Quando Joel saiu da cozinha, Bai Ling já tinha devorado três shengjian. O chá de crisântemo havia sido preparado antes, derramado direto da garrafa térmica.
"Vai devagar, com calma, não se engasgue, tem muita coisa", disse Joel, colocando o chá na frente de Bai Ling com um sorriso. Ver Bai Ling comer era uma felicidade. Joel, sem pressa, tirou mais alguns petiscos deliciosos de uma sacola ao lado, todos os favoritos de Bai Ling, fazendo com que seus grandes olhos se estreitassem em duas luas crescentes, e suas covinhas profundas ficassem ainda mais encantadoras.
"Obrigada!" disse Bai Ling, docemente, vindo do fundo do coração.
Joel pensava agora que, sempre que via o sorriso desarmado e doce de Bai Ling, parecia estar relacionado a comida. Pensando nisso, Joel entendeu: ficar de olho nas melhores comidas do mundo para conquistar o sorriso da bela não era algo tão difícil.
"Você não vai comer?" perguntou Bai Ling, olhando para a comida à frente, com a boca cheia de óleo, só lembrando de convidar Joel depois de estar meio satisfeita.
Joel imitou Bai Ling, lavou as mãos e comeu com as mãos, pegando um xiaolongbao de sopa, um de cada vez, muito gostoso. Vendo Bai Ling comer com tanto prazer, Joel acelerou o ritmo, realmente era diferente. Joel achou que era efeito psicológico, já que tudo era comida que já havia provado antes, mas parecia ainda mais saborosa desta vez.
Vendo a comida na mesa diminuir, Bai Ling fez biquinho e disse: "Deixa um pouco para mim!"
Joel, por hábito, apertou o rosto de Bai Ling, deixando duas marcas de dedos oleosos. Bai Ling gritou: "Seu malvado, não só compete comigo pela comida, como ainda me enche a cara de óleo!" Dito isso, largou o que tinha na mão e correu para o banheiro, sem esquecer de avisar: "Espera eu voltar para comer de novo." Bai Ling protegia a comida a esse ponto, algo realmente raro.
Joel, obediente, não comeu, esperando por Bai Ling, bebendo chá de crisântemo, relaxado e elegante, como um jovem nobre. O jeito que havia comido com as mãos parecia nunca ter acontecido com Joel.
Quando saiu, Bai Ling deu um arroto e disse: "Na verdade, você pode comer mais, já estou quase satisfeita, senão vou ficar estufada e não consigo dormir à noite."
Joel, que não tinha muito apetite, já tinha comido o suficiente depois da disputa com Bai Ling, e ainda comeu dois cristal shao mai, resolvendo o jantar.
"Você não vai voltar para casa hoje à noite?" perguntou Bai Ling, curiosa. Depois de comer, os dois sentaram no sofá, de costas um para o outro, lendo. Bai Ling lia um livro de medicina, e Joel, documentos da empresa. Os documentos de Joel eram ultrassecretos, mas ele não os escondia de Bai Ling, confiando que ela não vazaria nada, e que a índole dela não permitiria tal coisa.
"Você está me convidando a ficar?" Joel virou a cabeça, perguntando com interesse, um sorriso malicioso no canto da boca.
Bai Ling antes achava Joel um cara quadrado e teimoso, mas agora essa ideia já tinha ido para o lixo. Bai Ling percebeu claramente que todo homem tem potencial para ser um "bad boy"; só não mostrava antes porque a hora não havia chegado.
"Moço bonito, eu só tenho dezesseis anos, ser sua namorada agora já é namoro precoce. Você espera que a gente dê o próximo passo agora?" Bai Ling franziu o rosto, quase com uma careta. Será que Joel não só tinha potencial para ser um "bad boy", mas também um coração de fera?
"Na verdade, dezesseis anos não é tão pequeno. Eu sei que na China antiga, meninas de quinze anos já podiam se casar e ter filhos", disse Joel, todo sério, exibindo seu conhecimento sobre a história chinesa.
"Isso era antes. Se você tentar algo à força agora, primeiro, é crime. Segundo, se eu resistir, você não vai se dar bem, talvez nem consiga me vencer", disse Bai Ling, com um sorriso irônico, olhando para a grande faca na mesa, que brilhava com uma luz fria sob o lampião.
Joel seguiu o olhar de Bai Ling e viu a faca, dando um calafrio. Percebeu que ter uma namorada muito dominadora não era tão bom; só dava para dizer que era ótimo, mas não dava para fazer o que quisesse.
Como Bai Ling havia dormido muito à tarde, não estava com sono. Depois de ler um pouco, foi ao laboratório coletar dados novamente. Quando voltou, viu, sob a luz fraca, um belo homem dormindo no sofá, com papéis espalhados, alguns no sofá, outros no chão. Bai Ling, com cuidado, pegou os papéis do chão, colocou na mesinha ao lado, foi ao quarto pegar um cobertor e cobriu Joel. A luz principal já estava apagada, só o abajur ao lado do sofá estava aceso. A luz amarelada do abajur noturno emitia um brilho suave e convidativo. O cabelo loiro e macio de Joel, um pouco desalinhado pela posição de dormir, estava bagunçado, mas não perdia a beleza. Seus traços profundos estavam ainda mais marcantes. Os cílios longos formavam um leque encantador.
