento, sem o carinho de antes.
— Surpresa, né? — Michelle deu um sorriso amargo. — Quem já passou pela morte deseja ainda mais um amor verdadeiro.
Baihan, com medo de que Michelle interpretasse mal, explicou: — Michelle, se há amor, fiquem juntos; se não há, é melhor se separar!
— Só tenho medo de que Joel pense demais. Ele ainda é uma criança. — disse Michelle, preocupada, lembrando da reação de Joel na noite anterior. Achou que tinha sido precipitada.
Baihan sorriu: — Michelle, Joel é mais próximo de você. Se ele realmente quer sua felicidade, não vai se opor. Você mesma disse: já passou pela morte, muitas coisas ficaram claras. Olha a Xiaoling: você sabe da minha história. Depois que me separei do pai dela, só queria criar minha filha, estudar medicina, e não pensar em mais nada. Mas minha filha não pensava assim. Ela achava que o erro não era meu, que eu merecia um homem que me amasse de verdade. Foi assim que conheci meu marido atual, Xi Side. Levei muito tempo para aceitá-lo, só por causa de uma frase da minha filha: só quem ama de verdade pode amar os outros. Se você tem alguém de quem gosta, ou alguém adequado para passar a vida, não deixe escapar!
Michelle riu: — Quem diria que a Xiaoling, tão nova, entende tanto. Já nos perdemos por mais de vinte anos, não quero perder de novo.
— Pois é, ela é uma pestinha. Por isso, quando chegamos, o Joel estava com cara feia. Mas fique tranquila: com a mania da Xiaoling de não desistir até saber de tudo, ela já deve ter arrancado isso do Joel, e provavelmente já o convenceu. Então não se preocupe. Joel pode ser criança aos seus olhos, mas já é adulto. Já que você foi honesta com ele, ele vai saber julgar. Fique em paz! — consolou Baihan.
Com o conselho de Baihan, Michelle se sentiu mais aliviada. Ia mudar de assunto quando ouviu uma batida na porta. Entrou um homem alto e forte.
— Você chegou? — disse Michelle, como se falasse com um marido que voltava para casa. Baihan, esperta, percebeu logo o tom.
— Eu bati no Craig! — disse Owen assim que entrou, contando o que tinha feito na Europa, confessando a Michelle, como sempre, sem esconder nada, de peito aberto.
— Ah? Eu já disse: o que passou, passou. Não precisa mais se preocupar. Por que você foi bater nele? — reclamou Michelle, mas sem raiva, porque conhecia bem Owen. Se ele não tivesse batido no Craig, seria estranho.
Owen disse, todo arrogante: — Você perdoá-lo é problema seu. Eu bati nele porque ele não cumpriu a promessa. Mereceu! Já disse a ele: agora estou oficialmente te cortejando!
Baihan ficou chocada com a declaração tão direta de Owen. Existia um homem assim no mundo? Cortajar a esposa dos outros com tanta naturalidade? Raro. Baihan pensou igual a Bai Ling: grandes mentes pensam igual.
— Já enviei a ele o acordo de divórcio. Todos os meus bens vão para o Joel. Assim, podemos ficar juntos sem amarras, sem nos preocupar com status ou essas bobagens. — disse Michelle, sorrindo, sem se envergonhar da presença de Baihan. Baihan admirava a franqueza dos dois. Talvez os estrangeiros fossem mais diretos, diferente dos chineses, mais reservados.
— Que bom! Quando recebermos o documento de volta do Craig, poderei beijar minha deusa abertamente! — disse Owen, radiante, segurando o impulso de abraçar Michelle.
As palavras e ações de Owen fizeram Baihan vê-lo com outros olhos. Parece que esse estrangeiro também entendia o conceito chinês de “parar na cortesia”.
Michelle olhou para Owen e disse: — Esta é minha grande amiga, Baihan! Baihan, este é Owen!
Embora já soubesse pelas informações que Baihan e Bai Ling eram mãe e filha, ao ver Baihan pessoalmente, Owen se surpreendeu: elas não pareciam mãe e filha, mas sim irmãs.
