Capítulo 818: Capítulo 818: Nem Servil, Nem Arrogante (17)

Bai Ling revirou os olhos. Como aquele mestiço bonitão que ficou famoso por causa de uma música podia se comparar ao Tio Li? Pelo menos o Tio Li era um homem de verdade, diferente de Fei Xiang, que depois virou alvo de fofocas sobre ser gay.

Hu Ying, vendo a reação de Bai Ling, sentou-se rapidamente e perguntou: "Bai Ling, será que tem mesmo chance?"

"Claro que sim! Quando foi que eu falei algo e não cumpri, ou inventei história?" Bai Ling torceu a boca e disse. "Você é que não confia em mim!"

"Foi mal, maninha, acabei de te pedir desculpas. Aliás, quem é que você vai me apresentar? Eu conheço?" Hu Ying perguntou apressada.

Bai Ling fez mistério: "Claro que sim, e é bem conhecido!"

"Bem conhecido?" Hu Ying franziu a testa, pensando, mas depois de um tempo ainda não conseguia imaginar quem era. "Não consigo adivinhar. Quem é próximo de mim são Liu Hu e Lin Long, mas eles já estão comprometidos. O resto é gente do mundo dos negócios, cheios de gordura, e oito em cada dez têm amantes por fora. Não gosto disso."

"Sabia que você não ia acertar!" Bai Ling acenou com a mão, e Hu Ying se aproximou depressa. "Vou te apresentar o Tio Li. Vocês são velhos conhecidos. Ele é uma boa pessoa, só não tem dinheiro, mas de resto é ótimo!"

"É ele? Li Chuang?" Hu Ying tapou a boca, incrédula, e de relance viu o Tio Li entrando pela porta. Virou os olhos rapidamente e disse: "Xiao Ling, esse 'produto' é bom!"

Com as palavras de Hu Ying, Bai Ling quase caiu na risada. Achou que a irmã Hu Ying estava comprando algo, falando em 'produto bom'!

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"E aí? Esse é bom, não é? Não te enganei, né? O Tio Li fica tanto tempo ao lado do vovô, a capacidade de combate individual é essa aqui. Olha o corpo, olha a altura, olha o peitoral, olha o rosto. Tudo de primeira!" Bai Ling elogiava sem parar, levantando o polegar.

Hu Ying, seguindo as palavras de Bai Ling, balançava a cabeça em concordância. Quanto mais olhava para o Tio Li, mais achava que ele era bom. Quando se deu conta, viu o sorriso provocador de Bai Ling e soube que a garota tinha percebido seu constrangimento. Foi fazer cócegas em Bai Ling, dizendo: "Vou te ensinar a rir de mim!"

Bai Ling não era páreo para Hu Ying. Em poucos segundos, foi dominada e pediu clemência: "Irmã Hu Ying, a imagem de dama! A imagem!"

Hu Ying levantou a cabeça e viu o Tio Li olhando na direção delas. Parecia que ela tinha razão: não podia fazer besteira e deixar uma má impressão, senão seria um desperdício. Era raro encontrar um homem tão viril.

"Dessa vez vou te poupar! Mas como é que você vai nos apresentar?" Hu Ying perguntou.

"Isso é fácil. É só marcar de sair para tomar chá, dar uma volta, pronto!" Bai Ling disse, sem dar importância.

"Não é muito direto?" Hu Ying perguntou, meio sem graça.

"Ah, vocês dois já têm trinta anos, e ainda estão com vergonha?" Bai Ling agora se vingava, já que antes tinha sido dominada por Hu Ying sem chance de revidar. Agora podia zoar Hu Ying.

"Eu até tenho idade, mas só tive um namoro, com meu ex-noivo. Tenho pouca experiência, maninha. Dá umas dicas para a irmã!" Hu Ying puxou a mão de Bai Ling, com um jeito de irmã mais velha, bajulando.

"Que dicas? É só duas pessoas se conhecerem por intermédio, se entenderem, e se der certo, continuam. Se não der, cada um segue seu caminho." Bai Ling abriu as mãos, mas depois pensou: "Mas quando estiverem juntos, sejam verdadeiros, sem fingimento. Assim dá para conhecer os pontos fortes e fracos um do outro, e lidar com a relação de forma racional. Pode não ser um amor arrebatador, mas terá um sentimento de carinho simples e tranquilo."

"É, isso basta! Esse negócio de amor não dura. O importante é viver bem, se apoiar mutuamente, e pronto." Hu Ying disse com emoção, ainda magoada pelo amor passado.

"Na verdade, acho que o Tio Li não é indiferente a você. Eu disse a ele que você viria hoje, e ele não parava de se olhar no espelho do carro para ver se estava tudo certo." Bai Ling deu uma dica para Hu Ying, agindo como lubrificante, elogiando um para o outro, para que os dois adultos fossem mais proativos. Senão, ficariam os dois parados, e seria muito chato.

"Sério?" Hu Ying perguntou curiosa.