Seguindo os lábios rosados de Joel, o queixo sensual, o pescoço esguio e as clavículas sexy, Bai Ling engoliu saliva involuntariamente, umedecendo os lábios secos. Uma batalha interna se travava em sua mente: "Só um beijinho, já estou há tanto tempo vazia, já aguentei tanto, só para sentir aquela sensação de novo, um beijo rápido, não é nada demais." Outra voz gritava: "Não pode ser tão leviana, mesmo tendo coração de uma mulher mais velha, agora tenho corpo de adolescente, não posso me deixar levar pela aparência, senão Joel vai pensar que sou uma pessoa fácil."
Bai Ling se levantou, respirou fundo algumas vezes, sem perceber que Joel, que parecia estar em sono profundo, já tinha aberto os olhos, olhando com um sorriso para Bai Ling, que estava em pânico. Então, Bai Ling não era indiferente a ele.
Quando olhou para Joel novamente, já eram mais de dez minutos depois. Bai Ling finalmente tomou uma decisão: só um beijinho, para sentir como eram aqueles lábios rosados. Depois, iria embora na hora, sem acordar Joel.
Bai Ling foi na ponta dos pés até Joel, aproximou-se devagar do rosto bonito dele e deu um beijo leve em seus lábios. Mas logo arregalou os olhos: sentiu algo macio e escorregadio lamber seus lábios. Seria a língua de Joel? Ele estava acordado? Bai Ling se afastou rapidamente, mas viu que Joel não dava sinais de ter acordado. Saboreando a sensação de arrepio, sentiu o nariz esquentar. Nossa, estava sangrando! "Ai, ai", correu para o banheiro, inclinou a cabeça para trás e bateu água fria na testa.
Vendo Bai Ling correr para o banheiro em pânico, Joel quase quis rir alto, mas, lembrando do temperamento explosivo de Bai Ling, segurou o riso, com medo de que ela, furiosa, o expulsasse.
Quinze minutos depois, Bai Ling saiu do banheiro. Tinha perdido bastante sangue pelo nariz, estava tonta e meio exausta. "Homem bonito é pior que tigre!" Bai Ling correu para o quarto e se deitou. Por muito tempo, na cama, virou-se de um lado para o outro, sem conseguir dormir. O homem bonito estava lá fora! Se antes a relação com Joel não tivesse sido esclarecida, Bai Ling podia fingir que não sabia de nada, mas depois que a cortina foi aberta, ela não conseguia mais ser tão natural como antes. Meio sonolenta, Bai Ling adormeceu. No dia seguinte, foi acordada pelo despertador, hora de ir ao laboratório.
Ao passar pelo sofá da sala, não viu Joel, achando que ele já tinha ido embora. Meio sonolenta, abriu a porta do banheiro. "Ah!" gritou Bai Ling, "Você ainda está aqui?"
Joel, com o queixo cheio de espuma, estava fazendo a barba. Bai Ling pensou: "Ainda bem que estava com os olhos meio abertos, e não fechados, sentando direto no vaso, teria sido um vexame."
Bai Ling segurou a barriga e disse alto: "Sai daí, estou com dor de barriga!"
Joel, todo satisfeito, saiu fazendo a barba. Bai Ling finalmente sentou no vaso, mas, ao pensar que lá fora estava um homem com quem ela acabara de começar um namoro, ficou tão nervosa que suou frio, sem conseguir começar a "desintoxicação" do dia. Inconformada, gritou: "Vai para longe!"
"Ha ha ha!" Joel não aguentou mais e caiu na risada lá fora.
Bai Ling, usando o som da descarga para disfarçar, resolveu tudo rapidamente, fez a "desintoxicação", lavou o rosto e os dentes, e ao sair, viu Joel na pia da cozinha, lavando a espuma do rosto. Ele também aqueceu os petiscos que sobraram do dia anterior, imitando Bai Ling que tinha feito mingau de arroz no dia anterior, preparou um pouco de mingau e disse: "Come antes de ir para o laboratório."
"Não dá tempo, vou para o laboratório primeiro", disse Bai Ling, pegando um shao mai, colocando na boca, e saindo correndo para o laboratório.
Joel teve que esperar por Bai Ling. Enquanto isso, arrumava os papéis que ela havia deixado, olhando de vez em quando para o relógio na parede. O tempo passava tão devagar.
Quando Bai Ling voltou, já eram duas horas depois. Ela perguntou: "Você ainda não foi embora?"
"Esperei por você, para tomar café da manhã juntos antes de ir", disse Joel, sorrindo, de bom humor desde cedo.
Joel, como um dono de casa, colocou o café da manhã na mesa, serviu o mingau e os acompanhamentos para Bai Ling. Comportou-se bem, e Bai Ling ficou satisfeita.