Owen cumprimentou educadamente e agradeceu a Baihan por cuidar de Michelle. Baihan pensou: a gentileza desse homem provavelmente é só para Michelle; com os outros, ele é seco. Não sabia por que Michelle tinha deixado um homem tão bom para se casar com Craig.
— Michelle, Owen, eu vou indo. Não vou atrapalhar vocês. — disse Baihan, que estava mais à frente, com Owen atrás. Ela piscou para Michelle, como quem diz: “Esse é bom, agarra!”
— Até logo. Depois vou aí, não precisa vir sempre até aqui. — Michelle corou, mas mudou de assunto com inteligência.
Quando ia sair, Baihan se virou: — Michelle, esqueci de combinar uma coisa. Quero convidar vocês para a China. Sabe, meu pai está sozinho lá, muito solitário, e faz tempo que não vou para casa. Por causa da identidade dele, não pode se movimentar à vontade. Da última vez, precisou de uma centena de seguranças para vir me ver, arriscando tudo. Então, quero voltar para visitá-lo no Festival da Primavera, um feriado tradicional chinês.
Michelle sabia que Baihan estava pensando nela. Baihan era só uma médica, e já fazia muito por ela. Michelle sorriu: — Claro! Estou querendo ir para a China!
— E a segurança? — perguntou Owen, claramente sem conhecer a China, mas sua preocupação tocou Michelle.
Baihan se adiantou: — Se você conseguir nos levar em segurança até meu pai, não teremos problemas. Garanto!
Owen, vendo que Baihan falava com tanta confiança, não insistiu. Perguntou: — Quando partimos? Vou organizar o pessoal.
— Daqui a umas duas semanas. Ainda preciso comprar algumas coisas. — respondeu Baihan.
Owen assentiu, indicando que entendeu, e ficou em silêncio.
— Então está bem. Vou ver as paisagens da China! — disse Michelle, sorrindo, vendo a preocupação nos olhos de Baihan. — Fique tranquila. Com o Owen aqui, ninguém vai nos machucar de novo!
Owen, com as palavras de Michelle, exibiu uma expressão orgulhosa, como uma criança. Baihan murmurou para si mesma.
Baihan esperou por Bai Ling na porta. Bai Ling, por último, disse baixinho a Joel: — Você vai ter sua própria vida. Não pode ser egoísta e deixar a tia Michelle sozinha! Pense mais na sua mãe!
Joel, sem querer, tocou a mão de Bai Ling e sussurrou no ouvido dela: — Já entendi!
Baihan viu a intimidade entre a filha e Joel, que parecia além do normal. Quando entraram no carro, perguntou com cuidado: — O que vocês estavam conversando?
— Joel disse que a tia Michelle vai se divorciar do Craig. Ele estava triste, meio confuso, mas já o convenci, e agora ele entendeu. — explicou Bai Ling, sorrindo, como uma gatinha esperta, se gabando para a mãe de ter feito mais uma boa ação.
Baihan já imaginava. Afinal, Bai Ling saiu da barriga dela; conhecia a filha.
— Mas o comportamento de vocês dois pareceu um pouco íntimo demais. Melhor tomar cuidado! — disse Baihan, querendo ensinar a filha a ser prudente. Além disso, ela era nova, devia ser mimada, não deixar ninguém a levar tão cedo! As crianças estrangeiras amadureciam cedo, e Baihan aceitava bem a cultura ocidental, mas nesse ponto, mantinha a tradição chinesa.
Baihan revirou os olhos: — Mãe, com que olho você viu intimidade entre eu e o Joel? Só troquei umas palavras com ele, e você já fala assim. Então não vou mais vê-lo. Se for inevitável, não vou falar com ele. Pronto, assim está bom?
— Sua pestinha! Eu só falei uma coisa, e você já tem um monte de respostas. Que filha ingrata! — disse Baihan, apertando o rosto de Bai Ling, que estava mais magro do que antes, com o coração apertado. — Minha Xiaoling emagreceu! — e os olhos se encheram de lágrimas.