"Esse tipo de coisa, como eu poderia mentir? O Tio Li é órfão, cresceu com a ajuda de toda a aldeia. Todo o dinheiro que juntou doou para as crianças da aldeia estudarem. Ele é otimista, de coração aberto e grato. Mesmo que vocês dois não fiquem juntos, serem amigos já é bom." Bai Ling sugeriu, desejando sinceramente a felicidade das pessoas ao seu redor.

"Não imaginava que Li Chuang tivesse essa visão toda." Hu Ying disse com admiração, e seus olhos demonstravam ainda mais consideração pelo Tio Li.

"E eu também disse que você é uma mulher forte, que trabalha fora. O Tio Li falou: 'Por mais forte que seja lá fora, em casa não passa de uma mulherzinha. Os dois se entendem e vivem bem, e pronto.' Ele também disse..." Bai Ling hesitou em contar a parte sobre "medir forças" que o Tio Li tinha mencionado.

Vendo que Bai Ling não terminou, Hu Ying perguntou curiosa: "E o que mais?"

"Ele disse que se os dois discordarem, medem forças, e quem vencer decide." Bai Ling, pressionada por Hu Ying, acabou contando.

"Ah, que presunçoso!" Os olhos de Hu Ying brilharam com um brilho intenso, fazendo Bai Ling tremer. Parecia que a irmã Hu Ying gostava desse método de resolver divergências, e queria brigar naquele momento para provar que ainda era a 'Flor de Lótus' de antes. Originalmente, achava que os dois combinavam em vários aspectos, mas agora via que não só as condições externas eram compatíveis, mas também as personalidades.

"Que tal você não ir embora hoje? Vou comprar dois ingressos de cinema para vocês irem juntos. O que acha?" Bai Ling sugeriu. Era a primeira vez que ela atuava como casamenteira de verdade, e estava tão animada que até a tristeza pela morte do monge tinha diminuído. Os mortos são para serem lembrados, mas os vivos ao redor são para serem cuidados.

"Está bem, vamos fazer isso! Conto com você!" Hu Ying disse sorrindo, claramente de bom humor.

Bai Ling entrou no carro dirigido por Xia Fan, comprou dois ingressos de cinema e encontrou o Tio Li. Disse: "Tio Li, comprei dois ingressos. Vai assistir ao filme com a irmã Hu Ying, está bem?"

"Hoje à noite? Hoje à noite seu avô vai visitar o velho Zhao, e eu tenho que acompanhar." O Tio Li disse, hesitante. O velho Lin sempre saía com ele, então era compreensível que ele ficasse preocupado.

"Deixa isso comigo. Hoje vou com o vovô visitar o tio Zhao. Você pega os ingressos, e eu falo com o vovô." Bai Ling pensou um pouco e disse.

"Isso não é bom? O velho chefe confia tanto em mim, e eu vou fazer serviço particular. Não estaria traindo a confiança dele?" O Tio Li disse, preocupado.

"Qual é! O vovô não te trata como estranho. Outro dia ele até falou sobre seu casamento e seu futuro. Se souber que você vai ao cinema com uma moça, vai ficar super feliz." Bai Ling rebateu. O Tio Li passava mais tempo com o velho Lin do que a própria mãe Bai Han e Bai Ling, e ele era muito querido pelo velho Lin, que o via quase como um filho.

"Mas..."

"Mas o quê! Vou falar agora!" Bai Ling ignorou a hesitação do Tio Li e subiu correndo. Viu o velho Lin lendo um livro, ficou atrás dele e começou a massageá-lo. "Vovô, posso ir com você hoje à noite à casa do tio Zhao?"

"Claro! Seu tio Zhao acabou de ligar, estava falando de você." O velho Lin disse sorrindo. "Você não veio só por isso, né?"

Bai Ling sorriu bajuladoramente: "Vovô é inteligente, tem olhos de águia, viu logo que tenho um pedido. É o seguinte: quero apresentar o Tio Li à irmã Hu Ying. O que acha?"

"Uma criança fazendo de casamenteira! Mas o Li realmente já está com idade, precisa se casar. Não posso atrasar a vida dele por minha causa. A Hu Ying também é uma boa moça, os dois combinam." O velho Lin assentiu. "Quando o Li se casar, vou transferi-lo para um cargo bom no interior, para não ter servido ao meu lado por tanto tempo em vão."

"Então hoje a irmã Hu Ying veio, e eu falei com ela. O Tio Li parece estar interessado. Comprei ingressos para eles irem ao cinema, e eu vou com o vovô à casa do tio Zhao. Está bem?" Bai Ling perguntou. "O Tio Li está preocupado com o senhor e não teve coragem de pedir, então eu me ofereci para falar."

"Está bem! Deixa o Li ir tranquilo. A prioridade dele agora é se 'vender'." O velho Lin disse com firmeza. "Vai dizer ao Li que isso é uma grande missão, uma tarefa política!"

"Pode deixar!" Bai Ling fez uma saudação de escoteiro. "Vou descer agora."

Lá embaixo, Hu Ying e o Tio Li estavam conversando animadamente. Afinal, os dois eram militares de origem, então tinham assunto em comum. A franqueza dos militares aproximava as pessoas.