Mal tinham terminado o café da manhã, o telefone tocou. Era Bai Han: "Xiao Ling, chegaram amigos de B City, Zhu Mengxi, Li Baojian e Zhou Tingting, dizendo que têm algo para falar com você. Se tiver tempo, dá uma passada em casa."
Bai Ling ficou contente. Antes, estava discutindo com Joel sobre a possibilidade de invadir o mercado de entretenimento do continente, e agora Zhu Mengxi aparecia. De certa forma, Bai Ling estava em vantagem, o que era bom para as negociações, garantindo mais trunfos.
"Tá bom, mãe, já estou indo. Mãe, manda eles irem direto para a Ling Hui Media, que eu vou para lá, é mais rápido. Afinal, eles não vieram para visitar a família, mas para cooperar com a Ling Hui Media", sugeriu Bai Ling, já que a casa não era lugar para negócios, e aproveitaria para mostrar o poder da Ling Hui Media.
Bai Han sabia que Bai Ling sempre agia com bom senso, então concordou: "Tá bom, vou falar com eles."
Bai Ling foi ao quarto, trocou de roupa: uma blusa de malha fina sem mangas, uma calça jeans desbotada até os joelhos, prendeu o cabelo num coque simples com um elástico, calçou um tênis, pegou uma mochila e disse: "Vou para a Ling Hui Media. Você vai ficar aqui?"
"Também vou para a empresa, vamos juntos", disse Joel, já arrumado, fechando o botão de gema na manga direita com a mão esquerda, mas quando foi trocar para fechar o da esquerda com a direita, teve dificuldade. Pelo jeito, alguém costumava fechar os botões para ele.
Bai Ling se aproximou, pegou o braço de Joel e fechou o botão, provocando: "Antes eram as empregadas bonitas da sua casa que fechavam os botões para você, né?"
"Hum hum", Joel riu baixinho, "Você está com ciúmes?"
"Ciúmes do seu nariz!" Bai Ling deu um tapinha no braço de Joel, "Vamos, estou com pressa!"
Xia Fan já tinha o carro na porta. Bai Ling e Joel entraram e partiram em disparada. Ao chegar na Ling Hui Media, Bai Ling disse: "Por favor, irmão Xia Fan, leva o Joel até a empresa dele." Acenou para Joel e se virou para descer, mas ele foi mais rápido, dando um beijo na testa dela.
Havia muita gente lá fora, e a porta do carro estava aberta. Fazer muito escândalo seria ruim. Bai Ling olhou feio para Joel e desceu rapidamente.
Antes, no laboratório, Bai Ling tinha ligado para a irmã Wu, pedindo para ela receber os três amigos do continente. Seguindo a dica de um funcionário, Bai Ling foi direto para o estúdio de gravação.
"Desculpa, cheguei atrasada, mil desculpas", disse Bai Ling ao entrar, vendo Zhu Mengxi, Li Baojian e Zhou Tingting olhando com interesse para o que acontecia no estúdio.
"Se não fosse por ver tantos equipamentos e artistas, eu realmente ia achar que você estava se escondendo de nós, sem querer cooperar", disse Zhu Mengxi, sorrindo, como se tivesse uma relação muito próxima com Bai Ling.
Li Baojian estava de olho em Xie Qianwen, que gravava lá dentro, e cochichou com Bai Ling: "Xiao Ling, somos conterrâneos, deixa um pouco dessa mercadoria boa para mim." E continuava olhando para as outras garotas do grupo juvenil no estúdio.
Bai Ling ficou muito irritada com isso, e sua expressão facial mostrou desagrado. Ela disse, séria: "Li Baojian, você é alguns anos mais velho que eu, e eu te respeito como um irmão mais velho. Mas seu comportamento agora me envergonha. Esta é minha empresa, e talvez você não saiba o quanto eu protejo meus artistas. Se você continuar falando assim, não precisamos mais cooperar."
Li Baojian ficou sem graça com a repreensão, mas Bai Ling não desviou o olhar, encarando-o diretamente. Instantaneamente, o estúdio caiu em silêncio. A irmã Wu conhecia o temperamento de Bai Ling, então não interferiu, confiando que ela resolveria.
Zhou Tingting nunca tinha visto Bai Ling assim. Queria intervir para amenizar, mas como só recentemente tinha feito as pazes com Bai Ling, essa amizade frágil era difícil de conquistar, então não disse nada, olhando para outro lado.
Zhu Mengxi olhou feio para Li Baojian. Esse cara não perdia o vício, assediando na frente dos outros, não admira que Bai Ling estivesse brava. Mas Zhu Mengxi subestimou o quanto Bai Ling protegia seus artistas.
"Li Baojian, brincadeira tem limite, hein. Viemos visitar e negociar. Se está no cio, espera a noite, que tem lugar para você. Agora fica quieto", disse Zhu Mengxi, dando um tapinha no ombro de Li Baojian, sorrindo, e, num canto que Bai Ling não via, piscou para ele.