"Tio Li, já falei com o vovô. Ele disse que você deve tratar isso como uma grande missão, uma tarefa política, e acompanhar bem a senhorita Hu Ying ao cinema." Bai Ling disse com seriedade.

Hu Ying, ao saber que o velho chefe também sabia, sentiu o rosto esquentar e corou involuntariamente. O Tio Li, sendo homem, se comportou com naturalidade. Era bom ter o apoio do chefe.

Depois que Hu Ying e o Tio Li foram ao cinema, toda a família ficou sabendo que Bai Ling tinha feito de casamenteira. Bai Han até segurou Bai Ling para perguntar bem, e só ficou tranquila quando viu que não era brincadeira.

"Irmão, irmão!" Xiao Gen, em pouco tempo, já estava bem familiarizado com De Dong, chamando-o de irmão com alegria. Com as duas mãozinhas, segurava a cabeça careca de De Dong e começou a morder.

"Xiao Gen, não pode morder, não pode morder!" De Dong tentou levantar a cabeça, mas com medo de machucar Xiao Gen, ficou sem jeito.

Quando Bai Ling desceu, viu Xiao Gen não só mordendo a cabeça careca de De Dong, mas também cutucando as cicatrizes de incenso no topo da cabeça dele, deixando De Dong entre o riso e o choro.

Bai Ling correu para pegar Xiao Gen no colo e disse, fingindo braveza: "Seu danado, morde tudo o que vê? Amanhã vou te dar uma pedra para morder, senão vou te dar uma surra!"

"Irmã, irmã..." A voz infantil de Xiao Gen, mesmo com toda a raiva, fazia tudo desaparecer num instante.

"A irmã não vai te bater, mas você não pode judiar do irmão, entendeu?" Bai Ling beliscou o narizinho de Xiao Gen.

Xiao Gen não entendeu nada, só ria bobo, sem saber o que fazer.

"De Dong, se o Xiao Gen te judiar, não pode deixar, nem ceder!" Bai Ling recomendou. Ver um garoto tão educado como De Dong ser judiado por Xiao Gen a deixava com o coração apertado.

De Dong disse, sem se importar: "O Xiao Gen está brincando comigo, não está me judiando!"

"Está bem, já está tarde. Vai para o quarto dormir." Bai Ling sentou-se ao lado de De Dong com Xiao Gen no colo e disse: "De Dong, considere esta casa como a sua. Se tiver algo que não queira falar com os adultos, fale com a irmã, está bem?"

As palavras suaves de Bai Ling fizeram De Dong ficar de olhos vermelhos novamente. Ele disse, com a voz embargada: "Irmã Bai Ling, você é muito boa!"

"Pronto, vai para o quarto! Depois de acalmar o Xiao Gen, também vou descansar." Bai Ling acariciou a cabeça careca de De Dong e o viu subir as escadas.

Depois do Ano Novo, as férias acabaram. Xi Side tinha coisas na empresa e voltou. Bai Han e Bai Ling iam ficar mais alguns dias, porque De Dong decidiu ficar em B City, morando com o velho Lin, para praticar a técnica da faca.

"De Dong, já que você decidiu ficar aqui, respeito sua escolha. Mas se algo te aborrecer, me liga." Bai Ling sentou-se na cama pequena de De Dong. "Ficar aqui é bom. Você pode ir à escola primária, a educação aqui é mais adequada para você."

"Eu sei, irmã Bai Ling. Vou estudar bem e praticar a faca." De Dong prometeu. "Você também tem que se esforçar!"

"Sim, vamos nos esforçar juntos!" Bai Ling estendeu a mão e fez um 'pinky swear' com De Dong.

"Está bem!" De Dong sorriu. O sorriso no rosto, embora radiante, não era mais o sorriso despreocupado de antes. Havia uma pitada de maturidade. Ele tinha crescido, mas o preço do crescimento era cruel.

Bai Ling foi ao quarto do velho Lin e disse: "Vovô, confio De Dong a você."

"Pode deixar. É uma dívida que temos com o mestre. Vou tratar bem do De Dong. Se ele se dedicar, posso até ensinar tudo o que sei." O velho Lin disse com emoção, sentindo uma culpa interna, sempre pensando naquela grande faca e no desastre que ela trouxera.

"De Dong aprendeu a ler com o monge desde pequeno, mas nunca foi à escola. Agora que ele está conosco, é melhor matriculá-lo na escola, para não ficar muito desligado da sociedade." Bai Ling sugeriu.

"Também pensei nisso. Já entrei em contato com a escola, a mesma onde você estudou quando era pequena. O que acha?" O velho Lin perguntou.

"Ótimo. Com suas relações, ele não vai sofrer bullying naquela escola." Bai Ling disse, aliviada. "Amanhã eu e a mamãe vamos voltar para Hong Kong. Só volto daqui a alguns meses. Vovô, se cuide."

"Estou firme e forte. Como você disse, ainda quero ver a volta de Hong Kong e Macau." O velho Lin disse com uma risada sonora e cheia de energia. "Aliás, como estão o Li e a Hu Ying?" O velho Lin perguntou com um olhar curioso.

"Parece que está indo rápido, já tem algum clima!" Bai Ling respondeu com sinceridade.